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“Cavalão”: Bolsonaro foi pentatleta das Forças Armadas

“Cavalão”: Bolsonaro foi pentatleta das Forças Armadas

Pentatleta, Bolsonaro era reserva e ganhava laranja como incentivo

Demétrio Vecchioli
Do UOL, em São Paulo

Nos seus tempos de juventude, o presidente Jair Bolsonaro não era só atleta. O “Cavalão”, como seria seu apelido, era um pentatleta militar, que por quatro anos foi convocado para a seleção das Forças Armadas, mas sempre para ser “reserva”.
Segundo seu próprio relato, não ganhava medalhas. O que o incentivava a continuar treinando era receber uma laranja e uma mariola (um doce de banana ou goiaba) ao fim do dia.
A vida atlética do presidente da República virou assunto nacional na terça-feira (24), quando Bolsonaro fez um pronunciamento pela televisão e disse que, por já ter sido atleta, não correria riscos com o novo coronavírus.
No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar. Eu nada sentiria, ou seria cometido por uma gripezinha, ou resfriadinho.”
A fala logo virou meme, com internautas ironizando a carreira esportiva de Bolsonaro. Nas redes sociais, viralizou uma imagem do presidente, então garoto, em 1977, completando o que parece ser uma prova de atletismo. E também um vídeo em que Bolsonaro mostra dificuldades em fazer embaixadinhas.
Em uma fala na Câmara dos Deputados em setembro de 2015, durante cerimônia que homenageou os medalhistas dos Jogos Pan-Americanos e Parapan-Americanos de Toronto, Bolsonaro falou sobre sua carreira de atleta.
“A minha vida pregressa de atleta começou lá na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx) como fundista, depois na Academia Militar das Agulhas Negras, no pentatlo militar, e depois convocado por quatro anos para a equipe de pentatlo militar das Forças Armadas”, contou, em meio a elogios a atletas e ao então deputado João Derly, que estava no PCdoB, medalha de ouro no Mundial de Judô e no Panamericano de 2007, no Rio. “Meu apelido lá era Cavalão, dado à minha condição física”, revelou.
Em seu relato, Bolsonaro contou que não era “titular” na equipe das Forças Armadas. “Estava na reserva”, disse, e não em referência à sua situação como militar —naquele momento, estava na ativa.
Formado por provas de tiro, corrida de obstáculos, natação com obstáculos, lançamento de granada e atletismo cross-country, o pentatlo militar é um esporte individual, uma adaptação do pentatlo moderno, disputado na Olimpíada. Ainda que fizesse parte da elite da modalidade no país, não consta que ele tenha participado de eventos internacionais como o Campeonato Mundial, realizado anualmente desde 1950.
Ao discursar para os atletas e contar sua situação de reserva, Bolsonaro aproveitou para contar qual era sua motivação.
No meu tempo de militar, da ativa, o prêmio para o atleta durante o treinamento era uma laranja e uma mariola. Nada mais além disso. Mas era gratificante porque a gente fazia aquilo com o coração.”
Naquela cerimônia, Bolsonaro contou um trecho pouco conhecido de sua biografia: um grave acidente pulando de paraquedas, que deixou sequelas.
“Eu lembro de um salto na brigada paraquedista em que eu quebrei os quatro membros. Quando eu dei um salto e quebrei os dois braços, tudo bem. Agora as duas pernas… Foi quando eu fui apresentado ao astrágalo, um osso da região do calcanhar. Eu deixei de ser atleta. Eu sofri muito com aquilo. Situação semelhante aos paralímpicos. Se bem que não perdi nada, mas perdi o movimento da perna direita, ou da pata traseira direita como alguns dizem, dado ao meu apelido naquele momento”, contou, em referência ao apelido de “Cavalão”. O astrágalo, ou tálus, é um dos sete ossos do tarso, na região posterior do pé.
O episódio foi contado no livro “Bolsonaro: o homem que peitou o Exército e desafia a democracia”, do escritor Clóvis Saint-Clair. O hoje presidente teria perdido o controle de seu paraquedas e despencado de uma altura de oito metros na avenida das Américas, na Barra da Tijuca, durante uma aula prática.
De acordo com o livro, Bolsonaro bateu contra a parede de um prédio e despencou oito metros até o chão, quebrando os dois braços e as duas pernas.
Para terminar o discurso de homenagem aos atletas em 2015, o Jair Bolsonaro deputado federal deixou o seguinte recado: “O Brasil é muito maior que questões políticas que nós atravessamos. O Brasil é maior do que tudo que acontece no Planalto Central.”
UOL/montedo.com

Navio da Marinha atraca no Rio com dois casos confirmados de Covid-19

Navio da Marinha atraca no Rio com dois casos confirmados de Covid-19

Lucas Altino e Thaís Sousa
A confirmação de dois casos de infecção por Covid-19 no navio da Almirante Saboia levou pânico à tripulação. Com 250 pessoas a bordo, o G25 atracou na última segunda-feira no Complexo Naval da Ilha do Mocanguê, em Niterói. A Marinha do Brasil informou que mais três pessoas foram testadas e dois dos exames deram negativo. Outros 36 tripulantes estão em isolamento domiciliar “em caráter preventivo” por terem apresentado sintomas.
O Almirante Saboia saiu do Rio de Janeiro no último dia 10 em direção à Estação Naval do Rio Grande, no Rio Grande do Sul, fazendo uma parada de quatro dias em Itajaí (SC) — onde houve entrada e saída de tripulantes. O navio chegou ao Rio Grande no dia 18 e iniciou a viagem de volta do Rio de Janeiro no dia seguinte. Eles pararam em Santos (sem desembarque) no dia 21. A partir dali, passaram mais dois dias em alto mar e atracaram na Ilha do Mocanguê no última segunda. Ao longo da viagem, parte dos oficiais começou a apresentar sintomas e foi isolada dentro do navio. Os demais continuaram trabalhando normalmente.
— A contaminação surgiu quando a gente chegou em Rio Grande. O pessoal estava bem tranquilo, porque a gente tinha saído do Rio dia 10, e quase não havia casos. Mas isolaram 36 pessoas no navio. E quando a gente voltou, mandaram todo mundo pra casa pra ficar em quarentena — relatou um dos tripulantes em isolamento domiciliar, que no momento apresenta sintomas brandos de coronavírus e está sendo monitorado pelas equipes da Marinha.
Em mensagens que circulam entre os grupos da Marinha, oficiais relatam que a chegada do G25 exigiu uma operação especial. Enfermeiros da Esquadra teriam sido acionados para avaliar e acompanhar os tripulantes antes que eles deixassem o navio. A ordem imediata do Comando da Esquadra teria sido de implantação da “rotina de domingo”, quando apenas oficiais em serviço permanecem nas dependências do Complexo Naval.
Outro oficial da Marinha, que pediu para não ser identificado, afirmou que a embarcação está sendo desinfetada, o que reduziria os riscos aos marinheiros que estão trabalhando. Sobre a denúncia do alto número de pessoas contaminadas, ele explicou que é preciso ter cautela, pois houve de fato muita gente com sintoma, mas também outros que “se aproveitaram” da situação para conseguir dispensa.
— Há muitas suspeitas, mas casos muito genéricos. Se o cara tossiu, já ganhou dispensa de 14 dias. Então há de tudo, tem gente realmente com gripe forte, mas também tem gente que não tem nada de relevante, mas estão dando dispensa direto, porque não querem pagar para ver.
Outro oficial disse existir um clima de medo devido à falta de confirmação e transparência sobre os casos.
— O número oficial de casos não é informado, até porque não fazem testes. Mas quem tem sintoma é dispensado, e aí utilizam uma classificação genérica do tipo “dispensado por motivos de saúde” — explicou ele, que destacou a ordem do comando de “continuar a trabalhar”, enquanto minimiza o risco do vírus.

Nesse sentido, o Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Ilques Barbosa Junior, gravou um vídeo de três minutos em que cita a adoção de medidas preventivas, mas reitera que o vírus não impedirá os trabalhos da Marinha. Para isso, ele explica que foi adotada a “Operação Grande Muralha” há um mês, e ainda lembra que já houve enfrentamento de “problemas mais graves” na história, como a Gripe Espanhola, e as operações na Segunda Guerra Mundial, Haiti e Líbano, esta última em curso.
— Embora o vírus seja agressivo, temos plenas condições de neutralizá-lo — afirmou o comandante, em vídeo, se referindo a medidas de higiene e etiqueta social.
Em seguida, o comandante fala sobre a necessidade de não se envolver em “mensagens alarmistas” e cita a presença de Deus como forma de enfrentar a crise.
— Decisões importantes devem ser tomadas, vamos superar essa situação. Na certeza da presença de Deus, nada temos a temer, temos que trabalhar — finaliza na mensagem.
Em nota oficial, a Marinha do Brasil informou que está seguindo todos os protocolos estabelecidos pelos ministérios da Saúde e da Defesa. O Comando em Chefe da Esquadra, responsável pelo Complexo Naval da Ilha do Mocanguê, também estaria tomando as medidas necessárias à redução do fluxo de pessoas na ilha. Confira a nota:
“A Marinha do Brasil (MB), por intermédio do Comando em Chefe da Esquadra, esclarece que, além dos dois oficiais que testaram positivo para o COVID-19, três outros tripulantes do mesmo navio tiveram os testes realizados, sendo que dois indicaram NEGATIVO e se aguarda o resultado para o terceiro. Todos estão sendo mantidos em isolamento e monitorados, de acordo com os protocolos estabelecidos pelos Ministérios da Saúde e da Defesa.
Além desses casos, em caráter preventivo, trinta e seis outros tripulantes estão cumprindo isolamento domiciliar por recomendação médica, por terem apresentado algum tipo de sintoma respiratório, ainda que leve. Cabe ressaltar que este número corresponde a cerca de 15% da tripulação do navio.
Quanto ao cumprimento do expediente a bordo, à semelhança do procedimento adotado para as demais unidades subordinadas ao Comando em Chefe da Esquadra, várias medidas vêm sendo adotadas para evitar a concentração de pessoal, como o licenciamento diário de parte da tripulação; flexibilização do horário de expediente; ampliação do horário de refeições, permitindo a divisão dos comensais em grupos menores; entre outras.
A Marinha do Brasil reafirma o compromisso e constante atenção em promover um ambiente de trabalho seguro ao seu pessoal, como condição essencial para a manutenção de sua plena capacidade operacional.”
EXTRA/montedo.com

Militares temem efeitos do radicalismo com Bolsonaro isolado

Militares temem efeitos do radicalismo com Bolsonaro isolado

General afirma temer que Forças Armadas sejam bucha de canhão em disputa política

Igor Gielow
SÃO PAULO

A cúpula militar brasileira acompanha com preocupação o isolamento de Jair Bolsonaro na crise da pandemia do coronavírus.
Teme que o presidente, visto como instável e num momento de particular agressividade reativa, fomente radicalismos que acabem por envolver as Forças Armadas.
Chamou a atenção de oficiais-generais dos três braços militares o presidente ter falado de anormalidade democrática em decorrência da crise.
Em entrevista na frente do Palácio da Alvorada na quarta (25), Bolsonaro defendeu sua criticada posição de evitar quarentenas para combater o contágio do vírus.
E vaticinou, sem ser questionado: “Caso contrário, o que aconteceu no Chile vai ser fichinha perto do que pode acontecer no Brasil. Se é que o Brasil não possa ainda sair da normalidade democrática que vocês [imprensa] tanto defendem”.
Depois, alegou que tais problemas viriam da esquerda, e não por sua iniciativa.
Não é a primeira vez que o presidente saca o espantalho chileno, os protestos que sacodem o país andino desde o ano passado.
Em outubro, pressionado no episódio em que postou vídeo chamando o Supremo de hiena, disse que convocaria as Forças Armadas caso houvesse distúrbios semelhantes aos do Chile, e que a esquerda latina tramava isso.
Há um instrumento legal para isso, o artigo 142 da Constituição, segundo o qual qualquer um dos Poderes pode convocar os fardados para garantir a ordem pública em caso de crise extrema.
Se hoje não há esquerda na rua a promover desordem, de que baderna falou Bolsonaro?
A única resposta no radar é uma crise social aguda decorrente da pandemia.
Na reunião virtual de governadores ocorrida na quarta (25), chefes de estados mais frágeis relataram riscos de saques e distúrbios, além das questões sanitárias em si.
Mesmo na mais poderosa unidade da federação, São Paulo, policiais civis estão reforçando patrulhas de PMs após três saques a mercados.
Eventuais emergências em locais como Tocantins, onde rios da bacia que dá nome ao estado ameaçam desabrigar milhares, também compõem um quadro complexo.
Os militares sabem como funciona. Primeiro vem o problema, depois a declaração de incapacidade do estado, aí entra a GLO (operação de Garantia de Lei e da Ordem). Tem sido uma rotina: foram 141 de 1992 para cá.
O Ministério da Defesa montou centros de monitoramento e resposta à crise que a chegada do novo vírus trouxe.
O comandante do Exército, general Edson Pujol, ressaltou em mensagem que o país poderia contar com o “braço forte” tanto quanto com a “mão amiga”, o mote da Força.
O agravante é a politização da questão. Desde o começo, o presidente foi na contramão mundial e minimizou o vírus.
Depois, passou a vender a narrativa segundo a qual a economia precisa ser preservada e que medidas restritivas contra o patógeno seriam tão perigosas quanto ele.
Com a falta de apoio generalizada entre governadores, Congresso e comunidade médica ao seu receituário, restou a Bolsonaro pregar à sua base de apoio mais radical enquanto é pressionado a agir.
A resultante do embate, temem os militares, pode ser o agravamento desnecessário dos problemas econômicos e sanitários na ponta.
Aqui entra um componente delicado: se a cúpula da ativa tenta riscar uma linha separando sua ação da de Bolsonaro, como a mensagem sóbria de Pujol indicou, ela sabe que está no coração do governo na forma de ministros e que o presidente apela aos estratos médios e baixos das Forças e das PMs.
Por isso, segue sob observação o dia 31 de março, data do golpe de 1964 celebrado por Bolsonaro.
Postagem anônima replicada por Bolsonaro sugeriu atos nas frentes dos quartéis contra os Poderes, semelhantes aos apoiados ao vivo pelo presidente no dia 15.
Bolsonaro tergiversou, mas a questão inquieta comandantes ouvidos pela Folha. Perguntam: e se o protesto ocorrer e adicionar à lista de alvos os governadores ora em embate direto com o Planalto?
Militares têm recebido relatos de insatisfação de tropas de policiais com as condições de trabalho durante a epidemia, e a memória da incitação ao motim da PM-CE por membros do governo está fresca.
Para usar o jargão de um general, há o temor de que as Forças Armadas acabem sendo bucha de canhão.
Os nervos estão à flor da pele. A publicação da lista de promoções e trocas de cargos de generais no Diário Oficial, um ato corriqueiro decidido há mais de um mês, virou a “preparação do golpe de Bolsonaro” no WhatsApp.
O papel da ala militar no governo também é especulado.
A troika de generais (o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, o secretário de Governo, Luiz Eduardo Ramos, e o chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto) tem buscado sem sucesso moderar o chefe, mas também isso não significa que ela esteja tramando contra ele.
O vice, general Hamilton Mourão, fez seu usual morde-e-assopra, ao dizer que o caudaloso discurso de Bolsonaro em rede nacional foi apenas mal expressado. Mas também defendeu o isolamento social, negado pelo chefe.
Isolado pelos filhos de Bolsonaro, Mourão também nunca foi uma unanimidade entre seus pares, mas tem sido lembrado cada vez pelo nome com que vinha sendo chamado por diversos militares: a alternativa constitucional.
Na eventualidade de o presidente renunciar ou sofrer um hoje improvável impeachment, avaliam oficiais da ativa, a ala militar iria enfrentar outro problema: seria acusada de ter fomentado um golpe palaciano caso Bolsonaro leve o conflito ao paroxismo.
FOLHA DE SÃO PAULO/montedo.com

Exército envia 1.275 militares idosos para o teletrabalho durante crise do coronavírus

Exército envia 1.275 militares idosos para o teletrabalho durante crise do coronavírus

Membros com 60 anos ou mais foram autorizados a trabalhar à distância
Painel

On-line
O Exército brasileiro mandou 1.275 militares para casa, para prestação de serviço à distância. Os autorizados a ficarem no teletrabalho foram os com idade igual ou superior a 60 anos. Ao todo, o efetivo do Exército tem 223 mil integrantes.

Todo cuidado
O comandante da Força, general Edson Leal Pujol, publicou vídeo na quarta-feira (25) em que dizia que a crise atual “talvez seja a missão mais importante de nossa geração”.
Folha de São Paulo/montedo.com

Defesa autoriza contratação de militares inativos para cargos na administração federal

Defesa autoriza contratação de militares inativos para cargos na administração federal

Ministério autoriza contratação de militares inativos
Candidatos não podem ter condenação criminal nem punições disciplinares por crime contra a honra, o pudor ou ética militar

R7
O Ministério da Defesa autorizou a contratação de militares inativos, da reserva remunerada ou reformados, para a realização de “atividades de natureza civil na administração pública federal”. A decisão foi publicação no DOU (Diário Oficial da União) desta quinta-feira (26).
Segundo a portaria, a contratação precisa ser aprovada pelo Ministério da Defesa, depois de consultar Comandantes das Forças Armadas, mediante demanda encaminhada pelo Ministério da Economia.
A pasta será responsável por determinar o número limite de militares que podem ser contratados, bem como atendem aos requisitos da vaga em questão.

Para participar dos processos seletivos, o militar precisa se enquadrar nas seguintes regras:
“I – estar na reserva remunerada ou ter sido reformado por idade limite;
II – não possuir condenação criminal na Justiça Comum ou na Justiça Militar ou na Justiça Eleitoral;
III – não ter sido considerado culpado em Conselho de Disciplina ou Conselho de Justificação;
IV – não ter sido exonerado, como militar inativo, no desempenho de atividades de natureza militar ou civil, por falta de desempenho ou por motivo de ordem moral, disciplinar ou penal;
V – não ter sido punido disciplinarmente por transgressão contra a honra, o pundonor ou a ética militar;
VI – não ter completado oito anos no desempenho de atividades de natureza civil, consecutivos ou não, com amparo no Decreto nº 10.210, de 2020, ainda que em diferentes órgãos ou entidades; e
VII- não ter sido condenado por ato doloso em ação civil de ressarcimento por danos ao erário.
VIII – não exercer função ou cargo remunerado em órgão da Administração Pública Federal, Estadual ou Municipal ou estar contratado como prestador de tarefa por tempo certo por sua Força Armada”.
R7/montedo.com

Para reler: China Revisa a Arte da Guerra

Para reler: China Revisa a Arte da Guerra

China Revisa a Arte da Guerra
“Guerra Assimétrica” – terrorismo, hackers, sabotagem econômica, assassinato de cidadãos americanos – é a Estratégia Militar Chinesa para derrotar os Estados Unidos.

Artigo de 2000 que foi publicado em DefesaNet e chamou a atenção para a “Guerra Irrestrita ” e Assimétrica, Termos que vieram ao grande público com os atentados de 11 Set 01.

China Revisa a Arte da Guerra(*)
“Guerra Assimétrica” – terrorismo, hackers, sabotagem econômica, assassinato de cidadãos americanos – é a Estratégia Militar Chinesa para derrotar os Estados Unidos.

Michael Waller
Revista Insight

Devem os financistas que prejudicam as “red-chip” serem assassinados? O Exército de Libertação do Povo da China, ou PLA ( People Liberation Army ), está discutindo o conceito. Deve Beijing (Pequim) financiar secretamente fundos políticos para influenciarem as atitudes do Estados Unidos? Um novo livro do PLA, abertamente discute estas questões. Frente a uma necessidade de corrida de armamentos nucleares e até convencionais high-tech para alcançar uma paridade com os Estados Unidos e Rússia, membros de um seleto grupo de coronéis, que estão cotados para serem os líderes de amanhã, estão traçando uma forma de guerra outra que a nuclear, uma nova e mais discreta forma de guerra.
O livro, titulado Unrestricted Warfare, é parte de um esforço do PLA para desenvolver meios de contrapor aos Estados Unidos através da “assimetria” — não tentando desenvolver contra o poder dos Estados Unidos míssil por míssil, mas voltar contra os adversários da China o poder deles mesmos, como a técnica do judô, em derrotar um inimigo mais forte: “Entender e empregar o princípio da assimetria corretamente permite explorar os pontos fracos do inimigo,” os Coronéis. Qiao Liang e Wang Xiangsui escreveram em seu livro de 1999. Eles dizem que a idéia do livro surgiu durante a Crise do Estreito de Taiwan em 1996 quando Beijing sentiu-se impotente, quando dois Porta-Aviões e suas Forças Tarefas fizeram uma demonstração de força na região. Insight Magazine obteve uma tradução do livro feita pela CIA.
Unrestricted Warfare, de acordo com um comentário da CIA, “propõe táticas e estratégias para países em desenvolvimento, em particular a China, de forma a compensar sua capacidade militar inferior, vis-à-vis com os Estados Unidos em uma guerra de alta tecnologia.” Então, “Hacking Websites, atingir instituições financeiras, terrorismo, usar a mídia e conduzir guerra urbana estão entre os métodos propostos.” Em um entrevista para o Jornal da Juventude do Partido Comunista Chinês, o Coronel Qiao, 44 anos, disse, “A primeira regra do” Unrestricted Warfare” é que não há regras, nada é proibido.”
O livro chama a atenção que a infra-estrutura para tal combate deverá ser preparada e posta para uma possível confrontação bem antes. “Deste ponto em diante, a guerra não será mais como antes,” os coronéis escrevem, mas ela será irreconhecível pois será travada no coração da sociedade americana. “pode um simples ataque de hacker contar como um ato hostil ou não? Pode o uso de instrumentos financeiros para destruir a economia de um país ser vista como uma batalha? Pode a transmissão da rede CNN, de um corpo de um soldado americano nas ruas de Mogadiscio, que chocou a determinação dos americanos de agirem como polícia do mundo, e portanto alterou a situação estratégica ?”
Os coronéis lançaram o fundamento desse conceito de guerra com o apoio do comando militar chinês e do Partido Comunista. “O PLA tem colocado especial ênfase na modernização de suas capacidades de info-war ( infoguerra ), como dita a dominação na informação que tem ênfase no livro clássico A Arte da Guerra de Sun Tzu,” conforme Al Santoli, editor do the China Reform Monitor bulletin. “A racionalização para este conceito, está articulado em Unrestricted Warfare. “O PLA decidiu que ele não pode competir com os Estados Unidos em armamentos convencionais. Em compensação está enfatizando o desenvolvimento de novas tecnologias e informações para cyberwar e vírus para neutralizar ou desgastar as forças políticas, econômicas, sociais e informação militar e sua infra-estrutura de comando e controle” explica Santoli.
Muito do debate é aberto. O PLA está encorajando oficiais a pensarem mais sobre Unrestricted Warfare e Information Warfare em particular. No ano passado (!998 ) também foi publicado um livro na mesma linha, Introduction to Information Warfare, “como parte de seu esforço de operações combinadas para combater futuras guerras. O livro foi aprovado pelo estado Maior do PLA e a poderosa Comissão Militar Central,” e foi leitura recomendada pelo jornal Jiefangjun Bao do PLA.
Os autores do PLA são explícitos no Unrestricted Warfare, argüindo que a China pode contrapor aos sensores de alta tecnologia, contramedidas eletrônicas e armamentos sofisticados dos americanos empregando métodos totalmente diferentes. “Se o lado atacante [i.e., China] secretamente acumula grandes reservas de capital sem a nação inimiga perceber e lança um bote contra seus mercados financeiros, “eles escrevem, “então após causar uma crise financeira, lance um vírus de computador e um destacamento de hackers contra o sistema de computadores do oponente. Ao mesmo tempo lance um ataque à rede de distribuição de energia e os centros de tráfego, centros financeiros, rede de telecomunicações e a rede de imprensa estarão completamente paralisados , isto levará a nação inimiga ao pânico social , tumultos nas ruas e crise social”
Ou assim o PLA espera que aconteça. Unrestricted Warfare chama para ampliar a idéia de armamentos a cada setor da vida política, econômica, social e vida cultural nos países ocidentais. A elegante tradução da CIA revela uma argumentação muito bem desenvolvida e um profundo conhecimento do sistema militar dos Estados Unidos, a vida política e o sistema econômico assim como a cultura popular americana.
Unrestricted Warfare, escrevem os coronéis do PLA, “significa que todos os meios estarão em prontidão, que todos a informação estará onipresente e o campo de batalha será em todo o lugar. Significa que todas as armas e tecnologia serão superpostas, as fronteiras entre os dois mundos, guerra e não guerra, de militar e não militar, serão totalmente eliminados.”
Pode assim o lado mais fraco derrotar os Estados Unidos, os coronéis do PLA afirmam que os Estados Unidos não estão acompanhando o enorme avanço que está ocorrendo no pensamento militar proveniente do avanço tecnológico. “Os americanos não tem sido capazes de agir em conjunto nesta área. Isto porque ao propor um novo conceito de armas não requer estar na dianteira de novas tecnologias, necessita sim, de um pensamento lúcido e incisivo. Este não é o ponto forte dos americanos que são escravos da tecnologia em seu pensamento.”
Os americanos, na visão dos coronéis chineses são muito ligados a armamentos cujo objetivo imediato é matar e destruir.” Em Unrestricted Warfare, “não há nada no mundo hoje que não possa se tornar uma arma.” Então a guerra deverá ser travada em cada aspecto da vida americana: “Como nós vemos, uma queda na bolsa de valores, um simples vírus de computador ou um mero rumor ou escândalo que resulte em flutuação da moeda do país , ou que expõe os líderes de um país inimigo na Internet podem ser incluídos no novo conceito de armamentos. Nos novos conceitos de armas a tecnologia não é mais o fator preponderante, o verdadeiro imperativo são os novos conceitos de armas.”
Este argumento dá peso aqueles, que estão pressionando para um maior controle, da penetração chinesa nos Estados Unidos em especial no mercado de ações e bônus americanos. Várias iniciativas nos Estados Unidos clamam para que, seja regulamentada uma transparência e identificado se os fundos de pensão e investimentos tem capitais chineses.
Ao contrário das visões conspiratórias geralmente difundidas em um sistema de partido único como a China, os coronéis do PLA reconhecem que especuladores individuais e outros atores não governamentais são independentes e não necessariamente agentes do capitalismo ocidental ou apêndices do governo americano. Tais individuais e grupos, eles dizem, são ameaças em sí, são os “nonprofessional warriors ( guerreiros não profissionais).” E como tal precisam ser tratados..
“Esta pessoa não é um hacker no sentido comum, e também não é um membro de uma organização paramilitar,” afirmam os coronéis. “Possivelmente ele ou ela é um analista de sistemas ou um engenheiro de software ou um financista com grandes somas de capital ou especulador na bolsa. Ele ou ela podem até ser um empresário da área de comunicações, um famoso colunista ou apresentador de programas de TV. Sua filosofia de vida é diferente daquela cega e desumana dos terroristas.” Mas eles todos podem afirmar o mesmo: “Quem pode dizer que George Soros não é um terrorista financeiro?”
Os Coronéis criticam Soros pelo ataque à economia chinesa causando uma queda nas ações “red-chip” — companhias listadas na bolsa de Hong Kong, mas controladas por interesses de Comunistas Chineses . “O principal protagonista desta seção não foi um estadista ou estrategista militar, foi o financista George Soros. … Após Soros ter iniciado seu ataque, [Presidente de Formosa] Lee Teng-hui aproveitou a crise financeira no Sudeste Asiático para desvalorizar o New Taiwan dólar, então lançar um ataque ao dólar de Hong Kong e ações da Bolsa de Valores de Hong Kong , especialmente as ações ‘red-chips.'” Neste caso os oficiais perguntam, porque não assassinar pessoas como Soros? A questão é explícita: “Quando para proteger a segurança financeira de um país, pode o assassinato ser usado para agir contra os especuladores financeiros?”
Os Coronéis aparentemente apoiam a idéia da ” guerra tradicional do terror,” tais como as bombas nas embaixadas americanas no Quênia e Tanzânia, pelo terrorista saudita Bin Laden. “O surgimento do estilo de terror exercido por Bin Laden tem aprofundado a impressão, que uma força nacional, não importando quão poderosa, encontrará dificuldades em ter a palavra final, em um jogo que não tem regras.”
Mas, o terrorismo tipo Bin Laden não vai muito longe, afirmam os Coronéis. Bombas, seqüestros e assassinatos “representam o máximo grau de terror” contra o alvo. “O que realmente atinge terror nos corações das pessoas é a junção dos terroristas com vários tipos de novas tecnologias, que podem gerar novas super armas.” As vítimas do ataque de Aum Shinri Kyo com gas sarin “foi só uma pequena porção do terror,” de acordo com os oficiais do PLA. “Este caso colocou as pessoas na percepção, que a tecnologia bioquímica forjou uma arma letal para aqueles terroristas que tentam a destruição da humanidade.”
Tal pensamento, dizem os especialistas, são a justificativa para a política de Pequim de vender tecnologia de armas de destruição em massa para regimes que apoiam terrorismo.
O livro afirma que, é melhor controlar que matar. “O progresso tecnológico tem nos proporcionado os meios para atacar o centro nervoso do inimigo diretamente sem danos colaterais proporcionando novas opções de alcançar a vitória, e isto nos leva a acreditar que o melhor meio de alcançar a vitória é controlar, não matar.… O meio de usar força total e levar o inimigo a uma rendição incondicional é hoje um relíquia do passado.”
A difusão do medo e incerteza nos meios militares e civis será a mais importante das armas em um conflito Unrestricted Warfare, concluem os coronéis. “Nós podemos criar muitos métodos de causar medo que são mais efetivos que matar. “Até o último ser humano o mais duro não consegue impedir– no mundo interior do seu coração — os ataques de psychological warfare.”
Os autores vêem os Estados Unidos muito vulneráveis a um ataque tipo ” Unrestricted Warfare”. Os Estados Unidos é culturalmente despreparado para tratar com o problema, argumentam; “eles nunca levaram em consideração outros meios que são contrários à tradição e o emprego de operações militares.” Os Estados Unidos, afirmam os oficiais do PLA, deveriam estar melhor preparados: “É surpreendente que uma grande nação como os Estados Unidos não tenha um Comando Unificado para tratar destas ameaças.

Notas Defesanet
(*) A Arte da Guerra – livro sobre princípios clássicos da guerra de Sun Tzu.
1– Guerra Assimétrica- contrapor ao inimigo algo que anule a vantagem tecnológica ou estratégica que ele possui
DefesaNet/montedo.com

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