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Veterana da FEB, enfermeira recebe homenagem aos 105 anos

Veterana da FEB, enfermeira recebe homenagem aos 105 anos

Belo Horizonte (MG) – O dia 12 de outubro foi marcado pela comemoração do aniversário de 105 anos da Tenente Carlota Mello, última mineira viva que serviu na Força Expedicionária Brasileira (FEB). Acompanhada de amigos, da família e de militares da Guarnição de Belo Horizonte, Carlota foi homenageada por integrantes da banda de música da 4ª Região Militar com a “Canção do Expedicionário” e emocionou todos os presentes ao relembrar suas experiências em solo italiano, onde permaneceu por 11 meses durante a Segunda Guerra Mundial.
A aparência frágil e doce disfarça a guerreira que trabalhou incansavelmente e salvou diversas vidas durante o maior conflito da história. Hoje, aos 105 anos de idade, a Tenente Carlota Mello é uma relíquia nacional constantemente reconhecida por sua história, experiência de vida e bravura. A mais recente homenagem foi realizada em maio deste ano, no Colégio Militar de Brasília, onde teve sua presença destacada e foi agraciada com a medalha ‘Ordem do Mérito Tenente Enfermeira Virgínia Leite’ em sua mais alta e importante designação, o Grão Colar.
Natural de Salinas, Minas Gerais, a enfermeira Carlota Mello formou-se pela Escola da Cruz Vermelha e se inscreveu no curso de Enfermagem de Emergência do Exército. Após a conclusão do curso, foi convocada para atuar na Segunda Guerra Mundial pela FEB.
Fonte: 4ª Região Militar
EB/montedo.com

No espetáculo sírio, os espectadores americanos

No espetáculo sírio, os espectadores americanos

Caio Blinder
Os turcos cruzaram a surrealista linha laranja de Trump e estão na Síria à caça dos curdos. Na verdade, nunca houve um blefe para valer do presidente americano. Ele piscou para Erdogan e o sultão de Ancara mandou bala.
Após facilitar o avanço turco, retirando tropas americanas, Trump fala grosso, prometendo “poderosas sanções” se a Turquia atravessar alguma outra surrealista linha laranja na Síria. O fato é que sanções não irão frear os turcos. Os curdos, velhos de guerra e de traições, foram se aconchegar com o genocida Assad (não é foi mole a escolha de Sofia dos curdos).
Existe, portanto, o risco de um conflito mais amplo entre as forças turcas e as tropas de Assad que se movimentaram para a área no nordeste do país. Difícil imaginar, porém, que as tropas sírias façam algo sem a participação dos seus patronos russos, que costuram boas relações com os turcos.
O jogo, como se vê, é complicado naquela naco do mundo. Algo é menos incerto: os americanos atuam cada vez mais como espectadores, apesar da encenação de algumas sanções anunciadas segunda-feira por Washington e o apelo por um cessar-fogo.
Negociação para valer será entre atores que têm as mãos na massa e não com um presidente americano com as mãos agora sujas de sangue e que comodamente culpa os turcos pelo caos, pela sina dos curdos e pelo ressurgimento do Estado Islâmico.
CAIO BLINDER/montedo.com

EUA pedem que Brasil treine suas tropas para integrar missões da ONU

EUA pedem que Brasil treine suas tropas para integrar missões da ONU

Defesa, por sua vez, quer acesso a condições especiais para compra de armas dos EUA

SÃO PAULO
Igor Gielow

Uma comitiva dos EUA esteve nesta quinta (10) em Brasília para uma reunião de alto nível no Ministério da Defesa que resultou em um pedido curioso: os americanos querem que militares brasileiros treinem seus soldados para agir em missões de paz da ONU.
Tecnicamente, não é inusitado. O Brasil liderou durante 13 anos a missão das Nações Unidas no Haiti, período no qual cerca de 37 mil militares passaram pela ilha caribenha. O país só não enviou contingente para assumir a complicada empreitada da
ONU na República Centro-Africana por falta de verbas.
Experiência não falta. Neste ano, 15 soldados treinados para combate na Amazônia foram enviados para treinar tropas da ONU no Congo, por exemplo. O treinamento poderia ocorrer no Brasil ou nos EUA.
Mas causa estranhamento o pedido americano. A administração Donald Trump se notabilizou até aqui por duas coisas na área militar: o desejo de desengajar-se daquilo que o presidente chama de guerras inúteis, como argumentou ao retirar o apoio aos
curdos na Síria nesta semana, e a escassa consideração a organismos multilaterais como a ONU.
Missões de paz são altamente complexas, porque envolvem níveis de governança civil e militar de diversos países, sempre sob a égide das Nações Unidas. Tradicionalmente, americanos são comandantes nos campos de batalha onde servem —o que é óbvio,
dado que são a maior potência bélica do planeta.
Quando houve o terremoto que destroçou o Haiti em 2010, houve uma tensa experiência com a presença maciça de soldados americanos para o socorro humanitário, mas que acabou contornada pelo comando brasileiro da operação.
Seja como for, a tratativa ainda está no nível de começo de conversa, assim como as demandas apresentadas pelo lado do Ministério da Defesa.
No fim de julho, os EUA concederam ao país o status de aliado prioritário fora do escopo da Otan (aliança militar ocidental, liderada por Washington). Agora, os militares brasileiros querem saber como podem fazer melhores negócios com os americanos.
Dois itens foram colocados na mesa. Primeiro, estudo para a retirada de algumas barreiras a exportações de material militar brasileiro.
Segundo, estabelecer o caminho para que o Brasil tenha acesso a compras via FMS (Vendas Militares Estrangeiras), um mecanismo que facilita a exportação de armamentos americanos em condições favoráveis para países aliados. Com isso, seria facilitada a entrada de sistemas de armas dos EUA no Brasil. Não foi especificado, contudo, que tipo de material poderia interessar aos brasileiros. Nos meios militares, a carência mais imediata é na área naval.
O país tem pretensões de virar o policial do Atlântico Sul, por assim dizer, e tem ganho mais controle sobre território marítimo em decisões recentes da ONU. Um dos motivos é o potencial mineral do subsolo de algumas regiões, além do fluxo de rotas comerciais pela área. O problema, para isso, é ter navios suficientes.
Hoje, não há. Das oito fragatas em atividade, por exemplo, uma está sendo desativada, duas estão em manutenção e três entrarão no estaleiro em 2020, inclusive a União, que hoje é nau-capitânia da única operação naval da ONU, na costa do Líbano. O Brasil já indicou que deixará a missão.
Há um programa de construção de novos submarinos em curso, e a perspectiva da fabricação de novas corvetas, mas ambas as iniciativas padecem dos cortes de investimento que o governo promoveu devido à crise fiscal.
UOL/montedo.com

Bolsonaro amplia presença de militares em 30 órgãos federais

Bolsonaro amplia presença de militares em 30 órgãos federais

Ao menos 2.500 membros das Forças Armadas ocupam cargos de chefia ou no assessoramento em ministérios e repartições

Camila Mattoso
Ranier Bragon
BRASÍLIA

Em seus primeiros nove meses na Presidência, Jair Bolsonaro já ampliou em ao menos 325 postos o número de militares, da ativa e da reserva, que participam da administração federal.
Além dele —capitão reformado— e do vice, o general Hamilton Mourão, e de 8 de seus 22 ministros, há ao menos 2.500 militares em cargos de chefia ou assessoramento, em uma curva ascendente iniciada sob Michel Temer (2016-2018) —que rompeu com a simbólica prática de governos anteriores de nomearem civis para comandar o Ministério da Defesa.
A Folha obteve as informações por meio de pedidos da Lei de Acesso à Informação enviados a mais de cem órgãos federais, incluindo os ministérios e principais estatais, como Embratur, Chesf (Companhia Hidrelétrica do São Francisco) e Casa da Moeda.
Em pelo menos 30 houve ampliação do número de militares em relação a Temer. Em apenas 4 houve redução. Alguns não responderam ao pedido.
A ampliação de fardados em funções ocupadas eminentemente por civis após o fim da ditadura militar (1964-1985) foi mais expressiva em pastas próximas a Bolsonaro, como o Gabinete de Segurança Institucional, que passou de 943 para 1.061 militares. Na Vice-Presidência, houve salto de 3 para 65.
Outras também tiveram crescimento relevante. No Meio Ambiente, responsável pelo mais recente desgaste do governo, o número de militares foi de 1 para 12.
O Ministério da Justiça, comandado por Sergio Moro, quase dobrou o seu contingente verde-oliva —de 16 para 28. Por ordem do general Guilherme Theophilo, secretário nacional de Segurança Pública, os militares da pasta devem ir fardados toda quarta-feira.
Pela manhã, pontualmente às 8h45, eles se perfilam para a execução do Hino Nacional. A solenidade, conhecida como formatura, é comum apenas em unidades militares.
Meio-ambiente Chefe de gabinete do ministro e assessorias estão entre os cargos ocupados pelos militares
Secretaria do governo Todos ocupam cargos de confiança
Secretaria-Geral da Presidência Maynard Marques de Santa Rosa, secretário especial da pasta, foi exonerado de um cargo no Exército no governo Lula por criticar a Comissão Nacional da Verdade
GSI Pasta tradicionalmente ocupada por militares, por envolver segurança institucional
Há 325 militares a mais no governo Bolsonaro, entre ministros e assessores

A Folha ouviu ex-ministros da Defesa e especialistas.
Em linhas gerais, avaliam que o governo Bolsonaro recorreu à caserna menos pela afinidade do presidente com os militares e mais pela quase absoluta falta de estrutura partidária e política dele, que foi um deputado de baixíssima expressão na maior parte de seus 28 anos de Congresso Nacional.
“Ele sempre foi uma espécie de sindicalista parlamentar voltado para as Forças Armadas, sobretudo os escalões mais intermediários e baixos, além de policiais. Obviamente tem uma visão ideológica por trás, mas, quando ele chega ao governo, onde vai buscar estrutura? Nas Forças Armadas”, afirma Raul Jungmann, que foi ministro da Defesa e da Segurança Pública de Temer.
“Elas [Forças Armadas] hoje têm um programa de formação de quadros que eu reputo entre os melhores do mundo. A gente não tem a tecnologia, o dinheiro, mas em termos de formação eles são muito exigentes”, diz o ex-ministro.
“Esses presidentes que chegam ao poder sem uma estrutura partidária consolidada, de apoio, tendem a fazer esse movimento. O primeiro é diminuir o número de ministérios, até pela falta de quadros capacitados. A dimensão do autoritarismo é muito flagrante no governo atual, mas tem essa outra dimensão que é o despreparo, não só do presidente, mas uma ausência dos quadros ao seu redor”, reforça o historiador Carlos Fico, professor da UFRJ.
Sobre as consequências da “invasão verde-oliva” em cargos eminentemente civis, Jungmann diz não ver maiores problemas.
Fico ressalta a discrepância entre a lógica da caserna e da administração pública.
“Esse ethos militar seguramente não é familiar e frequentemente não é compatível com o ambiente de gestão mais democrática. Esse é um dos prejuízos. Existe também um certo mito de que os militares seriam bem preparados. O fato é que eles são preparados nas escolas militares, que têm um componente ideológico muito forte e muito negativamente forte, que ainda ressoa aquele ambiente da Guerra Fria.”
Para Aldo Rebelo, que foi coordenador político do governo Lula (2003-2010) e ministro da Defesa de Dilma Rousseff (2011-2016), o maior prejuízo pode ser para a imagem dos militares.
“O problema que vejo é que isso possa parecer um aval das instituições militares a políticas de governo, algumas das quais eu sei que eles não estão de acordo, como a política externa.”
No fim de janeiro, o cientista político Octavio Amorim Neto, professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (Ebape), da FGV, publicou artigo em que manifestava preocupação com a ameaça de perda de controle civil sobre os militares.
“O referido controle é uma condição necessária de um regime democrático. Não há democracia quando as Forças Armadas vetam decisões governamentais que não digam respeito à defesa nacional”, escreveu à época.
Agora, afirmou à Folha que a demissão do general Santos Cruz da Secretaria de Governo é um exemplo de limite político estabelecido por Bolsonaro aos seus antigos colegas de caserna. Mesmo assim, há um enfraquecimento desse controle, em sua visão.
“O Ministério de Defesa é, em qualquer lugar do mundo, o principal instrumento de controle dos militares pelos civis. O simples fato de estarmos há quase 20 meses sem um civil à frente do ministério é evidência suficiente da erosão do referido controle.”
O Ministério da Defesa afirma que os militares “podem contribuir com suas sólidas formações e experiências nas atividades e funções julgadas necessárias e oportunas pelos gestores públicos, desde que guardem consonância com suas competências”.
A pasta diz que o número de militares da ativa em funções da administração pública não é representativo e que uma das atribuições subsidiárias das Forças Armadas é cooperar para o desenvolvimento regional.
O Gabinete de Segurança Institucional diz que o crescimento de militares no órgão se deve ao aumento do nível da segurança prestada ao presidente, vice-presidente e familiares, que são em maior número em relação a 2018.
A Secretaria-Geral afirma que o número de militares da ativa na administração permanece estável em relação ao governo passado. “A contribuição dos militares é relevante na medida em que possuem formação e experiência nas áreas em que atuam”, diz.
O Incra (órgão da reforma agrária) alega que o aumento do número de militares foi uma decisão de gestão do atual governo.
Minas e Energia afirma que as nomeações levam em conta a meritocracia, independentemente da origem civil ou militar.
Ciência e Tecnologia diz que os militares, assim como os outros servidores, foram selecionados por suas qualidades técnicas.
FOLHA DE SÃO PAULO/montedo.com

PF suspeita que sargento preso com cocaína na Espanha era “mula”de oficial de alta patente

PF suspeita que sargento preso com cocaína na Espanha era “mula”de oficial de alta patente

PF identifica elos de ligação de sargento preso com cocaína na Espanha

GABRIEL MASCARENHAS
A Polícia Federal identificou fortes indícios de que o sargento Manoel Rodrigues, preso com 39 quilos de cocaína ao desembarcar de um avião presidencial na Espanha, tem ligações com um conhecido traficante que atua nas cidades-satélites de Brasília.
A PF está convicta de que o militar não agiu sozinho. Mais do que isso: a principal linha de investigação indica que ele fazia o serviço de mula para outro militar, um oficial de alta patente.
Lauro Jardim (O Globo)/montedo.com

Batalhão Suez: grupo de 6.000 brasileiros ganhou Nobel da Paz em 1988

Batalhão Suez: grupo de 6.000 brasileiros ganhou Nobel da Paz em 1988

Grupo de 6.000 brasileiros ganhou Nobel da Paz antes de Malala e dalai-lama
Antes de ter o vencedor anunciado, o Prêmio Nobel da Paz deste ano teve o nome de um brasileiro na lista dos principais cotados: o cacique Raoni. Mas a honraria já foi concedida a um batalhão de mais de 6.000 soldados brasileiros que, entre 1957 e 1967, atuaram em uma missão de paz da ONU (Organização das Nações Unidas) na Faixa de
Gaza.
Batizada de Batalhão Suez, a missão fez parte da primeira Força de Emergência da ONU, criada em 1956. Naquela época, Egito e Israel disputavam o domínio do canal de Suez. O batalhão foi um dos agraciados com o Nobel da Paz que, em 1988, foi dado às missões das Forças de Paz da ONU.
Os brasileiros venceram antes mesmo do líder do movimento negro sul-africano Nelson Mandela, em 1993, e de Tenzin Gyatso, o 14º dalai-lama, no ano seguinte. Conhecida por lutar pelos direitos das crianças e pela educação, a jovem paquistanesa Malala Yousafzai foi premiada em 2014.
Durante a década em que permaneceram no Oriente Médio, os boinas azuis —como são conhecidos os brasileiros que fazem parte de forças de paz da ONU— foram responsáveis pela patrulha de fronteiras e pelo desarmamento de minas colocadas em pleno deserto em regiões próximas à Faixa de Gaza.
“Tudo foi difícil, pois estávamos em outras terras, a distâncias quilométricas, sem estar em uma atualidade em que existem os telefones e as pessoas se falam o dia todo, a toda hora”, diz Gerson Almeida, 75.
Na condição de voluntário, Almeida serviu por um ano, entre 1964 e 1965. Ao UOL, ele afirmou que o histórico da missão é “bonito e honroso”, mas lamentou o descaso da sociedade brasileira com os serviços prestados pela tropa, que, segundo ele, ficaram “esquecidos no tempo”.
“Nós ficamos isolados um ano no meio do deserto e até hoje não houve um reconhecimento maior por parte da nação”, afirma. Ao todo, 20 contingentes se revezaram como parte do batalhão.
Boa parte desses soldados, conta Almeida, nem sequer viu a medalha do Nobel até hoje. Isso porque, segundo ele, apesar de as forças de paz terem sido laureadas com a premiação, é preciso comprovar participação na missão e pagar um valor de pelo menos US$ 300 (mais de R$ 1.200) para receber a medalha.
“Nem todos nós temos condições financeiras”, afirma. “Ficamos com o título, mas sem a medalha. Essa é a grande verdade.”

Barracas de lona e tempestades de areia
Entre as histórias vividas pela tropa brasileira no deserto, o ex-soldado conta que os primeiros a chegar ao local, no fim da década de 1950, dormiam em tendas de lona —que, vez ou outra, acabavam levadas por tempestades de areia.
“Quando eu fui, eu dormi em prédio de alvenaria. Mas eles [os soldados dos primeiros contingentes] foram com barraca de lona: dormiam e de repente acordavam vendo estrelas, ou seja, [no meio de uma] tempestade de areia, a tempestade levou a barraca”, afirma.
Almeida também conta que as tempestades de areia impediam o transporte de comida até as regiões de fronteira, onde ele e outros soldados do seu contingente faziam patrulhas. “Aí tínhamos que usar aqueles enlatados norte-americanos”, diz.
O ex-soldado, que havia prestado o serviço militar logo antes de ingressar na missão do Batalhão Suez, não continuou na carreira militar quando voltou ao Brasil, em 1965. “Fui como voluntário e, ao voltar, pedi minha baixa e fui para a vida civil”, conta. Aqui, fez duas faculdades e trabalhou em uma estatal.
Hoje aposentado, ele é um dos dirigentes da Associação dos Integrantes do Batalhão Suez no Rio de Janeiro, que busca encontrar e reaproximar soldados que fizeram parte da missão, além de manter um arquivo das experiências vividas lá fora. “Assim, nós vamos vivendo e buscando manter a chama acesa”, afirma.
UOL/montedo.com

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