Celebração de Nossa Senhora do Carmo reúne militares e moradores no Forte Coimbra e relembra dois cercos históricos nos quais, segundo a tradição local, a padroeira protegeu a guarnição brasileira.
Militares, moradores e visitantes participaram nesta quinta-feira (16) das celebrações de Nossa Senhora do Carmo no Forte Coimbra, em Corumbá (MS), na fronteira com a Bolívia. Além da programação religiosa, a festa preserva a memória de acontecimentos que marcaram a história militar brasileira.
Construído em 1775 por determinação da Coroa Portuguesa, o Forte Coimbra passou a exercer papel estratégico na proteção da fronteira oeste. Ao longo dos séculos, a fortificação consolidou-se como um dos principais símbolos da presença militar no Pantanal e da defesa do território nacional.
Guarnição resistiu ao cerco espanhol
O primeiro episódio histórico ocorreu em 1801. Naquele ano, cerca de 110 militares brasileiros resistiram durante nove dias ao ataque de aproximadamente 600 soldados espanhóis, apoiados por embarcações e 30 canhões.
Segundo a tradição preservada na região, a imagem de Nossa Senhora do Carmo apareceu na entrada do forte pouco antes da retirada das tropas espanholas. A partir desse momento, militares e moradores passaram a atribuir à padroeira a proteção da guarnição, fortalecendo uma devoção que atravessa gerações.
Guerra do Paraguai reforçou a devoção
Décadas depois, durante a Guerra do Paraguai, a tradição voltou a associar a santa à defesa do Forte Coimbra. Em dezembro de 1864, apenas 149 militares brasileiros enfrentaram cerca de 3,2 mil soldados paraguaios.
De acordo com os relatos históricos preservados pela comunidade, um militar exibiu a imagem de Nossa Senhora do Carmo diante dos invasores. Em seguida, os paraguaios interromperam o ataque, o que permitiu a retirada dos sobreviventes da fortificação. Desde então, esse episódio passou a integrar a memória histórica do forte.
Celebração mantém viva a memória militar
Atualmente, a imagem da santa, atribuída ao engenheiro militar Ricardo Franco de Almeida Serra, fundador e primeiro comandante do Forte Coimbra, permanece na capela da Vila Civil.
Todos os anos, a celebração reúne militares, moradores e visitantes. Assim, a festa preserva não apenas a tradição religiosa, mas também a lembrança de dois dos episódios mais emblemáticos da história militar da fronteira oeste brasileira, mantendo viva a ligação entre fé, patrimônio histórico e defesa nacional. Com informações do G1
Uma resposta
História, lugar e tradição belíssima. Infelizmente o Brasileiro não conhece a sua Própria fundação…Quem conhece esse lugar sabe de sua magia e beleza.