Um militar do Exército morreu e outro ficou ferido em confronto em comunidades do Rio

Militar morre e outro fica ferido em confronto em comunidades do Rio

Mais de 4,2 mil homens das Forças Armadas e 70 policiais civis, além de policiais militares, participam de ações de combate ao tráfico de drogas nos complexos do Alemão, Penha e Maré.

Por G1 Rio

Um militar morreu e outro ficou ferido em confronto durante operação das forças de segurança nos complexos do Alemão, Penha e Maré na manhã desta segunda-feira (20) no Rio de Janeiro.

Mais de 4,2 mil homens das Forças Armadas e 70 policiais civis, além de policiais militares, participam de ações de combate ao tráfico de drogas nas comunidades. Mais de 430 kg foram apreendidos pelo Batalhão de Ações com Cães (BAC) da Polícia Militar.

Pelo menos cinco suspeitos foram mortas durante a ação. A informação foi confirmada pelo Comando Militar do Leste (CML).

Um ônibus foi incendiado na Linha Amarela, perto do Complexo do Alemão. Em seu perfil no Twitter, a Polícia Militar informou que ocorreram “atos criminosos” na via expressa. A Federação das empresas de ônibus (Fetranspor) confirmou que o incêndio foi criminoso.

G1/montedo.com

Tenente coronel do Exército morre atropelado por ônibus no Lago Sul, em Brasília

Bombeiros do Distrito Federal reanimam ciclista atropelado por ônibus no Lago Sul, em Brasília (Foto: Corpo de Bombeiros do DF/Divulgação)

Ciclista morre após ser atropelado por ônibus no Lago Sul, em Brasília
Vítima foi reanimada, mas morreu cerca de 2 horas depois. Maurício Almeida era tenente-coronel do Exército.

Por G1 DF

Um ciclista de 43 anos morreu na manhã desta segunda-feira (20) após ser atropelado por um ônibus na avenida principal do Lago Sul, em Brasília. A vítima, Maurício da Cruz Carneiro de Almeida, era tenente-coronel do Exército.

O acidente ocorreu na QL 6, por volta das 7h30. Ao ser atingido, o militar sofreu uma parada cardiorrespiratória, mas respondeu à reanimação inicial e foi encaminhado à sala vermelha do Instituto Hospital de Base, destinada aos casos mais graves.

Maurício Almeida, porém, não resistiu aos ferimentos e morreu por volta das 9h30, segundo a Polícia Civil.

O tenente-coronel estava lotado no Colégio Militar de Brasília. A instituição afirmou que está dando apoio psicológico e religioso aos familiares. Informações sobre velório e enterro não haviam sido divulgadas até a última atualização desta reportagem.

O caso será investigado pela 10ª Delegacia de Polícia. O local foi preservado para a perícia, que vai determinar o que levou ao acidente.

A morte ocorreu apenas um dia depois da celebração do Dia Nacional do Ciclista. A data de 19 de agosto foi escolhida para homenagear o biólogo brasiliense Pedro Davison, que morreu atropelado em 2006.

O acidente
Segundo o Corpo de Bombeiros, que fez o atendimento inicial, o ciclista estava pedalando perto do shopping Gilberto Salomão quando foi atingido por um ônibus da Urbi, que faz a linha Paranoá–Núcleo Bandeirante.

A empresa responsável pelo coletivo disse ao G1 que “repudia a falta de urbanidade com os ciclistas e outros modais” e apontou que “realiza treinamentos constantes a fim de orientar os integrantes para a prática de uma condução segura e respeitosa”. A Urbi afirmou que está colaborando com as investigações e vai prestar apoio à vítima.

No momento do atropelamento, o veículo transportava cerca de 40 passageiros. Nenhum dos usuários se feriu ou pediu atendimento médico. Ao todo, 14 militares, três carros e o helicóptero dos bombeiros foram mobilizados para a ocorrência.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também atuou no socorro à vítima.

G1/montedo.com

‘Fiz a guerra do começo ao fim. Ela é uma selvageria’

Boris Schnaiderman*

Meu nome? Sou Boris Schnaiderman, com “sch”. Nasci em 1917 em Úman, na Ucrânia, vim para o Brasil em 1924 e lutei no 2.º Grupo de Artilharia. Fui para a guerra porque queria ir. Era pacifista, mas achava absolutamente necessário lutar contra a Alemanha de Hitler. Fui convocado na véspera do embarque à Itália. Tudo foi em segredo. Tomamos o trem – luzes apagadas – e fomos ao porto. A viagem à Europa foi inesquecível. Enquanto viver, vou lembrar: foi terrível.

Na Itália, fui calculador de tiro. Eu era o controlador vertical, calculava o deslocamento do tubo-alma. O tubo do canhão se chama tubo-alma e eu calculava seu deslocamento vertical – havia outro sargento que media o horizontal. O primeiro tiro da artilharia brasileira fui eu que calculei. Atirei muito em cima de Monte Castelo. Inclusive vi de longe a nossa aviação em voo picado, descendo sobre as posições das metralhadoras alemãs. Depois, vi o chão estremecer com o bombardeio em Montese.

Dormíamos junto da central de tiros, caso fosse necessário atirar à noite. E tinha medo. Não há quem não tenha. Recebíamos bombardeio de artilharia. Caía a primeira granada e a gente sabia que o inimigo estava regulando o tiro. Ouvíamos o zunido e nos jogávamos no chão.

Mas é preciso frisar que havia uma diferença muito grande entre a nossa condição, na artilharia, e a do soldado de infantaria. Tanto é que eles nos chamavam de “saco B”. Eles passavam de caminhão e nos chamavam: “Ô, saco B!” Sabe por quê? Porque havia o saco A e o saco B. O A nós carregávamos nas costas em qualquer mudança de posição, com os objetos de uso imediato. O B era para objetos de reserva…

No dia da vitória, nós estávamos entrando na cidade de Stradella, na Lombardia, e eu desci do caminhão. Aí veio um italiano barbudo, bigodudo. Ele me agarrou, me deu um beijo na face e disse: “Eu estava te esperando. Faz 20 anos que eu te espero e só agora você chegou”.

Fiz a guerra do começo ao fim. Ela é uma selvageria, mas naquela guerra todos tínhamos de nos unir. Se a Alemanha vencesse, o que seria de nós, não é? Uma coisa terrível. Eu era de uma família de judeus completamente assimilados. Eu não tinha nenhuma formação de tradição judaica. Não falava iídiche, mas com a guerra ficou o sentimento de que pertencia a uma comunidade perseguida. Sentia-se o antissemitismo mesmo no Brasil. Eu lembro de tudo… e, às vezes, ainda tenho pesadelos com a guerra.”

*Escritor e tradutor

Marcelo Godoy (texto) e Evelson de Freitas (foto)

Estadão, via A Segunda Guerra Mundial (Facebook)/montedo.com

Sob Mourão, Clube Militar quer formar candidatos de farda

General Mourão é do PRTB, partido presidido por Levy Fidélix – Marcos Alves / Agência O Globo

Vice de Bolsonaro e presidente da instituição diz que a intenção é formar bancada que faça ‘política com P maiúsculo’

POR RAFAEL CISCATI E BERNARDO MELLO

SÃO PAULO E RIO – Indicado vice na chapa presidencial de Jair Bolsonaro (PSL), o general Antônio Mourão (PRTB) carrega para a campanha eleitoral as esperanças de uma instituição adormecida. Distante da política partidária desde os anos 1960, o Clube Militar, no Rio de Janeiro, quer voltar à cena. O fato de Mourão ser presidente do clube desde maio facilita as coisas. Ele promete aumentar o peso da atuação dos associados.

O projeto inclui promover novos candidatos fardados para formar uma “bancada militar” no Congresso no futuro. Nas contas de Mourão, até a semana passada havia mais de cem pré-candidatos ligados às Forças Armadas:

— Esse projeto começou ainda na administração anterior à minha — diz Mourão. — Somos a casa da República. O clube quer somente retomar o papel que tinha em sua gênese.

A instituição pretende organizar palestras sobre política e publicar um informativo com o que o clube espera dos que forem eleitos.

Segundo Mourão, o clube preza pela “primazia da educação pública” e pela defesa da “política com P maiúsculo”:

— A ideia é que os candidatos que apoiaremos se orientem por esses princípios. Queremos formar uma bancada dentro do Congresso. Para, a partir daí, iniciar um processo de mudança no Brasil.

Filho de general, Mourão ingressou na Academia Militar de Agulhas Negras em 1972. Ganhou notoriedade em 2015, durante o impeachment de Dilma Rousseff. Crítico da então presidente, durante uma palestra a militares da reserva ele defendeu que a saída da petista não seria suficiente para mudar o status quo.

Nos slides da apresentação, convocou os presentes à “luta democrática”. Dias depois, anunciou uma homenagem ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI-Codi e acusado de tortura durante a ditadura militar.

As declarações derrubaram Mourão do Comando Militar do Sul. Ele acabou no comando de uma mesa na Secretaria de Economia e Finanças do Exército.

Hoje, quando perguntado sobre o assunto, assume posição mais diplomática:

— A função institucional do Exército está muito bem definida pelo general Villas Bôas — afirma Mourão.

Ser presidente do Clube Militar era desejo antigo do candidato a vice de Bolsonaro. Foi eleito por aclamação, numa disputa em que ninguém mais concorreu. Diz que pretende manter a vida dupla — entre a presidência do clube e a disputa pelo Jaburu — enquanto durar a corrida eleitoral.

O Clube Militar teve papel preponderante durante os primeiros anos do regime republicano. O Marechal Deodoro da Fonseca, primeiro presidente do Brasil, foi um de seus fundadores:

— Foi na sede do Clube que se planejou o golpe para derrubar o imperador (Pedro II) — diz o historiador Eduardo Heleno Santos, da Universidade Federal Fluminense. A atuação declinou durante a ditadura militar. Segundo Santos, devido a disputas internas das Forças Armadas.

RETOMADA DA POLÍTICA

A retomada da atividade política do clube começou na gestão do general da reserva Gilberto Pimentel, antecessor de Mourão. Pimentel lançou, no início de 2015, a Campanha pela Moralidade Nacional, propondo debates para “corrigir” as “diversas distorções” na política e na sociedade. Na época, o clube lançou o e-book “Por um país melhor”, uma coletânea de artigos que envolveu militares e civis — entre eles, o então senador Marcelo Crivella, atual prefeito do Rio de Janeiro.

Nos últimos anos, a sede do Clube virou foco de encontros políticos. No dia 20, haverá palestra do presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, desembargador Thompson Flores, que reverteu a ordem de soltura do ex-presidente Lula expedida pelo desembargador Rogério Favreto.

O site e a revista trimestral publicam artigos de referências do pensamento conservador, como o filósofo Denis Rosenfield. Alguns textos, assinados por militares, defendem que não houve ditadura militar — mas um “regime de salvação”.

O coronel Ivan Cosme, diretor de Comunicação do clube, garante que a instituição não pretende fazer atividades partidárias em suas dependências. Mas também não quer ficar à parte das pautas nacionais:

— Quem diz que os militares estão “de pijamas” e que a reserva não apita, está dando um tiro no pé — diz.

As ambições coincidem com um momento de explosão de candidaturas fardadas. Mourão, que já defendeu uma intervenção militar e atribui problemas nacionais a heranças de portugueses, negros e indígenas, é só o mais conhecido.

Mourão encara a politização do Clube como uma obrigação institucional:

—Nós estamos cumprindo aquilo que consideramos nosso desígnio — afirma.

Mourão fez aniversário no último dia 15. Comemorou entre os colegas, no clube:

— Foi algo frugal — diz Cosme — Mas teve até bolo.

O Globo/montedo.com

General Villas Bôas: Defesa para quê?

O Presidente Temer cumprimenta o General Villas Bôas em solenidade (DefesaNet)

Defesa para quê?
Urge entender as razões para que o Brasil disponha de Forças Armadas bem equipadas

Eduardo Villas Bôas* 

O Brasil é um país onde não existe percepção clara de ameaças à sua soberania e aos seus interesses. Neste cenário, o tema Defesa torna-se abstrato perante a consciência nacional, absorvida por uma crua realidade de desigualdades sociais e econômicas.

A consequência direta dessa faceta cultural traduz-se no pequeno apelo que a Defesa, tradicionalmente, exerce entre alguns setores da sociedade.

Urge, portanto, entender as insofismáveis razões para que um país com as características do Brasil disponha de Forças Armadas adequadamente equipadas. Essa compreensão só pode ser alcançada ao identificarmos, com clareza, as funções da Defesa.

A primeira função da Defesa é a dissuasão, verdadeiro seguro que uma nação paga para garantir a soberania, a integridade territorial e a proteção da população. Trata-se de efeito psicológico a ser produzido sobre eventuais opositores, que os inibe de realizar qualquer atividade belicosa, ao considerarem a capacidade de reação de um país a uma agressão externa.

A existência de uma base industrial de defesa e a manutenção de Forças Armadas modernas, estrategicamente desdobradas, proporcionam consistência à capacidade dissuasória.

A história é rica em exemplos das consequências desastrosas da negligência nesse campo. O Brasil cometeu esse erro ao assistir, passivamente, ao Paraguai tornar-se potência militar, enquanto contávamos com apenas 18 mil homens precariamente equipados. Tal conjuntura encorajou Solano López a invadir nosso território, dando início ao maior conflito armado sul-americano.

Embora uma ameaça internacional ao nosso país não seja de fácil percepção, observa-se que o Brasil possui riquezas incomensuráveis em seu subsolo, a biodiversidade amazônica, os recursos energéticos do pré-sal e a capacidade hídrica do Aquífero Guarani. Para demover qualquer intento estrangeiro em terras brasileiras, faz-se necessário contar com a apropriada capacidade de dissuasão.

A segunda função provém de uma visão sistêmica que passou a prevalecer após a queda do Muro de Berlim, quando a Defesa deixou de restringir-se à preparação para fazer face a um inimigo. Desde então as Forças Armadas devem estar, permanentemente, aptas a atender a múltiplas exigências da sociedade.

No Brasil, salientam-se demandas por infraestrutura para a integração regional, por segurança e pelo atendimento a catástrofes que têm recebido o nosso suporte incondicional.

O agravamento da situação da segurança pública tem levado o governo federal a utilizar as Forças Armadas para intervir em unidades da Federação. Recentemente, atuamos no Rio Grande do Norte; no Distrito Federal, para salvaguardar patrimônio público; no Espírito Santo, durante a greve da Polícia Militar; por diversas vezes no Rio de Janeiro, onde, atualmente, participamos da intervenção federal, culminando com o emprego, em todo o território nacional, durante a greve dos caminhoneiros.

A terceira função da Defesa advém da capacidade de contribuir com o desenvolvimento nacional. Projetos estratégicos, como o submarino nuclear, o programa FX-2 e a defesa cibernética, incrementam as áreas científicas e tecnológicas, geram empregos e produzem riqueza.

A indústria de defesa é responsável por mais de 60 mil empregos diretos e 240 mil indiretos, responde por 4% do PIB nacional e exporta mais de R$ 4,7 bilhões anualmente.

Os programas estratégicos de defesa foram estruturados em função de uma demanda inadiável, sinalizada pelas Forças Armadas a sucessivos chefes de Estado. A falta de previsibilidade e regularidade na alocação dos recursos orçamentários vem ameaçando a continuidade desses projetos.

A quarta função da Defesa é contribuir para a projeção internacional do Brasil. Atualmente, no bojo das relações internacionais, consagrou-se o que pode ser chamado de “diplomacia militar”. Trata-se de intenso intercâmbio entre Forças Armadas, desde a convencional troca de adidos até intercâmbios de cursos e estágios de especialização, em diferentes níveis e áreas de atuação.

O Brasil assume importante protagonismo ao exercer comandos operacionais, enquadrando tropas de países de diversas partes do mundo em operações conjuntas multinacionais.

Neste contexto, destaca-se a operação Amazonlog, realizada na tríplice fronteira de Tabatinga, em 2017. Tratou-se de uma operação multinacional, com a presença de assessores e especialistas de 23 países e de tropas do Peru e da Colômbia, dentro de um quadro de operações humanitárias. Em Roraima, as Forças Armadas, por meio da Operação Acolhida, estão aplicando as experiências obtidas naquela oportunidade, num trabalho considerado modelo pelas Nações Unidas.

As operações, sob a égide de organismos internacionais, têm sido vetor importante de projeção do País. Desde a 2.ª Guerra Mundial o Brasil participou de missões em países como Moçambique, Angola, Líbano, entre outros. Ressalta-se a participação brasileira no Haiti, onde constituímos o mais numeroso componente militar e detivemos o comando de toda a operação durante 13 anos.

Finalmente, a quinta função da Defesa contribui para a guarda da identidade nacional, na medida em que nossas Forças Armadas estiveram presentes nos momentos cruciais do País e da construção da nacionalidade brasileira. Esse fato respalda as recentes pesquisas de opinião que nos colocam em primeiro lugar nos índices de confiabilidade entre todas as instituições nacionais.

As ideias constantes deste artigo foram apresentadas aos candidatos à Presidência da República, de quem tivemos excelente acolhida. Isso nos dá a esperança de que a defesa nacional venha a ser debatida na presente campanha eleitoral, junto com outros tópicos relevantes, tais como o restabelecimento de um sentido de projeto para o País e o papel que o Brasil deve cumprir na América Latina e no mundo.

*Comandante do Exército

ESTADÃO/montedo.com

Os Inimigos das Escolas Militares

Percival Puggina*

Aproveito-me da analogia que o amigo Procurador de Justiça Fabio Costa Pereira tem traçado entre aspectos do setor público brasileiro e o fantástico mundo de Nárnia concebido pelo escritor C.S.Lewis para abordar alguns problemas da Educação no Brasil.

Aqui na nossa Nárnia, o que está bem vai mal e o que está mal vai bem. Quem diverge, sustentando que para estar bem é preciso não estar mal e, simetricamente, que não pode estar mal o que vai bem, é imediatamente considerado fascista, filho de uma égua, inadequado à vida civil de uma sociedade em transformação.

Há muitos anos, ao sul de Nárnia, houve um rei que, entre outros desatinos, decidiu investir contra o educandário militar conhecido como Colégio Tiradentes. Acumulavam-se ali três equívocos intoleráveis: não formava militantes, era dirigido pela Brigada Militar e era bom demais.

Situação insustentável que levou o rei a agir rapidamente e com frieza. Cravou o punhal na comunidade escolar e transferiu o Tiradentes para a burocracia aparelhada da Secretaria da Deseducação. Uma tragédia. Foi necessário derrotar o rei em refrega, quatro anos mais tarde, para que a situação se normalizasse.

Ano após ano, os educandários militares despontam entre os melhores do país. Pais os procuram e prestigiam, professores ensinam, alunos estudam e seu desempenho é superior à média. O que pode ser pior do que isso em Nárnia? Respondo: o profundo mal estar que suscita a evidência de certos problemas com o ensino público.

Não cometeria a leviandade de desconsiderar as vantagens qualitativas que atuam em favor dos colégios militares. No entanto, posso afirmar que mesmo se essas desigualdades não existissem, tais colégios teriam desempenho superior à média em virtude de características que lhes são inerentes.

Entre outras: disciplina de alunos e professores; respeito às autoridades escolares, à hierarquia, aos códigos de conduta e às tradições; ordem, civismo, meritocracia; professores que ensinam e alunos que estudam. Ora, onde a orientação pedagógica de Nárnia for freireana ou assemelhada, tendo por objetivo “formar cidadãos conscientes a serviço da transformação da sociedade”, o que descrevi acima está fora de cogitação.

Recentemente, li um artigo crítico à educação nos colégios militares. O autor, professor de história, os acusa de não promover a crítica histórica da sociedade brasileira. “Crítica Histórica”, para quem não acompanha esses academicismos, é uma operação muito complexa, envolvendo, além da crítica propriamente dita, tarefas de heurística e hermenêutica.

O filme, muitas vezes, termina longe de quaisquer certezas e o mais comum é que tudo seja relatado segundo o viés ideológico do sujeito que pilota o giz. Um bom militante cumprirá seu dever despertando nos alunos aversão à história do Brasil e aos fundamentos da civilização ocidental cristã, sentimentos de revolta ou de culpa e vergonha sobre nossa história, ao cabo dos quais sua identidade nacional rastejará em desconforto e autodesprezo.

Não conheço outra nação cuja identidade tenha sido tão acossada por maligna ação interna quanto esta Nárnia onde se fala português. Tudo por obra daqueles que suscitam e operam com os piores sentimentos e condutas para, supostamente, construir de um mundo melhor. Coisas de Nárnia.

*Membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o Totalitarismo; Cuba, a Tragédia da Utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.

DefesaNet/montedo.com

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