Exército determina abertura de inquérito para apurar furto de 1.397 munições de fuzil em Campinas

Casal de militares do 28º Batalhão de Infantaria Leve, que pertence à 11ª Brigada em Campinas, foi preso em flagrante com as munições em um carro na Rodovia Dom Pedro I no sábado (18) em Atibaia.

Patrícia Teixeira, G1 Campinas e Região


Casal de militares pertence ao 28º Batalhão de Infantaria Leve de Campinas. — Foto: Reprodução/EPTV

Casal de militares pertence ao 28º Batalhão de Infantaria Leve de Campinas. — Foto: Reprodução/EPTV

O Comando do 28º Batalhão de Infantaria Leve em Campinas (SP) determinou a abertura de um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar o furto de 1.397 munições de fuzil da unidade. A informação foi confirmada ao G1neste domingo (19). Um casal de militares – capitão e tenente – vinculado ao batalhão foi preso em flagrante no sábado (18) em Atibaia (SP) com os materiais.

De acordo com o tenente-coronel Eduardo José Lopes Gonçalo, oficial de Comunicação Social da 11ª Brigada de Infantaria Leve, localizada na metrópole, será apurada a informação de que os militares estavam voltando do Rio de Janeiro pela Rodovia Dom Pedro I (SP-065) quando foram abordados pela Polícia Rodoviária. O destino era Campinas.

Segundo as informações obtidas pelo Exército, uma bolsa na parte de trás do carro guardava 28 caixas de munição calibre 556 x 45 mm, o equivalente 1.397 unidades. Com a tenente, foi localizada a quantia em dinheiro de R$ 3,6 mil.

“A munição está no 28º BIL guardada e permanece retida à disposição Justiça Militar”, afirma o tenente-coronel.

O caso foi registrado na delegacia de Atibaia e militares do Exército encaminharam o casal para o 28º BIL em Campinas, onde passaram a noite. Neste domingo, foram transferidos para o 2º Batalhão de Polícia do Exército em Osasco (SP), onde deverão permanecer até o fim das investigações. Eles estão à disposição da Justiça Militar.

Segundo o tenente-coronel, os investigados não tinham histórico suspeito.

“Tudo será bem apurado. O IPM vai apurar tudo com precisão”, afirma Gonçalo.

G1/montedo.com

Capitão e tenente do Exército são presos com munição furtada no interior de SP

CAPITÃO E TENENTE DO EXÉRCITO SÃO PRESOS COM 1397 MUNIÇÕES FURTADAS DAS FORÇAS ARMADAS

ANA OLIVEIRA

Capitão e Tenente do Exército presos em Atibaia
Imagem ilustrativa

Um Capitão do Exército, de 34 anos e sua mulher, uma Tenente das Forças Armadas, de 30 anos, foram presos no sábado, 18, em Atibaia. A prisão ocorreu na Rodovia Dom Pedro I, na altura do km 67, no Jardim dos Pinheiros. Eles transportavam 1397 munições de fuzil, furtadas das Forças Armadas. O casal voltava do Rio de Janeiro, quando foi preso.

Conforme o apurado pelo Jornal Bragança Em Pauta policiais militares rodoviários receberam por volta das 17h, denúncia anônima informando que um veículo C3, de placas FNC-5183 seguia do Rio de Janeiro com destino à Campinas.

A informação que os policiais tinham é que dentro do carro era transportado algo ilícito.

Os policiais ficaram atentos e por volta das 20h30,  se depararam com o referido veículo. Foi então que eles efetuaram a abordagem.

A PRISÃO

O carro era era conduzido por um Capitão do Exército, que estava acompanhado da sua esposa, uma Tenente, também das Forças Armadas. Os policiais revistaram o carro e encontraram no assoalho do banco traseiro, atrás do motorista,  uma bolsa preta.

No interior da bolsa havia 28  caixas de munição, de calibre 556 x 45 mm, ou seja, 1397 munições. As munições são da marca CBC e pertencem ao Exército. Já na bolsa da Tenente, os policiais encontraram R$ 3.620,00 e dinheiro.

Questionados sobre a munição e o dinheiro, a mulher permaneceu em silêncio. O capitão, por sua vez, não conseguiu explicar à polícia o que aconteceu.

Os dois foram então levados para a delegacia de Atibaia onde foram ouvidos. Representantes das Forças Armadas foram acionados.

A polícia apurou então que o Capitão tinha livre acesso as munições de uso reservado do Exército, em virtude de sua atividade profissional. Ele é acusado de peculato, ou seja, teria furtado as munições do paiol do 28º BPM de Infantaria Leve. Após o furto, ele levou as munições para o Rio de Janeiro.

O casal foi preso em flagrante por porte ilegal de munições de uso restrito, artigo 16 da Lei 10.826-03.

O Capitão ainda tentou justificar que retirou as munições para ministrar um curso na semana passada. Confessou que para sair do 28º BPM de Infantaria Leve colocou as munições dentro de um mochila. Alegou ainda que o intuito era devolver a munições depois.

O EXÉRCITO

Os representantes do Exército, no entanto, disseram que ele não tinha autorização para fazer a retirada das munições do local. Eles ressaltaram também que sexta-feira, 17, já haviam notado a falta da munição e entraram em contato com o acusado,  que segundo eles, disse na oportunidade, que devolveria a munição no sábado.

Os membros do Exército informaram também à polícia que além das 1397 munições encontradas no veículo também foram furtadas 460 munições de 7,62 mm. A Polícia acredita que estas munições foram vendidas no mercado negro, no Rio de Janeiro.

Cada  munição desta custa, em média, dez reais, e a polícia acredita que o dinheiro encontrado com o casal seria proveniente da venda das munições.

O caso foi registrado em Atibaia e deverá ser investigado. O Capitão e a Tenente do Exército presos em Atibaia foram entregues às Forças Armadas e serão encaminhados para cadeia pertinente.

BRAGANÇA EM PAUTA/montedo.com

Presos que denunciaram tortura em quartel vão responder por tentativa de homicídio de militares

Presos que denunciaram tortura, ainda na favela Foto: Reprodução

Rafael Soares

Sete presos que denunciaram terem sido vítimas de uma sessão de tortura dentro de um quartel do Exército na Zona Oeste do Rio em agosto do ano passado vão responder, na Justiça Militar, pelo crime de tentativa de homicídio contra militares. Em primeira instância, a juíza Marilena da Silva Bittencourt, da 4ª Auditoria da 1ª Circunscrição de Justiça Militar, havia rejeitado a denúncia. No entanto, o Ministério Público Militar (MPM) recorreu da decisão. O Superior Tribunal Militar (STM), então, decidiu pelo recebimento da denúncia e pela decretação da prisão preventiva dos acusados pelo crime. O MPM também é responsável por investigar a denúncia de tortura feita pelos presos.

O caso foi revelado pelo EXTRA em novembro do ano passado. Os jovens foram presos no dia 20 de agosto durante uma operação do Exército na favela da Chatuba, na Penha. Após a prisão, os homens foram levados para a 1ª Divisão de Exército, na Vila Militar, onde foram autuados em flagrante pelo crime de tentativa de homicídio contra os militares. Em três depoimentos diferentes, quatro dos presos afirmam ter sido vítimas de uma sessão de tortura dentro de uma “sala vermelha” no quartel.

Na decisão em que negou o recebimento da denúncia, a juíza Marilena da Silva Bittencourt argumenta que nenhum dos militares afirma ter visto os jovens armados. Quando foram presos, os homens estavam rendidos, sem armas. “Não há indícios seguros de que foram os denunciados a praticar o fato”, escreveu a juíza.

Na ocasião, após a detenção dos jovens, os militares alegaram que fizeram buscas na região de mata do Complexo da Penha, onde uma pistola Glock 22 calibre 40, de origem austríaca e uma pistola G-Cherokee, de origem israelense, além de artefatos explosivos de fabricação caseira, 60 cartuchos calibre 9 mm, 44 munições calibre 45 mm e 32 munições calibre 40 mm. Os militares afirmaram terem sido atacados a tiros na ocasião. Os presos respondem, na Justiça estadual, pelo porte das armas e por tráfico de drogas.

O relator do caso no STM, ministro Péricles Aurélio Lima de Queiroz, declarou em seu voto que o fato de a denúncia ser “genérica” não a invalida. Segundo magistrado, a peça acusatória traz provas materiais amplas e a “existência de autoria é manifesta com a rendição e prisão em flagrante dos acusados”.

Um dos presos, no dia da audiência de custódia
Um dos presos, no dia da audiência de custódia

Investigação em andamento

Ao todo, 11 presos relatam terem sido torturados após serem detidos na ocasião. Sete afirmam, em depoimentos prestados em três ocasiões diferentes, que foram espancados com pedaços de madeira e levaram chicotadas com fios elétricos dentro de uma “sala vermelha” na 1ª Divisão de Exército, na Vila Militar. As lesões relatadas pelos presos foram ratificadas por exame médico feito durante a audiência de custódia na Justiça Comum. Os exames feitos na ocasião acusaram uma quantidade maior de lesões do que as apontadas pelo médico militar, no quartel.

A investigação segue em andamento no MPM. Entretanto, o promotor responsável pelo IPM, Mário Porto, foi contra a abertura da investigação. Em 24 de agosto do ano passado, durante a audiência de custódia em que os presos denunciaram agressões feitas por militares, a Defensoria Pública da União (DPU) pediu à Justiça que determinasse que o Exército apurasse o caso. Porto, então, afirmou não concordar com a abertura de um procedimento para investigar a prática de tortura pelos militares. O promotor também foi o responsável por denunciar os presos pelo crime militar de tentativa de homicídio à 1ª instância.

Outro inquérito aberto pelo Ministério Público Federal para investigar o caso também está em andamento. Em depoimento no MPF, três dos presos afirmaram terem sido ameaçados por militares no Complexo de Gericinó, onde estão detidos. As ameaças teriam sido feitas em dezembro, quando quatro integrantes do Exército foram ao presídio ouvir os detentos sobre as agressões denunciadas pelo EXTRA. Os presos também alegam que alguns trechos de seus relatos — justamente aqueles em que detalham as torturas sofridas — foram suprimidos da versão final dos depoimentos.

EXTRA/montedo.com

Em reunião, Adjuntos de Comando do Exército debatem carreiras das praças

Por Redação DefesaTV

Crédito: S Ten Edmilson

A 7ª edição da Reunião dos Adjuntos de Comando do Alto-Comando do Exército (RACACE) foi aberta nessa terça-feira (14), em Brasília. O evento acontece até o dia 16 de maio e promove o encontro dos militares que assessoram diretamente os generais de Exército da Força terrestre.

A abertura da RACACE foi procedida pelo Comandante do Exército, general de Exército Edson Leal Pujol, quando foi ressaltado que o cargo de adjunto de comando, apesar de recente (criado em 2016), valoriza a carreira das praças e permite aos comandantes de organizações militares um acesso mais direto aos anseios de seus subordinados.

“Ainda estamos avançando e aperfeiçoando os processos de seleção dos adjuntos de comando. Porém, sem dúvida, trata-se de um cargo de grande relevância. Sempre dei muita importância aos sargentos, desde meu tempo como aspirante. Tenho um exemplo familiar próximo, pois meu sogro, hoje tenente do Quadro Auxiliar de Oficiais, é oriundo da Escola de Sargentos das Armas e sempre foi uma referência profissional e pessoal para mim”, destacou.

Realizada no Forte Caxias, Quartel-General do Exército, a RACACE promove a apresentação de uma série de temas de interesse das praças. A pauta inclui aspectos como o Sistema de Proteção Social e reestruturação da carreira militar, ensino de idiomas, missões no exterior, promoções e cursos de habilitação e atualização do Quadro Auxiliar de Oficiais.

DEFESA TV/montedo.com

Equipe das Forças Armadas é campeã mundial de revezamento 4×100

Crédito: IAAF World Relays (organizadora do evento)

Brasília (DF) – No domingo (12), a equipe brasileira masculina de 4X100m rasos alcançou o lugar mais alto no pódio no campeonato mundial de revezamento em Yokohama, Japão. A medalha de ouro foi conquistada pelo time de militares do Programa de Atletas do Programa de Alto Rendimento do Ministério da Defesa.

A marca 38s05 foi feita pelos terceiros-sargentos Rodrigo Nascimento e Vitor Mourão (reserva do time), do Exército Brasileiro; Derick Silva e Jorge Vides, da Força Aérea Brasileira; e Paulo André Oliveira, da Marinha do Brasil. Os Estados Unidos vieram em segundo lugar, com o tempo de 38s07 e em terceiro a Grã-Bretanha, com 38s15.

Os atletas militares fizeram a melhor marca do ano na categoria, o que trouxe um resultado histórico para o esporte brasileiro. É o primeiro ouro na modalidade, o Brasil havia conquistado a medalha de prata na Olimpíada de Sydney, em 2000, e bronze em Atlanta, em 1996.

O Mundial de Revezamentos foi organizado pela Federação Internacional de Atletismo, nos dias 11 e 12 de maio, em Yokohama, Japão.

Agência Verde-Oliva/montedo.com

Reforma da previdência militar gerará economia de R$ 10 bilhões em uma década (III)



Reserva e reforma

A diferença entre um oficial “da reserva” e um “reformado” é que o primeiro precisa estar disponível para ser reincorporado ao serviço ativo das Forças Armadas em situações como estado de guerra e estado de sítio. Entre civis, não há essa previsão. O militar na reserva, quando atinge a idade limite, é então reformado, considerado definitivamente afastado do serviço militar.

O texto aumenta as idades limites de transferência para a reserva para todos os postos e graduações. Atualmente, para entrar na reserva, a idade do militar varia de 44 a 66 anos e, com a aprovação do projeto, passaria a ser de 50 a 70 anos. A transferência da reserva para a reforma também seria adiada. Em média, a idade para o militar ser reformado passaria de 56 a 58 anos para 68 a 75 anos, idade da aposentadoria compulsória de servidores civis.

Integralidade e paridade

Ao contrário do regime para servidores civis, que já não têm paridade e integralidade desde 2004, o texto mantém aos militares da reserva e seus pensionistas o direito de receber o último salário da ativa (integralidade) e de ter o mesmo percentual de reajuste concedidos aos da ativa (paridade).

Regra de Transição

Todos os militares que já estão na carreira terão o direito de cumprir regras de transição entre a legislação atual e a futura para se aposentar. Para isso, bastará que trabalhem alguns anos a mais, pagando o chamado “pedágio”, um acréscimo de 17% no tempo de serviço que falta para chegar à reserva. Quem foi recentemente incorporado e trabalhar 35 anos, em vez dos atuais 30, ainda irá para a inatividade pelas regras da lei em vigor, mesmo que o PL 1.645/2019 venha a ser aprovado.

Um militar com 14 anos de serviços prestados, que hoje está a 16 anos da aposentadoria, por exemplo, precisará trabalhar 2 anos e 7 meses a mais (17% de 16 anos) para passar à reserva, totalizando 18 anos e 7 meses. As regras para a transição dos militares são mais amenas que as estabelecidas para servidores civis, na PEC 6/2019, que, caso a proposta seja aprovada, só terão a opção de pagar pedágio de 50% do tempo restante para se aposentar se estiverem a dois anos de se aposentar quando a reforma for promulgada.

Para o senador Rogério Carvalho, é preciso considerar as particularidades do trabalho militar, pois são determinados pela carreira em vários pontos, como não poder ter residência fixa. Mas também é preciso recordar a incapacidade do Estado de bancar benefícios dispendiosos no futuro e, por isso, o senador defende uma solução mais equilibrada para a proposta.

— O que precisa é encontrar um ponto de equilíbrio do que foi feito em 2012 [com os civis], aquela reforma com a criação dos fundos de previdência. Épreciso encontrar um meio termo entre a proposta que os militares estão apresentando e o que tem sido feito para garantir aos servidores civis da União, do Ministério Público, do Judiciário a integralidade dos seus vencimentos, compatível com a ativa. Que a gente possa encontrar caminhos que também garantam isso aos militares — disse.

Adicionais

A remuneração do militar é composta de soldo, gratificações e adicionais. Na reestruturação da carreira proposta pelo PL 1.645, cria-se o Adicional de Disponibilidade Militar, pela dedicação exclusiva e a disponibilidade permanente. O percentual é crescente conforme os postos ou graduações da hierarquia militar e varia de 5% a 41% do soldo. A IFI estima que esse adicional custará R$ 2,5 bilhões em um ano.

A proposta também amplia o Adicional de Habilitação, pago por cursos que o militar tenha feito durante a carreira. Em alguns casos, esse adicional mais que dobra, como o pago aos altos estudos categoria I (preparo para cargos de comando e estado-maior): hoje representa 30% do soldo e sobe gradualmente até 2023, chegando a 73%.

A ajuda de custo para a transferência para a inatividade também será reajustada. Hoje, equivale a quatro vezes o valor da remuneração do militar e saltará para oito vezes.

Há ainda a gratificação de representação, de 10% do soldo, para oficias generais, oficiais superiores, intermediários ou subalternos em cargo de comando, direção ou chefia, e de 2% para participantes em viagens de representação, atividade de instrução ou que esteja às ordens de autoridade estrangeira no país.

O projeto prevê uma redução de 10% do efetivo das Forças Armadas no período de 10 anos.

AGÊNCIA SENADO/montedo.com



Reforma da previdência militar gerará economia de R$ 10 bilhões em uma década (II)



Despesa federal

A PEC 6/2019 transfere a competência de legislar sobre policiais e bombeiros militares, que são servidores estaduais, para o Executivo. A previsão é de que uma lei complementar defina futuramente as regras para os benefícios dos militares estaduais. Sem isso, as regras para os militares federais, como definidas pelo PL 1.645, serão estendidas para os estaduais ainda que haja conflito com o que já se pratica hoje, como a cobrança de alíquotas previdenciárias diferenciadas.

O senador Rogério Carvalho (PT-SE) é crítico dessa uniformização.

— É preciso que a gente desentranhe [essa parte] do projeto para garantir que os estados, dentro de suas autonomias, dentro da autonomia federativa, possam encontrar caminhos que caibam dentro de suas equações fiscais específicas, senão a gente compromete a condição fiscal dos estados.

A proposta também trata dos militares temporários, hoje não mencionados no Estatuto dos Militares (Lei 6.880, de 1980). Pelo texto, a categoria não adquire estabilidade e passa para a reserva não remunerada das Forças Armadas após serem desligados do serviço ativo.

Viúvas

O PL 1.645/2019 esclarece que o custo com os proventos de militares ativos e inativos será de responsabilidade da União, pagos com recursos do Tesouro Nacional. Hoje os pensionistas militares não contribuem, ao contrário de servidores, aposentados e pensionistas civis, que arcam, junto com os servidores ativos, com o financiamento de seus próprios benefícios.

O projeto inova ao estabelecer a contribuição dos pensionistas dos militares. Ou seja, a exemplo dos civis, viúvos e viúvas, pais e filhos pensionistas de militares terão descontados dos benefícios os mesmos 10,5% relativos ao sistema de proteção.

Outra mudança é que estudantes das escolas de formação e militares de baixa patente (soldados, cabos, taifeiros e marinheiros, por exemplo) em início de carreira também passarão a ser contribuintes. Hoje, os primeiros são isentos e os últimos não pagam nada nos dois primeiros anos de incorporação.

O texto também reduz o número de possíveis dependentes de militares de 18 (pais e netos, irmãos, cunhados ou sobrinhos menores ou inválidos e irmãs, cunhadas e sobrinhas solteiras ou viúvas sem renda) para apenas cinco: cônjuge ou companheiro, filho ou enteado até 21 anos ou até 24 anos se universitário e sem renda, pai e mãe, tutelado ou curatelado inválido ou menor de 18 anos sem rendimentos que viva sob sua guarda judicial. Esses dependentes estão aptos a receber, por exemplo, assistência hospitalar ou as reparações econômicas de anistiados políticos.

Os dependentes são diferentes dos pensionistas, chamados de beneficiários, que continuam os mesmos no projeto: o cônjuge ou companheiro, o beneficiário de pensão alimentícia, filhos, enteados e menores sob guarda judicial até 21 anos ou até 24 anos, se universitário ou inválido, enquanto durar a invalidez.

A proposta mantém a regra de que, na ausência dos pensionistas prioritários, podem receber o benefício pais que comprovem dependência econômica; irmãos órfãos até 21 ou 24 anos se universitário ou inválido, enquanto ela durar; pessoas que vivam sob a dependência econômica do militar sejam elas menores de 21 anos, inválidas enquanto durar a invalidez ou maiores de 60 anos.

O projeto cria ainda taxa adicional a ser descontada dos benefícios concedidos às filhas dos militares que eram ativos na época da edição da Medida Provisória 2.215/2001, que alterou a Lei de Pensões Militares (Lei 3.765, de 1960). A MP permitiu que eles, se pagassem um adicional de 1,5% sobre seus soldos, mantivessem suas filhas, independentemente de idade e estado civil como beneficiárias de pensão. A nova taxa incidirá sobre as pensões pagas.

Tempo de serviço

Hoje, para um militar chegar à reserva, são necessários 30 anos de atividade, para homens e mulheres. Caso o projeto seja aprovado, serão exigidos 35 anos, sendo pelo menos 30 de exercício em atividades de natureza militar (para os que estudaram nas escolas de formação ou centros de graduação) e 25 para os demais oficiais.

Pela regra atual, para requerer a inatividade, podem ser somados como “anos de serviço militar” o tempo de estudo nas escolas de formação e graduação, ainda que, como alunos, não tenham contribuído para a previdência militar e tenham recebido bolsas das Forças Armadas. O projeto inova ao impor o desconto como forma de diminuir a discrepância entre tempo de serviço contabilizado e o efetivo tempo de contribuição.

AGÊNCIA SENADO/montedo.com



Reforma da previdência militar gerará economia de R$ 10 bilhões em uma década (I)

Reforma dos militares aumenta tempo de serviço exigido de 30 para 35 anos

Foto: PH Freitas

Em paralelo à proposta de reforma da Previdência (PEC 6/2019), o Congresso também analisa o Projeto de Lei (PL) 1.645/2019, que atualiza o Sistema de Proteção Social dos Militares das Forças Armadas, a previdência dos militares.

O texto aumenta de 30 para 35 anos o tempo de serviço necessário para que os servidores militares da Marinha, Exército e Aeronáutica passem à inatividade (eles não se aposentam, se tornam inativos). Também aumenta as idades limites para essa condição, dependendo dos postos hierárquicos.

Pela proposta, a alíquota de contribuição ao sistema sobe de 7,5% para 10,5%, escalonada em três anos a partir de 2020. Pessoas que hoje são isentas da contribuição passam a pagá-la, como os pensionistas e os estudantes das escolas preparatórias e de graduação das Forças Armadas. Segundo os cálculos do Ministério da Defesa, as medidas levarão a uma economia de R$ 97,3 bilhões em dez anos.

O ponto de conflito do texto é que ele também reestrutura a carreira militar, com reajustes pontuais de soldos e criação ou modificação de adicionais e ajudas de custo, totalizando uma despesa de R$ 86,8 bilhões em uma década. Feitas as contas, a economia efetiva com o sistema dos militares seria de apenas R$ 10,5 bilhões nesse prazo. Os senadores ainda estão cautelosos quanto ao teor do projeto.

— As informações estão como peças de quebra-cabeça que estão sendo encaixadas ainda e tem peças que não encaixam. E eu tenho que ter cuidado para montar esse quebra-cabeça até quando chegar a votação no Senado, para decidir o que é melhor para a população, para o país, e não para uma classe só —disse Styvenson Valentim (Pode-RN).

Já a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) critica os dispositivos que elevam os adicionais para os militares mais graduados, em detrimento dos de patentes mais baixas.

— Não houve um olhar prioritário para a sociedade, houve um olhar, no meu entendimento, privilegiado para os oficiais em relação à questão militar em todo o Brasil. Isso é muito ruim, porque o governo perde o seu discurso [de ajuste] e mostra claramente que não é uma preocupação geral — disse à reportagem.

Na opinião do diretor geral da Instituição Fiscal Independente (IFI), Felipe Salto, a poupança prevista com a proposta não é grande, em comparação com o R$ 1 trilhão que se espera economizar na reforma dos servidores civis e dos vinculados ao Regime Geral da Previdência Social (RGPS). No entanto, não deve ser desprezada.

— Todo efeito fiscal é relevante. Se estamos com deficit brutal como estamos hoje e com a dívida crescendo sem parar, qualquer centavo é importante —defendeu Salto em audiência pública feita em abril para debater o assunto.

AGÊNCIA SENADO/montedo.com

Sem intimidades

Poder sem pudor

No final de 1964, o então coronel João Paulo Burnier, que mais tarde seria o célebre brigadeiro, assumiu o comando da Base Aérea de Santa Cruz. Chefe rigoroso, era muito temido. Certa vez, numa sexta-feira, reza a lenda que ele ligou para o Oficial de Dia, tenente Tomaz: “Tenente, soube que amanhã haverá sessão de cinema na Base. Qual será o filme?” O tenente, nervoso, respondeu com a voz trêmula: “Eu, Você e o Destino”. O comandante Burnier não entendeu direito: “O quê? Para evitar intimidades, o tenente se apressou em corrigir: “O filme é “Eu, o Senhor e o Destino”…

DIÁRIO do PODER/montedo.com

Tenente-coronel se rende após manter família em cativeiro por 14 hora no RJ

Militar se rende após manter mulher e filhos reféns por quase 14 horas em Cascadura

Filho de tenente-coronel que fez família refém aparece em janela de apartamento em Cascadura
Filho de tenente-coronel que fez família refém aparece em janela de apartamento em Cascadura Foto: Fabiano Rocha / Fabiano Rocha – Agência O Globo

Gustavo Goulart e Letícia Gasparini

O tenente-coronel do Exército que mantinha a mulher, Luciana Arminda, e os dois filhos gêmeos de 11 anos reféns no apartamento da família, em Cascadura, se entregou, após quase 14 horas. O porta-voz da Polícia Militar, coronel Mauro Fliess, informou que ele foi levado para a 29ª DP (Madureira). O processo de negociação foi tenso, segundo Fliess. Equipes de médicos, psicólogos e policiais treinados em negociações de conflitos participaram da negociação, assim como equipes do Exército, à paisana. A rua foi tomada por policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope), do Batalhão de Ações com Cães (BAC) e atiradores de elite. O tenente-coronel André Luiz seria integrante do Serviço de Inteligência do Exército.

O Batalhão de Operações Policiais Especiais assumiu a ocorrência na noite desta terça-feira. Fliess explicou que todos os protocolos foram seguidos e os reféns ficaram “sob controle, na medida do possível”. Fliess explicou que as negociações envolveram tempo. O casal mora no Residencial Califórnia Park, na Rua Cerqueira Daltro.

Segundo Fliess, o militar mostrou descontrole diante de um problema familiar:

– É tenente-coronel da ativa do Exército Brasileiro. Ele demonstrou um descontrole diante de um problema familiar. É uma questão pessoal dele, que será abordada pelo Exército.

Em nota, o Comando Militar do Leste informou que transmitiu à Políicia dados que pudessem ser úteis ao processo de negociação. Após ele se entregar, a mulher e os filhos receberam atendimento de profissionais de saúde e estão na companhia de parentes próximos. Depois de prestar depoimento, o militar será encaminhado ao Hospital do Exército, permanecendo preso à disposição do Poder Judiciário.

O fornecimento de energia elétrica para o apartamento da família foi interrompido por medida de segurança. A Rua Cerqueira Daltro foi interditada ao trânsito de veículos. Uma faixa foi colocada em frente ao Largo do Cascadura, que fica diante do condomínio. A calçada em frente ao prédio foi bloqueada.

Pouco antes das 7h desta quarta, um casal entrou no prédio após conversar com policiais. Durante a madrugada desta quarta-feira, uma psicóloga e uma major da PM também participaram da negociação. Uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi deslocada para o local.

Militares durante negociação com homem que mantém mulher e filhos reféns dentro de apartamento em Cascadura
Militares durante negociação com homem que mantém mulher e filhos reféns dentro de apartamento em Cascadura Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Um vizinho que preferiu não se identificar disse que, horas antes da movimentação dos policiais no local, a mulher gritava por ajuda enquanto era agredida.

— Ele sacou uma arma e ameaçou a mulher e os filhos. Ele já tem histórico aqui no prédio de brigar com a esposa. Vizinhos já o viram agredindo a mulher — disse.

Outra testemunha contou que, ao ouvir os gritos, por volta das 20h, moradores procuraram a portaria do prédio, que acionou a polícia.

— Ela começou a gritar. Depois disso, uma vizinha ligou para a portaria, que acionou a polícia — contou o homem, que também não quis se identificar.

Vizinho de andar da família, o estudante de Farmácia Carlos Orlando Malheiros, de 33 anos, ficou assustado:

– A gente não tem muito contato, embora moremos no mesmo andar do prédio. É uma coisa que a gente nunca imagina que vá acontecer. A gente acha que está seguro. Mas nem dentro de casa – afirmou. Ele acrescentou que ninguém pôde usar o corredor do andar e só o elevador de serviço foi liberado.

Ameaças há pelo menos um ano

A professora Cintia da Costa, amiga de Luciana, disse que o militar ameaçava a mulher há pelo menos um ano.

— Ela tem muito medo dele. Luciana já vinha reclamando que ele já brigava com ela há muito tempo. Ele era truculento. Ameaçava. Não a deixava sair sozinha com os dois filhos, apenas com um deles, para evitar que ela fugisse de casa. Ele era um lobo na pele de um cordeiro — contou Cintia.

Cintia disse ainda que Luciana, que é professora de educação especial em uma escola do município em Piedade, também na Zona Norte, é uma pessoa muito alegre mas estava “perdendo a felicidade”.

— Eu disse várias vezes para ela o denunciar, mas ela tinha medo. Ela já tentou buscar ajuda, mas foi avisada que não iria adiantar denunciá-lo.

De acordo com o cunhado de Luciana, a professora chegou a denunciar André para a Delegacia da Mulher, mas não se separou por medo.

— Luciana tem muito medo dele. Já chegou a denunciá-lo, mas a delegada orientou a não tomar nenhuma providência até o processo ser consolidado. Ela não pediu a separação por temer o marido.

Leia a íntegra da nota do CML:

“Na madrugada desta quarta-feira, 15 de maio, um oficial do Exército Brasileiro, motivado por razões ainda não esclarecidas, manteve esposa e filhos presos em sua própria residência, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A Polícia Militar foi acionada por vizinhos e, uma vez no local, iniciou as negociações. Por volta das 10h, após a aplicação dos protocolos de negociação ao longo de toda a noite, o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) logrou êxito em convencer o militar a se entregar pacificamente.

O Exército acompanhou as negociações no local, transmitindo aos policiais informações e dados pessoais que pudessem ser úteis ao processo de negociação. Após o militar se entregar, a esposa e os filhos passaram imediatamente aos cuidados de profissionais de saúde, e já estão na companhia de parentes próximos.

O militar foi inicialmente conduzido para a Delegacia Policial da área e, após as formalidades legais, será encaminhado ao Hospital do Exército, permanecendo preso à disposição do Poder Judiciário.

O Exército Brasileiro solidariza-se com os familiares envolvidos nesse traumático episódio, e prestará toda a assistência médica, psicológica e espiritual requerida para a desejada superação. Por oportuno, o Comando Militar do Leste cumprimenta os profissionais da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro que conduziram as negociações, reconhecendo e agradecendo a sua competência profissional no cumprimento de tão sensível missão.”

EXTRA/montedo.com

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