EUA e Argentina retomarão exercícios militares suspensos nos governos Kirchner

Mattis e Aguad: promessa de reaproximação entre EUA e Argentina – MARTIN ACOSTA / REUTERS

Anúncio veio após visita de secretário de Defesa a Buenos Aires; americanos vão auxiliar na segurança do G-20

HENRIQUE GOMES BATISTA, ENVIADO ESPECIAL

BUENOS AIRES E SANTIAGO – A Argentina e os Estados Unidos voltarão a fazer treinamentos militares conjuntos, anunciou nesta quarta-feira James Mattis, secretário de Defesa americano, após sua primeira visita oficial a Buenos Aires. Na capital argentina, Mattis se encontrou com o ministro da Defesa, Oscar Aguad. A retomada das atividades conjuntas representa um giro nas relações militares dos dois países, após anos de afastamento nos governos de Néstor e Cristina Kirchner, de 2003 a 2015.

— Fizemos um acordo, e os treinamentos (militares) vão voltar — disse James Mattis no seu voo de Buenos Aires a Santiago para jornalistas que o acompanham. — Serão os mesmos treinamentos que existiram por 30 anos.

O secretário americano ainda anunciou outras parcerias, como a troca de informações e apoio na segurança da reunião do G-20, que reunirá em dezembro os líderes dos 20 países com maior economia do mundo na Argentina.

Mattis, por sua vez, lembrou da história de cooperação militar entre os dois países, incluindo a ocasião em que a Argentina, na época governada por Carlos Menem, da ala direita do peronismo, enviou duas embarcações para Guerra do Golfo, liderada pelos Estados Unidos para expulsar as tropas do iraquiano Saddam Hussein do Kuwait, entre 1991 e 1992.

O secretário americano não mencionou a Guerra das Malvinas, em 1982, quando os Estados Unidos ficaram do lado do Reino Unido, ocupante das ilhas no Atlântico Sul reivindicadas pela Argentina.

— É um prazer estar hoje neste lindo país que consideramos um parceiro e amigo — disse Mattis. — Como disse o vice-presidente (americano) Mike Pence, a Argentina ter um papel de líder global é bom para o hemisfério.

Aguad disse, ao receber o secretário americano no Edifício Libertador, sede do ministério na capital argentina, que seus conterrâneos nunca se esquecerão da ajuda que receberam dos americanos na tentativa de resgate do submarino ARA San Juan, que desapareceu no mar no ano passado, num episódio em que toda a tripulação morreu. O ministro reconheceu que a relação entre os dois países passava por dificuldades:

— Temos diante de nós um amplo campo para aprofundar nossa relação. Pois se a Argentina havia se afastado durante anos dos seus leais sócios e amigos, estamos voltando ao caminho do qual nunca deveríamos ter saído — disse Aguad, defendendo uma relação de respeito e mútuo benefício.

Ainda na tarde de quarta-feira, Mattis partiu para Santiago e, depois, encerrará sua viagem em Bogotá, Colômbia. Esta é a primeira viagem do chefe do Pentágono do governo Trump à América do Sul.

O Globo/montedo.com

“É só olhar para o meu rosto”, diz Mourão sobre se declarar indígena

O general Hamilton Mourão na convenção do PRTB, na zonal sul de São Paulo, no dia 5 – Rafael Hupsel – 5.ago.2018/Folhapress

“É só olhar para o meu rosto”, diz vice de Bolsonaro sobre se declarar indígena
General havia dito que Brasil herdou ‘indolência’ dos índios e ‘malandragem’ dos africanos

Fernanda Wenzel
PORTO ALEGRE
“Eu sou pardo? Eu sou negro? Eu sou asiático? Eram as opções que eu tinha, e a quinta opção era indígena”, disse nesta quinta-feira (16) o general da reserva Antônio Hamilton Mourão (PRTB), candidato a vice-presidente de Jair Bolsonaro (PSL) e que se autodeclarou indígena no registro junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Questionado em Porto Alegre sobre o que sabia sobre as suas origens, Mourão disse que seu pai era amazonense e sua avó “era cabocla de Humaitá”.

“Não sei a qual etnia deveria pertencer, mas pode ter certeza de uma coisa: Cacique Mourão é a solução”, respondeu.

Em evento no dia 6 de agosto em Caxias do Sul (RS), Mourão havia dito que o Brasil herdou a “indolência” dos indígenas e a “malandragem” dos africanos. Em seguida, negou que a declaração tinha sido preconceituosa, e disse que, inclusive, era descendente de indígenas.

Mourão foi à capital gaúcha para o lançamento da candidatura do tenente-coronel Luciano Zucco (PSL-RS) a deputado estadual. O evento lotou o salão do Clube dos Oficiais da Brigada Militar, com capacidade para 1.200 pessoas. A plateia empunhava bandeirinhas do Brasil distribuídas pelos organizadores.

O general também foi questionado sobre sua participação nas tratativas com a empresa espanhola Tecnobit para compra, pelo Exército brasileiro, de um Simulador de Apoio de Fogo (SAFO). Em entrevista ao jornal El Pais, o coronel da reserva Rubens Pierrotti Junior disse que Mourão foi acionado para “destravar” o projeto.

Mourão chegou a ir para Espanha tratar da questão, onde participou de um jantar oferecido pela Tecnobit. O equipamento deveria ter sido entregue em outubro de 2013, o que ocorreu apenas em 2016. Segundo a reportagem, o atraso se deu devido à incapacidade da empresa em cumprir com as demandas do contrato.

“O meu papel foi salvar o projeto. Se nós não tivéssemos intervindo naquele momento, hoje nós teríamos um prejuízo de 6,5 milhões de euros ao erário e dois elefantes brancos construídos, um em Resende e outro em Santa Maria. Hoje temos dois simuladores no estado da arte funcionado e adestrando as nossas unidades de artilharia de campanha”, afirmou Mourão.

Segundo o candidato a vice, os problemas para a implementação do simulador ocorreram em função de atritos de “pessoas que estavam dentro daquele processo” com a empresa contratada, “exclusivamente por motivos pessoais”.

FOLHA DE SÃO PAULO/montedo.com

RJ: Forças Armadas entram no QG do Comando Vermelho e são recebidas a tiros

Soldados das Forças Armadas em uma das operações em favela no Rio de Janeiro (Luis Kawaguti/UOL)

Militares entram na favela quartel-general do Comando Vermelho no Rio e são recebidos a tiros
Luis Kawaguti
Do UOL, no Rio
Soldados das Forças Armadas em uma das operações em favela no Rio de Janeiro As Forças Armadas participaram de uma intensa troca de tiros com traficantes na madrugada desta sexta-feira (17) em meio a uma operação ainda em andamento no Complexo de favelas do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro – o quartel-general da principal facção criminosa do estado, o Comando Vermelho.
A ação começou no fim da noite de quinta-feira (16) e envolve 235 militares das Forças Armadas e 70 policiais civis, segundo o Comando Conjunto da intervenção federal. Eles utilizam helicópteros e blindados de transporte de tropas.
Desta vez, os militares usam efetivo reduzido em comparação com operações anteriores – que chegaram a ter mais de 5 mil combatentes agindo em conjunto. O objetivo era evitar vazamentos de informações que prejudicassem a operação,
segundo uma fonte militar. Mas, apesar do número de agentes ser menor que em outras operações, foram selecionadas tropas de elite altamente treinadas, disse a fonte.
Moradores do complexo do Alemão começaram a relatar em redes sociais a presença de helicópteros e sons de tiros por volta das 2h. “Já saí do quarto, foi muito tiro na Canitar [região do Complexo do Alemão]. Deus livre e guarde a todos”,
escreveu uma moradora no Facebook. “Helicóptero está sobrevoando. Deus proteja os inocentes”, afirmou outro morador
na rede social. “O Exército está entrando no complexo!”
Essa é a primeira operação de grandes proporções das forças de segurança no Complexo do Alemão desde o início da intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro há seis meses. Desde então, os militares já haviam entrado na maior parte das grandes favelas do Rio, entre elas a Rocinha e o Vidigal (zona sul), o Complexo do Lins de
Vasconcelos (zona norte), os Complexos da Pedreira e do Chapadão, a Cidade de Deus, a Praça Seca e dezenas de favelas da região de Deodoro (zona sul). A favela da Maré (zona norte) foi alvo de uma operação da Polícia Civil.
O Complexo do Alemão era uma das últimas grandes favelas do Rio que não tinha passado pelas chamadas ações emergenciais das Forças Armadas – operações ostensivas que, segundo os interventores, visam enfraquecer as facções criminosas, mas não têm a ambição de resolver o problema estrutural de segurança no estado.
A ação ocorre no período noturno, algo que vinha sendo evitado pelas Forças Armadas. Os militares devem permanecer no local ao menos até o amanhecer para que a Polícia Civil possa tenta cumprir mandados de prisão de criminosos
procurados.

UPPS
Quando as Forças Armadas ocuparam os Complexos do Alemão e da Penha entre 2010 e 2012, oito UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) foram instaladas na região, que é habitada por cerca de 167 mil moradores.
O Gabinete de Intervenção Federal já afirmou que não fará nova ocupação prolongada na região.
O órgão anunciou recentemente o fechamento de uma delegacia da Polícia Civil no Alemão. A instalação era alvo constante de ataques de criminosos e, segundo os interventores, tinha uma demanda tão baixa que não justificava a manutenção de
todo o aparato policial. Isso porque moradores relutariam em ir até o local para registrar queixas.
Os interventores já anunciaram que pretendem fazer modificações em metade das 28 UPPs criadas desde 2008 no Rio. Quatro delas já passaram por um processo de reestruturação – sendo incorporadas administrativamente a batalhões regulares da Polícia Militar e tendo suas bases físicas transformadas em companhias destacadas.
Nesse processo, mais de 1300 policiais militares que trabalhavam em UPPs foram recapacitados para trabalhar no policiamento de rua. A estimativa da intervenção é que ao todo 2.500 policiais passem por esse processo de recapacitação.
Ainda não está claro porém se a operação iniciada da quinta-feira (16) está relacionada a algum tipo de reestruturação de UPPs do Alemão.

UOL/montedo.com

AGU fecha acordo que prevê cota racial em concursos para Forças Armadas

Foto: Fernando Araújo/Diário do Pará

Matheus Leitão

A Advocacia-Geral da União (AGU) fechou um acordo extrajudicial que prevê a adoção de reserva de vagas para negros e pardos em concursos públicos para as carreiras das Forças Armadas.

O termo de ajustamento de conduta foi firmado no âmbito de uma ação movida pelo Ministério Público Federal para adoção das cotas previstas em uma lei de 2014.

Pelo acordo, a União, por meio do Ministério da Defesa, se compromete a aplicar as cotas aos concursos em andamento e também aos futuros. A determinação não abrange, no entanto, a seleção de candidatos para cargos temporários.

Na sentença de homologação do acordo, o juiz federal da 17ª Vara do Distrito Federal, João Carlos Mayer Soares, ressaltou que a adoção das cotas “se aplica a toda a administração federal, nela incluída as Forças Armadas, em todos os seus concursos públicos”.

A AGU avalia, internamente, que acordos como esse reduzirão litígios evitarão uma série de recursos e novas ações sobre o tema.
G1/montedo.com

Sob pressão, Marinha adia decisão de licitação de R$ 6 bilhões

Marinha adia decisão de licitação de R$ 6 bilhões

Sob pressões, a Marinha adiou a escolha dos finalistas de uma concorrência para fornecer quatro novos navios de combate ao Brasil.

O processo é tocado de forma expressa, gerando críticas de concorrentes e questionamento de transparência por parte do TCU (Tribunal de Contas da União).

O negócio é visto como central para manter a Marinha operacional na próxima década. Prevê gastar, em oito anos, US$ 1,6 bilhão (R$ 6,2 bilhões se fossem desembolsados hoje) para adquirir quatro corvetas —a primeira seria entregue quatro anos após o contrato ser fechado.

A frota atual desse tipo de navio é de três unidades. Com outras oito fragatas, de maior porte, formam o coração da força naval de superfície do país. A expectativa de analistas é de que esse já frágil poderio caia até a metade, se não for restabelecido, até 2028.

Isso levou os almirantes a pressionar o governo Michel Temer a autorizar a compra.

Sem caixa, o governo apelou a uma criatividade que é alvo de consulta feita pela Secretaria de Controle Externo de Defesa Nacional do TCU.

Utilizou recursos de royalties do pré-sal para capitalizar a Emgepron, empresa de gerência de projetos navais criada pela Marinha em 1982. Capitalizações de estatais estão fora do limite do teto de gastos imposto pelo governo, facilitando a operação.

Ao mesmo tempo, preparou um RFP (sigla inglesa para pedido de proposta) em dezembro de 2017 para a construção da corveta da classe Tamandaré. Ela é uma releitura mais avançada da atual corveta Barroso, que tem um navio em operação, e seu projeto final teve participação da empresa italiana Vard.

Aqui começaram os problemas. A Vard pertence ao estaleiro italiano Fincantieri, concorrente que o mercado sabia que iria se apresentar.

“Foi uma pequena parcela [a participação]. Mas isso poderia causar problemas mesmo, alteramos o RFP para aceitar embarcações com projeto próprio, assim não há como acusar direcionamento”, diz o responsável pelo processo, almirante Petronio Augusto Siqueira do Aguiar.

Nos bastidores, os grandes estaleiros europeus com projetos prontos ou rapidamente viabilizáveis pressionaram pela mudança, em especial os alemães da ThyssenKrupp, que associaram-se à Embraer num consórcio considerado bastante competitivo.

Mesmo com a alteração, causou estranhamento a dois concorrentes ouvidos pela Folha a presença de documentação técnica italiana com parâmetros exigidos do navio. Isso foi relatado à reportagem, mas Aguiar nega ter ocorrido. “Garanto que não tem”, diz.

Ele afirma que o adiamento foi necessário porque os nove consórcios que apresentaram ofertas estão devendo informações. “São dados que nos faltam, apenas isso”, afirmou.

Diz acreditar que a nova data para a seleção, 30 de outubro, será cumprida, e que o modelo estará finalmente escolhido até o fim do ano.

Segundo concorrentes, que não querem se identificar, o edital é draconiano, e gerou uma barafunda de ofertas incomparáveis pela falta de tempo de apresentá-las.

Na segunda (13), a Marinha conversou com interessados e foram estabelecidos parâmetros de unificação de dados.

O edital exige participação de estaleiros locais, além de obediência a critérios de conteúdo nacional do BNDES. Os consórcios são de países com tradição naval, como Itália, França, Alemanha, Reino Unido e Holanda, com Turquia e Ucrânia correndo por fora.

A surpresa ficou por conta da Índia, com dois competidores, um deles levado mais a sério. O Goa Shipyard foi o único que, como a Fincantieri, adotou o projeto original da Marinha. E uniu-se ao tradicional estaleiro Inace, do Ceará, que já produz navios de patrulha para o Brasil.

A questão da capitalização da Emgepron, que já atingiu R$ 2 bilhões dos R$ 4 bilhões previstos, ainda está em aberto. “Ela será a compradora dos navios, mas a rapidez e o volume da capitalização nos levaram a questionar a Marinha”, afirma o secretário de Defesa do TCU, Egbert Buarque.

Não há manifestação formal do tribunal, contudo, e o Controle Interno da Marinha foi acionado para dar explicações. O adiamento, portanto, não pode em tese ser atribuído a esse questionamento.

Por fim, há o imponderável político. A nova data para a seleção dos finalistas é dois dias depois do segundo turno, quando já se saberá quem assumirá o Planalto. Como o caso dos caças nas transições FHC-Lula e Lula-Dilma prova, dificilmente governantes tomam esse tipo de decisão no momento em que precisam demonstrar austeridade.

Esse é o maior temor não verbalizado da Marinha. “Na minha diretoria, a questão é técnica, não fazemos avaliação política”, diz Aguiar.

Por outro lado, a Força já toca um programa enorme, o dos submarinos, o que pode ser usado como contra-argumento político —mas não técnico, por serem armas incomparáveis em suas funções.
Bocão News/montedo.com

Romário diz que colocará GENERAL no comando da segurança pública no Rio de Janeiro

Ex-jogador é candidato ao governo carioca (O Sul)

Romário diz que colocará GENERAL no comando da segurança pública
Em declarações dadas à mídia carioca, Romário, que é candidato ao governo do ESTADO DO RIO DE JANEIRO, que cortará as UPPS pela metade e que manterá um general à frente da segurança pública. O plano de manter apenas 19 UPPS ao invés das 38 é um projeto do atual interventor federal, o general Braga Netto.

O ex-jogador-político-candidato não disse quem será o general que indicará para gerenciar a segurança pública no Rio de Janeiro.

“Eles deixaram bem claro que das 38 UPPs que existem, a ideia é que, em princípio, 19 continuem. E está dentro da linha que eu também penso que é de diminuir o número de UPPs. A gente aproveita esses policiais para que eles possam fazer no asfalto, nas ruas, um policiamento ostensivo e conseqüentemente há a diminuição de roubos de carros e de assaltos“, declarou à imprensa presente.

Um repórter perguntou se Romário desejava vincular sua imagem a dos militares, ele respondeu que não.

“A minha imagem não tem como colar com a polícia ou com o Exército, a minha imagem está diretamente ligada à população do Rio de Janeiro“, declarou aos presentes.

Revista Sociedade Militar/montedo.com

Acidente provoca o tombamento de duas viaturas do Exército em rodovia do MS

Bela Vista (MS) – Um acidente  na MS-384 na tarde desta segunda-feira (13) envolveu duas viaturas do 10º Regimento de Cavalaria Mecanizado. Um blindado Guarani tombou às margens da rodovia e, ao tentar desvirá-lo, o guincho também acabou tombando. Apenas um militar ficou ferido, com luxação em uma clavícula.

Em nota, o comando do 10º R C Mec informou que abrirá um Inquérito Policial Militar para apurar o ocorrido.

Vídeo registra o tombamento do guincho:

Em segunda instância, justiça determina pagamento de diferença remuneratória a militar do Exército que trabalhou em desvio de função

TRF4 determina pagamento de diferença remuneratória a militar que trabalhou em desvio de função

O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) reconheceu, na última semana, o pagamento da remuneração devida a um militar da reserva por trabalho desempenhado em situação de desvio de função ocorrida durante um período de mais de dois anos de sua carreira.

O militar havia ajuizado uma ação de cobrança contra a União exigindo o recebimento da diferença de soldo por ter exercido cargo atribuído exclusivamente ao posto acima do que ocupava.

O autor é um Subtenente de Comunicações do Exército, tendo ingressado no serviço militar em 1987 e passado para a reserva em 2014. Ele afirmou que, durante o período de junho de 2010 a dezembro de 2012, num tempo total de dois anos, cinco meses e vinte dias, exerceu o comando do Pelotão de Comunicações do 2º Regimento de Cavalaria Mecanizado, no município de São Borja (RS). A função é de atribuição exclusiva de 1° Tenente, e, no processo, o homem alegou não ter recebido o soldo correspondente.

A ação buscou o pagamento da diferença de remuneração entre o posto de Subtenente e o de 1° Tenente durante o período referido, com todos os reflexos remuneratórios decorrentes, como adicionais, férias e 13° salário, devidamente corrigido e acrescido de juros.

A 2ª Vara Federal de Porto Alegre julgou o pedido do militar parcialmente procedente determinando a União a pagar os valores requeridos, tendo reconhecido apenas a prescrição das parcelas remuneratórias vencidas antes de julho de 2010.

A Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu ao TRF4 requisitando a reforma da sentença. No entanto, a 3ª Turma do tribunal decidiu, por maioria, manter a decisão da primeira instância da Justiça Federal gaúcha.

Segundo a relatora da apelação cível na corte, desembargadora federal Vânia Hack de Almeida, ficou comprovado no caso o desvio de função do autor. De acordo com ela, o artigo 25 da Lei Federal nº 6.880/80, o Estatuto dos Militares, determina claramente que o militar fará jus aos direitos próprios do cargo que exercer seja em caráter efetivo ou interino.

Para Vânia, “restando incontroverso nos autos que a administração militar determinou ao autor, Subtenente de Comunicações, que atuasse no Comando do Pelotão de Comunicações do 2º Regimento de Cavalaria Mecanizado, atribuição exclusiva de 1º Tenente, faz jus ao recebimento das diferenças entre os soldos, respeitada a prescrição quinquenal”.

TRF/4/montedo.com

TRF julgará transferência do caso da Mineira para a Justiça Militar

Depoimento dos militares, em 2008 | Gustavo Azeredo/3-7-2008

Ancelmo Góis

O caso da Mineira

No momento em que o Exército desempenha papel importante na segurança do Rio, volta aos tribunais uma página trágica e infeliz da história da arma: a de três jovens, de 24, 19 e 17 anos, executados por traficantes. Moradores da Providência, os rapazes foram entregues a bandidos do Morro da Mineira, de facção rival à da favela em que viviam, por um grupo militar comandando pelo tenente do Exército Vinícius Ghidetti de Moraes Andrade.

Segue…

O caso tem dez anos. Nos próximos dias, o Tribunal Regional Federal, no Rio, julga recurso do MPF que tenta impedir que a ação contra o tenente saia da Justiça Federal e vá para a Justiça Militar. É que, ano passado, entrou em vigor a Lei 13.941, sancionada por Michel Temer, determinando que crimes contra a vida cometidos por militares das Forças Armadas contra civis sejam julgados pela Justiça Militar.

O Globo/montedo.com

Número de candidaturas de militares dobra em 4 anos

Candidato a vice-presidente de Jair Bolsonaro (PSL), Hamilton Mourão (PRTB) é identificado apenas como General Mourão durante seu anúncio para participar da chapa (Guilherme Venaglia/VEJA.com)

Crise na segurança pública impulsiona candidaturas, que cresceram 92% desde 2014

Estadão Conteúdo

Incentivados pela reprovação a políticos de carreira, militares ampliaram a participação na disputa por cargos do Poder Executivo neste ano. O número de candidatos originários das Forças Armadas, da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros quase dobrou em relação ao pleito de 2014.

Levantamento identificou pelo menos 25 militares, da ativa ou da reserva, que vão concorrer a presidente, vice-presidente, governador ou vice-governador. Ante os treze nomes da eleição passada, isso representa um aumento de 92%. Se comparado com 2010, quando sete militares disputaram esses cargos majoritários, a alta chega a 257%.

Quando considerado todo o universo de candidatos ao Executivo, os militares representam 7% dos nomes já anunciados pelos partidos. Na eleição passada, a proporção era de 3% do total de profissões registradas ao fim do pleito, conforme dados da Justiça Eleitoral. Os números podem sofrer variações porque o prazo para os candidatos requisitarem o registro vai até a próxima quinta, 16. O perfil dos candidatos vai de apoiadores de Jair Bolsonaro (PSL) até filiados a partidos de esquerda.

Com mais de 64.000 assassinatos registrados no ano passado e confrontos frequentes entre facções criminosas internacionalizadas, a violência tornou-se uma das pautas mais sensíveis do debate eleitoral.

“Os militares estão sendo alçados a se candidatar como consequência do momento nacional, um país que enfrenta tantas mazelas e dificuldades. Pesquisas de opinião junto à sociedade brasileira mostram que, entre as demais instituições, as Forças Armadas têm maior índice de confiabilidade. E a sociedade está em busca disso”, afirma o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, que promoveu rodadas de conversas com os principais concorrentes à Presidência da República. Essa visão é endossada pelo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, general Sérgio Etchegoyen.

Para o cientista político Hilton Cesario Fernandes, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, com a crise na área da segurança pública, os casos de corrupção e o descrédito nos nomes tradicionais da política “era de se esperar que militares fossem o ‘perfil da vez’ para muitos eleitores”. “E esta é uma tendência que não tem dado sinais de mudança para os próximos anos”, afirmou ele.

Divisão
Dos 25 nomes, seis são do Exército, a maior das três Forças e a mais influente politicamente. Não há candidatos da Marinha ou da Aeronáutica. Os demais são policiais (17) e bombeiros militares (2). A reportagem não incluiu na contagem candidatos a cargos no Legislativo nem carreiras vinculadas à segurança pública, mas de caráter civil, como guardas municipais, delegados e policiais civis ou federais que também vão disputar cargos majoritários

Três militares concorrem ao Palácio do Planalto, como candidato a presidente ou vice: Bolsonaro, que é capitão da reserva do Exército, e seu candidato a vice, o general da reserva do Exército Hamilton Mourão (PRTB), além do deputado Cabo Daciolo (Patriota), ex-bombeiro.

Os outros 22 nomes disputam cargos de governador ou vice. No Rio por exemplo, o PRTB lançou uma chapa pura formada por dois policiais militares. Em São Paulo, três mulheres da Polícia Militar foram convidadas para compor chapas como candidatas a vice-governadora do estado.

Propostas
Apesar da resistência na cúpula das Forças Armadas, o emprego dos militares em ações de segurança pública aproximou a tropa dos policiais militares, subordinados aos governadores. Hoje, não só os policiais candidatos, mas também os oficiais e praças do Exército assumiram como bandeira de campanha a defesa de aumentos no soldo, benefícios para famílias de PMs vitimados e mudanças na lei para atuar em confrontos armados, sem que homicídios praticados por policiais gerem processos judiciais.

Militares reassumiram protagonismo no primeiro escalão do governo Temer e passaram a ser mais empregados em ações de segurança pública. O ápice foi a decretação da intervenção federal na segurança do Rio — a cargo de outro militar, o general Walter Souza Braga Netto, comandante militar do Leste. Temer recriou o GSI e, pela primeira vez desde a redemocratização, nomeou um militar para o Ministério da Defesa, o general da reserva Joaquim Silva e Luna.

Após a redemocratização, dois militares que haviam sido governadores biônicos durante a ditadura chegaram ao poder pelo voto direto: o vice-almirante da Marinha Annibal Barcellos, pelo PFL (atual DEM), em 1990, no Amapá, e o brigadeiro da Aeronáutica Ottomar Pinto, do PTB, em Roraima, que ainda governou o estado a partir de 2004 e foi reeleito em 2006, pelo PSDB, antes de morrer no ano seguinte.

VEJA/montedo.com

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