Navio da Marinha do Brasil socorre refugiados sírios na costa do Líbano

Refugiados sírios regatados por militares da Marinha do Brasil, que compõe a FTM, estavam bastante debilitados Foto: Força Tarefa Marítima UNIFIL / ReproduçãoMigrantes estavam sem comida havia três dias

O Globo com Ansa
Um navio da Marinha do Brasil socorreu 31 refugiados que estavam à deriva em um barco clandestino na costa do Líbano, no Mar Mediterrâneo Oriental, diringindo-se à ilha do Chipre, que faz parte da União Europeia.

Segundo o Ministério da Defesa brasileiro, o resgate foi feito pela fragata Liberal, que integra a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil), na última quinta-feira.

Os refugiados, provenientes da Síria, estavam sem comida e água havia três dias e receberam assistência do navio brasileiro.

“Toda assistência necessária foi fornecida pela Unifil, para amenizar o sofrimento das pessoas a bordo, com o fornecimento de água, comida, assistência médica e alguns medicamentos”, diz uma nota do Ministério da Defesa.

Segundo a Defesa, a embarcação continuou no local para prestar todo o auxílio possível aos refugiados, à espera de duas lanchas patrulha para resgatar os imigrantes. O plano pretendido pela fragata era escoltar os resgatados até as águas territoriais libanesas, e lá encerrar suas ações. Não foi informado se esta parte da missão já aconteceu, na tarde desta segunda-feira.

Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), 25.437 migrantes forçados conseguiram concluir a travessia do Mediterrâneo Oriental em 2018 e outros 152 morreram tentando.

Não é a primeira vez que um navio da Marinha brasileira socorre migrantes em situação de risco. Em setembro de 2015, a corveta Barroso resgatou 220 refugiados que estavam numa embarcação precária no Mar Mediterrâneo, numa operação que levou mais de 20 horas. Entre os resgatados estavam 94 mulheres, 37 crianças e quatro bebês, sírios em sua maioria. Na época, o comandante Alexandre Amendoeira Nunes contou que muitos estavam desidratados.

A corveta havia sido acionada pelo Centro de Busca e Salvamento italiano para ajudar no resgate. A embarcação com os refugiados estava a cerca de 300 quilômetros da Sicília. Segundo a Marinha, a corveta Barroso havia partido do Rio de Janeiro no dia 8 de agosto para participar da Força-Tarefa Marítima das Nações Unidas no Líbano.

O Globo/montedo.com

Suicídio: precisamos falar sobre isso.

O acolhimento dos sentimentos são uma forma eficaz de tratar e evitar o suicídio, afirma psicóloga em palestra no STM

A voz delicada e o cuidado com as palavras dão o tom da conversa sobre um assunto que é frequentemente evitado: o suicídio. Porém, a fala da psicóloga Karina Okajima Fukumitsu vai além da preocupação clínica com pessoas ou familiares que viveram esse drama de perto. Ela nos leva a uma reflexão sobre como estamos cuidando das coisas simples da vida, dos nossos sentimentos e daqueles que amamos.

Fukumitsu falou para uma plateia formada por servidores e magistrados da Justiça Militar da União, sobre o tema “Suicídio: prevenção e posvenção”. A abertura do encontro contou com as palavras do presidente do Tribunal, ministro José Coêlho Ferreira, que falou sobre a importância de trazer o tema para promover conhecimento e sensibilização diante de dados que revelam a quantidade de suicídios que ocorrem no Brasil.

Além da palestra, a psicóloga também realizou um curso de capacitação de dois dias com profissionais do STM que, pelas suas funções, possam vir a lidar com situações nas quais sejam exigidos conhecimentos mais específicos. A iniciativa de trazer a psicóloga foi da Coordenadoria de Serviços de Saúde, que formará um grupo para lidar com temáticas relativas ao suicídio.

Valorização da vida

Os pés descalços são um sinal de quem aprendeu com a doença que o simples ato de acordar todas as manhãs, respirar e poder tocar o chão com os pés já são um milagre. Ela mesma afirma que ganhou um saldo extra da vida, após atravessar uma doença autoimune e hoje estar sem nenhuma sequela. É por isso que hoje a pós-doutora da USP tira as sandálias dos pés no seu consultório, na sala de aula e nos locais onde dá palestra: são lugares sagrados.

O tema do suicídio para Karina tem a ver com uma história pessoal e tornou-se sua linha de atuação profissional na saúde pública, ao decidir tratar não só a prevenção, mas também a “posvenção”, ou seja, o cuidado prestado aos familiares das vítimas de suicídio.

Um dos temas mais recorrentes na fala da especialista foi a dificuldade que todos têm de lidar com emoções como raiva, solidão, desesperança e culpa. São os chamados “sentimentos inóspitos”, que são inevitáveis e precisam ser acolhidos e compreendidos. Caso esses sentimentos não sejam observados e trabalhados, eles irão contribuir com o que a psicóloga chama de “sofrimento existencial” e podem evoluir para o fenômeno do suicídio.

Por essa razão Fukumitsu dá a primeira e mais importante orientação para quem deseja ajudar uma pessoa que deseja tirar a própria vida: “não dê conselhos”. Com isso ela alerta que acolher o sofrimento do outro e entrar no seu mundo é uma atitude mais eficaz do que tentar convencer alguém a não cometer o suicídio. “É dizer para a pessoa: estou aqui com você. E também: o que você gostaria que morresse na sua vida?”

Assim, a psicóloga ensinou outra lição importante: querer tirar a própria vida não é sinônimo de “querer morrer”. Pelo contrário, é apenas uma tentativa de se livrar de uma dor muito profunda, quando aparentemente não há outra saída. Contar com um rede de apoio – formada por profissionais, amigos e familiares – é outra estratégia bastante eficaz. É essa rede que dará “hospitalidade” para a situação que causa dor e encontrar, junto à pessoa que passa pelo problema, uma ou mais saídas.

E não encontrar saídas para um problema pode levar o indivíduo ao que a profissional chama de “processo de morrência”, ou seja, um quadro de definhamento existencial e falta de gosto pela vida. Como antídoto para essa situação ela orienta: “Olhe para a ferida. Olhe para o caos. Quando se é ferido, olhe a ferida e junte suas forças com outros.” Por esse caminho, assegura Fukumitsu, cada pessoa pode chegar à transcendência, que significa encontrar o “herói” dentro de si e a força necessária para superar uma situação difícil e inesperada.

Ao final da apresentação, a psicóloga ouviu o agradecimento emocionado do vice-presidente do STM, ministro Lúcio Mário de Barros Góes, além de certificado da juíza-auditora-corregedora Telma Angélica Figueiredo e lembrança da coordenadora de Serviços de Saúde, Aline Alan Guedes Cerqueira.

STM/montedo.com

Médico do Exército é assassinado em Goiás

Gabriel era primeiro-tenente médico do Exército e servia na Escola de Saúde do Exército (Reprodução: Facebook)

Jovem achado morto perto de cachoeira na Chapada dos Veadeiros era médico do Exército
Jovem de 28 anos foi morto a tiros e identificado como Gabriel Costa Silva. Polícia trabalha com a hipótese de execução.

Vitor Santana, G1 GO

Goiânia (GO) – O jovem achado morto a tiros perto de uma cachoeira na Chapada dos Veadeiros foi identificado como Gabriel Costa Lima, de 28 anos. Ele era médico e trabalhava na Escola de Saúde do Exército. A Polícia Civil trabalha com a hipótese de execução.

Gabriel Costa foi encontrado morto na madrugada de sábado (13) em uma estrada vicinal que fica dentro de uma fazenda, onde ocorreu, na noite anterior, uma festa, em Alto Paraíso de Goiás.

Médico Gabriel Costa Lima foi encontrado morto próximo a cachoeira, em Alto Paraíso de Goiás — Foto: Reprodução/Facebook

A identificação dele foi feita por meio de digital e também de um documento expedido no Tocantins encontrado junto à vítima. O corpo foi liberado do Instituto Médico Legal. De acordo com a assessoria de imprensa do Exército, o jovem era tenente e atuava como médico-residente na Escola de Saúde, que fica no Rio de Janeiro.

Gabriel foi atingido nas costas, costela, nuca e bochecha, provavelmente efetuados por uma arma calibre 32. O delegado plantonista Yasser Yassine afirma que os locais dos disparos sugerem a prática de uma execução.

“A suspeita é de execução pelo modus operandi do crime. Esses tiros na nuca e na bochecha nos leva a crer isso. Se fosse um assalto, não teria necessidade desses disparos. Porém, não descartamos outras hipóteses”, disse o delegado ao G1.

A perícia já foi realizada, mas o delegado que não pode adiantar mais informações sobre o procedimento para não atrapalhar as investigações.
G1/montedo.com

Petismo, antipetismo e pacificação

Percival Puggina*

No Brasil em que eu vivo com os olhos bem abertos, o antipetismo acabou se tornando a maior força política, suplantando o petismo. Não houvesse um petismo a suscitar antagonismo, não surgiria a reação contrária.

Desde que foi criado, o petismo se dedica à criação de antagonismos, fornecendo instrumentos institucionais, organização, recursos humanos e financeiros para o lado que ocupa nos conflitos que cria e estimula. Enorme esforço tem sido despendido pelo PT para que os brasileiros sejam identificados e antagonizados pela cor da pele, pela etnia, pela cultura, pela região do país, pelo tal de gênero, pela faixa etária, pelo extrato de renda, pela relação de autoridade (pais/filhos, professor/aluno, policial/cidadão, criminoso/vítima), pela posição política e ideológica, e por tudo mais que a inventividade possa suscitar. Assim é o petismo.

Mas não é daí que vem o antagonismo. Ele surge do empenho em transformar essas realidades em conflitos nos quais a parte supostamente protegida pelo petismo é ensinada a ver a outra como inimiga. E o que é pior: sendo a ela imputadas as intenções mais vis. É o que acontece quando repetido incessantemente, por exemplo, que o PT é malvisto pela classe média porque esta não quer pobre viajando em avião ou comendo filé mignon. Ou quando se diz que o brasileiro é racista, machista e homofóbico. Ou quando se pretende, em sala de aula, contra a vigorosa reação nacional, confundir a sexualidade das crianças com ideologia de gênero como “conteúdo transversal”, vale dizer, em todas as disciplinas… Ou quando se insulta a direita liberal e/ou conservadora chamando-a de fascista. Ou quando se tenta impedir a projeção de um filme do Olavo ou uma palestra de Yoani Sanchez. Ou quando se afirma que o pobre é pobre porque o rico é rico. Ou quando, aos olhos e ouvidos da população indignada com a roubalheira promovida no país, é dito que os condenados são heróis do povo brasileiro, ou que o preso é um santo julgado por magistrados patifes. Não se diz essas coisas para um povo que foi roubado nas proporções em que os brasileiros foram! Mas o petismo diz.

Tenta-se hoje, por todos os meios, impingir à opinião pública a ideia de que liberais e conservadores “odeiam” todos aqueles cujas posições são fomentadas pelo discurso petista. No entanto, essa é mais uma vilania! A exasperação tem como causa o petismo dizendo o que diz e fazendo o que faz. É o petismo que suscita rejeição; não é o pobre, nem o negro, nem o índio, nem o homossexual, nem o esquerdista, nem sei lá mais quem.

A impressionante renovação promovida pelos eleitores em sete de outubro nada teve a ver com qualquer “efeito manada”. Bem ao contrário, significou a tomada de decisão, livre e soberana, de uma sociedade cuja opinião vinha sendo desprezada por supostos tutores confortavelmente acomodados nos espaços de poder institucional, nos grandes meios de comunicação e no ambiente cultural. A necessária pacificação nacional será difícil, porque todos sabem como se conduz o petismo quando na oposição.

*Membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
DIÁRIO do PODER/montedo.com

Decisão na infraestrutura é uma coisa técnica e sem paixões, diz general

General da reserva Oswaldo Ferreira, que coordena programa de campanha de Bolsonaro na infraestrutura e é cotado para ministro da área – Pedro Ladeira/Folhapress

Cotado a ministro em um governo Bolsonaro, militar apoia concessão e tem cautela com privatização

Julio Wiziack
Mariana Carneiro
BRASÍLIA

O general da reserva Oswaldo Ferreira, 64, se define como um guerreiro de selva. Um dos coordenadores do plano de governo de Jair Bolsonaro (PSL), Ferreira fala do presidenciável como se ele estivesse comandando uma tropa. ]
No entanto, rechaça qualquer autoritarismo do candidato. “Se ele for eleito, será um governo estritamente legal.”
Ferreira defende a disciplina —“uma coisa boa para a democracia”— e a hierarquia, regras básicas nas Forças Armadas.

O general, que chegou ao posto máximo da carreira como chefe do Departamento de Engenharia e Construção, é cotado para ser ministro da área de infraestrutura. Uma das metas, segundo ele, será a retomada de obras paradas, principalmente a BR 163, que ele construiu os primeiros 13 quilômetros há 37 anos.

O plano de concessões deve prosseguir porque, segundo ele, “com R$ 30 bilhões [de Orçamento para investimentos] por ano não vai dar”.

Apaixonado pela Amazônia, Ferreira quer rapidez no licenciamento ambiental, mas defende a floresta e o ambiente. “Há outras áreas do Brasil que podem nos proporcionar o crescimento.”

O governo Bolsonaro será autoritário?

Uma coisa que eu posso deixar claro é que nós [militares] somos democratas. E disso não abro mão. O Exército é uma instituição democrática. A nós é dada a faculdade de, pelo mérito, atingir o mais alto posto da carreira. Agora, temos regras marcantes: além da disciplina, uma coisa boa para a democracia, existe a hierarquia, que também faz muito bem. A tropa é uma representação da sociedade. Bolsonaro é um capitão, e o bom chefe, o bom líder é o que dá o exemplo, e ele é justo. É assim que funcionamos.

Não quero um chefe bonzinho, quero um chefe justo. Veja que já é assim nas empresas. Aquelas que perduram mantêm a disciplina e a hierarquia.

Bonzinho a gente sabe que Bolsonaro não é. Ele será justo? Fará algo que não seja democrático?

Será um governo estritamente legal. Se existe essa dúvida, não deveria. Não existe a hipótese de [Bolsonaro] querer coisas que não estejam previstas na Constituição.

O país está polarizado entre esquerda e direita. Bolsonaro vai conseguir apaziguar os ânimos exaltados?

A democracia pressupõe que as pessoas tenham suas convicções e que aceitem as regras do jogo no ato da eleição. O Rio Grande do Sul já foi governado pela esquerda e pela direita. Nem por isso o estado entrou em convulsão.

Bolsonaro, vou falar palavras dele, disse que quer ser o presidente de todos os brasileiros. Então, que reine a paz para que todos nós possamos remar o mesmo barco para frente.

Teria sido melhor vencer no primeiro turno?

Do ponto de vista da transição, sim. Teríamos mais tempo. Mas não foi possível e temos de trabalhar para poder cumprir a tarefa de conquistar mais votos. Se ele for eleito, garanto que vai ter muita gente sem Natal e Ano-Novo [risos].

Bolsonaro propõe governar com 15 ministérios, juntar Agricultura e Meio Ambiente, e criar uma pasta de infraestrutura. Não é muito conflito de interesse para administrar?

A questão de ter rapidez no licenciamento ambiental perpassa também os Transportes, Minas e Energia, outros ramos que influenciam na infraestrutura. Eu tenho pena do ministro [risos]. Acho que tudo isso será revisto durante a transição.

O conflito entre desenvolvimento e ambiente é histórico. Marina Silva já deixou o governo Lula por embates nessa área. Qual o plano, afinal?

No Exército, não fazemos nada sem estudos de viabilidade técnica, econômica, ambiental e social. Nenhum tijolo pode ser colocado sem estudo. Não posso construir nada sem uma licença ambiental.

O linhão de energia de Roraima será feito, por exemplo?

Qualquer contorno para não passar pela reserva [indígena] é enorme. Será viável? O que aconteceria se passássemos [o linhão] por cima da BR 174? Não estudei ainda. O que posso dizer é que, há bem pouco tempo, eu era comandante militar do Norte e, em 2015, os índios krikati, no Maranhão, derrubaram cinco torres de transmissão de energia. Dialogamos e entramos em um acordo para reconstruir.

Que outras obras sensíveis como essa estão no seu plano?

A transposição do rio São Francisco, porque o Nordeste precisa de água. E minha obra predileta, a BR 163. Eu fiz os primeiros 13 km de asfalto, em 1980. Em 2017, tive o prazer de acompanhar o ministro dos Transportes para fechar a cooperação para construir os últimos 65 km. É uma obra que, como outras, quero ver pronta porque interfere no custo Brasil.

A mobilidade urbana também é importante. Cuiabá tem uma questão que veio da Copa [obras paradas por irregularidades]. Em Fortaleza, tem o metrô. São mais de 2.000 obras paradas. Temos de acabar o que começamos. Teve muita gente com iniciativa [de começar obra] e nem tanta com acabativa [sic]. De maneira geral, a prioridade será tudo o que afeta a população. Mas temos de olhar o tabuleiro sem paixões, sem partidos, é uma coisa técnica.

Não há dinheiro para tudo. O sr. sugere manter o plano de concessões de Michel Temer?

Não tem outra solução para o que não for estratégico. Isso é uma posição do Bolsonaro e do Paulo Guedes [principal assessor econômico do candidato]. Precisamos de solução já para a infraestrutura e com R$ 30 bilhões de Orçamento por ano não vai dar. Em 2001, viajei de carro de Brasília para Belo Horizonte. Era um jogo de videogame, desviando de buraco. Hoje, tem zero buraco. A rodovia foi concedida à iniciativa privada. E tem pedágio. Mas uma roda quebrada paga várias viagens. Em Mato Grosso, por exemplo, é preciso uma solução de rodovia para o escoamento da safra. E, como ela vai dobrar, será preciso ferrovia, outros modos de transporte.

Há vários projetos, a Ferrogrão, a Fico, a Fiol, a Ferrovia Norte-Sul. O projeto da Ferrogrão, por exemplo, cruza a floresta amazônica. Eu defendo o aumento da produtividade [agrícola], mas sem precisar tocar na selva.

Então a Ferrogrão está fora?

Precisamos estudar. No momento, precisa de solução para a BR 163. Depois, ferrovia.

Existem obras paralisadas em decorrência da Lava Jato. O que fazer com Angra 3 e o Comperj, por exemplo?

O que posso dizer é que, se for para encerrar Angra 3, teremos de pagar R$ 12 bilhões em rescisões contratuais. Para concluir, serão R$ 17 bilhões. No Comperj, já foram investidos R$ 12,5 bilhões. Faltam R$ 8 bilhões. Essa é a matemática que precisa ser colocada.

O que pode ser privatizado?

Considero que o refino e a distribuição de petróleo possam ficar com a iniciativa privada. O caso da Eletrobras precisa ser conversado.

Oswaldo Ferreira, 64
General da reserva do Exército. É engenheiro pela Academia Militar das Agulhas Negras, escola de ensino superior do Exército. Foi comandante do Comando Militar do Norte, de fevereiro de 2013 a dezembro de 2015. Chefiou o Departamento de Engenharia e Construção, entre 2013 e abril de 2017.

FOLHA DE SÃO PAULO/montedo.com

Eleitos do Exército já articulam atuação na Câmara e querem bancada militar

Câmara dos Deputados, que terá seis deputados militares em 2019 (Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)

Luis Kawaguti
Do UOL, 
Seis candidatos militares do Exército (um ativo e cinco da reserva) foram eleitos para a Câmara dos Deputados no
pleito de 2018 e agora se articulam em torno de ideias comuns. Entre os assuntos que os unem, estão a revisão do Estatuto do Desarmamento, críticas aos resultados da Comissão Nacional da Verdade e ideias para melhorar a segurança e proteger as fronteiras do Brasil.
Os eleitos são os generais Sebastião Roberto Peternelli (PSL-SP) e Elieser Girão Monteiro (PSL-RN), os coronéis João Chrisóstomo de Moura (PSL-RO) e Luiz Armando Schroeder Reis (PSL-SC), o major Vitor Hugo de Araújo Almeida (PSL-RO) e Hélio Fernando Barbosa Lopes, o “Hélio Bolsonaro” (PSL-RJ), o único que era do serviço ativo do Exército no momento da eleição. Todos são do partido de Jair Bolsonaro (PSL) que avançou ao segundo turno da disputa presidencial contra Fernando Haddad (PT).
Segundo um membro da cúpula do Exército, apesar de muitos militares terem votado nesses deputados, eles não representam a instituição. O representante do Exército e de suas pautas e ideias é somente o comandante Eduardo Villas Boas.
O candidato a vice de Bolsonaro, general Hamilton Mourão (PRTB), vinha ajudando a articular 114 candidaturas militares a todos os cargos antes de entrar na chapa, quando atuava somente como presidente do Clube Militar. Ele comemorou a eleição de todos os colegas e destacou a escolha dos generais. “A presença de dois generais é inédita e acrescentará muito ao nosso poder de fogo, que é fruto do grau de conhecimento, cultura e equilíbrio deles”, afirmou Mourão ao UOL.

“Bancada militar” ou “bancada do fuzil”
Mourão incentivou que esses deputados se aproximem dos 8 deputados eleitos que no passado foram policiais militares ou bombeiros militares para formar uma “bancada militar”. Os PMs e os chamados bombeiros militares não são militares das Forças Armadas. Eles são considerados pela Constituição como forças auxiliares e não passam pelo mesmo processo de formação que os militares propriamente ditos.
Mourão disse que sua ideia não é fortalecer a frente parlamentar da segurança, conhecida como “bancada da bala”, que tem hoje 28 parlamentares, mas juntar os parlamentares militares em torno de valores e ideias comuns.
O major Vitor Hugo afirmou que não é nem possível dizer se haverá no ano que vem uma “bancada da bala” como a que existe hoje. Segundo ele, a bancada funcionou na atual legislatura porque parlamentares de diversos partidos tiveram que se unir para defender ideias comuns. Mas, no ano que vem, muitos deputados que defendem esses conceitos estarão unidos sob o PSL – que terá 52 membros na Câmara, número que só é inferior à bancada do PT, que tem 56.
Porém, ele disse que pessoalmente não se interessa em integrar uma bancada formal fora a do PSL, mas sim se unir em votações a parlamentares que tenham pautas e valores em comum.
Enquanto a situação não se define e a disputa presidencial caminha para o segundo turno, a formação de uma bancada militar vem sendo tema de conversas. O apelido de uma eventual bancada não está definido. Enquanto Mourão fala em “bancada militar”, Peternelli sugere “bancada Brasil Acima de Tudo” e Chrisóstomo defende “bancada do fuzil”.
Embora a formação de uma eventual bancada não seja uma questão definida, os miliares eleitos estão se integrando. “Nós já estamos em contato desde já para compor o nosso grupo”, disse Chrisóstomo.

Estatuto do Desarmamento
O UOL conversou com cinco desses seis militares eleitos. Quatro afirmaram que já têm interesses e pautas em comum, como a mudança no Estatuto do Desarmamento para facilitar que a população tenha acesso às armas. O coronel Armando disse que não se manifestaria antes de debater pautas com a direção do PSL, e o subtenente Hélio não foi encontrado pela reportagem.
“Aconteceu uma campanha de entrega de armas e as pessoas agora não podem defender suas famílias. Queremos a revogação do Estatuto do Desarmamento [lei aprovada em 2003 que versa sobre o registro, posse e comercialização de armas]”, disse o general Girão Monteiro. Ele e seus colegas dizem acreditar que o resultado do referendo de 2005 sobre um
dos artigos do estatuto, relacionado à possibilidade de se comprar armas no Brasil, não foi cumprido, pois o processo ainda é muito caro, burocrático e restritivo.
Segundo o major Vitor Hugo, a ideia é modificar a legislação para que todas as pessoas tenham direito a comprar armas para mantê-las em suas casas e em estabelecimentos comerciais, além de criar critérios objetivos para a concessão do
porte de armas. Atualmente, a concessão de porte a cidadãos comuns depende de decisão subjetiva de delegados da Polícia Federal. (mais…)

Após falas polêmicas, vice de Bolsonaro some de campanha

General Antônio Hamilton Mourão em entrevista no dia da eleição Foto: Ailton Freitas / Ailton Freitas

Última declaração de general Mourão foi no dia da eleição, quando admitiu ter errado ao dizer que o neto era bonito e contribuía para o ‘branqueamento da raça’

Jussara Soares
RIO — Na quinta-feira, o presidenciável Jair Bolsonaro se reuniu pela primeira vez com a bancada eleita de seu partido, o PSL, no Rio de Janeiro. Cinquenta dos 52 deputados federais compareceram. Uma ausência, porém, foi sentida: a do candidato a vice de Bolsonaro, general Antonio Hamilton Mourão (PRTB).

Antes onipresente, Mourão sumiu após o primeiro turno. Antes solícito, esquivou-se de entrevistas. Sua última declaração foi no dia da eleição, quando admitiu ter errado ao dizer que o neto era bonito e contribuía para o “branqueamento da raça”. O sumiço é um pedido da equipe da campanha. A capacidade de Mourão de colecionar polêmicas com suas declarações preocupava o entorno de Bolsonaro.

Mourão sempre ignorou a fama de falastrão. Disse que foi justamente a clareza com que expõe suas ideias que o aproximou de Bolsonaro na política.

O Globo/montedo.com

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