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Militares peitam Bolsonaro para defender instituições

Militares peitam Bolsonaro para defender instituições

Integrantes influentes das Forças Armadas enfrentam o presidente, no maior movimento de fardados contra as pretensões autoritárias de Bolsonaro desde o início da gestão.
O chefe da Anvisa, o comandante do Exército, o presidente da Petrobras e até o ex-ministro da Defesa adotaram posições que contrariam o mandatário. Por trás disso está o desejo de preservar as instituições

Ricardo Chapola
As ações irresponsáveis de Bolsonaro estão custando caro a ele e já colocam em xeque até mesmo o pouco apoio que tinha dentro das Forças Armadas. O recado chegou ao mandatário da pior forma possível: por militares de alta patente que compõem o governo. Quem puxou o movimento foi o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o contra-almirante e médico Antonio Barra Torres, ao enviar uma dura carta em resposta às insinuações feitas por Bolsonaro de que o órgão tinha interesses escusos na vacinação de crianças contra a Covid. Evocando sua carreira de militar, disse que o presidente deveria determinar uma investigação, sob risco de cometer prevaricação. “Se o senhor não possui tais informações (indícios de corrupção), exerça a grandeza que o seu cargo demanda e se retrate”, dizia a carta.
Irritado, Bolsonaro se queixou, mas evitou criticar o chefe da Anvisa, dizendo apenas que não havia falado a palavra “corrupção”. No seu entorno, especula-se que ele tinha receio de atrair ainda mais militares contra si caso peitasse o contra-almirante. Barra Torres não baixou o tom e ainda retrucou. “Não é razoável, não é justo dizer que a Anvisa está com algum tipo de intenção. A agência não tem intenção, não tem opinião. A Anvisa decide e oferece o resultado da decisão ao ministério, que escolhe”, disse. Aproveitou para reclamar dos ataques aos seus subordinados em razão das ameaças feitas pelo mandatário de que divulgaria publicamente os nomes daqueles que trabalharam para autorizar a imunização de crianças.
O movimento é simbólico, já que ocorre após militares importantes terem se embrenhado totalmente no bolsonarismo e tido que lidar, calados, com frustrações patrocinadas pelo capitão. Em março do ano passado, Bolsonaro provocou a maior crise militar desde a redemocratização ao realizar a troca arbitrária na cúpula das Forças Armadas. Apesar da discrição dos militares que saíram, ficou patente que eles se recusavam a politizar os quartéis.

Foto: Marcelo Carmargo/Abr/Arquivo

A bronca do contra-almirante a Bolsonaro acontece ao mesmo tempo em que o comando do Exército – justamente o mesmo escolhido pelo capitão em 2021 – também fez questão de marcar posição contra o mandatário. Sob a batuta do comandante Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, o Exército divulgou novas orientações com 52 diretrizes para combater a pandemia na caserna, incluindo o uso de máscaras, a vacinação de militares antes do retorno ao trabalho presencial, o distanciamento social e a punição para aqueles que divulgarem notícias falsas – exatamente o contrário de tudo aquilo que Bolsonaro defendeu até aqui. As medidas do comandante irritaram bastante o mandatário, que até tentou intervir para que a cúpula do Exército publicasse uma nova versão do documento, com recomendações mais alinhadas ao governo. Uma das mudanças que o Planalto exigia no novo documento era retirar do texto a exigência de vacinação de militares como condição para que retornassem ao trabalho. As ações do capitão, porém, não tiveram sucesso, uma novidade na rotina de Bolsonaro que, antes, não enfrentava tanta resistência das Forças Armadas diante de suas ordens.
Outro militar influente do governo que passou a manifestar publicamente divergências a Bolsonaro é o presidente da Petrobras, o general Joaquim Silva e Luna. Ele está há 9 meses no cargo e chegou até lá por indicação do mandatário, que desejava controlar diretamente a maior estatal brasileira. O objetivo era manipular o preço dos combustíveis. O presidente da Petrobras refutou a tese de que isso seja uma questão que possa ser gerida pelo governo. E disse que o papel da estatal “não é fazer política”, em uma crítica pouco sutil ao seu chefe, acostumado a instrumentalizar os órgãos federais com o objetivo de conseguir aquilo que deseja. “O que regula o preço é o mercado. Ainda há pessoas que consideram, por desinformação ou outro motivo, que a Petrobras deva ser responsável pela redução do preço. Ela não tem condições de fazer isso”, afirmou o general. “A Petrobras tem responsabilidade social e procura cumpri-la. Mas ela não pode fazer política pública. Ela coloca recursos nas mãos de quem pode fazer”.
Outra frente de ataque veio exatamente do ex-ministro da Defesa demitido em 2021. Substituído por Bolsonaro junto com os três comandantes das Forças Armadas em março passado, o general Fernando Azevedo e Silva resolveu garantir a lisura das eleições defendendo as urnas eletrônicas, que foram o principal alvo de Bolsonaro no Sete de Setembro. A partir deste ano, em que ocorrem eleições presidenciais, o general passa a desempenhar a função de diretor-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), órgão bastante atacado pelo capitão no ano passado, quando levantou suspeitas sobre o sistema de votação. O general já indicou que sua chegada ao TSE tem a ver com uma tentativa de neutralizar as contestações do resultado das urnas no ano em que o capitão disputa a reeleição. Em outras palavras, desconsiderando o linguajar técnico próprio da caserna, vai impedir que Bolsonaro tente melar as eleições contestando os resultados, como Donald Trump fez nos EUA.
Todas essas iniciativas simbolizam o maior movimento de distanciamento dos militares de Bolsonaro desde o início do mandato. É como se tivessem traçado uma linha em defesa da democracia e das instituições justamente quando o processo eleitoral começa a esquentar. “A diferença desses militares que se manifestaram para os outros que também pertencem ao governo, mas estão calados, é a coerência. A lealdade ao presidente dos que estão em silêncio supera e muito a coerência que deveriam ter à frente de seus cargos”, afirmou um importante general da reserva que já foi muito próximo ao mandatário. Com mais esse desembarque de aliados fardados, Bolsonaro se mostra cada dia mais isolado e incapaz de reverter o cenário que aponta para sua derrota na disputa que se avizinha neste ano.
ISTO É/montedo.com

A noite em que 21 óvnis invadiram o espaço aéreo brasileiro e foram perseguidos por caças da FAB

A noite em que 21 óvnis invadiram o espaço aéreo brasileiro e foram perseguidos por caças da FAB

André Bernardo
Do Rio de Janeiro para a BBC Brasil

Registro de suposto óvni feito pelo fotógrafo Adenir Britto

CRÉDITO,ACERVO JACKSON CAMARGO – Registro de suposto óvni feito pelo fotógrafo Adenir Britto

Quando chegou para trabalhar no dia 19 de maio de 1986, no Aeroporto Internacional Professor Urbano Ernesto Stumpf, em São José dos Campos (SP), o controlador de tráfego aéreo Sérgio Mota da Silva não imaginava que aquele plantão entraria para a história da ufologia como a “A Noite Oficial dos Óvnis”.

Na noite daquela segunda-feira, 21 objetos voadores não identificados, alguns deles com até 100 metros de diâmetro, foram avistados por dezenas de testemunhas, civis e militares, em quatro Estados: São Paulo, Rio, Minas e Goiás. Só no interior de São Paulo, foram registrados avistamentos em Caçapava, Taubaté e Mogi das Cruzes.

Em Guaratinguetá (SP), o avistamento foi coletivo. Quem conta é o ufólogo Edison Boaventura Júnior, presidente do Grupo Ufológico do Guarujá (GUG).

“Por volta das 20h, cerca de dois mil militares, entre cadetes e oficiais, da Escola de Especialistas da Aeronáutica (EEAR), testemunharam o fenômeno, a olho nu ou de binóculo”, relata.

Não parou por aí. Os óvnis, sigla usada para designar “objetos voadores não identificados”, foram detectados por radares do Centro Integrado de Defesa Aérea e de Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta). O que significa que, em outras palavras, tais objetos eram sólidos.

Cinco caças da Força Aérea Brasileira (FAB) foram acionados pelo Centro de Operações da Defesa Aérea (CODA) para interceptar os supostos invasores.

Segundo os pilotos, os pontos multicoloridos conseguiram, entre outras manobras, pairar estáticos no céu, voar em zigue-zague, fazer curva em ângulo reto, mudar de cor, trajetória e altitude e atingir velocidades de até 15 vezes à do som.

“O número de objetos avistados naquela noite foi bem maior do que 21”, acredita o controlador de tráfego aéreo Sérgio da Silva Mota.

“Às vezes, os pilotos tinham contato visual dos alvos, mas os radares não registravam nada. Outras, os radares até captavam a presença de objetos, mas os pilotos não conseguiam avistá-los. A Aeronáutica considerou apenas os avistamentos que tiveram confirmação simultânea. Os demais foram descartados”, conta ele.

Capitão Armindo Sousa Viriato de Freitas

CRÉDITO,ACERVO EDISON BOAVENTURA JÚNIOR – Capitão Armindo Sousa Viriato de Freitas em caça da FAB

Contatos imediatos

Em São José dos Campos (SP), a “A Noite Oficial dos Óvnis” teve início por volta das 20h, quando o sargento Sérgio Mota da Silva começou a gerenciar a decolagem do voo 703 da extinta empresa aérea Rio Sul, com destino ao Rio de Janeiro (RJ). Foi quando avistou uma estranha luz, semelhante a um farol, parada no céu.

Intrigado, ligou para a torre do Aeroporto Internacional de Guarulhos para checar se alguma aeronave seguia em direção a São José dos Campos. A resposta foi negativa.

Enquanto os dois conversavam, o objeto sumiu e, dali a pouco, voltou a aparecer, com um brilho ainda mais intenso. Sérgio apanhou um binóculo para observá-lo melhor. Era cintilante e multicolorido, recorda.

A certa altura, o sargento reduziu a intensidade das luzes da pista de pouso e decolagem do aeroporto. Nisso, os artefatos se aproximaram. Quando ele aumentou o brilho, se afastaram.

“Se estavam tentando interagir comigo, não sei. O que eu sei é que se comportaram de modo inteligente”, observa.

Pânico a bordo

Pelo menos três aeronaves relataram avistamentos naquela noite. A primeira foi um modelo Bandeirante, da TAM, que fazia a rota de Londrina (PR) a São Paulo (SP).

O piloto chegou a informar ao Centro de Controle de Área de Brasília (ACC-BS) que havia um artefato se aproximando dele, em aparente rota de colisão.

A segunda, da Transbrasil, também avistou um UFO (sigla em inglês para objeto voador não identificado – unidentified flying object) sobre a região de Araxá, no interior de Minas.

O voo seguia de Guarulhos (SP) para Brasília (DF).

A terceira e última foi um avião bimotor Xingu, prefixo PT-MBZ, que voltava de Brasília (DF) com destino a São José dos Campos (SP).

A bordo estavam o coronel Ozires Silva, que voltava de uma reunião com o presidente da República, José Sarney, e seu copiloto, Alcir Pereira da Silva.

Às 21h04, Sérgio fez contato com o piloto do bimotor. Perguntou se ele tinha avistado “algo de esquisito no ar”. Pelo radar, o controlador tinha detectado três UFOs sobre São José dos Campos.

Registro de suposto óvni feito pelo fotógrafo Adenir Britto

CRÉDITO,ACERVO PESSOAL – Registro de suposto óvni feito pelo fotógrafo Adenir Britto

Quando avisou que tentaria fazer uma manobra de aproximação do alvo, descrito como “ponto luminoso” e “bem enorme”, Ozires ouviu de Alcir, visivelmente apavorado: “Todo mundo que tenta perseguir um negócio desses acaba desaparecendo, sabia?”

Dessa vez, quem desapareceu, para alívio do copiloto, foi a luz misteriosa. Sumiu, assim que o piloto começou a manobrar a aeronave.

No dia seguinte, Ozires Silva tomou posse como o novo presidente da Petrobras. Na coletiva de imprensa, nenhum jornalista lembrou de perguntar algo sobre petróleo. Todos queriam saber apenas sobre discos voadores. Procurado pela reportagem, Ozires Silva não quis comentar o episódio.

“A Noite Oficial dos Óvnis é um dos mais importantes casos da ufologia mundial. É o caso com o maior número de testemunhas em todo o planeta”, explica o ufólogo Jackson Luiz Camargo, autor de A Noite Oficial dos UFOs no Brasil (2021).

“Não definiria o que aconteceu como invasão. Em nenhum momento, houve qualquer comportamento hostil por parte das inteligências que operavam aqueles aparelhos”, disse ele.

Edson Boaventura Júnior ao lado de um Super Tucano A-29

CRÉDITO,ACERVO PESSOAL – Edson Boaventura Júnior ao lado de um Super Tucano A-29

A verdade está lá fora

Quem também estava de plantão naquela noite era o repórter fotográfico Adenir Britto. Por volta das 21h, ele atendeu uma ligação na redação do extinto Vale Paraibano.

“Tem um disco voador sobre o jornal”, disse uma voz masculina. Britto imaginou que fosse trote. Mas, na dúvida, ele e a repórter Iara de Carvalho resolveram investigar.

No pátio do jornal, avistaram luzes multicoloridas, que se movimentavam em todas as direções. Munido de uma Nikon, com lente teleobjetiva de 500 mm e filme de 6.400 asas, tirou algumas fotografias.

“Entre surpreso e emocionado, registrei aquele momento. Nunca mais avistei nada igual. Aquela aparição jamais será apagada da minha memória”, diz Britto.

Um mês depois, dois oficiais do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), acompanhados do ufólogo americano James J. Hurtak, compareceram à redação e pediram ao editor-chefe os negativos das fotos.

O material, explicou Hurtak, seria analisado pela Nasa, a agência espacial norte-americana. Trinta e seis anos depois, nunca foi devolvido.

“A que conclusão eu cheguei? Bem, acredito que aqueles objetos fossem mesmo do ‘espaço sideral’. E, a meu ver, estavam monitorando instalações militares e industriais do Brasil”, observa Hurtak.

Sérgio Mota da Silva na torre de controle de São José dos Campos

CRÉDITO,ACERVO PESSOAL – Sérgio Mota da Silva na torre de controle de São José dos Campos

Brincadeira de gato e rato

O risco de um desastre aéreo era iminente. Os tais objetos, além de intensa luminosidade, eram capazes de manobras impossíveis para qualquer aeronave. Para agravar a situação, sobrevoavam instalações estratégicas para a defesa aérea, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Centro Técnico Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos (SP), e a Academia de Força Aérea (AFA), em Pirassununga (SP).

Por essas e outras, o então ministro da Aeronáutica, brigadeiro Octávio Júlio Moreira Lima (1926-2011), foi logo notificado do que estava acontecendo. Dali a instantes, três caças da FAB, dois F-5 e um Mirage, entraram em ação.

O primeiro deles, um F-5, prefixo FAB-4848, pilotado pelo tenente Kleber Caldas Marinho, partiu da Base Aérea de Santa Cruz (RJ), às 22h34.

O segundo caça, um Mirage F-103, prefixo-4913, comandado pelo capitão Armindo Sousa Viriato de Freitas, às 22h48, decolou da Base Aérea de Anápolis (GO).

O terceiro, um F-5, prefixo FAB-4849, pilotado pelo capitão Márcio Brisolla Jordão, às 22h50, da Base Aérea de Santa Cruz (RJ).

Os três aviões de combate receberam a mesma missão: interceptação não agressiva. Ou seja, embora estivessem munidos de armamento pesado, tentariam uma aproximação pacífica. Não conseguiram.

Quando os caças tentavam se aproximar dos alvos, eles desapareciam da vista dos militares e das telas dos radares. E, dali a pouco, reapareciam em outro lugar.

“Tudo ali foi muito curioso e inusitado. Desde o tamanho dos objetos, o maior deles, provavelmente a nave mãe da frota, tinha 11 quilômetros de extensão, até sua tecnologia era imensamente superior à nossa”, analisa o jornalista e ufólogo José Ademar Geveard, editor da revista UFO.

“Em nenhum momento, eles tentaram nos atacar. Brincaram de ‘gato e rato’ conosco”, acrescentou.

Pelo sim pelo não, os pilotos foram orientados a acionarem o “modo rojão”. Ou seja, manobrar as aeronaves com as luzes de navegação apagadas e o sistema de armas ativado.

“Ao longo dos anos, tive a oportunidade de entrevistar militares de alta patente que, entre outras coisas, me disseram: ‘No Brasil, não se atira em UFO porque não representa ameaça’ e ‘Não sabemos como eles reagiriam se fossem atacados'”, relata o ufólogo Marco Antônio Petit.

“Ao contrário do que é divulgado oficialmente, eles sabem muito bem com o que estão lidando”, disse ele.

Sérgio Mota da Silva na torre de controle de São José dos Campos

CRÉDITO,ACERVO PESSOAL – Sérgio Mota da Silva na torre de controle de São José dos Campos

Além da velocidade do som

Um dos operadores do Centro de Operações Militares (COpM) chegou a cogitar a hipótese de que os artefatos observados pelo tenente Marinho eram, na verdade, aeronaves de espionagem. Em relatório, o piloto solicitou que fosse averiguado se havia algum porta-avião de bandeira estrangeira no litoral brasileiro. Nada foi encontrado.

O capitão Jordão realizava buscas visuais na região de São José dos Campos quando, às 22h59, foi informado pelo seu controlador de voo, o sargento Nelson, de que havia “numerosos tráfegos a seis horas de sua aeronave”. No linguajar militar, significa que os alvos voavam atrás dele.

O piloto realizou uma manobra de 180° na tentativa de visualizar seus perseguidores, mas não conseguiu avistar nada. Segundo imagens do radar, 13 UFOs, sete de um lado e seis do outro, “escoltavam” o F-5 do capitão Jordão.

Jornal Vale Paraibano

CRÉDITO,ACERVO ADENIR BRITTO – Jornal Vale Paraibano

A cerca de 800 quilômetros dali, em Goiás, o capitão Viriato continuava sua missão de interceptação. Às 23h09, surgiu um sinal não identificado, a 22 quilômetros de distância, em seu radar de bordo. Imediatamente, o piloto enquadrou seu alvo e se preparou para disparar contra o suposto inimigo.

Logo, o Mirage do capitão Viriato atingiu a velocidade de Mach 1.3, algo em torno de 1.600 km/h. Quando estava a nove quilômetros do alvo, algo impensável aconteceu: o artefato acelerou de maneira brusca. Pelos cálculos do piloto, chegou a inacreditáveis Mach 15, o equivalente a 18.375 km/h.

“Se existe avião que possa desenvolver essa velocidade, eu desconheço”, declarou o capitão Viriato em entrevista ao programa Globo Repórter, da TV Globo, em 1993.

A título de comparação, o avião mais rápido da história é o North American X-15. Em outubro de 1967, atingiu sua velocidade máxima: 7.274 km/h.

“Até hoje, não sabemos quem eram, de onde vieram ou o que queriam. Mas, sabemos que, além de reais, aquelas aeronaves eram controladas por alguma forma de inteligência”, observa o ufólogo Thiago Luiz Ticchetti, presidente da Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU).

Ao longo da noite, mais dois caças Mirage foram acionados: um, prefixo FAB-4918, pilotado pelo capitão Rodolfo Silva e Souza, e outro, FAB-4917, comandado pelo capitão Júlio Cézar Rozemberg.

O primeiro decolou às 23h17, e o segundo, às 23h46, ambos da Base Aérea de Anápolis, em Goiás. Nenhum dos dois teve qualquer contato, visual ou através do radar de bordo, com qualquer objeto voador.

Jackson Luiz Camargo

CRÉDITO,ACERVO PESSOAL – Jackson Luiz Camargo

Não estamos sós

No dia 23 de maio de 1986, às 16h30, o então ministro da Aeronáutica, o brigadeiro Octávio Júlio Moreira Lima, convocou uma coletiva para comunicar à imprensa que cinco caças da FAB perseguiram 21 UFOs.

“Não se trata de acreditar ou não [em seres extraterrestres ou em discos voadores]. Só podemos dar informações técnicas. As suposições são várias. Tecnicamente, diria aos senhores que não temos explicação”, declarou, à época.

Ao fim da coletiva, que contou com a presença dos cinco pilotos da FAB e dos controladores de voo que estavam de plantão naquela noite, o ministro da Aeronáutica declarou que o episódio seria apurado e que, dentro de 30 dias, divulgaria um dossiê completo.

Apenas 23 anos depois, em 25 de setembro de 2009, um relatório sobre o caso, assinado pelo interino do Comando da Aeronáutica (COMDA) José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque e datado de 2 de junho de 1986, foi divulgado.

“Como conclusão dos fatos constantes observados, em quase todas as apresentações, este Comando é de parecer que os fenômenos são sólidos e refletem de certa forma inteligência, pela capacidade de acompanhar e manter distância dos observadores, como também voar em formação, não forçosamente tripulados”, dizia o documento.

Relatório do Caso

CRÉDITO,ACERVO EDISON BOAVENTURA JÚNIOR –Relatório do Caso

Em geral, os relatos sobre o caso são inconclusivos. Ninguém sabe dizer ao certo o que aconteceu na noite de 19 de maio de 1986. Na dúvida, ninguém descarta a hipótese de vida inteligente em outros planetas.

“Nós, seres humanos, somos muito presunçosos. Achamos que somos os donos do universo”, declarou o coronel Ozires Silva ao programa 95 On-Line, da rádio 95,7 FM de Curitiba, em 2014.

Por meio de nota, a Aeronáutica informou que todo o material disponível sobre óvnis já foi encaminhado ao Arquivo Nacional. E mais: não dispõe de profissionais especializados para realizar investigações científicas ou emitir parecer a respeito deste tipo de fenômeno aéreo.

Hoje, o acervo sobre óvnis é o segundo mais acessado do Arquivo Nacional – só perde para os relatórios da ditadura militar. O material abrange um período de 64 anos e vai de 1952, quando dois repórteres da extinta revista O Cruzeiro avistaram um óvni sobrevoando a Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro (RJ), até 2016, quando um piloto da FAB relatou um suposto avistamento. Ao que parece, a verdade continua lá fora.

BBC Brasil/montedo.com

Valdemar prefere Tereza, mas topa Braga Netto como vice de Bolsonaro

Valdemar prefere Tereza, mas topa Braga Netto como vice de Bolsonaro

O chefão do PL não colocaria obstáculos para Braga Netto vir como vice de Bolsonaro

Guilherme Amado
Valdemar Costa Neto fez chegar a Bolsonaro que prefere Tereza Cristina como candidata a vice do presidente, mas não colocaria obstáculos para Walter Braga Netto.
O ministro da Defesa é visto por Bolsonaro como importante para reagrupar o apoio militar, hoje disperso.
METRÓPOLES/montedo.com

Atritos com Exército e Anvisa aumentam desgaste de Bolsonaro nas Forças Armadas

Atritos com Exército e Anvisa aumentam desgaste de Bolsonaro nas Forças Armadas

Oficiais ouvidos pelo Correio revelaram os bastidores desses e de outros episódios sobre a relação entre o titular do Planalto e os militares

Jorge Vasconcellos
Os recentes atritos do presidente Jair Bolsonaro (PL) com o comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, e com o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), contra-almirante Antonio Barra Torres, abalaram ainda mais o prestígio do chefe do governo junto à cúpula das Forças Armadas. Oficiais ouvidos pelo Correio, em caráter reservado, revelaram os bastidores desses e de outros episódios sobre a relação entre o titular do Planalto e os militares.
Capitão reformado do Exército, Bolsonaro entrou em 2022 protagonizando conflitos com militares de alta patente. Primeiro, se irritou com uma diretriz do Comando do Exército que orienta a tropa a se vacinar contra a covid-19 e a não propagar informações falsas sobre vacinas. Porém o Alto Comando da Força marcou posição e manteve a norma em vigor.
Em outro caso, o diretor-presidente da Anvisa divulgou uma nota, apresentando-se como contra-almirante, para desafiar Bolsonaro a comprovar a afirmação de que algo “está por trás” da decisão da agência de autorizar a vacinação de crianças de 5 a 11 anos contra o novo coronavírus.
Segundo um oficial militar, esses dois episódios são os mais recentes de uma série de acontecimentos que contribuíram para o desgaste da imagem do presidente junto à cúpula das Forças Armadas. Um dos fatos que mais trouxeram incômodo aos fardados, segundo ele, ocorreu em 19 de abril de 2020. Naquele dia, Bolsonaro discursou em uma manifestação que pregava, em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, uma intervenção militar, com o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso. O ato também protestava contra as medidas de distanciamento social.
“Aquilo ali foi bem emblemático. Depois da manifestação, houve um cuidado muito grande para evitar que acontecesse novamente. Evitar que aconteça, mas sem deixar transparecer ao presidente aquilo que está sendo feito para evitar isso”, relatou o militar, sob a condição de anonimato.
Segundo ele, a solução encontrada foi transformar os arredores do QG do Exército em área de lazer nos finais de semana. “Se você passar pelo Setor Militar Urbano hoje, todos os finais de semana, a faixa ao lado da concha fica toda isolada com cones. Supostamente, aquilo ali é para o pessoal utilizar como área de lazer, andar de bicicleta, e o pessoal passou, realmente, a utilizar. Mas foi uma ‘vacinazinha’ para evitar que alguém possa fazer manifestação ali”, relatou.
Um outro episódio ocorreu também em 2020. Soldados que faziam a guarda em frente ao QG do Exército em Brasília solicitaram que manifestantes fossem protestar em um outro ponto do Setor Militar Urbano, em razão da segurança. “E aí alguém gravou, filmou e enviou para o presidente reclamando. Então, criou-se um clima muito ruim, e o presidente chegou a ligar para o comandante do Exército para tirar satisfação”, contou a fonte.
Outro oficial, por sua vez, ressaltou que os militares em geral votaram em Bolsonaro por causa das pautas conservadoras, como a defesa da pátria e da família, mas que nunca houve um alinhamento institucional com o governo. Ao longo dos últimos três anos, segundo ele, a maior parte do generalato passou a se incomodar com as sucessivas tentativas do chefe do Executivo de interferir politicamente nas Forças Armadas.
“No auge da crise entre o presidente e o Supremo, aquela insistência do presidente de invocar o artigo 142 da Constituição — em uma interpretação equivocada de que as Forças Armadas são um poder moderador — foi muito tenso e gerou grande insatisfação entre os oficiais generais”, disse o militar. “Quando houve aquela ameaça de invasão ao STF, a coisa ficou tensa, as tropas ficaram de prontidão para atuar, caso necessário.”
O militar também afirmou que a crise sanitária provocada pela covid-19 evidenciou ainda mais os desencontros entre o presidente e as Forças Armadas. “Houve várias situações em que ficou demonstrado esse descolamento, e a pandemia começou a escancarar isso. O ‘totozinho’ de cotovelo do comandante do Exército, aquilo ali já demonstrava”, afirmou o oficial, lembrando do momento em que o então comandante do Exército, Edson Pujol cumprimentou o presidente com um toque de cotovelo em vez de apertar a mão.

Alcides Costa Vaz, professor de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB) e membro da Associação Brasileira de Estudos de Defesa (Abed)

Os recentes atritos do presidente Bolsonaro com o comandante do Exército e com o chefe da Anvisa são fatos isolados?
Há sinais de uma mudança de perspectivas dos militares em relação às visões e posições do presidente, mas sempre de forma muito discreta. A diretriz do comandante do Exército sobre a vacinação da tropa, que repercutiu muito, não era, de fato, uma manifestação de caráter político, foi um ato administrativo, burocrático. Mas claro que, nesse contexto, em que são percebidas dificuldades, alguns desgastes, também, da imagem do presidente no meio militar não chegam a ser uma crise, mas sinais de um descontentamento, um certo desconforto.

Como avalia a reação do diretor-presidente da Anvisa?
No caso da Anvisa, eu acho que, aí, sim, destoa. A nota do presidente da Anvisa foi muito incisiva. Ele deixou clara sua condição militar, ao se apresentar, na nota, como um contra-almirante. Aí, eu acho que, de fato, transmite, de uma forma mais clara, essa preocupação de também marcar posições. O somatório de todos esses fatos é uma expressão de desconforto crescente, de uma posição de um relativo distanciamento.

Então a cúpula militar decidiu se afastar do presidente?
De um ano e meio para cá, os militares passaram a ficar ainda mais silentes, cautelosos, mais reservados. Eu acho que isso já foi um balanço, e continua sendo, dos desgastes, das dificuldades, da erosão da credibilidade da imagem das Forças Armadas. Eu acho que é uma atitude de autopreservação.
CORREIO BRAZILIENSE/montedo.com

Operação Acolhida: ONU considera exemplar atuação humanitária das Forças Armadas Brasileiras

Operação Acolhida: ONU considera exemplar atuação humanitária das Forças Armadas Brasileiras

Brasília – As Forças Armadas brasileiras já empregaram 7,2 mil militares na Operação Acolhida, ação humanitária criada em 2018, pelo Governo Federal. A iniciativa tem mudado a vida de migrantes e refugiados venezuelanos que ingressam no Brasil pela região Norte do País. Desde o início da operação, mais de 280 mil venezuelanos foram regularizados e, cerca de 66 mil, foram interiorizados para mais de 700 municípios.

Operaação Acolhida – ONU considera exemplar atuação humanitária das Forças Armadas

O atendimento oferecido pelo Governo Federal é reconhecido internacionalmente e ocorre em três fases: ordenamento da fronteira (momento em que são feitos os procedimentos de identificação e regularização), acolhimento nos abrigos e o processo voluntário de interiorização – quando os imigrantes são recebidos em outros estados brasileiros. Esta última etapa é a principal estratégia para reduzir a pressão sobre os serviços públicos.
Para o representante adjunto do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR Brasil), Federico Martinez, as Forças Armadas brasileiras são pioneiras, na América Latina, no atendimento emergencial de pessoas refugiadas e migrantes. “O ACNUR reconhece que o papel das Forças Armadas brasileiras na resposta humanitária para venezuelanos tem sido exemplar e muito efetivo, contribuindo para a prestação direta de assistência e serviços básicos, e em cooperação com agências da ONU e outros parceiros”, afirma.
Ele ressalta, ainda, que o apoio do Ministério da Defesa (MD) junto à Operação Acolhida “tem contribuído para preservar a dignidade das pessoas venezuelanas e para facilitar seu processo de integração local nas comunidades receptoras, cooperando de forma harmônica com foco nos fins humanitários”.
A atuação das Forças Armadas
A resposta brasileira ao fluxo migratório conta com a atuação contínua do Ministério da Defesa e das Forças Armadas e impacta positivamente a vida dos acolhidos, por meio de atendimento humanitário e serviços básicos.
Atualmente 14 abrigos, sendo nove para não-indígenas e cinco para indígenas, distribuídos nos estados de Roraima e Amazonas, contabilizam mais de 8 mil abrigados. (Ver Nota DefesaNet abaixo)
O Subchefe de Coordenação de Logística e Mobilização do MD, Brigadeiro do Ar Paulo Ricardo da Silva Mendes, explica a atuação dos militares. “Desde 2018, já tivemos 12 contingentes de militares que vêm de todo o Brasil, das três forças: do Exército, da Marinha e da Força Aérea. Eles desempenham as suas funções administrativas, técnicas e também de saúde”, disse.

A Operação Acolhida
A Operação Acolhida é uma resposta brasileira ao fluxo migratório venezuelano. O Governo Federal criou, em 2018, o Comitê Federal de Assistência Emergencial para Acolhimento a Pessoas em Situação de Vulnerabilidade, formado por 12 ministérios e presidido pela Casa Civil da Presidência da República. Ao Ministério da Defesa, além da coordenação do trabalho das Forças Armadas, cabe realizar apoio logístico e operacional às atividades.

Nota DefesaNet
O Brasil sofre butal atque midiático com acusações sobre a destruição da Floresta Tropical e a peseguição das comunidades indígenas.
Porém a imprensa internacional e em especia a nacional omite que o real massacre e genocídio é o que ocorre contra as comunidades indígenas venezuelanas, que habitam a região chamada “Arco Minero”. Região na parte venezuelana da Amazônia rica em minérios em especial ouro e diamantes.
A etnia indígena Warao tem sido praticamente exterminada por mercenários, incluindo membros de grupos ligados a Moscou.
Segundo a própria ACNUR na região entre Roraima, Manaus e Belém vivem 5.000 indígenas Warao e outras etnias refugiados no Brasil.
O Editor

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DefesaNet/montedo.com

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