Exército retoma negociação com empresa israelense e acelera modernização da artilharia e da defesa antiaérea

Obuseiro da empresa israelense Elbit Systems foi o vencedor de licitação do Exército Brasileiro - Divulgação/Elbit Systems

Acordo a Elbit pode destravar compra de obuseiros Atmos 2000, fortalecer a base industrial de defesa e renovar capacidades consideradas críticas pelo Exército


Negociações avançam após sinal verde do Planalto

O Exército Brasileiro retomou as negociações envolvendo a Avibras Aeroco, a AEL Sistemas e a israelense Elbit Systems para destravar a licitação internacional destinada à compra de 36 obuseiros autopropulsados de 155 mm. Segundo Marcelo Godoy, do Estadão, o contrato, estimado em cerca de R$ 800 milhões, havia sido suspenso em 2024 por razões políticas relacionadas à guerra em Gaza. Agora, após sinal verde do governo federal, a proposta voltou à mesa com foco na nacionalização do sistema Atmos 2000.

Nacionalização do Atmos fortalece indústria de defesa

A proposta prevê a montagem do obuseiro Atmos 2000 no Brasil, utilizando o chassis tcheco Tatra, já empregado pela Avibras no sistema Astros. Dessa forma, a solução reduz custos logísticos, amplia a transferência de tecnologia e impulsiona a base industrial de defesa. Além disso, oficiais do Exército avaliam que a nacionalização acelera a renovação da artilharia divisionária, hoje composta por equipamentos com cerca de 70 anos de projeto.

Parceria amplia capacidades de foguetes e mísseis

Além dos obuseiros, a negociação inclui a possibilidade de integrar o sistema de lançamento múltiplo PULS, desenvolvido pela Elbit. O sistema permite disparar diferentes tipos de foguetes e mísseis a partir de uma única plataforma, o que aumenta a flexibilidade operacional. Com isso, a integração ao sistema Astros facilitaria a incorporação ao inventário do Exército e ampliaria sua capacidade de fogo de precisão.

Defesa antiaérea entra no centro do planejamento

O avanço do acordo também reforça os planos do Exército para modernizar a defesa antiaérea de baixa e média altura. A Força considera essa área estratégica diante das lições recentes dos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio, que evidenciaram o papel decisivo de mísseis, foguetes e drones no campo de batalha moderno. Assim, a retomada da Avibras e a parceria com a Elbit criam condições para acelerar essa modernização e reduzir vulnerabilidades críticas do País.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *