Instituição nascida em 1811 combina ensino superior, disciplina e prática de campo para preparar quem vai comandar a tropa

Márcio Campos
A Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), instituição responsável por formar os oficiais que vão comandar o Exército
Brasileiro, completou 215 anos em 2026. Localizada em Resende, no interior do Rio de Janeiro, a academia prepara homens e
mulheres para a liderança militar por meio de uma formação que combina ensino superior, disciplina e treinamento intenso.


Para quem passa por ela, a AMAN carrega significados que vão além do currículo formal. Os cadetes a definem como uma escola
de líderes e uma casa de valores, marcada pela superação constante e pelo desenvolvimento pessoal. É dali que saem os
oficiais preparados para conduzir a tropa em diferentes cenários.

O contato com o armamento faz parte de cada trajetória. Mesmo sendo filho de um sargento aposentado do Exército, o cadete
Maurício de Bairros nunca havia puxado o gatilho antes de ingressar na Força. “Minha primeira experiência foi quando eu entrei
no Exército”, contou. Ele também reconhece o peso da responsabilidade: “Tenho consciência do poder que tem um armamento desse aqui”.

Instituição de ensino superior, a academia une aulas teóricas à formação prática. Todo o aprendizado em sala de aula é
colocado à prova em situações simuladas de combate, que fazem parte da rotina. Nesse ambiente, os cadetes aprendem, na
prática, a comandar um pelotão.

O processo de formação é progressivo. Segundo o comandante da AMAN, general de brigada Igor Lessa Pasinato, o cadete assume
inicialmente funções de menor patente e avança gradualmente até finalizar, no quarto ano, o serviço de oficial.

A história da instituição remonta à Real Academia criada em 1811, no Rio de Janeiro, por Dom João VI. Com a independência do
Brasil, o ensino militar foi reestruturado e passou por locais como a Praia Vermelha, no Rio, além da criação da Escola
Militar do Realengo, nas primeiras décadas do século 20.

Em 1944, a academia foi transferida para Resende, sendo reconhecida oficialmente como Academia Militar das Agulhas Negras em
1951. Um dos motivos da mudança foi priorizar a formação militar. Segundo o tenente Jurandir Souza, chefe da Biblioteca da
AMAN, o cadete precisava ser formado em um local sem influência externa, tanto política como de outros grupos.

Atualmente, o Exército Brasileiro dispõe de doutrinas e manuais próprios, com ênfase em operações no Cerrado e na Amazônia,
além das missões de garantia da lei e da ordem. Doutrina é o conjunto de conhecimentos, táticas, técnicas e procedimentos
sobre como empregar as tropas.

A formação do oficial é sustentada por três pilares: o ensino técnico-profissional, o ensino acadêmico e o moral. Segundo o
comando do Corpo de Cadetes, o modelo adotado pela AMAN é singular e não encontra paralelo em outras academias militares no
mundo.

Todos os anos, a AMAN forma cerca de 400 cadetes. A academia formou, em 2021, a primeira turma com participação de mulheres em mais de dois séculos de história. Para o cadete Maurício, o valor da instituição está no que ela representa para o futuro da
Força: “Aqui são formados os oficiais do futuro”.

BAND – Edição: Montedo.com