Parceria entre municípios e Exército garante formação de reservistas sem interromper estudos ou trabalho, além de oferecer braço operacional a prefeituras em situações de emergência.
Uma alternativa centenária permite que os jovens brasileiros conciliem o serviço militar obrigatório com os estudos e o mercado de trabalho. Por meio do Tiro de Guerra (TG), o Exército direciona a instrução militar até o cidadão, o que evita o deslocamento do convocado para organizações da ativa.
Segundo a jornalista Daniely Cardoso, do Correio Braziliense, o modelo funciona em cerca de 250 municípios, mas essas cidades enfrentam um longo processo logístico e político para conquistar uma sede. Consequentemente, as administrações municipais chegam a esperar décadas pela aprovação, como demonstra o caso de Paracatu (MG), que aguardou 70 anos até inaugurar sua unidade.
Diferente dos quartéis tradicionais, o TG foca exclusivamente na formação de reservistas de segunda categoria, os chamados atiradores. Com uma rotina de nove meses e carga horária aproximada de 12 horas semanais, o modelo estrutura as instruções especificamente para que o jovem mantenha sua rotina civil. Desse modo, o recruta dorme em casa, preserva seu emprego e, por fim, obtém o certificado de reservista com a situação militar devidamente quitada.
O modelo de cooperação e o interesse local
A viabilidade do Tiro de Guerra depende diretamente de um arranjo de cooperação mútua. Por meio de convênios semiformalizados, as prefeituras assumem os custos com as instalações físicas e a manutenção do local. Em contrapartida, o Comando do Exército fornece os instrutores — geralmente sargentos ou subtenentes —, o fardamento, os armamentos e o material de instrução.
Além de estimular o civismo, as administrações municipais buscam o TG porque o modelo oferece vantagens práticas e estratégicas imediatas. A unidade entrega à comunidade um contingente permanente de jovens organizados para ações sociais, tais como campanhas de doação de sangue e arrecadação de alimentos. Adicionalmente, os atiradores apoiam a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros em situações críticas, a exemplo do combate a queimadas urbanas e rurais.
Apoio estratégico em crises: Conforme estabelece a Lei Complementar 97, os municípios que sediam um TG ganham um canal mais ágil para o emprego de tropas federais. Portanto, a presença da unidade reduz drasticamente o tempo de resposta do Exército em cenários de calamidade pública, como secas severas ou enchentes.
Critérios técnicos e a longa fila de espera
A criação de um TG não decorre de decisões políticas centralizadas em Brasília, visto que o processo exige a iniciativa local e o cumprimento de rigorosos critérios técnicos. Primeiramente, a câmara municipal precisa aprovar uma lei que autorize o convênio. Em seguida, o prefeito formaliza o pedido junto à Região Militar e disponibiliza um prédio adequado para a vistoria do Exército.
Contudo, a matemática demográfica define a aprovação final. O número de jovens alistados na região precisa justificar os custos da estrutura; por isso, cidades de médio porte com alta densidade de alistamento superam grandes centros com baixa demanda profissional. Para contornar essa exigência, municípios vizinhos frequentemente somam seus contingentes para viabilizar uma sede regional.
Atualmente, municípios como Chapadão do Sul (MS) tentam inaugurar suas primeiras unidades com base no volume de alistamentos locais. Por outro lado, a experiência de Paracatu ilustra a lentidão burocrática do processo: embora a prefeitura tenha enviado o pedido formalizado em março de 2022, o Exército inaugurou a unidade mineira apenas em janeiro de 2024, o que concluiu o pleito histórico de sete décadas.
Impacto no perfil do cidadão e desenvolvimento regional
Para o jovem, o modelo atende perfeitamente os objetivos de quem deseja regularizar as obrigações militares sem romper os vínculos profissionais. No entanto, para os que buscam seguir carreira nas Forças Armadas, o TG não serve como porta de entrada, pois prepara apenas cidadãos para a reserva.
Apesar dessa limitação, os atiradores contam com iniciativas como o Projeto Soldado-Cidadão, que oferece cursos de capacitação técnica para ampliar a inserção no mercado de trabalho ao término do período de instrução. Além do ganho profissional, os gestores públicos associam a presença dos TGs ao desenvolvimento de atributos como disciplina e liderança nos jovens. Como reflexo disso, as cidades que sediam essas unidades frequentemente ocupam colocações de destaque em rankings de qualidade de vida no interior.
Por fim, os cidadãos que desejam verificar a existência de unidades locais ou entender os processos seletivos regionais devem consultar diretamente as Juntas de Serviço Militar ou os canais oficiais das prefeituras.
Com informações do Correio Brazilense
Respostas de 3
Maior piada. Político querendo vir, eB querendo vender o peixe, ST querendo ponto. E o cidadão sendo enganado, acreditando estra servindo a pátria.
Recaldado
O TG é uma falta de respeito com o cidadão…