Protestos por troca do ministro da Defesa fazem Zelenski demitir do comando das Forças Armadas general conhecido como “açougueiro”

General ucraniano Oleksandr Sirski, conhecido como 'açougueiro'estava no cargo de comandante-chefe das forças armadas da Ucrânia desde 2024

Demissão do ministro da Defesa, Mikhailo Fedorov gerou crise na Ucrânia. Pressão popular fez Volodimir Zelenski substituir o general Oleksandr Sirski, criticado pelo elevado número de baixas e apelidado  de “açougueiro”.

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, anunciou nesta terça-feira (22) a demissão do comandante-chefe das Forças Armadas, general Oleksandr Sirski, e nomeou o major-general Mikhailo Drapati para o cargo. A decisão veio poucos dias depois da demissão do ministro da Defesa, Mikhailo Fedorov, que desencadeou uma crise política e uma onda de protestos em diversas cidades ucranianas. Em mensagem publicada no Telegram, Zelenski agradeceu a Sirski pelos serviços prestados desde fevereiro de 2024. Ao mesmo tempo, destacou a atuação do general na defesa de Kiev, na contraofensiva em Kharkiv e nas operações militares realizadas na região russa de Kursk.

Demissão do ministro abriu caminho para mudança no comando

Antes de tudo, a crise começou com a saída de Mikhailo Fedorov do Ministério da Defesa, em 14 de julho. Empresário do setor de tecnologia, ele defendia uma ampla modernização das Forças Armadas, com investimentos em drones, inteligência artificial e novos sistemas de combate. Além disso, Fedorov acusou Sirski de pressionar Zelenski para retirá-lo do governo. Embora o então comandante tenha negado a acusação, a declaração ampliou a insatisfação popular. Como consequência, milhares de manifestantes foram às ruas de Kiev e de outras cidades para exigir o retorno do ex-ministro e, simultaneamente, pedir a saída de Sirski, visto por muitos como representante da antiga estrutura militar ucraniana. Diante desse cenário, Zelenski recuou parcialmente e ofereceu a Fedorov um novo cargo voltado à coordenação da área de tecnologia do governo. Até agora, contudo, o ex-ministro não confirmou se aceitará a proposta.

General acumulava críticas desde o início do comando

Embora fosse considerado um dos militares mais experientes da Ucrânia, Sirski enfrentava desgaste crescente. Por um lado, o general ganhou reconhecimento ao liderar a defesa de Kiev no início da invasão russa, em 2022. Por outro, passou a ser alvo de críticas por não conseguir reduzir as perdas humanas nas operações militares. Nascido na Rússia e formado em academias militares da antiga União Soviética, Sirski também carregava a imagem de um comandante com métodos considerados ultrapassados. Por isso, parte da população passou a chamá-lo de “açougueiro”, em referência ao elevado número de baixas entre soldados ucranianos. Ainda assim, Zelenski manteve o militar no cargo durante meses. Analistas avaliam que, diferentemente do ex-comandante Valeri Zaluzhni, Sirski não representava uma ameaça política ao presidente.

Drapati assume com promessa de renovação

Agora, o comando das Forças Armadas passa para o major-general Mikhailo Drapati, de 43 anos, que anteriormente liderava o Exército de Terra da Ucrânia. Veterano dos combates no Donbass desde 2014, Drapati tornou-se conhecido por liderar operações contra forças separatistas apoiadas pela Rússia. Além da experiência em combate, o militar é visto como um oficial alinhado às propostas de modernização defendidas por Fedorov. Após assumir o cargo, Drapati agradeceu a confiança de Zelenski e afirmou que comandar as Forças Armadas durante a guerra representa “uma responsabilidade absoluta”. Da mesma forma, Fedorov elogiou a nomeação. Segundo ele, Drapati representa “uma nova esperança” para impulsionar mudanças no Exército e fortalecer a resistência ucraniana.

Ataques russos continuam

Enquanto Kiev promovia mudanças no alto comando militar, a Rússia manteve os bombardeios contra diferentes regiões da Ucrânia. Segundo Zelenski, ataques atingiram Zaporíjia, Kherson, Odessa e Sumy. Como resultado, pelo menos três pessoas morreram e várias ficaram feridas. Em Sumy, drones russos atingiram um edifício residencial e deixaram seis feridos, incluindo quatro menores de idade. Além disso, ataques sucessivos danificaram veículos de emergência que atuavam no combate a um incêndio provocado pelos primeiros bombardeios, ampliando os danos à infraestrutura civil e dificultando o trabalho das equipes de resgate. Com Reuters, AFP, Lusa e DW

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