Bêbado, militar do Exército atropela criança em calçada e vai preso

Durante a ocorrência, ele ainda parou para tomar uma cerveja em frente ao local do acidente

Izabela Sanchez e Geisy Garnes
Acidente foi atendido pelo Corpo de Bombeiros (Foto: Paulo Francis)

Acidente foi atendido pelo Corpo de Bombeiros (Foto: Paulo Francis)

Motorista que se identificou como sargento do Exército atropelou e feriu uma criança de 13 anos na Avenida General Carlos Alberto de Mendonça Lima, no bairro Jardim São Conrado em Campo Grande. O acidente aconteceu na manhã deste domingo (12) e o condutor estava embriagado no momento do atropelamento.

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Ele conduzia um veículo VW Gol pela avenida e tentou realizar a conversão para seguir em sentido contrário, mas subiu na calçada e atingiu um menino que vendia cestinhas para o Dia das Mães junto com a irmã mais nova. A mãe das crianças vendia as cestas do outro lado da via e se desesperou ao ver o que tinha acontecido.

Movimentada, a avenida é ocupada por diversos estabelecimentos comerciais e algumas pessoas viram o que ocorreu. Juntos, testemunhas e a mãe da criança impediram que o militar fosse embora do local. A mãe do menino chegou a tirar a chave do carro da mão do condutor. Este, por sua vez, sentou em frente à uma conveniência e comprou uma cerveja para continuar bebendo.

Poliana Pereira, 33, estava na conveniência com a família e viu o acidente. Ela relata que se a vítima não tivesse se deslocado, o acidente seria pior. “Ele só parou o carro porque a gente gritou para ele parar, se não ele tinha atropelado todos que estavam aqui”, disse.

A criança sofreu ferimentos, machucou a perna direita e foi levado pelo Corpo de Bombeiros até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Vila Almeida.

Policiais do BPTran (Batalhão de Polícia Militar de Trânsito) também foram chamados e confirmaram que o condutor é militar. Eles jogaram a lata de cerveja do homem, que foi preso em flagrante.

No final da ocorrência, um gesto de solidariedade marcou o socorro: bombeiros compraram as duas últimas cestinhas que a família vendia.

CAMPO GRANDE NEWS/montedo.com

Um Herói de verdade!

Do alto de seus 93 anos, o Capitão Elmo Diniz, ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira, recebe o Diploma de Personagem Honorífico do 29º GAC AP (Grupo Humaitá), na comemoração dos 188 anos da unidade. (Imagens: 29 GAC AP)

Bolsonaro põe em risco credibilidade dos militares no Brasil, diz colunista

As expectativas exageradas e a falta de resultados dos primeiros meses de governo de Jair Bolsonaro derrubaram sua popularidade no país e ameaçam arrastar para baixo também a credibilidade dos militares brasileiros, segundo a avaliação de Mac Margolis, colunista da agência de notícias de economia Bloomberg. Segundo Margolis, Bolsonaro se tornou uma aposta perigosa para as Forças Armadas do Brasil. O colunista explica que as pesquisas nacionais indicam que as Forças Armadas são a instituição em que os brasileiros mais confiam, e “Bolsonaro usou o prestígio dos militares nas eleições e depois recrutou seus membros para seu governo”. Isso, ele explica, em princípio gerou preocupações sobre a estabilidade da democracia brasileira. “Felizmente, os medos se mostraram exagerados”, complementa. “Paradoxalmente, o Exército tem sido uma influência para a estabilidade no governo, contrabalançando os ideólogos de Bolsonaro e descartando aventuras armadas”, diz. Isso, entretanto, é o que ameaça a credibilidade dos militares, segundo ele. “Quando Bolsonaro assumiu o cargo em janeiro, 62% dos brasileiros entrevistados defendiam a ideia de um governo formado por militares de carreira. (…) No mês passado, no entanto, esse entusiasmo público caiu para 49%”, diz. Segundo ele, a queda reflete a perda de 16% na aprovação geral do governo, o que é causado pela falta de avanços especialmente na economia. “Apesar de falar de reformas fundamentais e de um renascimento do livre mercado, o maior motor econômico da América Latina ainda está sem força, com 13,5 milhões de pessoas desempregadas e a indústria paralisada”, diz. Para Margolis, depois dos primeiros meses do governo Bolsonaro, a preocupação com a democracia diminuiu, mas a ligação entre os militares e o governo pode ter seu preço para a popularidade das Forças Armadas. “Por ora, a democracia constitucional provavelmente emergirá sem marcas. Os homens e mulheres brasileiros em verde-oliva talvez não tenham tanta sorte.”

Blog do Brasilianismo/montedo.com

Amazônia é do Brasil e não da humanidade, diz general Heleno

“Temos capacidade para fazer o desenvolvimento sustentável da Amazônia sem prejudicar o resto do mundo”, disse o ministro-chefe do GSI

Samy Adghirni, da Bloomberg


“Há influência estrangeira na Amazônia, totalmente desnecessária e nefasta”, diz o ministro (Arquivo/Agência Brasil)

Gerenciar a maior floresta tropical do mundo é um assunto brasileiro e os estrangeiros precisam parar de se intrometer na Amazônia, disse o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno.

“Não aceito essa história de que a Amazônia é patrimônio da humanidade, isso é uma grande bobagem”, afirmou em entrevista no Palácio do Planalto. “A Amazônia é brasileira, patrimônio do Brasil e tem de ser tratada pelo Brasil em proveito do Brasil.”

A fala do general coincide com os planos do governo de rever as áreas de conservação existentes em meio à crescente pressão dos lobbies de mineração e agricultura.

O presidente Jair Bolsonaro cancelou uma viagem a Nova York depois de o prefeito Bill de Blasio e ativistas o criticarem por questões que incluem sua posição em relação à floresta amazônica, cuja conservação os cientistas dizem ser fundamental para o debate sobre a mudança climática.

Heleno, que liderou uma missão de paz das Nações Unidas no Haiti, criticou duramente as organizações não-governamentais que trabalham no país, dizendo que algumas delas funcionam como cortina de fumaça de interesses estrangeiros.

“Há influência estrangeira na Amazônia, totalmente desnecessária e nefasta”, disse Heleno. “As ONGs servem para esconder interesses. Há interesses estratégicos, econômicos, geopolíticos, tudo se mistura.”

Este mês, oito ex-ministros do Meio Ambiente brasileiros escreveram uma carta aberta apontando que Bolsonaro está desmantelando sistemas de proteção ambiental e prejudicando a imagem do país no exterior.

O atual ministro da área, Ricardo Salles, respondeu dizendo que são as ONGs que prejudicam a reputação do Brasil.

“Temos capacidade para fazer o desenvolvimento sustentável da Amazônia sem prejudicar o resto do mundo”, disse Heleno. “Agora, aceitar que o resto do mundo dê palpite na Amazônia quando o resto do mundo jamais aceitou palpite de outros países, eu não aceito.”

EXAME/montedo.com

Crise Militar – Ala militar do governo adota tática para se contrapor ao barulho de olavistas


Núcleo ligado às Forças decide ignorar ataques de escritor e mostrar resultados concretos

AAA


Olavo de Carvalho considerado o guru ideológico do Governo Bolsonaro.



Talita Fernandes e Gustavo Uribe
Brasília


Após as críticas do escritor Olavo de Carvalho terem chegado ao ex-comandante do Exército Eduardo Villas Bôas, considerado um decano entre os militares, o núcleo fardado do Poder Executivo adotou nova estratégia.


Na tentativa de enfraquecer a influência do ideólogo de direita sobre Jair Bolsonaro, a ala pretende reforçar a contraposição entre os grupos militar e ideológico, ressaltando ao presidente que o primeiro oferece resultados concretos, enquanto o segundo só gerou barulho e sucessivas crises políticas.

Para evitar que o escritor ganhe a atenção dos veículos de imprensa, a ordem a partir de agora é ignorá-lo. A avaliação dos generais do governo é de que já deram a resposta que tinham que dar a Olavo, por meio das manifestações públicas de Villas Bôas, que o chamou de “Trótski de direita” e de “pivô de todas as crises”.
 
O núcleo militar conta com respaldo de boa parte da classe política, assustada com o bate-cabeça e a falta de ação concreta dos ideológicos.

Além disso, os sucessivos ataques de bolsonaristas aos políticos do centrão no Congresso faz com que eles pendam para o lado dos militares.

O general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ministro da Secretaria de Governo e um dos alvos de Olavo, passou a receber nos últimos dias uma série de vídeos com discursos feitos por políticos em defesa dele e dos militares do governo.

Outra manifestação de apoio foi feita por governadores durante reunião com Bolsonaro no Palácio do Planalto na última quinta-feira (9).

Os militares ficam incomodados com os sinais trocados dados pelo presidente sobre o conflito entre os dois grupos. Enquanto em declarações públicas e feitas por meio do porta-voz o tom é de “virar a página”, nas redes sociais, as contas oficiais de Bolsonaro defendem Olavo.

Os aliados veem nessa duplicidade de postura uma clara ação do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), um dos filhos do presidente e que é um dos responsáveis por fazer suas postagens na internet. 

O núcleo militar já se conformou que Bolsonaro não romperá com o escritor ou enquadrará os seus filhos, seguidores de Olavo. O esforço agora é tentar neutralizar o ideólogo, convencendo o presidente de que ele tem criado crises sem sentido que prejudicam a recuperação econômica do país.

A avaliação, por exemplo, foi feita a Bolsonaro em almoço com os comandos militares, na última terça-feira (07MAIO2019).

Em conversas reservadas, generais demonstraram a ele insatisfação e afirmaram que Olavo não tem contribuído com a pacificação nacional. 

Os militares do governo também têm argumentado que acabaram se tornando fiadores da gestão atual e que uma eventual saída deles poderia desestabilizar o mandato do presidente.

As críticas do escritor começaram logo no início do governo e se dirigiram inicialmente ao vice-presidente, Hamilton Mourão. Olavo reclama da atenção dada pelo general à imprensa, a quem sempre se refere de forma pejorativa.


 

General-de-Divisão R1 Santos Cruz 


O segundo alvo dos ataques foi Santos Cruz, por estar sob o seu comando a Secretaria de Comunicação Especial.

A ala olavista defende que o Palácio do Planalto mantenha o mesmo tom hostil adotado com a imprensa durante a campanha eleitoral e direcione verbas publicitárias apenas para “veículos amigos”.

Já os militares defendem uma relação cortês com jornalistas e veem nesse embate um desgaste desnecessário para o governo, que precisa transmitir para a população propostas e projetos para garantir o apoio à gestão.

Na visão dos militares, as ofensas dos olavistas começaram em tom pessoal e direcionado, mas ultrapassaram os limites atingindo a instituição das Forças Armadas.
 
Com o silêncio de Bolsonaro, o núcleo militar resolveu dar uma resposta aos ideólogos. Segundo relatos feitos à Folha, ela foi costurada a várias mãos, com o consentimento, por exemplo, dos ministros e generais do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno, e da Defesa, Fernando Azevedo.

O escolhido para formular e assinar o texto foi Villas Bôas, que comandou o Exército até janeiro e é considerado um líder das Forças Armadas, além de contar com admiração fora das unidades militares.

A aposta era de que, por conta da credibilidade do general, o escritor fosse criticado pela opinião pública caso fizesse provocações contra ele. Para que a iniciativa não fosse brecada, o presidente não foi informado. Segundo assessores palacianos, ele ficou sabendo da resposta apenas após a sua publicação nas redes sociais.

Olavo não respondeu de imediato, mas, depois, chamou o militar, que sofre de uma doença degenerativa, de um “doente preso a uma cadeira de rodas”. A reação foi imediata. O general recebeu manifestações de desagravo tanto de parlamentares simpáticos como de oposição ao governo, o que levou o escritor a se explicar nas redes sociais. 

“Eu não gosto de brigar nem com quem está resfriado, quanto mais com quem está com doença grave”, disse.

Mesmo após o revés, Olavo continuou a atacar Santos Cruz, mas as críticas tiveram menos repercussão e acabaram ignoradas pela ala militar.

Na semana em que se intensificou a ofensiva contra ele, Santos Cruz promoveu três agendas de repercussão, em uma tentativa de demonstrar que produz resultados e que conta com respaldo político.

O general promoveu café da manhã com deputados federais, anunciou calendário de projetos do PPI (Programa de Parcerias em Investimentos) e organizou reunião do presidente com governadores, incluindo nomes de oposição.

A ideia é que o esforço tenha continuidade nas próximas semanas, com reuniões com investidores para que participem de leilões de obras federais e encontros com congressistas simpáticos ao governo.

DEFESA NET/montedo.com

Porta-voz de Bolsonaro vira alvo de ‘fogo amigo’ com origem no Planalto

Protagonismo de Rêgo Barros provoca ciúmes

Achando pouco a brigalhada provocada pelos insultos de Olavo de Carvalho a ministros e até ao vice-presidente Hamilton Mourão, burocratas da assessoria do presidente Jair Bolsonaro tentam produzir uma nova crise, igualmente desnecessária, por meio de alfinetadas “plantadas” contra Otávio Rêgo Barros, porta-voz do Palácio do Planalto.

Discreto, atencioso, dono de um vocabulário cuidadoso e focado na missão de informar e aproximar Bolsonaro de jornalistas, Rêgo Barros acabou assumindo um protagonismo que é próprio da função. É exatamente o que provoca ciúmes nos adversários do porta-voz dentro do próprio Palácio do Planalto.

DIÁRIO do PODER/montedo.com

Generais sob ataque

Da Virgínia, Olavo de Carvalho age como o imbecil, que ele mesmo consagrou em sua obra: desprovido de qualquer freio moral, o filósofo parte para uma briga pública contra os militares e atrapalha o País


CUIDADO Que ninguém se engane: Olavo, apesar de aparentemente louco, tem método (Crédito: Vivi Zanatta/Folhapress)

Wilson Lima e Germano Oliveira

No livro “O imbecil coletivo”, escrito pelo filósofo Olavo de Carvalho há mais de 20 anos, ele acusa os intelectuais brasileiros de terem se corrompido pela “intoxicação ideológica” com a qual “imbecilizaram” seus leitores. Nos últimos dias, ao ultrapassar todos os limites do radicalismo e da insanidade na escalada de ataques sórdidos aos militares, o escritor e guru do governo Bolsonaro demonstra que o imbecil é outro. Ele mesmo. Engana-se quem pensa, no entanto, que o Eremita da Virgínia (EUA), onde reside e dispara seus tuítes desaforados, recheados de desrespeitos, chutes abaixo da linha da cintura e palavras de baixo calão, não age com método. Contraditório na essência, como quem veio para confundir, mas firme em seus propósitos, o ex-astrólogo comanda como um maestro distante, ao menos desde a campanha eleitoral, a ala ideológica do bolsonarismo. Com a ascensão de Jair Bolsonaro ao Planalto, seu séquito passou a ocupar postos estratégicos na Esplanada dos Ministérios, mas dois de seus apóstolos em especial justificam a astronômica influência que o ex-astrólogo exerce sobre o presidente da República: os filhos “02” e “03” do mandatário, Carlos e Eduardo Bolsonaro, respectivamente. Por intermédio deles, numa espécie de atalho afetivo, Olavo ocupa a mente e o coração daquele que foi eleito para comandar os destinos do País por 57 milhões de pessoas, com forte apoio do Exército, mas que, ao que parece, resolveu se deixar governar pelo exército de um homem só – o próprio Olavo.

Foi aliado ao mais aguerrido dos rebentos do presidente, o proverbial Carluxo, que o guru radicado em Richmond superou, na semana passada, as fronteiras da própria petulância – como se as diatribes perpetradas por ele até então já não fossem o bastante. Imbuído de uma volúpia devastadora, Olavo agiu sofregamente na clara tentativa de desmoralizar o núcleo de generais da Esplanada — e, o pior, livre e solto, desprovido de qualquer freio moral. Num dos mais baixos ataques já presenciados na história recente da República, classificou o general Santos Cruz, ministro da Secretaria de Governo, de “bosta engomada” e referiu-se ao ex-comandante do Exército Eduardo Villas Bôas como um “doente preso em cadeira de rodas”, numa alusão à doença degenerativa sofrida pelo general, hoje assessor do GSI. O ideólogo do governo parte do pressuposto — e por isso se movimenta com método — de que a defesa das instituições desempenhada pelos militares os transforma num “inimigo” a ser eliminado no decorrer de um processo – ou de uma “cruzada” – que o olavismo chama de “revolução cultural conservadora”. Ocorre que as consequências para o governo das, ao mesmo tempo, indigentes e desenfreadas agressões que visam a atingir o seu objetivo final são imprevisíveis.

A crucificação de Cruz

Senão vejamos. Santos Cruz foi alçado a alvo preferencial nos últimos dias. Tudo começou com uma operação típica de criação de fake news para alvejá-lo: uma frase do ministro sobre o uso das redes sociais por grupos ideologicamente extremados foi tirada de contexto. Espalhou-se então que ele desejaria censurá-los. Não era verdade. Foi quando Olavo entrou em cena sentando o dedo no teclado contra o general: “Controlar a internet, Santos Cruz? Controle a sua boca, seu merda”, disse Olavo por meio do twitter no domingo 5. “A internet ‘livre’ foi o que trouxe Bolsonaro até à Presidência e graças a ela podemos divulgar o trabalho que o governo vem fazendo! Numa democracia, respeitar as liberdades não significa ficar de quatro para a imprensa, mas sempre permitir que exista a liberdade das mídias!”, emendou Carlos Bolsonaro. Quando o general retrucou, Olavo desceu ainda mais baixo. “Santos Cruz, não me meça por você mesmo. Você, sem seu cargo e sua farda, é um nada. Eu, pelado e esmagado sob uma jamanta, sou ainda o autor de livros que serão lidos por muito tempo após a minha morte”.

Sob fogo cerrado, na noite de domingo, o próprio general foi tirar satisfação com o presidente. A conversa com Bolsonaro foi tensa e durou 1h30. Santos Cruz, conhecido por não medir as palavras, ameaçou deixar o governo. As ofensas ao colega de farda irritaram de tal maneira a caserna, que provocou uma reação em cadeia de comandantes de todas as armas. Indignado, um integrante militar admitiu em caráter reservado à ISTOÉ que, se não estivesse pensando no País, “pois somos o ponto de moderação disso tudo”, ele “já teria largado essa confusão e ido embora”. ISTOÉ apurou que o general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), foi outro que cogitou desertar caso os petardos não cessassem. A ira dos militares contra Olavo ficou explícita também em dois instantes distintos. O Clube Militar, entidade representativa das Forças Armadas, promoveu um ato de desagravo aos generais, afirmando que eles foram atingidos pela “incontinência verbal que, impune, prospera inexplicavelmente em distintas esferas de poder”. Se isso não fosse suficiente, o ex-comandante geral do Exército, general Eduardo Villas Bôas, também saiu em sua defesa. Nas redes sociais, Villas Bôas afirmou: “Mais uma vez o sr. lavo de Carvalho, a partir de seu vazio existencial, derrama seus ataques aos militares e às Forças Armadas, demonstrando total falta de princípios básicos de educação. Verdadeiro Trotski de direita”. Foi nesse momento que Olavo o classificou “de um doente preso a uma cadeira de rodas”. Não havia como se rebaixar ainda mais na escala da degradação moral.

Em meio à nova crise desnecessária, entre inúmeras em menos de seis meses de governo, restaria saber de que lado da trincheira estaria o presidente da República. A decisão jamais deveria representar uma escolha de Sofia para Bolsonaro. Afinal, de um lado está quem hoje faz a diferença no governo — os militares. Do outro, a vanguarda do atraso. É Olavo quem está por trás da maioria das políticas equivocadas, para não dizer destrambelhadas, da atual gestão. Como, por exemplo, a doutrina da alienação do MEC — baseada em cortes injustificáveis de recursos de universidades, no sufocamento do livre pensar e nos ataques às ciências humanas —, e a própria deletéria agenda internacional, levada a cabo pelo chanceler Ernesto Araújo, ancorada no fantasma do marxismo cultural, tese mais do que presente nas aulas online de Olavo. Para não falar também dos insultos cotidianos à diversidade, sustentados por uma ideologia carola que remonta há quase dois séculos.

“Praticamente todas as crises que nós vivemos desde que o presidente Bolsonaro assumiu têm a participação do Olavo de Carvalho” General Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército

Infelizmente, porém, o presidente parece ter pego o bonde errado da história. Por mais que tente escamotear, não é difícil descobrir por quem o coração de Jair Bolsonaro bate mais forte e acelerado. As recentes atitudes do presidente consagram o olavismo como o cânone principal do governo. Por exemplo, o mandatário não moveu uma palha para defender seus auxiliares tratados piores do que esterco humano pelo filósofo. Ao contrário, em almoço com militares, quando muitos esperavam algum sinal de admoestação, Bolsonaro sugeriu que todos permanecessem em obsequioso silêncio. “Olavo é dono do seu nariz”, limitou-se a dizer. As razões do alinhamento quase que automático, pelo jeito, decorrem da gratidão do presidente pelo que considera uma primordial contribuição de Olavo na campanha eleitoral de 2018. Em mensagem postada no twitter na terça-feira 7, Bolsonaro atribuiu ao escritor o “trabalho contra a ideologia insana” dos governos anteriores. “Olavo tornou-se um ícone. Sua obra em muito contribuiu para que eu chegasse ao governo, sem o qual o PT teria retornado ao poder”. Assim, sem cargo ou estrelas no peito, o imbecil da Virgínia reina quase que soberano sobre todos os escalões do poder – e atrapalha o País. Até quando?

ISTO É/montedo.com

Militares no governo: A caserna trabalha sem alarde e faz diferença (II)

Anderson Gabino

O DIPLOMÁTICO:

General Hamilton Mourão (vice-presidente)

ADNILTON FARIAS

No início do governo, o vice-presidente e general Hamilton Mourão pediu ao presidente Jair Bolsonaro que ele tivesse uma função preponderante no governo, para que não ficasse como mera figura decorativa.

Ele queria ser uma espécie de supervisor das ações de todos os ministros na Esplanada, mas acabou se sentindo escanteado. Por isso, criou uma agenda própria. Passou a dialogar tanto com políticos da direita, quanto da esquerda, abrindo uma janela de diálogo mais ampla que a do próprio presidente.

Assim, Mourão se transformou no contraponto pragmático do governo, ajudando a estreitar relações com parceiros comerciais históricos como os países árabes e a China, regiões com as quais Bolsonaro criou atrito por conta, sobretudo, da tentativa de transferir a embaixada brasileira de Israel para Jerusalém.

O CONSELHEIRO

General Augusto Heleno (ministro do Gabinete de Segurança Institucional)

Valter Campanato/Agência Brasil

É tido como o principal conselheiro do presidente. Com um estilo calmo e conciliador, vem atuando como bombeiro em várias crises provocadas por integrantes do próprio governo, principalmente a decorrente do episódio das investidas públicas do ideólogo Olavo de Carvalho e dos filhos do presidente contra militares. Lhano no trato, ele é visto por todos como a voz mais ponderada do Palácio do Planalto.

O EMPREITEIRO

Capitão Tarcísio de Freitas (ministro da Infraestrutura)

Alberto Ruy

Considerado um dos ministros mais competentes do governo Bolsonaro, o capitão Tarcísio de Freitas tem como principal característica a efetividade do trabalho.

A infraestrutura é a pasta de onde estão vindo as principais notícias positivas do governo, com a concessão de 12 aeroportos e a recuperação e reestruturação de rodovias importantes como a BR-163 até Miritituba e a BR-135 (no Maranhão), parada desde o governo Dilma.

O ministro destravou também outros leilões de privatizações, como a venda de seis áreas portuárias no Pará, assinou oito contratos de adesão de Terminais de Uso Privado (TUPs) para ampliar a movimentação de cargas em portos, e agilizou outros dois leilões de arrendamento dos Portos de Santos (SP) e Itaqui (MA), tudo para facilitar a concessão da ferrovia Norte-Sul.

O ARTICULADOR

General Santos Cruz (ministro da Secretaria de Governo)

Metódico e direto, o ministro Carlos Alberto Santos Cruz, da Secretaria de Governo, é o grande personagem da articulação política do governo Bolsonaro, avocando para si funções do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Para a tramitação da Reforma da Previdência, por exemplo, Santos Cruz montou um núcleo de acompanhamento político e organizou uma lista de 25 deputados federais que o tem auxiliado na função.

Foi ele quem ajudou o PSL a indicar nomes para fazer parte da tropa de choque em defesa do Planalto na Comissão Especial na Câmara. Nos bastidores, é visto como um dos ministros que mais trabalham. Em geral, é o primeiro que chega e último que deixa o Palácio do Planalto.

Também tem comandado com pulso firme a comunicação, desautorizando o repasse de verbas publicitárias a blogs, alguns deles alinhados, inclusive, ao bolsonarismo, o que irritou o filho do presidente, o vereador Carlos.

O COMUNICADOR

General Rêgo Barros (porta-voz da presidência)

Valter Campanato/Agência Brasil

Se dependesse exclusivamente do general Otávio Rêgo Barros, porta-voz da presidência, o governo não teria entrado nem em 10% das enrascadas provocadas por erros de comunicação.

Graças a ele, houve melhorias no diálogo do presidente com a imprensa a partir do final de janeiro. E é ele o responsável por amenizar confusões provocadas pelo governo. Militar formado na Aman (Academia Militar das Agulhas Negras), tem como especialidade o gerenciamento de crises.

Indicado pelo general Augusto Heleno, é considerado dentro do núcleo militar como um dos melhores quadros da caserna. Também é respeitado pela ala ideológica do governo, justamente por não emitir opiniões sem antes combiná-las com o presidente Bolsonaro.

Prestigiado, passou a integrar o primeiro-time de conselheiros palacianos. Ultimamente, é ele quem dá a tônica moderada das notas oficiais lidas em nome do presidente da República.

ISTO É, via DEFESATV/montedo.com

Militares no governo: A caserna trabalha sem alarde e faz diferença

Anderson Gabino

Os modos lhanos do hoje ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, encantava a todos em seu entorno, desde o período de transição do governo.

Dono de um rosto afável, um sorriso amigável e um semblante sereno, não deixava de cumprimentar um a um ao desembarcar no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede do governo provisório em Brasília.

A imagem contrastava com aquela tradicionalmente exibida por milicos de altíssimo coturno dos tempos da ditadura, não raro sisuda, casmurra e irascível. A ponto de seguranças e servidores do local questionarem: “Ele é mesmo um general?”.

Heleno é um dos símbolos da nova safra de generais que ascendeu ao poder a partir da eleição de Jair Bolsonaro. Não só devido ao jeitão despojado, aparentemente informal, pela educação quase suíça ou pela gentileza dispensada a quem o rodeia.

O general (atualmente um dos principais conselheiros de Bolsonaro, papel que no passado foi exercido por Golbery do Couto e Silva, influente mentor dos presidentes militares durante décadas) vem de uma linhagem de integrantes das Forças Armadas democráticos por excelência para os quais os projetos destinados a desenvolver o País devem pairar muito acima de ideologias de ocasião.

Augusto Heleno não constitui um caso isolado; muito pelo contrário. Outros militares nomeados para cargos estratégicos do governo Bolsonaro se destacam como vozes eloqüentes de sensatez, equilíbrio e serenidade, quando tudo parece degenerar em caos.

Hoje, estima-se que aproximadamente 120 membros da caserna integrem o governo no primeiro, segundo e terceiros escalões. Enquanto, em diversas ocasiões, a gestão se perde em discussões estéreis, enfileirando crises e mais crises sem necessidade, os militares trabalham.

O capitão Tarcísio Gomes de Freitas, ministro da Infraestrutura, por exemplo, é o responsável pelas melhores notícias do governo Bolsonaro até o momento.

Ex-chefe do setor técnico da Companhia de Engenharia do Brasil na Missão de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, entre 2005 e 2006, Tarcísio comandou o processo de concessão de 12 aeroportos, que gerou R$ 2,3 bilhões para os cofres públicos.

A expectativa é que no ano que vem outros 22 venham a ser privatizados, com o ingresso de mais recursos para o caixa do governo.

O processo de concessão de aeroportos resultou em um ágio de aproximadamente 1.000% e a expectativa é que os aeroportos do Recife, João Pessoa, Vitória e Cuiabá comecem a melhorar já nos próximos meses.

Além disso, foi ele quem desenvolveu o projeto de concessão da ferrovia Norte-Sul, travado desde os tempos do governo Sarney. Com ela, o governo federal obteve R$ 2,7 bilhões, com um ágio de 100%.

Virou o ministro que destrava projetos, mas não só. Foi ele quem, por meio do plano de recuperações de rodovias, prevendo investimentos da ordem de R$ 2 bilhões, motivou o arrefecimento do movimento grevista dos caminhoneiros previsto para o início deste mês. Confiando na palavra do ministro, eles recuaram.

“Palavra” tem sido o principal trunfo de outro general, o vice-presidente Hamilton Mourão – hoje imbuído de um papel moderador.

O seu trabalho de mediar crises no governo tem se destacado tanto que ele chegou a desconfiar que o presidente monitorava seus passos, instalando escutas no gabinete no Planalto.

Não à toa. Afinal, Mourão tem feito uma coisa que Bolsonaro não faz: dialogar com os políticos de todas as correntes, procurando adeptos aos projetos do governo, sobretudo para a aprovação da reforma da Previdência.

A desenvoltura no trabalho do vice-presidente é fruto da experiência que ele adquiriu em 47 anos de Exército, o que, para ele, tem feito a diferença na atual gestão. “Todos nós (generais) somos administradores. Desde o primeiro momento em que a gente entra na carreira”, disse Mourão.

“Além disso, a gente trabalha com organização. Por exemplo, os generais já comandaram um batalhão, uma brigada ou uma divisão, com muita gente sob seu comando. Então, obviamente, isso dá uma bagagem grande quando chegamos à administração pública”, complementou.

Fim dos ruídos

Um dos maiores problemas do governo Bolsonaro tem sido exatamente o da falta de comunicação ou ruídos na interlocução tanto com a sociedade civil, como com a classe política. Pois bem.

O cenário está mudando graças ao general Otávio Rêgo Barros, porta-voz da Presidência. Depois dos tropeços no começo do governo, Bolsonaro chamou Rêgo Barros para resolver o fosso existente entre ele e a mídia, principalmente.

E a comunicação do governo realmente melhorou de forma clara e indiscutível nos últimos meses. O porta-voz é o homem responsável pelos discursos mais moderados do presidente e por corrigir vários embaraços causados pelo próprio mandatário.

Mais recentemente, Barros passou a organizar cafés da manhã com jornalistas, o que tem aproximado o presidente da imprensa. Sempre gentil e disposto a colaborar com os jornalistas, o ex-coordenador de Comunicação do Exército tem tentado mostrar à cúpula do governo que é importante saber conviver com as críticas da mídia – parte integrante do jogo democrático.

A melhoria na articulação do governo advém também da figura do general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ministro da Secretaria de Governo.

Hoje, vários parlamentares admitem que preferem conversar diretamente com Santos Cruz do que dialogar com o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, justamente pelo fato de que o general é considerado mais acessível e maleável.

Tem sido de responsabilidade de Cruz também a organização da comunicação institucional do governo Bolsonaro, o que tem lhe provocado alguns dissabores. Até porque, tem contrariado alguns interesses.

O general, por exemplo, resolveu auditar todos os contratos de propaganda assinados durante o governo do PT, que vigoraram até o governo Michel Temer (MDB). Ele acredita que possam estar eivados de vícios e vantagens indevidas.

Ele quer promover a revisão de contratos antes de efetivar novas contratações. Tudo, segundo ele, “para evitar o desperdício de dinheiro público”. Filosofias como essas têm contribuído para mudar paulatinamente o olhar da sociedade sobre os militares: de ditadores brutais para gestores racionais e, acima de tudo, competentes.

ISTO É, via DEFESATV/montedo.com

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