Plano de transformação da Força prevê cinco brigadas em estado permanente de alerta, reorganização das forças e incorporação intensiva de drones para enfrentar os conflitos do século XXI.
Em análise publicada na Folha de S.Paulo, o jornalista Marcelo Godoy detalha a nova Política de Transformação do Exército Brasileiro, documento que redefine prioridades estratégicas, estrutura de forças e capacidades da Força Terrestre diante das guerras contemporâneas, marcadas pelo uso intensivo de drones, sensores e operações em múltiplos domínios.
O Exército Brasileiro iniciou um processo estruturado de transformação para adaptar-se aos conflitos do presente e do futuro. As diretrizes constam de um documento de 17 páginas, assinado pelo comandante da Força Terrestre, Tomás Miguel Ribeiro Paiva, e publicado no Boletim do Exército. A avaliação central é de que a instituição ainda não está plenamente preparada para os novos cenários de guerra, o que exige mudanças profundas no desenho institucional, na doutrina, nas capacidades operacionais e na formação do pessoal militar.
Novo cenário estratégico
O documento contextualiza a transformação a partir de um ambiente geopolítico mais instável e competitivo, caracterizado por:
- aumento global dos gastos em Defesa;
- aceleração da inovação tecnológica;
- maior transparência e letalidade do campo de batalha, com proliferação de sensores, sistemas não tripulados e fogos de precisão;
- escassez mundial de materiais de emprego militar, superior à capacidade produtiva atual.
Nesse contexto, o Exército aponta a necessidade de reduzir vulnerabilidades estratégicas do País e fortalecer a Base Industrial de Defesa nacional.
20% da força em alta prontidão
Estudos do Estado-Maior indicam que exércitos de países com características estratégicas semelhantes às do Brasil mantêm, em média, 20% de seus efetivos no mais alto grau de prontidão. O Exército brasileiro decidiu adotar o mesmo parâmetro.
Na prática, cinco das 25 brigadas existentes ficarão permanentemente aptas a se deslocar de imediato para qualquer ponto do território nacional:
- Brigada Paraquedista (Rio de Janeiro);
- 12ª Brigada de Infantaria Aeromóvel (Caçapava – SP);
- 11ª Brigada de Infantaria Mecanizada (Campinas – SP);
- 23ª Brigada de Infantaria de Selva (Marabá – PA);
- 5ª Brigada de Cavalaria Blindada (Ponta Grossa – PR).
Em caso de emprego operacional, essas unidades ficarão subordinadas à 2ª Divisão de Exército, sediada em São Paulo.
Quatro tipos de forças
A reorganização da Força Terrestre estabelece quatro grandes categorias operacionais:
Forças de Emprego Imediato (FEI)
Destinadas à resposta inicial em áreas sensíveis, como faixas de fronteira ou regiões com potencial de crise.
Forças de Emprego de Prontidão (FEP)
Capazes de atuar em qualquer parte do País ou em áreas de interesse estratégico, com poder ofensivo para subjugar ameaças.
Forças de Emprego Continuado (FEC)
Voltadas à sustentação de combates prolongados.
Forças de Emprego no Multidomínio
Unidades especializadas em capacidades como artilharia antiaérea, mísseis e foguetes, guerra eletrônica, cibernética e cognitiva, além do emprego de drones de maior porte.
Centralidade dos drones
A incorporação de sistemas não tripulados é um dos eixos centrais do plano. Todos os escalões do Exército passarão a empregar drones aéreos, terrestres e marítimos para missões de reconhecimento, vigilância e ataque.
Um batalhão específico será criado no Comando de Aviação do Exército para operar drones de categorias mais avançadas, com maior autonomia e alcance, funcionando também como centro de instrução e difusão doutrinária. Paralelamente, companhias e pelotões com drones menores serão distribuídos por todas as brigadas.
Oito capacidades prioritárias
A Política de Transformação define oito capacidades consideradas essenciais para o combate moderno:
- Superioridade de informações – integração de sensores, radares e inteligência artificial;
- Proteção – defesa de tropas, estruturas críticas e instalações estratégicas;
- Pronta resposta – tropas, estoques e meios disponíveis para reação imediata;
- Comando e controle – sistemas integrados e interoperáveis;
- Enfrentamento – emprego da Infantaria, Cavalaria e Artilharia;
- Sustentação – logística e fortalecimento da produção nacional de armamentos e munições;
- Projeção de poder – participação em missões de paz e operações externas;
- Apoio ao Estado – atuação em obras de infraestrutura e resposta a desastres.
Orçamento e prazos
O documento reconhece limitações orçamentárias e afirma que os recursos destinados à Defesa devem permanecer abaixo das necessidades estratégicas, exigindo rigor na priorização e na eficiência dos gastos. Um estudo recente estima em cerca de R$ 400 bilhões o investimento necessário para modernizar a Força Terrestre até 2040.
As primeiras adaptações já impactam o Plano Estratégico do Exército 2024–2027, com consolidação prevista para o ciclo 2028–2031. As guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, além de tensões envolvendo China, Taiwan e a atuação dos Estados Unidos na América do Sul, são citadas como referências do novo ambiente estratégico.
Transformação de mentalidade
Além de equipamentos e estrutura, o plano enfatiza a chamada “transformação pessoal”. Entre os objetivos estão:
- desenvolver uma mentalidade voltada à inovação;
- capacitar militares para o emprego de tecnologias emergentes;
- reforçar a cultura de operações conjuntas;
- ampliar a autonomia decisória nos escalões mais baixos.
O texto também prevê revisões na formação tradicional das Armas, Quadros e Serviços, além de debates éticos sobre o uso de sistemas autônomos e não tripulados em combate.
Desafio político
A Política de Transformação estabelece um roteiro claro para elevar a letalidade, a mobilidade e o poder de dissuasão do Exército. Sua implementação, contudo, depende de decisões políticas e de financiamento contínuo ao longo de diferentes governos.
Sem esse respaldo, alerta a análise, o plano corre o risco de permanecer apenas no papel, em um momento em que o campo de batalha do futuro já começa a se materializar no presente.
Acesse o documento completo:
POLÍTICA DE TRANSFORMAÇÃO DO EXÉRCITO BRASILEIRO
Com informações da Folha de São Paulo.
Respostas de 24
Agora vai…
A presente formatura tem por finalidade recepcionar o excelentíssimo sr General de Emprego Imediato em visita à Brigada de Emprego Multidomínio.
Ao tempo 3 será entoada pelo STen Chaqao a Oração do Guerreiro de Emprego Continuado, de autoria do coronel Litrado e Musica do General de Emprego Imediato.
é assim mesmo… kkk
Em seguida, mesmo com a bonita nomenclatura, vão desfilar com os velhos armamentos de sempre. Hahahaha
Não foi bom….
Vamos fazer mais uma passagem…
Ooooo Gouvêiá! Tem um Militar da sua tropa que nao tá sabendo cantar a canção do Emprego de prontidão heim… Baixaria em Gouvêiá, depois do treinamento manda ele vir falar comigo….
Oooo Gouvêiá, vamos inverter as tropas… a tropa de emprego Imediato vai pro outro lado do palanque e a tropa de emprego continuado vai pra retaguarda…
Corneteiro, toca marcar passo.
Enfim humor inteligente nesse blog, muito bom!!!
Com 20% de cal a mais.
Para vigiar as plantações de melancias? Kkkkk
Exatamente
efetivo gigante
todo ano concurso
EsSA 1100 vagas
AMAN 440 vagas (muita gente)
média de 2,5 (sgt/Of)
a redução do efetivo e de OM onerosas é essencial para reforço de tecnologia material e formação de combatentes.
Agoras os melancias poderao brincar de drones……..Alias drone consegue pintar meio fio??
No papel é tudo muito bonito: aumento de investimentos… FEI… FEP… FEC… O exército brasileiro adora essas siglas… E sistemas que não servem para nada… Muita cultura inútil e pouca ou nenhuma ação… Não adianta modernizar a força com armamentos de última geração e deixar a tropa passando fome… O sargento atual… Está preocupado com o horário pós expediente… Onde muitos vão trabalhar de verdade nas funções de Uber… Corretor de imóveis… Entregador da Shoppe e mercado livre… Etc… Essa é a atividade fim das praças atuais… Não adianta inovação com recursos humanos totalmente desmotivados…
Verdade colega, estou na reserva há muitos anos e perdi o contato com a caserna. Mas esses dias atrás comprei uma cafeteira dolce Gusto pelo mercado livre e para minha surpresa o garoto que veio fazer a entrega em seu carro particular era um segundo sargento de carreira da arma de infantaria. Fiquei surpreso e triste com a declaração do jovem sargento que disse que seu salário atual não estava cobrindo as despesas básicas. Detalhe , o mesmo só possui esposa e um filho que ainda não está em idade escolar
E olha que a cidade que residimos, apesar de ser uma capital, não tem custo de vida alto se comparado a são Paulo, Rio de janeiro ou Brasília. Depois de uma breve conversa, Fiquei pensando nos colegas da mesma idade e graduação desse sargento, que residem nessas capitais, deve ser uma vida bem sacrificante.
Colega…se vc nao sabe, ou nao entendeu, concurso p Sargento é pra ensino médio…..Precisa desenhar? Pra um técnico melhorado tá ganhando muito bem
Puxa saco, e pior, você deve ser praça ou QAO.
E então o Genebra acordou, o sonho acabou, a realidade, efetivo reduzido, 60% da tropa de temporários, equipamentos obsoletos e fator humano desmotivado, pensando em mete o pé, qualquer concurso e melhor que o eb , a MB e a FB.
Mas com esses novos Exércitos 🪖,mais vagas para Genebras.
Primeiramente. Servi na 23 BDA SELVA por 3 anos. Não tem colchão pra dormir..Em Brasília hoje os colchões são tomados por percevejos. Tem comida??? São detalhes que ninguém olha. Não temos nem dinheiro para a manutenção preventiva das viaturas. Ônibus das unidades derretendo..Viaturas Operacionais adquiridas aos montes em 2013 estão derretendo no sol e na chuva. Com esse salário temos que orar para não cairmos em.desgraca novamente.
Me faz lembrar das OM Pronto Emprego.
Nada acontece. Vale transporte, rancho, expediente pela metade, oficiais e praças temporários (carreira ninguém mais quer). Ou seja, gastamos milhões em equipamentos e não conseguimos atender ao princípio básico do militar: SOBREVIVENCIA para si e sua família. O que está sendo feito com armamento sabemos mas, é para os militares?