‘Xi não confia em ninguém’: expurgo militar na China atinge general amigo de infância do presidente

Xi Jin Ping controla o Partido Comunista Chinês (PCC)

 

Investigação contra amigo de infância do mandatário expõe ruptura histórica e reforça clima de desconfiança no alto comando militar chinês

A investigação contra Zhang Youxia, um dos mais poderosos generais da China e amigo de infância do presidente Xi Jinping, marca uma escalada sem precedentes na ampla purga conduzida pelo líder chinês dentro das Forças Armadas e reforça a percepção de que nem mesmo laços pessoais históricos oferecem proteção no atual sistema de poder de Pequim.

Amigo de infância de Xi Jin Ping, o general Zhang Youxia(75) é o militar de mais alta patente da Comissão Militar Central da China (CMC) — Foto: AFP

Zhang, vice-presidente da Comissão Militar Central (CMC) — o órgão máximo de comando do Exército de Libertação Popular (ELP) — está sendo investigado por “graves violações da disciplina e da lei”, segundo anunciou o Ministério da Defesa Nacional da China. Na mesma nota, o governo informou que Liu Zhenli, chefe do Departamento do Estado-Maior Conjunto, também está sob investigação, sem divulgar detalhes.

A queda de Zhang causou especial surpresa entre analistas chineses e observadores internacionais. Xi Jinping e Zhang Youxia se conhecem desde a infância, e seus pais lutaram lado a lado durante a revolução comunista chinesa na década de 1940, formando uma relação que, por décadas, simbolizou confiança política e continuidade histórica dentro do Partido Comunista Chinês.

Desde 2023, Xi intensificou uma campanha anticorrupção que atingiu duramente os escalões superiores do ELP, incluindo generais considerados aliados pessoais e indicados diretamente pelo presidente. Embora a corrupção seja reconhecida como um problema estrutural nas forças armadas chinesas, especialistas afirmam que as investigações também cumprem o objetivo estratégico de Xi de consolidar controle absoluto sobre os militares e eliminar qualquer foco potencial de deslealdade.

“Derrubar até mesmo Zhang Youxia mostra que Xi não confia em ninguém”, afirmou Wen-Ti Sung, pesquisador do Centro Global da China do Atlantic Council, em Taiwan. “Xi não enfrenta rivais que possam ou ousem desafiá-lo, seja dentro do partido ou nas forças armadas.”

No sistema político chinês, a abertura de uma investigação formal costuma representar o estágio final antes da queda definitiva de um dirigente. A saída de Zhang, justamente alguém ligado a Xi por vínculos familiares e históricos profundos, reforça a percepção de que a lealdade pessoal foi substituída por uma lógica de controle absoluto e permanente suspeita.

Com o afastamento de Zhang Youxia e Liu Zhenli, a Comissão Militar Central foi drasticamente reduzida: de sete membros, restaram apenas Xi Jinping, como presidente, e o general Zhang Shengmin. Para analistas, a situação não encontra paralelo na história recente do regime.

“Esse movimento representa a aniquilação quase total do alto comando militar chinês”, disse Christopher K. Johnson, ex-analista da CIA e especialista em política da elite chinesa, ao The New York Times. “Não há precedentes para algo dessa magnitude.”

A repressão conduzida por Xi é considerada a mais ampla desde a era de Mao Zedong. Em 2024, dois ex-ministros da Defesa foram expulsos do partido, além da remoção de dezenas de oficiais de alta patente nos últimos anos.

As purgas alimentam dúvidas sobre a confiança de Xi na capacidade operacional do ELP e levantam questionamentos sobre a prontidão militar da China para um eventual conflito envolvendo Taiwan — cenário que autoridades de defesa dos Estados Unidos afirmam estar no horizonte estratégico chinês até 2027, embora não como um prazo rígido.

“Isso sugere que os militares chineses enfrentam uma cadeia de comando fragilizada e carecem de experiência de combate no mais alto nível”, avaliou Sung. “Também pode indicar que Pequim não está com pressa de iniciar uma grande guerra no curto prazo, inclusive contra Taiwan.”
Com informações de Lisa Visentin, The Sydney Morning Herald e The Age

Respostas de 9

  1. O Comandante Zhang conduzia o processo de inteligência artificial adaptativa e tinha mostrado bons resultados.
    É muito triste.
    Somente eles podem nos livrar da tirania imperialista. Quando o americano vier tomar nossas terras nobres, descobrirão que os guerra na selva não passam de escoteiros com medo de armas. Arma aqui não. Só pra formatura meu irmão.

    1. kkk é piada né. Por acaso está defendendo a ditadura sanguinária chinesa , que matou milhoes de pessoas, de partido único? É isso mesmo? Cara tu és muito sem nocao… Sao tem 2 opcoes nesse seu comentário: muita ignorancia ou muito mau caráter…Escolhe

      1. É só acabar com o serviço, zé.
        O serviço inutil.
        Na pm nao tem guarda ao quartel.
        Na pf nao tem formatura pra coronel.

        O problema então é o serviço inútil, não os “cansados” aos 44 anos.

        Qual serviço que vc tirou na vida com alguma utilidade social? Foi tudo para louvar o coronel ou trabalhar de vigilante patrimonial.

        Vigilante patrimonial ganha três mil reais.

        Ta bom dimaixxxx

  2. Imaginem se nosso país se transformasse em uma China como propagam alguns. A realidade do julgamento do golpe seria outra. Regojizemos de nossa democracia. Comunismo no Brasil é faz de conta para ganhar votos e adeptos.

  3. Dois ensinamentos:
    Primeiro, as fontes acima tem reconhecido viés político, tanto o “Centro Global da China do Atlantic Council”, quanto a jornalista australiana Lisa Visentin, do The Sydney Morning Herald e The Age, vivem de criticar qualquer notícia que venha do governo chinês; e

    Segundo, a notícia é verdadeira, porém, a interpretação (o que resta para o ocidente) tanto pode ser negativa, como a relatada acima, quanto positiva em que “ninguém está acima da lei, doa a quem doer”, aliás esta é a interpretação da Global Times, pró china.

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