Sistema de mísseis estava destinado à guarnição de Santa Maria (RS). Situação geopolítica com deslocamento de tropas para o Norte deve mudar destino final
Paulo Roberto Bastos Jr.
Na última quarta-feira, dia 19 de junho, chegou ao Rio de Janeiro a aeronave multimissão KC-390 Millenium FAB 2858, pertencente ao Primeiro Grupo de Transporte de Tropa (1º GTT), o “Esquadrão Zeus”, com uma carga de 100 unidades do sistema míssil anticarro (MAC) Spike LR2, dez lançadores, dez simuladores e equipamentos de apoio e suporte destinados ao Exército Brasileiro (EB), e Tecnologia & Defesa questionou a Força Terrestre sobre este fato e o futuro dos equipamentos.
Uma mudança que ocorreu em relação ao planejamento inicial, do plano de acolhimento inicial, de 22 de outubro de 2022, era a previsão inicial que esses equipamentos chegassem ao Brasil em três lotes distintos, que ocorreriam no 2º semestre de 2023, e 1º e 2º semestre de 2024, respectivamente, porem, de acordo com o EB, houve “ajustes contratuais, tendo em vista necessidades da empresa”, que causou a reprogramação da entrega para o inicio deste semestre.
No plano de acolhimento inicial também estava prevista sua distribuição para organizações militares (OM) do Comando Militar do Sul (CMS), da seguinte forma:
- 29º Batalhão de Infantaria Blindada (29º BIB), de Santa Maria (RS): 4 lançadores;
- 4º Regimento de Carros de Combate (4º RCC), de Rosário do Sul (RS): 2 lançadores;
- 6º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado (6º Esqd C Mec), de Santa Maria (RS): 2 lançadores; e
- Centro de Instrução de Blindados (CIBld), de Santa Maria (RS): 2 lançadores e 10 simuladores.
Porém, mudanças ocorridas no planejamento operacional, muito em função da situação geopolítica da região, com um grande deslocamento de tropas para a Fronteira Norte, “A OM que receberá definitivamente ainda está em estudo”, mas que provavelmente deverá ser a nova 1º Companhia Anticarro Mecanizada (1ª Cia AC Mec), com sede na cidade de Pirassununga (SP) e subordinada à 11ª Brigada de Infantaria Mecanizada (11ª Bda Inf Mec), a “Brigada Anhanguera”, no Comando Militar do Sudeste (CMSE), que concentrarão todos estes mísseis. Esta unidade está em processo de criação, mas terá capacidade de ser rapidamente deslocada, em caso de necessidade, para qualquer parte do território Nacional.
Ainda de acordo com o EB, atualmente todos os foram transferidos temporariamente para o Batalhão de Manutenção e Suprimento de Armamento (BMSA), O “Depósito Central de Material Bélico/1918”, sediado no Rio de Janeiro (RJ), de onde aguarda seu destino definitivo, mas é previsto que eles já estejam operacionais “a partir de dezembro de 2024”.
O FUTURO
A aquisição deste lote de mísseis foi apenas para manter a capacidade da Força Terrestre com este armamento após a retirada de serviço operacional dos MAC Milan 3, adquiridos da Euromissile (atual MBDA) e adotados em 1988. Porém a quantidade é tida como insuficiente para tender a suas demandas e como não existem planos para novos lotes do Spike, outros modelos poderão ser adotados.
Um deles é o FGM-148 Javelin, da fabricante norte-americana Raytheon, já que o EB negociava antes da aquisição dos Spike e que teve sua autorização de venda concedida pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, em agosto de 2022. Após a aquisição do sistema israelense, este sistema foi deixado de lado, porem os eventos geopolíticos globais levaram a uma reavaliação desta decisão, e ao ser questionado sobre a possibilidade de sua aquisição, o EB respondeu “em estudo”. Mas outras fontes ouvidas por T&D sugerem já haver uma negociação em curso…
Um míssil que deve ser adotado em um prazo curto é o MSS 1.2 AC, um projeto nacional a ser industrializado pela SIATT e que recentemente concluiu a avaliação operacional do lote-piloto. Espera-se que seja homologado e aceito oficialmente ainda este ano e que sua produção se inicie nos próximos meses.




Respostas de 3
Na contramao da experiencia de combates reais, onde um drone comercial com um petardo desabilita um blindado
???? PRIMEIRA CIA AC MECANIZADA???
Os mísseis anti carro deveriam estar presentes em todas as unidades militares. Como são caríssimos, uma sugestão seria a utilização de material sueco da linha carl-gustaf, tão eficientes quantos os mísseis mas com custo bem inferior.
e os drones? No contexto atual, nao seria o caso de fabricar ou importar?