Santo fez carreira “post-mortem” no Exército e recebeu até soldo

No Brasil, Santo Antônio é mais famoso como casamenteiro do que São Valentim
Imagem: Getty Images

Santo recebeu soldo de tenente-coronel por cem anos.
Detalhe: NÃO FEZ CONCURSO!!!
(contém ironia)

Como Santo Antônio fez parte do Exército brasileiro séculos após morrer


LUCAS ALMEIDA

Do UOL, em São Paulo

Hoje em dia, qualquer pessoa reconhece Santo Antônio como o “santo casamenteiro”. No entanto, o monge franciscano tem uma tradição militar muito mais antiga, e chegou até o posto de tenente-coronel do Exército brasileiro séculos após sua morte, que ocorreu em 1275.

Santo Antônio e a tradição militar brasileira
No Brasil, Santo Antônio virou militar muito antes da Independência. Em 1595, na guerra contra os franceses na Bahia, o santo foi apontado como o responsável pela vitória do exército, que ainda era português à época. Com isso, Santo Antônio foi incorporado como soldado raso, sentando praça no Regimento de Lagos, no reinado de Afonso VI.

Santo esteve ligado também às invasões holandesas e Palmares. Na época dos conflitos, durante o século 17, Santo Antônio foi nomeado tenente da Fortaleza do Buraco, no atual estado de Pernambuco. Já no século 18, o franciscano chegou ao posto de capitão, motivado pela vitória nas tentativas de invasão francesas ao Brasil.

Carreira militar de Santo Antônio se espalhou pelo Brasil. Em 1767, o governo de São Paulo concedeu ao santo a patente de coronel das Tropas Auxiliares e Milícias (organização militar de origem portuguesa) da Capitania. Em 14 de julho de 1810, D. João 6º concedeu ao santo a promoção a sargento-mor. Posteriormente, em 26 de julho de 1814, ele foi elevado ao posto de tenente-coronel e mais tarde recebeu o grão-colar da Ordem de Cristo como condecoração.

“Sendo-me presente a viva devoção do povo do Rio de Janeiro para o glorioso Santo Antônio, que moveu um dos meus augustos predecessores a dar ao mesmo Santo, em 1711, o posto de capitão […], depois do feliz assalto em que os habitantes da Cidade resistiram ao ataque dos franceses e tendo o céu abençoado os meus esforços para salvar a monarquia da grande e difícil crise a que se tem achado exposta, esperando ainda maior auxílio para sua final e inteira restauração, para que muito há de concorrer, como devo piamente esperar, a intercessão do mesmo glorioso Santo a quem tenho particular devoção: Hei por bem que se eleve-o ao posto de sargento-mor de infantaria desta Capitania e que pela Tesouraria se lhe fique pagando o competente soldo.”
D. João 6º em decreto real de 1810

Convento de Santo Antônio, no Rio de Janeiro Imagem: Reprodução/Redes sociais

Com a promoção dada pelo rei, o santo começou a receber um “salário”. O soldo (remuneração básica de cada patente) foi pago à Igreja até abril de 1911. Em 1923, o Ministro da Guerra solicitou a opinião do Consultor-Geral da República sobre a necessidade de atender ao pedido de um guardião de um Convento no Rio de Janeiro, que desejava receber o soldo destinado a Santo Antônio. O local leva o nome do franciscano.

O Gabinete deu um parecer contrário à solicitação. Rodrigo Octavio, o então consultor-geral, afirmou que não havia um titular do direito adquirido para que se pudesse aprovar a retomada dos pagamentos.

Essa capacidade jurídica, essa qualidade de pessoa, não pode ser encontrada quer no Santo, impessoalmente, quer na sua imagem existente no Convento desta Cidade, argumentou o consultor-geral.

Santo Antônio permaneceu nas Forças Armadas até 1924. Neste ano, um decreto emitido pelo presidente da República, Artur Bernardes, e pelo Ministro da Guerra, transferiu o santo para a reserva militar.

Santo Antônio e o militarismo pelo mundo
Não é só no Brasil que Santo Antônio é padroeiro militar. O primeiro registro da relação de Santo Antônio com organizações militares em Portugal foi em 1668. Dom Pedro II ordenou que o santo fosse recrutado e ingressasse como soldado raso no II Regimento de Infantaria em Lagos, sendo promovido posteriormente a capitão e coronel.

Em 1810, o santo chega à patente de general. A promoção ocorreu durante as Guerras Napoleônicas, especificamente na Batalha do Buçaco, quando, acompanhados da imagem do santo, os portugueses venceram o general Masséna.

Santo Antônio também “lutou” na Guerra Peninsular. O conflito entre o império francês e a aliança entre Reino Unido, Portugal e Espanha rendeu ao santo o posto de tenente-coronel, com sua imagem sendo levada nos combates pelo Regimento de Infantaria N.º 19 em Cascais (município litorâneo português).

O santo tem ligação militar também em Timor-Leste, outra ex-colônia portuguesa. Na cidade de Manatuto, de onde é padroeiro, há uma imagem do franciscano, na qual ele é chamado de “coronel Santo Antônio”.

BOL – Edição: Montedo.com

Respostas de 4

  1. Acho que não senhor Dura Lex Sed Lex, pois o tal Santo não fez CFC, ao menos que eu saiba. Como ele foi capitão sem ter feito curso de oficial, acho que o dito cujo era militar concursado, ou seja, deve ter feito o CFS/CAS/CHQAO. O que achas?

  2. Caxias também não fez e foi promovido ac Cadete aos oito anos de idade.Dos generais e coronéis da ativa,mas da metade foi com cota para a EsPCEx e outras forças.

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