É preciso retomar o áudio da reunião, gravado clandestinamente, para ouvi-lo dizer ‘não é um borra-botas desses que vai me falar de coragem’ e afirmar aos extremistas: ‘Prestamos continência à autoridade, se não vira milícia, vira bando’
MARCELO GODOY
O comandante do Exército, general Tomás Miguel Ribeiro Paiva, expôs em conversa com seus subordinados as razões pelas quais o Exército se afastou de Jair Bolsonaro e rejeitou a tentativa de golpe de 8 de janeiro. Disse que foi Bolsonaro quem deu a ordem para não “mexer” com os acampamentos em frente aos quartéis. E rebateu a acusação da extrema direita de prestar continência à ladrão: “Prestamos continência à autoridade; se não, não é Exército, não é Força Armada, vira milícia, vira bando”.
Disse tudo isso, mas ninguém lhe deu muita atenção. Isso aconteceu pouco antes de ele assumir o comando da Força Terrestre. Aos subordinados, ele explicou também como seria a relação do Exército para reduzir danos à Força Terrestre diante das pressões contra a instituição. É preciso ouvir com atenção renovada a gravação histórica de quase uma hora para entender as atuais manchetes dos jornais. […]
Comentário do editor
A análise de Marcelo Godoy é primorosa, por isso mesmo, um pouco extensa.
Salvei o texto em PDF, para que possa ser lido com calma. Confira:
A explicação do general Tomás por que não houve golpe e as acusações às quais ninguém deu atenção – Estadão
ESTADÃO – Edição: Montedo.com
Respostas de 18
“Não adianta ter um bando de generais e um bando de soldados, se eles não têm sequer pólvora ou, quem sabe, uma bala para usar em caso de necessidade”, disse o presidente ontem, ao prometer que até o fim de seu governo, em 2006, as Forças Armadas poderão festejar avanços nas políticas econômica e social e a recuperação da sua capacidade operacional.
Tá na foia de Sun Palo.
Comandante, Explique ai pra tropa pq até hoje não houve nenhum Reajuste salarial no atual governo.
Já houve a reestruturação.
Já somos um bando de mal pagos comandante!!
Veja as PMs o salto qualitativo que tiveram de 90 pra cá…
Muito investimento em equipamentos mas o mais importante….NO SER HUMANO!!
ESTAMOS SUFOCANDO COM OS BAIXOS SOLDOS!!
ISSO NÃO É BOM PARA FORÇA…ISSO NÃO É BOM PARA O PAÍS!
8 anos sem reajuste no soldo e inflação galopante desde esse período. Mas fiquem tranquilos, afinal inflação só atinge paisano. Esse comandante deveria olhar para dentro de casa.
Sim….temos comandante….NÃO LIDER!!
Faz Toda diferença isso…
Cadê O Reajuste!!!!
não se importa , ganha bem , tem de tudo, não olha pra baixo , só pra cima, impávido.
Chega dessa.conversinha que não enche barriga, nem paga as contas.
Soldo dos praça está uma vergonha!!!
Quanto mais o tempo vai passando, mais tempo para pensar em uma boa história. Qual o Militar que não sabia que ele preparava um golpe? O Exército vai fazer uma espécie de versão verde Oliva, com direito a todas aquelas mentiras contadas aos lobinhos.
Com todo o respeito caro editor, mas o artigo 142 atribui as FFAA a missão de garantia dos poderes constitucionais. Esse é o ponto.
Se isso é uma missão que deveria ser atribuída as FFAA é uma outra questão. O fato é que essa missão está lá. E uma instituição de estado cumpre o que prevê a Constituição, independente se conglomerado de mídia nacional ou estrangeiro X, Y, Z concorda ou não, se grupo político X, Y, Z concorda ou não, se governo estrangeiro X, Y, Z concorda ou não.
E já faz muito tempo que o Judiciário tem usurpado competências dos poderes executivo e legislativo. Isso vem desde os tempos de Lula, passou por Dilma, Temer e cresceu exponencialmente no governo Bolsonaro e continua no governo atual.
Quando as pessoas foram bater nas portas dos quartéis, o que elas desejavam sem conseguir verbalizar isso é que as FFAA como instituição de estado cumprissem sua missão constitucional. Esqueça a figura de Bolsonaro, se fosse Lula o presidente a obrigação de agir seria a mesma.
E ficou claro para todos que as FFAA se recusaram a cumprir seu dever constitucional por covardia e chamam isso de legalismo e blá blá blá.
Já que as FFAA não possuem coragem para agirem como instituição de estado e cumprirem essa missão constitucional, o PT está absolutamente correto em querer mudar esse artigo da Constituição. Contudo, é interessante observar que as mesmas não querem a mudança e isso suscita a pergunta: Porque não?
E a resposta é que elas se transformaram no braço armado que garante as ações do STF. Simples assim. E como o PT não é bobo, fica atrás da cooptação do Alto Comando.
Li essa análise do jornalista Marcelo Godoy.
Em relação às falas do general discordo de três pontos:
1. “Anonimato”: em casos específicos é o único meio de se fazer denúncia sem que o “anônimo” e família sofram algum perigo. É só mandar verificar por meio sumário se a denúncia tem verossimilhança e aí instaura-se o procedimento correto com base nessa apuração sumária;
2. “Coragem”: com todo o respeito, entendo que o general confundiu “coragem física” com “coragem moral”. Aquela deve ser inerente ao militar, pois é o que o moverá diante do inimigo.
Já a “coragem moral”, infelizmente, nem todos possuem. Esse tipo de “coragem” é a que faz o subordinado mostrar ao superior – com educação, claro – que a decisão dele vai dar problema, por exemplo. Nem todos fazem isso com receio de desagradar ao chefe e “acabar” com a sua carreira;
3. “Acampamentos de manifestantes”: o general quis dividir a responsabilidade com outros órgãos/entidades”: justiça, ministério público, Executivo, etc.
Por mais que as manifestações fossem pacíficas, frente de quartel não é lugar para isso. Ademais, nesses atos sempre pediam a “intervenção militar”.
Portanto, foi um erro apenas das FA. Desde o primeiro dia após as eleições com essas formações diante dos quarteis, o que deviam fazer era reunir-se com os líderes desses acampamentos e pedir para deslocarem para outros pontos. Nada disso foi feito.
Ao contrário. Tem um vídeo na internet que mostra o comandante de uma OM, ao chegar ao quartel, elogiando os manifestantes, endossando assim a permanência desses acampamentos.
Mas se quer dividir a responsabilidade com outros, pergunto: tem ofício enviado à época ao Ministério Público solicitando providências, por exemplo?
Li a matéria e ouvi o áudio de quase uma hora e cinco minutos. Com o devido respeito ao articulista do blog, ao qual adianto desculpas por talvez não interpretar corretamente sua opinião, não percebi nenhum primor na análise do jornalista Marcelo Godoy, a não ser que a afirmação sobre primor contenha algum grau de ironia. Interpretação cada um tem a sua, assim como Opinião e isso sim é democracia.
De minha parte, em singelas palavras, o que percebo é a acefalia a que está submetida a Força Terrestre, até ontem detentora dos maiores índices de credibilidade perante a população, percepção essa materializada na falta de recato de alguns dos mais antigos generais, o que não é de hoje mas, nessa quadra tem se intensificado com a manifestação pública em assuntos políticos, postura que esses senhores vedam aos subordinados de forma draconiana.
Um dos exemplos é a verborragia do então comandante militar do sul, General Mourão, que teceu críticas públicas à então Presidente da República, sendo exonerado assumindo outro cargo dentro da administração do exército, nem pori isso guardando o recato. Outro que dia sim, outro também, criticava um Presidente da República, o General Santos Cruz em postagens e notas de jornalistas. Mais adiante o General Rego Barros, com seus textos prolixos e recheados de críticas diretas ao presidente da república, O General Heleno animando torcida em cima de trio elétrico e, por fim, o General Tomás, comandante do Sudeste, gravado em áudio criticando seu ex-comandante-em-chefe perante subordinados, postura que certamente desafiou a autoridade do comandante do exército na época.
O que há de comum nesses eventos é a estarrecedora constatação de que os pilares da hierarquia e da disciplina, propagados esteios das forças armadas estão corroídos pela seletividade daqueles que por obrigação e juramento (duplo juramento) tem o dever de respeita-los, preserva-los e defende-los.
Após ingresso na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, em agosto do mesmo ano o aluno presta compromisso à bandeira e, após conclusão do curso de formação na AMAN e ser promovido a segundo-tenente, presta o compromisso de Oficial, são esses dois compromissos que impõem ao oficial o cumprimento da palavra empenhada.
Triste constatar que ao atingir o generalato, alguns desses militares não conseguem impor-se o sacrifício do silêncio jogando sobre a instituição o estigma da dúvida quanto a capacidade de sacrificar a própria vida na hipóteses de confronto bélico. Tem razão a população em duvidar e sentir-se abandonada pela instituição que deveria manter-se isenta de preferência política.
Um monte de gente sem ter o que fazer da nisso. O país precisando de tanta coisa boa é ficamos ness guerrilha doméstica. Por isso estamos atrasados em relação aos outros países
Bolsonaro ainda era presidente em 08 de janeiro para que se mantivesse a ordem de não mexer nos acampamentos?
Lula diz que País correu ‘sério risco’ de ter golpe após as eleições e chama Bolsonaro de ‘covardão’. Logo, não houve absolutamente nada.
esse ai é puro suco de melancia
Golpe foi o que sofreram os praças das três forças e digo os Sgts QEs, QEsA e pensionistas no governo Bolsonaro, falando nisso quando o presidente Lula vai nos ajudar… já está passando da hora …
Quanto ao golpe Lula tem razão Bolsonaro é uma fraude um legítimo golpista olha o que fez com os praças QEs e pensionistas na restruturação de carreira dos “generais”