Golpe fracassado colocou caudilho no cenário político venezuelano
Em 4 de fevereiro de 1992, um grupo de militares liderados pelo tenente-coronel Hugo Chávez tentou derrubar o governo do presidente Carlos Andrés Pérez, acusado de corrupção e de aplicar medidas econômicas impopulares. O golpe fracassou, mas colocou Chávez no cenário político nacional como um líder carismático e rebelde.
Chávez era um admirador de Simón Bolívar, o libertador da América do Sul, e fundou em 1982 o Movimento Bolivariano Revolucionário 200 (MBR-200), uma organização clandestina que buscava transformar as Forças Armadas e a sociedade venezuelana. Chávez e seus seguidores se opunham ao sistema político dominado por dois partidos tradicionais, o social-democrata Ação Democrática (AD) e o social-cristão COPEI, que se alternaram no poder desde 1958.
Chávez também criticava a política econômica de Pérez, que havia sido eleito em 1988 com um discurso nacionalista e popular, mas que adotou um pacote de ajuste estrutural recomendado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em 1989. Esse pacote incluía a redução dos gastos públicos, o aumento dos preços dos combustíveis e dos serviços públicos, a privatização de empresas estatais e a abertura comercial. Essas medidas provocaram uma forte reação popular, que resultou em protestos violentos conhecidos como o Caracazo, que deixaram centenas de mortos e feridos.
O golpe de Chávez foi planejado por vários anos e contou com a participação de cerca de 2 mil militares, divididos em quatro frentes de ação. O objetivo era tomar o controle de pontos estratégicos da capital, Caracas, como o palácio presidencial de Miraflores, a sede do Congresso, a televisão estatal e o aeroporto. Além disso, o golpe pretendia capturar ou assassinar o presidente Pérez e seus principais ministros.
No entanto, o golpe encontrou resistência por parte de setores leais ao governo e da população civil, que não aderiu à rebelião. Além disso, houve falhas de comunicação e coordenação entre os golpistas, que não conseguiram controlar os pontos-chave da cidade. O presidente Pérez conseguiu escapar do palácio e pediu apoio aos demais países da região, que condenaram o golpe. Após horas de confrontos, que deixaram cerca de 80 mortos e 300 feridos, Chávez e seus companheiros se renderam e foram presos.
Apesar de fracassado, o golpe de Chávez teve um grande impacto na política venezuelana. Chávez se tornou uma figura pública ao assumir a responsabilidade pelo golpe em uma transmissão televisiva, na qual disse a famosa frase: “Por agora, os objetivos que nos propusemos não foram alcançados”. Essa frase foi interpretada por muitos como uma promessa de que ele voltaria ao cenário político.
De fato, Chávez foi libertado em 1994 pelo presidente Rafael Caldera, que concedeu uma anistia aos golpistas. Em 1997, Chávez fundou o Movimento Quinta República (MVR), um partido político que defendia uma mudança radical na Constituição e na estrutura do Estado. Em 1998, Chávez foi eleito presidente da Venezuela com 56% dos votos, derrotando o candidato da AD, Henrique Salas Römer.
A partir de então, Chávez iniciou um processo de reformas políticas, econômicas e sociais que ficou conhecido como Revolução Bolivariana, inspirado no pensamento de Simón Bolívar e de outros líderes latino-americanos. Chávez também se aproximou de países como Cuba, Irã, Rússia e China, e se opôs aos Estados Unidos e à sua influência na região. Chávez enfrentou diversas crises, como o golpe de Estado de 2002, a greve geral de 2002-2003 e o referendo revogatório de 2004. Chávez morreu em 2013, vítima de um câncer, e foi sucedido por seu vice-presidente, Nicolás Maduro.
Viagem ao Passado, no X
Respostas de 3
Carlos Andrés Pérez ……”çei”. Era o “presidente” da ExxonMobil ….ops….venezuela. Era aquele que “governava” a Venezuela de dia e ia dormir ou pousar em maimi, onde tinha uma belíssima mansão.
Cadê o QE que achou que votando no pai lulE seria promovido a STen e agora o pai lulE cortou verba da água, luz e café? Kkkk
QE nem carreira é!!!!
Tirei uma foto, na frente do monumento na fronteira Brasil-Venezuela, famoso BV8, onde dizia que 2 grandes líderes mundiais haviam se encontrado e assinado acordos. Quem foram eles? fernando Collor de Melo e Carlos Andrés Pérez. O Collor todos sabem onde foi parar. Agora quem sabe do outro? Por que a matéria não cita o fato? Tendenciosa, como quase sempre é a imprensa do BR? Pois bem, a matéria não esclarece que o antigo líder de um golpe de estado se transformou num herói nacional, tendo em vista que o presidente que tentou derrubar a força, merecia tal destino. Perguntem o que houve com o PR Venezuelano Carlos Andrés Pérez, antes do HC sair da cadeia. Encontrando a resposta, entenderão por que aquela placa lá no extremo norte do Brasil, é uma vergonha.