Comandantes das Forças Armadas querem militares distantes da política nas eleições de 2024

Foto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro da Defesa, José Mucio, e dos três comandantes das Forças Armadas
Ricardo Stuckert/PR

Imagem pública das Forças Armadas foi afetada, mas não estraçalhada

MARCELO GODOY

O ano começou com a política acampada nos quartéis e termina com o desejo expresso pelo comandante do Exército, general Tomás Miguel Ribeiro Paiva, em sua mensagem de Natal à tropa de que, em 2024, cada soldado esteja “preocupado com as coisas de soldados”. Tomás não está só. Os comandantes da Forças Armadas querem seus subordinados distantes da polarização da política partidária, que deve aumentar, quando os candidatos a prefeito e a vereador tomarem as ruas das mais de 5 mil cidades brasileiras.

O general teve de se esforçar para lidar com o que se esgarçara em razão da má-vontade de muitos na caserna com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Tomás se preparava para ir para a reserva quando seus planos foram atropelados. Primeiro, quando a multidão bolsonarista invadiu as sedes dos três Poderes, em Brasília, esperando que as Forças Armadas se levantassem em seu socorro e apeasse o petista do poder. Semanas depois, foi a indisposição do general Julio Cesar Arruda em remover o tenente-coronel Mauro Cid do comando de um batalhão que levou Tomás de surpresa ao comando da Força Terrestre.

As pesquisas mostram que a imagem pública foi afetada, mas não estraçalhada. Prova disso seria o fato de que o concurso de 2023 para a Escola Preparatória de Cadetes do Exército contou com 40 mil inscritos para 440 vagas.

O desejo de conciliação fizera Lula nomear Arruda como comandante por ser o oficial mais antigo na ativa. O 8 de janeiro mudou tudo – só Arruda não viu. Dentro de 15 dias, a intentona voltará a mobilizar Brasília. Desta vez, os chefes dos Poderes da República vão se reunir para afirmar o desejo de que “nunca mais” a democracia seja ameaçada neste País por quem nega a alternância de poder e pensa a eleição como um tudo ou nada. Essa escatologia semeia apocalipses para esconder o pânico da perda de sinecuras, cargos e privilégios.

Os militares estarão de novo no centro das atenções. Ainda assim acreditam que 2023 ficou para trás. A intentona, a prisão e a delação do coronel Cid e as investigações das CPI do 8 de Janeiro e da Polícia Federal ao lado das denúncias envolvendo Jair Bolsonaro deixaram as Forças Armadas na berlinda. As pesquisas mostram que a imagem pública foi afetada, mas não estraçalhada. Prova disso seria o fato de que o concurso de 2023 para a Escola Preparatória de Cadetes do Exército contou com 40 mil inscritos para 440 vagas.

Ao longo do ano, a coluna ouviu de diversos militares o desejo de que os fatos de 2021 a 2023 nunca mais se repitam, como as extravagâncias do almirante Almir Garnier, que fez desfilar tanques pela Esplanada no dia em que o Congresso analisava a PEC do Voto Impresso e, depois, recusou-se a passar o cargo ao seu sucessor, o almirante Marcos Olsen. Tampouco querem testemunhar novos oficiais generais envolvidos em acusações de desvio de joias ou general ser chamado de maluco por tentar desalojar os extremistas em frente ao QG.

Uma das apostas da caserna para que as vivandeiras de sempre não encantem os granadeiros é a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional relatada pelo senador Jorge Kajuru (PSB-GO), que pretende instituir a passagem automática para a reserva do militar que se candidatar, mesmo que não seja eleito. Atualmente, isso só é obrigatório para quem vence as eleições, o que cria situações constrangedoras, como a do militar que no palanque critica os chefes e, depois, derrotado, volta à caserna como se nada tivesse sido dito ou ouvido.

A disposição de cuidar das coisas de soldado pode ser medida pelos planos do Departamento de Educação e Cultura do Exército (Decex). Seu comandante, o general Richard Nunes prepara o aprofundamento das disciplinas de caráter científico e tecnológico em todo o percurso de formação dos oficiais e dos praças, de acordo com o nível que cada um vai atuar. Se antes se estudava topografia na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), agora os cadetes terão aula de geoinformação. “Eles têm de conhecer as coisas relacionadas à atividade fim”, afirmou.

Em 2024, as mulheres cadetes vão poder pela primeira vez escolher na Aman uma Arma combatente, a de Comunicações. Cavalaria, Infantaria, Artilharia e Engenharia ainda serão reservadas aos homens – na Marinha, elas já estão até o Corpo de Fuzileiros Navais. Outra mudança no Exército deve atingir o ensino das disciplinas tradicionais, como História e Ética, que sempre foram tratadas do ponto de vista do pertencimento do aluno à instituição. “Tem de haver pesquisa acadêmica nessas áreas”, disse Nunes. O militar atual deve se questionar sobre a ética no mundo digital, ainda mais quando a realidade da guerra entre povos e nações está à distância de um clique.

“O militar atual deve se questionar sobre a ética no mundo digital, ainda mais quando a realidade da guerra entre povos e nações está à distância de um clique.”
(General Richard Nunes)

Por fim, a preocupação com “as coisas de soldados” deve ainda se manifestar na tentativa de convencer o Congresso a votar outra PEC: a do senador Carlos Portinho (PL-RJ), que destina o equivalente a 2% do PIB para os gastos da Defesa. A necessidade de recursos para os projetos estratégicos da área encontra apoio de setores do PT que veem a Base Industrial de Defesa como uma oportunidade de se buscar o desenvolvimento científico e tecnológico. Se cada vez mais os acordos comerciais cercam outros instrumentos de política industrial, isso não acontece com os da Defesa, pois a área está fora da Organização Mundial do Comércio.

A democracia, no entanto, não se consolida apenas com os militares cuidando das coisas de soldado. Em Como Salvar a Democracia a Democracia, Steven Levitsky e Daniel Ziblatt dizem que ela cria raízes quando os partidos políticos aprendem a perder eleições. A consciência de que é necessário aceitar o resultado das urnas e rejeitar o uso da violência na política derrotou os vândalos que assaltaram Brasília no dia 8 de janeiro.

Levitsky e Ziblat afirmam ser preciso ainda que os políticos demonstrem lealdade com a democracia. Em primeiro lugar, expulsando os extremistas de suas fileiras, mesmo que seja necessário contrariar as bases partidárias. “Nos anos 1930, o maior partido conservador da Suécia expulsou os 40 mil membros de sua ala jovem, a Organização Nacional da Juventude Sueca, que haviam abraçado o fascismo e Hitler”. Democratas desleais costumam diminuir a importância dos atos violentos cometidos por seus aliados e não se aliam aos seus rivais mesmo quando o objetivo é isolar e derrotar os extremistas.

A consciência de que é necessário aceitar o resultado das urnas e rejeitar o uso da violência na política derrotou os vândalos que assaltaram Brasília no dia 8 de janeiro.

A lealdade com a democracia exige ainda a ruptura de todos os laços – públicos e privados – com grupos aliados que se envolvem em comportamentos antidemocráticos. Não se deve, segundo os autores, só evitar alianças com eles, mas também evitar seu endosso. Foi o que levou Emmanuel Macron a afirmar que rejeitaria a recente lei de imigração aprovada pela Assembleia Nacional se os votos decisivos viessem do Rassemblement National, o partido da extrema direita francesa. Essa disposição fez Angela Merkel impedir em 2020 a aliança que seu partido queria fazer com os extremistas do Alternativa para a Alemanha (AfD) para governar a Turíngia. Eis aqui dois exemplos de um desafio que permanece aberto no Brasil.

ESTADÃO

24 respostas

  1. Haja paixão platônica Assim pelos QEs ,pois de cada 4 palavras que esse mala fala 5 são sobre os QEs,sim fala 4 e a quinta já está no pensamento. Haja estômago para aguentar. Será que esse perdeu sua família para os. QEs??¿??? Haja vista um ser assim não deve ter mais família e o abandonou, visto sua mente doentia de paixão platônica pelos QEs. A verdade tem que ser dita.

    1. O recado está dado para esse pedido político de promoção dos QEs a ST sem curso nenhum. “Quando a política entra pela porta da frente dos quartéis, a hierarquia e disciplina sai pela porta dos fundos”. É fato

  2. Vão proibir os generais e coroneis de fazerem lobby com políticos? Pois usam o quartel para se aproximar de políticos para garantir um cargo comissionado quando ingressarem na Reserva.

    Essa é a politização mais nefasta.

    Mas como envolve somente os “estamentos superiores” será difícil proibir…

    1. A legislação atual é o q está e continuará valendo. Tanto a PEC do Kajuru, quanto a do Carlos Portinho NÃO são prioridades do atual Desgoverno. “repostagem” Tendenciosa e Esquerdopata. EsMB 1995!!!

  3. Não…não…comandantes!!

    Vamos nos engajar para eleger militares e civis engajados com as causas militares, principalmente praças que servirão de base para as eleições de 2026!!!!

    Uma classe forte com Representatividade no Legislativo para defender a família militar!!

    Infelizmente estamos largados….desvalorizados…recebendo salários de fome!

    Temos que nos articular para eleger nossos representantes!!!

    Foi assim com as PM na década de 90 e deve ser assim com as Forças Armadas!!!

    1. Peraí, mas quem estava no comando do executivo A pouco tempo? E qual foi a maior bancada eleita? Como se faz para repetir o mesmo erro em 2026?

  4. Os três com bolso cheio , não se preocupam com supermercado, gasolina, Aluguel , nao usam o HCE , tem plano De saúde Com certeza , aí vem querendo Dar lição de moral na tropa … sem falar a bajulação vergonhosa dos três a um ladrão que ja foi preso …

  5. Pedi ao papai Noel um presentão em 2024, que consiga uma cadeira no legislativo do meu município, agora basta escolher, pois estou em dúvida se concorro pelo PSOL, PT, PDT ou MDB.

  6. Como disse o saudoso Deputado Federal Ulisses Guimarães se referindo aos 3 então ministros Militares, “São três Patetas “.

  7. Vcs que bateram palma pro bozó parabéns. Pois ele deixou o alto escalão das forças armadas rico e vcs praças de escola St com Chcao. Capitães Qao que se acham que se formaram na AMAN. Generais são donos de empresas onde usam CPF da esposa e dos filhos. E vcs preocupados com Qes. Lembre se de uma coisa servidores civis a maioria não fizeram concurso entraram pela janela na década de 80 e tem uns que ganham mais do que cap. E não vejo ninguém aqui preocupado. Conheço servidor que era flanelinha na frente do instituto militar de engenharia até faxineiro que virou servidor sem concurso até SD da década de 80 EA maior preocupação eo Sgt QE. Se preocupem e com alto escalão e suas famílias porque daqui a pouco e seus filhos que vão ser empregados deles na suas empresas onde foi construída com falcatruas de pregões e licitaçoes deixem os Qes em paz pois já contribuíram muito com um exército real que hoje o alto escalão só fica atrás da mesa dando ordem preocupado que o ar-condicionado tá com defeito EA comida do rancho tem que melhorar.

    1. Você é um sem noção mesmo, pois um ST de carreira que tem o CHQAO hoje se brincar ganha igual a um coronel sem ECEME, pois o ST com CHQAO ganha 76% dos altos estudos. Agora imagina um Cap QAO que a maioria tem adicional de permanência. A classe mais beneficiada nesta reestruturação foi a ST/ Sgt de carreira, pois é carreira, não é penduricalho.

    2. Década de 80 antes de 1988 e mesmo assim existia concurso para A ESA. Quantos QE já estavam estabilizados em 1988 e quantos da época ainda estão na ativa incorporados em 1978? A Idade limite já os alcançou à mais de década…

  8. Pela que parece na foto né, Nossos chefes militares Estão mais envolvidos na política do que nunca.. Aí depois Vão falar : ” Somos uma instituição apartidária”… Com essa foto aí Srs Generais ???? Só podem estar sacanagem mesmo. Veeeergooooooonha Nacional!!!!!

  9. Se ganha igual a oficial sem eceme pra que fica puxando saco de oficial um monte quer brigar pra ser adjunto de comando um queimando o outro pra chefe de gabinete. Vai enganar outro um monte de baba ovo de Cel. Já vi St quando ver Cel. Começa a trabalhar pra dizer que eo militar padrão. E quando ver general se cagando todo pramostrar Sv.

    1. Não adianta ficar explicando para um QE, é melhor desenhar, pois é difícil eles entenderem. O ST para todos os efeitos é o topo da carreira das praças, então a reestruturação foi feita pensando nisso. Além dos 76% de altos estudos, tem o adicional de permanência de 32%, e muitos ST antigos tem também o adicional de permanência. Conheço um ST que tem 20% de adicional de permanência pois serviu em 1ª categoria por mais de 18 anos. Então desenhando esses percentuais e calculando em cima do soldo fica próximo de um Cel sem ECEME. Quem faz exame de contracheque sabe disso. Agora imagina um Cap QAO. Essa reestruturação todos sabem que beneficiou mais as praças de carreiras do que os oficiais. É fato. Agora existe aqueles de carreira que não querem nada, não fazem os cursos previstos e ficam aqui com o codinome de ST preterido.

      1. Era um pensamento antigo das Forças Armadas, de criar um vencimento paralelo praticamente igual entre oficiais e praças (todos de carreira) assim como nas Forças Armadas de outros países. A criação do CFS como curso superior foi uma situação extraordinária. Isso é um incentivo para que não haja evasão da carreira de ST/Sgt e também fez aumentar a procura nos concursos da ESA. Hoje se um 3º Sgt fizer todos os cursos previstos na carreira quando chegar a ST vai estar com um salário correspondente paralelamente com a dos oficiais. Se sair Cap QAO que está cada vez mais difícil, pois o CHQAO se tornou um concurso muito difícil e tem poucas tentativas, seria o general das praças na correspondência de salário.

  10. Malditos politicos que conduzem o povo como fossem ovelhas, mas na Verdade estão levando-os á miséria, Em outras palavras , Um rebanho eleitoral cada politico com seu rebanhos de ovelhas, fingindo ser os pastores ,enquanto conduzem aos lobos, Platão.

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