Ex-chefes da Abin: “Equipe de G.Dias facilitou entrada de manifestante”

Imagens do circuito interno do Palácio do Planalto mostram como agiu Gonçalves Dias durante a quebradeira em Brasília

Em diálogo privado no WhatsApp, cúpula da Abin à época do 8 de Janeiro disse haver “hipótese forte de coordenação” entre GSI e manifestantes

Paulo Cappelli
Em diálogo privado no WhatsApp, a cúpula da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), à época do 8 de Janeiro, disse haver “hipótese forte” de que a equipe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, chefiada por Gonçalves Dias, tenha facilitado a entrada de vândalos no local onde armas eram guardadas no Palácio do Planalto.

A conversa se dá entre o então chefe da Abin, Saulo Moura da Cunha, e Leonardo Singer, que estava à frente da Secretaria de Planejamento e Gestão da agência. No diálogo, ocorrido horas após as invasões, Saulo demonstra temor de que a atuação da Abin viesse a ser questionada.

Inicialmente, o então chefe da Abin pede a Singer para fazer um levantamento de todos os alertas enviados pela agência, ao GSI e a outros órgãos públicos, na véspera do 8 de Janeiro. Depois, avalia: “Cara. Estamos cobertos”.

Singer, então, responde: “A princípio, sim. Precisamos agora apresentar aquele material ao GDias. E outra: de alguma maneira temos que dizer a ele que alguém(s) da equipe dele facilitou a entrada dos manifestantes nos recintos onde armamento estava armazenado. Não é fácil entrar e nem é fácil achar isso”.

Em seguida, complementa o raciocínio: “Uma hipótese forte é coordenação entre gente do GSI e gente da manifestação. Claro, insinuar isso [ao GDias] com muita leveza e sabedoria, preservando os próprios c*s”, disse Singer. Saulo concordou: “Isso”. Ambos deixaram os cargos que ocupavam na reestruturação feita na Abin por determinação de Lula.

GDias soube do risco de invasões 2 dias antes
Como a coluna mostrou nesta quinta-feira (17/8), o próprio GDias encaminhou de seu celular, ao então diretor da Abin, dois dias antes dos atos, mensagem de extremistas que planejavam manifestações violentas. Em seguida, contudo, o então chefe do GSI ignorou alertas enviados por Saulo ao longo dos dias 6 e 7 e só retomou contato no dia 8.

Na véspera dos ataques, Saulo e Singer se mostraram preocupados com o aumento de manifestantes em Brasília. Em troca de mensagens, o então chefe da Abin pede a Singer que mantenha contato com Marília Ferreira Alencar, subsecretária de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal. Na ocasião, a Abin emitiu 12 alertas a autoridades públicas, GDias estava entre elas.

Ex-chefe do GSI, GDias passou a ser oficialmente investigado pelos atos antidemocráticos, nesta quarta-feira (16/8), após decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes.

METRÓPOLES

8 respostas

  1. GSI cuida da segurança do presidente da República. O que foi feito. Tiraram o presidente de Brasília e os soldados do BGP do Palácio. Melhor ver um prédio destruído a ver um sd ou civil morto no confronto.

    ABIN e que emite alertas de segurança. O que foi feito.

    Calma. Há inteligência e contra inteligência até no buraco da gia em Fortaleza.

    Mas é Precoce deduzir algo

  2. Claro, como a informação é em prejuízo do governo petista, então sempre há uma narrativa possível. Se fosse em prejuízo ao governo do Bolsonaro, logo seria inadmissível. “Aos amigos tudo, aos inimigos o rigor da lei”.

  3. Se fosse apenas o Gen G. Dias… antes o antigo chefe do GSI já falava para a torcida que “bandido não ia subir a rampa”, militares do GSI faziam publicações a favor de golpe, o ex-presidente assumiu o governo, fez carreira no Congresso elogiando 64 e torturadores, os acampamentos em frente aos quartéis são de outubro de 2022/, o comando do Exercito recebia assessoria de racker condenado e pago para produzir informações falsas sobre o STF e a ABIN mandava informações em grupo de WhatsApp… Agora um aponta o dedo para o outro…

    1. O grupo de WhatsApp deve ser um grupo privado das forças de segurança do DF. E Se fosse walkie talkie, telex, telegrafo, e-mail, carta registrada… seriam mais eficientes na velocidade da transmissão?

  4. Deve ter sido constrangedor, alguém entrar e Encontrar o G dias sozinho sentado em uma sala quase escura do Palácio do Planalto, com olhar perdido, como alguém que se deu conta de que acabara de entrar numa tremenda gelada, já noite, daquele fatídico 08/01. Tomara que Nada de ruim o atinja e, assim, ele possa fazer aquilo que já é uma prática recorrente e já batida, muito usada pelos amigos íntimos do velho bandoleiro, imprestável e picareta Lularápio quando estão esquecidos em alguma cela insalubre da PF; A DELAÇÃO.

    1. A delação vai ser acolhida a depender do ministro. Se o ministro foi investigado pela Lava Jato pode ser que não aceite a delação se a mesma atingir algum amigo dos amigos. A questão principal é saber o quê G.Dias estava fazendo no domingão em Brasília? Estava de plantão?

  5. Repito: o general Gonçalves Dias é o oficial mais honesto e ilibado que já conheci. Foi meu comandante direto. O melhor comandante que já tive.

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