Militar que enviou estudos a Cid nega ser parte de plano golpista

Tenente-coronel Marcelino Haddad

Em entrevista à coluna, o tenente-coronel Marcelino Haddad diz que “ninguém é a favor de golpe” e que, como militar, “defende a democracia”

Natália Portinari
O tenente-coronel Marcelino Haddad negou envolvimento no plano golpista descoberto pela Polícia Federal (PF) nas conversas e nos arquivos do celular de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro. À coluna, ele disse que o material que mandou a Cid tratava de “questões doutrinárias” e não foi enviado para embasar uma tentativa de golpe.

A PF descobriu que Haddad enviou documentos a Cid tratando do papel das Forças Armadas em uma eventual crise institucional e da aplicação da Garantia da Lei e da Ordem (GLO) prevista no artigo 142 da Constituição Federal.

Os textos foram produzidos para o Curso de Comando e Estado-Maior do Exército, no qual eles eram colegas. Segundo Haddad, o trabalho foi coordenado na época pelo próprio Mauro Cid, que pediu ajuda para recuperar o arquivo.

“Em nenhum momento ele me falou para o que era“, disse o tenente-coronel. “São três arquivos, um trabalho que foi feito em 2017, ele me ligou, me pediu, eu mandei, sem nenhum tipo de assunto, conversa. Eles (os artigos) só falam de questões doutrinárias, falam de defesa do Estado democrático, é o que está na Constituição”.

Naquela época, novembro de 2022, Cid falava abertamente com interlocutores sobre a ideia de dar um golpe de Estado e tinha em seu celular um documento que daria, supostamente, uma base teórica à empreitada. Haddad negou que tivesse conhecimento da intenção do então ajudante de ordens de Bolsonaro.

“Eu não tenho contato com ninguém em Brasília. Eu não sou do meio político. Eu sou um comandante de OM (organização militar), estou muito longe da cúpula.”

Questionado sobre se concorda com a interpretação de que o artigo 142 justificaria uma eventual intervenção militar em regime de exceção, como defendem alguns bolsonaristas, disse que “é justamente o contrário”.

“Claro que não. O que existe, quando a gente pesquisou, é justamente o contrário. Quando houve a discussão sobre isso na Constituinte, isso foi mantido, tem nas falas (dos constituintes), para que não houvesse novas quarteladas. Para que o Exército pudesse garantir o aperfeiçoamento da democracia.”

“Militares são democratas por natureza. Ninguém é a favor de golpe. A discussão é se não está tendo uma agressão à democracia. Isso é bem diferente. Não tem nada a ver com o que está se falando (de golpe). Isso é completamente fora de propósito.”

Guilherme Amado(METRÓPOLES)

21 respostas

  1. Como falei anteriormente, já sabia que iam alegar que se tratava de questões acadêmicas: “questões doutrinárias”. Esse mentem, mas mentem muito, aprendi no mundo acadêmico jurídico que contra fatos não há argumentos e agora tenho a certeza que quanto mais tentam abrir a boca para argumentar, mais infantis são os argumentos como se a justiça e os demais brasileiros fosse burros.

    1. Agora tudo se resume a “questões doutrinárias”, inocente material de estudos de Estado-Maior.

      “Leões de zap” quando afrontados na vida real, transformam-se em fofos bichanos, em prol das sinecuras de suas Carreiras.

  2. Resumirei o recuo deste moço em 6 “palavras”:
    – C A G A Ç O.
    Medo De Dividir Cela Especial Com Mauro Cid No 1º BPE De Brasília.

  3. “…Zico ta no Vasco, com Pelé;
    Minas importou do Rio, a maré…”

    Pensa que está falando a Tropa, Que Não pondera, ou, contando seus Imbustes para as minas lobinhas…

  4. Mais um Leão de watsap, dentro do alojamento bate no peito e grita. E agora que foi exposto vira gatinho manso diante da realidade.

  5. G.Dias não sabia de nada, ninguém avisou ele de nada, ele é evangélico radical e não vê TV. Mas sabe que o complexo tem 36 mil metros quadrados.

    O outro que foi pego em msg no celular do Cid, falava de conjecturas e questões de doutrina…do manual do Mariguela.

    Tem muitos outros exemplos. Fico Imaginando que em caso de guerra, as desculpas serão parecidas ” pensei que era Carnaval fora de época!!!”

  6. Cada um responde pelos seus atos, perante a justiça. Estamos falando de um golpe contra a democracia e não de uma transgressão militar

  7. Enoja certas atitudes. Não tem nenhuma cerimônia em mentir, tudo para proteger suas “carreirinhas” e continuar a ganhar ajuda de custo para fazer cursinho de banquinho voltado a preparar para a guerra?!?

    Se não aguentam uma pressão em tempo de paz, o que dizer em caso de guerra, onde a própria vida estará em jogo?

    Essa Instituição precisa urgentemente de uma reformulação de seus procedimentos, de seus “valores”, de suas “tradições”.

    Olha só quanta medalha se ostenta sem nunca assistir presencialmente uma batalhazinha.

  8. Cel haddad é um infiltrado do petê para destruir a familia e construir um presepio no lugar, ele esta em todas as partes e em todas as instituições so agurdando a hora de agir e “comunizar tudo e todos”. No fundo alguns o aguardam ansiosos embora digam que o detestam, mas curtem seus efeitos…
    Antes que digam que estou devidamente alcoolizado, lhes respondo qeu sou abstemio, mas como literario ( ou seria literato??), estou a escrever algumas frases para quebrar a rotina e dar aquele toque de gestão emocional, proprio das equipes de alta performance kkkk

  9. Esses senhores envergonham ainda mais a Força que servem quando dão explicações rocambulescas pensando que seus chefes ou demais brasileiros são trouxas. A mentira se tornou a arma desse protetorado.

    1. Ueee…mentir (faltar a verdade) não é Teansgressao GRAVE??? Oficial já pode mentir? Bozoraro e Ex-Capitão ” ladraozinho” ganancioso liberou geral foi?

  10. Bando de covardes.

    Aí no quartel querem dar uma de brabos.

    É muito fácil gritar com os sargentos carreiristas que se humilham por conceito.

    Quero ver levantar a voz agora seus fracos.

    Eu não respeito mais nenhum deles.

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