Governo pressiona por expulsão de Cid, abandonado por Bolsonaro: “não carrega ferido”

CABEÇAS NA BANDEJA CORONEL CID

Governo Lula pressiona por expulsão de Cid; Exército aguarda condenação
Carreira, porém, está congelada e ele não deve receber promoções ou ser nomeados para novos cargos. Aliados do antigo braço-direito de Bolsonaro avaliam que ex-presidente o abandonou – ‘não carrega ferido’ – e defendem que pai, general Cid, faça defesa público do filho.

Andréia Sadi
Integrantes do governo Lula e do Ministério da Defesa avaliam que a situação do tenente-coronel Mauro Cid é “insustentável” com o avanço das investigações sobre o roteiro do golpe e que ele deve ser expulso do Exército. Militares, entretanto, admitem a possibilidade – mas só depois de uma eventual condenação e do cumprimento dos ritos administrativos da caserna.

Braço-direito de Jair Bolsonaro (PL) nos 4 anos da Presidência da República, Mauro Cid foi preso em 3 de maio suspeito de participar de um esquema para criar comprovantes de vacina contra a covid falsos para o ex-presidente, para si próprio e para familiares de ambos.

No celular dele, entretanto, foram encontrados diálogos – inclusive com outros militares da ativa – e documentos sobre um golpe de Estado para manter Bolsonaro no poder mesmo com a derrota dele nas urnas para Lula (PT).

Um desses documentos, como mostrou o blog, previa o estabelecimento de um estádio de sítio “dentro das quatro linhas” – uma expressão recorrentemente usada pelo ex-presidente para negar seus movimentos antidemocráticos.

A divulgação dos conteúdos fez o Exército vir a público para alegar que as conversas não representam o pensamento da Força.

Segundo militares ouvidos pelo blog, a corporação não deve “passar a mão” na cabeça de Cid, e todos os que tiveram envolvimento com os atos golpistas de 8 de janeiro devem responder a processos administrativos que podem levar a punições. Mas também não deve abandoná-lo – como, avaliam aliados do militar, fez Bolsonaro (leia mais abaixo).

Por enquanto, Cid teve a carreira congelada – não deve receber promoções ou ser indicado para algum cargo (flagrado nas conversas com Cid pedindo que Bolsonaro “dê a ordem”, o coronel Jean Lawand Junior teve sua nomeação para um posto diplomático nos Estados Unidos suspensa após a divulgação dos diálogos).

“A carreira dele foi para o ralo”, resume um militar ouvido pelo blog.
Caso seja condenado a uma pena inferior a 2 anos de prisão, Cid manterá a carreira. Se for superior, e após esgotados todos os recursos, Cid deve ter de enfrentar o conselho de justificação do Superior Tribunal Militar (STM), que vai decidir se ele permanece na ativa ou é expulso.

“O Exército não abandona porque isso teria um efeito [negativo] no público interno. É o que faria por qualquer um”, resume o militar.

Bolsonaro ‘não carrega ferido’
No entorno de Cid, a avaliação é que Bolsonaro abandonou o ex-braço-direito.

“Bolsonaro não carrega ferido. Só se preocupa com os filhos”, afirma um militar amigo de Cid, que questiona o silêncio de outros integrantes da caserna que se alinharam a Bolsonaro.

“Cadê [general e ex-ministro da Defesa] Paulo Sérgio, [general, ex-ministro e candidato a vice-presidente] Braga Netto, [almirante Almir] Garnier [que não foi à posse do sucessor, indicado por Lula]?

O pai de Cid, general Cid, tem sido aconselhado a falar publicamente sobre o caso. A ideia é que uma eventual explicação e defesa pública ajude ao Judiciário decidir por liberar o ex-braço-direito de Bolsonaro da prisão e enviá-lo para casa, ainda que com tornozeleira eletrônica.

g1

11 respostas

  1. Se estão juntos, ou separados? Tanto faz.
    O certo é que devem pagar por seus crimes. Se querem chorar solitários, azar o deles, deveriam ter pensado antes de tramar o golpe contra a democracia e a constituição.

  2. Ele não pode ser considerado combalido/ferido, pode ser considerado outra palavra que rima com essas. Lembro que ele se pôs de própria vontade a cometer os atos que lhe são imputados.

  3. Depois das imagens do G.Dias agindo daquela forma no meio dos vândalos, sem que lhe seja imputado um grama, sequer, de responsabilidade, ficando ainda proibido de prestar depoimento pela relatora governista na CPMI; vai ficar muito difícil para o EB condenar o Ten Cel, por conversa em Whatsapp de um crime que não foi tentado e nem ocorreu. A única pessoa que pode acabar de vez com o fardado, tem escritório num poderoso tribundal, digo, tribunal, de Brasília e costuma sempre atender clientes do PV, PT, PSOL, PCdoB, PDT e por aí vai. Basta que o carequíssimo advogado o condene por crime praticado no comprovante de vacinação a uma pena superior a dois anos e pronto. “Missão dada, missão cumprida”.

    1. O General G.Dias é o responsável por tudo. Foi ele que nos últimos anos vem trazendo descrédito a tudo e a todos, incitando a população ao desrespeito, armando bandidos, desmoralizando as FFAA, apoiando Incompetentes, endeusado a cloroquina, brigando com o mundo todo, desacreditando as eleições, Tramando contra democracia, sendo apoiado pelo que há de pior na política, tendo pastores da falsa fé mandando no Planalto, trazendo joias do exterior sem passar pela Alfândega, Mandando todos os dias algo que seus apoiadores entendiam como mensagens para o golpe ( interpretação dos filhos e apoiadores com cargo), Incitou e Apoiou acampamento em frente dos quartéis, Fugiu feito um Rato para os EUA…sim o G.Dias é mesmo o responsável, deve pagar por isso.

  4. Mauro Cid se deslumbrou demasiadamente com a possibilidade:
    – De sua perpetuação no cargo, Poder.
    – de angariar altos lucros com a ingerência total da função.
    – com Bolsonaro a certeza absoluta da promoção a ‘4 estrelas’.
    Tomado por total encantamento da força presidencial, tantalizado e ofuscado por luz excessiva e/ou repentina perdeu a lucidez e limites institucionais.
    Dependendo do humor magistrado na ‘hora do pato’, sim, o STM presidido por brigadeiro ex-piloto do AeroLula ser, diferentemente de seus “messias”:
    – condenado com perdas de liberdade individual e patente.
    Tem um ditado que diz:
    “Passarinho que dorme com morcego acorda virado de cabeça para baixo”.
    Barro!

  5. O que temos aqui é resultado do Exército ter sido incapaz de expulsar um certo Capitão no final da década de 1980 e não será agora que fará alguma coisa, além do mais, este que está preso, não deve ter um tratamento pior que seu comparsa, Ailton Barros, dado como morto e com uma ficha corrida mais ampla.

  6. “O Exército não abandona…”.

    Isso somente para os oficiais.

    Praça já seria abandonada de pronto e usada para demonstrar que a Força não comunga com erros.

    Temos dois Exércitos.

    1. Falou tudo, temos dois exércitos, uma guerra velada há décadas, os praças não aturam os oficiais e vice-versa, se odeiam. Somente uma guerra para corrigir esta relação tóxica.

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