Dino: grupo de militares de alta patente tentou “pisotear a democracia”

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, participa de audiência na CCJ da Câmara dos Deputados (Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

Militares participaram de tentativa de golpe, diz Dino
Ministro da Justiça citou provas colhidas no celular de Mauro Cid; ministro da Defesa, José Múcio fala em ‘vontades individuais’ e defende Forças Armadas

Caio Sartori e Marcos de Moura e Souza Valor — Rio e de São Paulo

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, afirmou nesta segunda-feira (19), com base nas provas colhidas no celular do tenente-coronel Mauro Cid, que está clara a participação de militares de alta patente e da ativa numa tentativa de golpe de Estado. Para o chefe da pasta, ao analisar as mensagens do ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), não resta “nenhuma dúvida” de que o Brasil vivenciou entre o fim da eleição do ano passado e o 8 de janeiro deste ano um projeto de golpe.

“Havia um pequeno grupo de militares de alta patente, da ativa, participando de tentativa de golpe de Estado, de rasgar a Constituição e pisotear a democracia. É assim que classificamos esse acervo probatório”, afirmou em agenda no Palácio Guanabara, sede do governo do Rio de Janeiro. “Esse extremismo de direita, a meu ver, foi derrotado. Há um clima político que permite que o governo do presidente Lula governe. Com dificuldades institucionais comuns na democracia, mas governe.”

Revelado na semana passada pela revista “Veja”, o conteúdo extraído do celular de Cid mostra militares da ativa e da reserva debatendo como as Forças Armadas poderiam atuar contra o resultado da eleição em que Luiz Inácio Lula da Silva derrotou Jair Bolsonaro.

Também na segunda-feira, em São Paulo, o ministro da Defesa, José Múcio, adotou tom menos condenatório ao analisar o papel dos militares no 8 de janeiro. Para o chefe da pasta a qual as Forças Armadas estão vinculadas, houve militares favoráveis a um golpe, mas as Forças, enquanto instituição, mantiveram-se dentro da lei.

“Havia vontades individuais de que houvesse um golpe. Mas não havia um líder. Algum militar do Exército, algum militar da Aeronáutica, algum militar da Marinha queria golpe? Acredito que sim”, comentou. O ministro avaliou ainda que não existia um “líder” na mobilização golpista. Múcio participou de um debate com ex-ministros da Defesa intitulado “Defesa Nacional, presente e futuro do Brasil”. O encontro foi organizado pela área de Defesa e Segurança do Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (Iree).

Em outro momento, o ministro minimizou o papel dos acampamentos na porta de quartéis para os ataques aos Poderes. “As pessoas que vieram para a Praça [dos Três Poderes] no dia 8 não saíram de lá [acampamentos de Brasília]. Foi gente de fora estimulada por irresponsáveis, baderneiros”, alegou. Leia mais.

Valor

 

3 respostas

  1. Primeiramente #cidlivre

    José Múcio faz a defesa das FA de ofício, pois o mesmo sabe e tem certeza que houve uma tentativa (infantil) de golpe. Porém não houve anuência do ACE.

    As consequências, na minha visão, seriam catastróficas beirando a Uma guerra civil, pois o povo não teme as FA. Ninguém aqui daria um tiro em alguém desarmado ou mesmo que houvesse disparo, as consequências seriam inimagináveis.

    Segundo ponto, a “direita” (não existe direita no BR) está armada devido a flexibilização do acesso a armas e daria suporte subterrâneo ao golpista.

    Outro ponto, teria mesmo novas eleições? Quem iria fiscalizar a apuração dos votos?

    Por fim, diferente de Temer, o mais próximo de um golpe que essa geração teve foi dia 08/01. Por mim, expurgaria todos os envolvidos com demissão e mudaria o entendimento da “pensão por morto ficto”.

    1. Então, resta parabenizar o ACE e o Ministro Alexandre de Moraes, que não se curvaram aos devaneios do advindo do quinto escalão do baixo Clero.

  2. Democracia é um jogo, a cada 4 anos, quem ganha leva, esta na costituiçao, Nada de golpe, nada de direita ou esquerda temos que pensar no nosso Brasil. há cada 4 anos tudo muda politicamente, o povo faz suas escolhas, é assim a democracia, Viva nosso Brasil.

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