Arquiteto é preso por injúria racial após denúncia de ofensas contra oficial das Forças Armadas: ‘Preto e ‘macaco’

O capixaba Fernando Bravim Kruger vai responder por injúria — Foto: Reprodução

Confusão aconteceu no final da madrugada deste domingo (21) durante uma roda de samba no Beco do Rato, tradicional reduto negro da capital fluminense.

Rafael Nascimento, g1 Rio

Um arquiteto de 45 anos foi preso em flagrante, no final da madrugada deste domingo (21), durante uma roda de samba no Beco do Rato, na Lapa, na Região Central do Rio de Janeiro. Segundo testemunhas, Fernando Bravim Kruger chamou um oficial das Forças Armadas, de 31 anos, de ‘preto’ e ‘macaco’.

Fernando vai responder por injúria – crime que é inafiançável. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil.

De acordo com Pedro Phillipe de Assis Salaman, ele e quatro amigos estavam no samba quando, por volta das 2h, um dos seus amigos esbarrou em Fernando. Em seguida, teria começado um bate-boca.

Na tentativa de apartar a confusão, Pedro teria ouvido do arquiteto: “Você é preto e eu sou bicha”. Segundo o oficial, Fernando estava querendo briga desde o começo do desentendimento.

“Ele esbarrou de forma agressiva e fui falar com ele. Não sei se ele estava bêbado, mas ele se virou e me chamou de preto. Eu ainda retruquei dizendo que como ele estava me chamando de preto se ali era um ambiente majoritariamente negro e acolhedor?”, diz Pedro.
Ainda de acordo com o oficial, Fernando o atacou novamente com frases racistas: “Sai daqui seu macaco”. Por conta das falas racistas, oficial partiu para cima do capixaba, mas foi contido por amigos.

Uma segunda testemunha disse que o oficial apenas pediu para que Fernando pedisse desculpas pela grosseria. Mas, o arquiteto teria dito para Pedro: “Desculpas o quê? Você é preto”.

Em seguida, os amigos atacados pelo arquiteto acionaram a segurança do Beco do Rato que expulsaram Pedro do estabelecimento. Em seguida, a Polícia Militar foi acionada e todos foram para a delegacia.

“A revolta foi tão grande que eu perdi a cabeça. Mas, ele foi expulso e tentou fugir. A minha companheira foi atrás dele e na tentativa de deixar o local, ele ainda torceu o braço dela. Mas, foi pego pela PM”, afirmou Pedro.

Na delegacia, todos foram ouvidos e Fernando Bravim foi detido em flagrante pelo crime.

Pedro afirmou que desde o episódio está passando mal.

“Estou me sentindo mal por tudo que aconteceu. Mas, eu vou caminhar com os procedimentos legais para que ele seja punido”, destaca o oficial, que completa:

“O racismo no Brasil é velado. Mas, algumas pessoas brancas acham que os negros, a maior parcela da população brasileira, não podem estar nos mesmos locais que eles. Não podem frequentar ali. Eu estava assistindo a reportagem do Vinícius Júnior e vejo que o racismo está em todos os lugares. Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista. Precisamos ter empatias com as pessoas”, desabafou.

O g1 ainda não conseguiu contato com a defesa de Fernando Bravim Kruger.

Em nota, O Beco do Rato afirmou que repudia qualquer tipo de discriminação, seja por raça, gênero, orientação sexual, religião, ideologia, origem étnica ou diversidade funcional.

“Na madrugada de sábado (20) para domingo (21), um cliente foi convidado a se retirar pelo nosso gerente, que acionou a polícia após crime racial contra um outro cliente. Já do lado de fora da casa, o autor do crime racial foi conduzido para a delegacia, onde a ocorrência foi registrada”, diz a nota. Leia mais.

g1

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