Em vídeo, irmã de soldado do Exército morto em treinamento denuncia: “falaram que estava de corpo mole”

João Victor Alves da Silva, de 18 anos, era morador de Campos e se alistou no Exército nesse ano
Reprodução

Irmã de militar morto suspeita de maus tratos: ‘falaram que estava de corpo mole’
Bárbara Alves da Silva suspeita de tratamento do Exército no caso

Bárbara Alves da Silva, irmã de João Vitor Alves, jovem militar do Exército que morreu na quarta-feira (26) após participar de uma sessão de treinamento na 2º Companhia da Infantaria do Exército Brasileiro, em Campos, fez um vídeo desabafando sobre o tratamento que o irmão recebeu horas antes da morte.


Segundo palavras de Bárbara, a família apurou que tudo começou por volta das 16h da tarde, quando o jovem de 18 anos passou mal durante os treinamentos que estavam sendo realizados em um acampamento do Exército. Ele chegou a ser atendido na base, mas foi obrigado a voltar.
“João estava passando mal no quartel desde às 16h da tarde. Nesse momento colocaram ele em uma ambulância, e depois mandaram voltar porque achavam que ele estava de corpo mole. Voltaram o menino para a pista pra fazer mais esforço físico. Quando viu que ele não aguentava mais, o levaram para o hospital por volta das 19h”, explicou.
*Em nota enviada para a reportagem do Ururau no dia 27 de abril, o Hospital Ferreira Machado informou que João Vitor Alves deu entrada na unidade por volta de 20h45. Nesta sexta-feira (28), o hospital reforçou a informação.
Ao chegar no HFM, Bárbara Alves também afirma que o militar “ficou jogado no corredor, quando os médicos chegaram ele já estava delirando. Ele sofreu naquele lugar”.

Questionamentos ao Exército
O vídeo não parou por aí, Bárbara desmente a informação que a equipe da 2º Companhia da Infantaria do Exército Brasileiro teria prestado primeiros socorros ao rapaz
“O Exército soltou uma nota falando que fizeram primeiros socorros no meu irmão, mas isso é mentira. Ele chegou com a farda toda suja e molhada no HFM, se tivessem feito os primeiros socorros, iriam tirar a roupa dele”.
A irmã continua contando que João não tinha nenhuma limitação física, ela inclusive lembra que o mesmo foi aprovado nos testes feitos pela Companhia.
“O maior sonho tirou a própria vida dele. Para entrar no Exército, ele fez inúmeras provas e testes, inclusive físicos, se ele tivesse algum problema já teria sido reprovado. Tentaram entrar na nossa cabeça afirmando que ele tinha algum problema físico, mas não tinha nada”.

Condução do caso é criticada
Outra reclamação da mulher foi sobre a conduta do Exército para informar a família. Bárbara revela que apesar de João Vitor ter dado entrada no Hospital Ferreira Machado por volta das 19h, os familiares só foram informados da situação às 22h.
“Ele deu entrada no HFM antes das 19h, e só avisaram aos meus pais por volta de 22h. Ainda falaram que ele estava bem, mas na verdade ele já estava na UTI desacordado com duas paradas cardíacas”, desabafou.
Por fim, ela fez diversos questionamentos para o Exército, e também informou que tinha hematomas no rosto de outros militares que participaram do acampamento.
“Ele morreu de infarto, mas queremos a explicação disso. Foi por esforço físico além do devido? Ou outra coisa? Queremos respostas e justiça. Vimos meu irmão num caixão com hematomas no rosto, e outros soldados que estavam nesse acampamento com a mesma marca. Bateram nesses meninos? Queremos esclarecimentos. Não vamos descansar enquanto não descobrir a verdade”, concluiu.
A equipe do Ururau entrou em contato com a Seção de Comunicação Social do Comando Militar do Leste (CML) para comentar sobre as declarações. Mas até a publicação desta reportagem, não obteve resposta. Assim que eles se posicionarem, a matéria será devidamente atualizada.
Ururau/montedo.com

5 respostas

  1. infelizmente entra comandante sai comandante e os erros em treinamentos continuam. alguém acha que vai sobrar para algum oficial ou para o praça encarregado de locomover os soldados no treino? faço tratamento contínuo em uma policlínica militar e as consultas que eram para serem mês a mês as vezes chegam a marcar 3 meses após a solicitação da dra. meus pesames a família e que contratem um advogado para justiça ser feita!

  2. Ainda não sabemos o que verdadeiramente aconteceu nesse caso.

    Mas, nesses anos de vida militar, vejo que pouquíssimos militares tem perfil para instutor/monitor.

    A grande maioria tem uma percepção errônea do que seja instrução militar. Entendem que “ser rígido” é sinônimo de ser sádico. Aí acontecem as tragédias.

    Não é novidade assistir o instrutor/monitor substituir a instrução por “exercícios de vivacidade”, que na verdade são usados para trote, ou o famigerado “pagar” em excesso.

    O pior é que a nova geração repete esses erros e demonstram não saber perceber quando o militar está passando mal. Logo tacham o militar de “golpista”, ou que está “fazendo corpo mole”.

    Interessante que no primeiro ano em que o Comandante da Força, em vídeoconferência, orienta a todo o EB para evitar trotes na instrução, já temos algumas mortes em instrução.

    Ou seja, os avisos, orientações, não surtiram efeito prático.

  3. Mesmo com inspeções de saúde para admissão há casos que passam despercebidos, mas como? Simples, apenas um médico fica responsável por inspecionar centenas, como fazer uma análise patológica pregressa assim? No final, infelizmente acaba Sobrando, não somente para o militar Responsável pelo treinamento, Mas também para o médico que normalmente é temporário.

  4. Tem muitos oficiais e praças que descarregam suas frustrações em soldados recrutas,fato recorrente nas OM pelo Brasil,e só ver os acontecimentos,esperamos que não fique só recados em Formaturas para maquiar essa covardia.

  5. Em outro comentário falei como uma das coisas que mais me impressionou negativamente, como recruta, eram os exercícios e adestramentos inúteis que só serviam para lesionar e encher o saco dos recrutas. Sinceramente, não tenho como falar da formação nas escolas de oficiais, mas liderança não é levada a sério.

    Triste. Meus pêsames à família!

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