Bolsonaro pediu que buscasse joias na Alfândega, diz tenente-coronel Cid à PF

Mauro Cid (de farda verde) caminha ao lado de Bolsonaro em viagem aos EUA: ajudante de ordens tornou-se mais do que um 'carregador de pasta' do presidente Foto: Alan Santos/Presidência da República/08-03-2020

Mauro Cid, no entanto, ressaltou que não houve ordem de recuperação do presente por parte do ex-presidente, mas sim uma solicitação

Júlia Portela
A tentativa do governo federal de resgatar as joias sauditas recebidas por Jair Bolsonaro (PL) na Alfândega do Aeroporto de Guarulhos teria sido a pedido do próprio presidente, segundo depoimento do ex-ajudante de ordens e tenente-coronel Mauro Cid.

Segundo o depoimento, obtido pelo G1, Bolsonaro pediu que Cid fosse atrás do presente em meados de dezembro de 2022. Cid, no entanto, ressaltou que não houve “ordem” de recuperação do presente por parte do ex-presidente, mas sim uma “solicitação”.

O tenente-coronel teria, então, entrado em contato com o secretário especial da Receita, Júlio César Vieira Gomes, suspeito de pressionar auditores fiscais a liberarem as joias sauditas. Ele confirmou que havia um pacote e um pedido de novembro de 2021 de liberação dos itens, em nome do então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque.

Cid teria dito em seu depoimento que Júlio César o orientou sobre como deveria ser feita a solicitação para retirada do pacote, inclusive quem deveria assinar o pedido. Foi o secretário quem assinou o despacho pedindo que as joias, que entraram ilegalmente no país, fossem liberadas.

Na mesma semana, Júlio César foi nomeado adido da Receita Federal em Paris. Na última segunda-feira (10/4), o agora ex-secretário pediu exoneração do cargo, mas a solicitação foi negada pela Receita. De acordo com o decreto assinado pelo secretário especial da Receita Federal do Brasil, Robinson Barreirinhas, a decisão foi tomada após considerar, por cautela, a supremacia do interesse público, as peculiaridades do caso e a investigação em curso na Controladoria-Geral da União (CGU).

Cid ainda afirmou que essa foi a primeira vez que a ajudância de ordens acionou a Receita Federal para pedir a incorporação de bens a Bolsonaro, mas que era comum que ele buscasse presentes para o ex-presidente em todo o país.

Entenda
O governo Bolsonaro tentou trazer ao Brasil, ilegalmente, diversas joias, avaliadas em mais de R$ 16 milhões. Os objetos seriam presente do governo da Arábia Saudita para a então primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que visitou o país árabe em outubro de 2021, acompanhando a comitiva presidencial.

Trata-se de anel, colar, relógio e brincos de diamante.

O pacote de joias foi apreendido no aeroporto de Guarulhos na mochila de um assessor de Bento Albuquerque, então ministro de Minas e Energia. No Brasil, a lei determina que todo bem com valor acima de US$ 1 mil deve ser declarado à Receita Federal. Dessa forma, o agente do órgão reteve os diamantes.
O governo Bolsonaro teria tentado recuperar as joias acionando três ministérios: Economia, Minas e Energia e Relações Exteriores. Na quarta movimentação para reaver os objetos, realizada a três dias de o então presidente deixar o governo, um funcionário público utilizou um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para se deslocar a Guarulhos.

METRÓPOLES/montedo.com

Respostas de 9

  1. Meu Deus, o cara quer tirar das costas de seu chefe e segurar tudo dizendo que não houve uma ordem para buscar as jóias e sim uma solicitação do chefe, então ele quer dizer que o fez porque quis. Todos sabemos que um pedido do mais antigo, mesmo não parecendo, tem conteúdo de ordem. Olhem Onde eles foram Parar, com o fim de proteger o “homem de trás”.

    1. … IP Quase Fechado, Aguardando Laudo De Avaliação De Valores Das Jóias, A Fim De Se Caracterizar O Real Valor Dos Objetos Do/S Possível/Possíveis Ilícito/S, E Mandar Para O MPF Para Oferecer Denuncia Ou Pedir Arquivamento. PF Trabalha Rápido.

  2. Só existe dois tipo de gente que apoia o falso meçias, aquele usufruiu de benefícios durante o seu governo e aquele que precisa se tratar urgente.

  3. É tudo muito ridículo, quer dizer que ele deixou de ser o “ajudantes de Ordens” para ser o “Ajudante de Solicitações”.
    Façam-me o favor, parem de nos tratar como imbecis. Isso é o que mais irrita.

  4. Parte daquele silêncio e depressão do motoqueiro após a derrota, acredito que se deva ao receio de não poder recuperar o colar de diamantes, avaliado em R$ 16.500.000,00. Palmas para o funcionário da RF, por não ter se intimidado. As investidas covardes vinham de todos os lados.

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