Hércules: Aeronaves da FAB, que serão desativadas até o fim de 2024, viram atração turística no Rio

Aeronave Hércules no aeroporto de Macapá nesta sexta-feira
FAB

Alguns dos aviões gigantes fogem do previsível destino de virar sucata e ganham sobrevida como peça de museu e até dentro de um hotel. Entre os admiradores do modelo, o clima já é de saudade

No Museu Aeroespacial (MUSAL) está exposto o Hércules C-130 Fabio Rossi

Geraldo Ribeiro

Rio de Janeiro – Mesmo sem as asas, a carcaça de avião transportada sobre uma carreta parou o trânsito de duas pistas da Estrada do Galeão, na Ilha do Governador, no começo de março. A cena ilustra o fim de uma era: a dos Hércules C-130, gigantes da frota da Força Aérea Brasileira (FAB). Em processo de aposentadoria, as aeronaves entraram para o imaginário da população por sua dimensão.

Agora, começam a construir uma nova história. O destino previsível para esse tipo de equipamento é virar sucata, mas alguns Hércules ganharam sobrevida: pelo menos um virou peça de museu, e outros três se tornaram atrações turísticas em Cantagalo, no interior do estado.

Despedida anunciada

Pelo cronograma da Aeronáutica, a desativação total da frota da FAB, que chegou a ter 29 desses aviões, deve ser concluída até o fim do ano que vem, com sua substituição por modernos KC-390, maiores e mais velozes, fabricados pela Embraer. Para admiradores do modelo, o clima já é de saudade.

Após a desativação completa da frota, para conhecer um Hércules basta visitar o Museu Aeroespacial. O espaço no Campo dos Afonsos, na Zona Oeste do Rio, já recebeu um exemplar, que está em exposição no acervo, ao lado de relíquias da aviação como as réplicas do 14-Bis e do Demoiselle, criações de Alberto Santos Dumont. A aeronave do museu tem prefixo FAB 2453 e foi incorporada à frota em 2014.

Outros desses enormes modelos, com quase 30 metros de comprimento e 40 de envergadura (da ponta de uma asa à outra), foram para Cantagalo. Na cidade, três dessas aeronaves arrematadas em leilão são as atrações principais do Hotel Fazenda Gamela Eco Resort, no Km 20 da RJ-160.

— As pessoas ficam encantadas. É o nosso diferencial. A principal curiosidade é saber como os aviões vieram parar aqui. Tem gente que acha que caíram e ficaram — conta o gerente-geral do estabelecimento, José Jorge da Silva Pinto, antes de explicar que, depois de arrematados, os três foram desmontados e levados em carretas da Base Aérea do Galeão até Cantagalo.

Duas dessas aeronaves ficam numa área de acampamento, e os hóspedes podem dormir dentro delas. O amplo espaço interno já foi adaptado como boate e cenário para filme e luau. Uma das estrelas do Gamela Eco Resort chama atenção por um detalhe histórico: o FAB 2456, o primeiro a ser comprado pelo hotel, em 2016, teve participação importante no período da ditadura: em 6 de setembro de 1969, levou para o México 15 exilados trocados pelo embaixador americano Charles Elbrick, sequestrado por militantes que lutavam contra o governo militar. Aos 78 anos, o ex-deputado Vladimir Palmeira, um dos passageiros daquele voo, não guarda boas lembranças da viagem, mas aprovou a nova utilização do avião:

— Fico feliz de saber que está alegrando a criançada. Já cumpriu sua missão nos levando para o México.

Nesses tempos de polarização política, o Gamela prefere explorar apenas o charme do “Gordo”, apelido pelo qual o Hércules também se tornou conhecido. O terceiro modelo instalado no Gamela fica no alto de uma montanha, no meio da mata. Uma antiga rampa usada para saltos de paraquedas virou plataforma para os turistas se aventurarem na tirolesa que leva o nome do avião, chega a 152 metros de altura e tem 1.600 metros de extensão.

A carcaça do Hércules FAB 2474 que parou o trânsito na Ilha do Governador tinha sido leiloada em meados do ano passado. Na mesma ocasião, em outro lote estava o FAB 2466. Os valores de venda não foram informados, assim como a identidade de quem comprou. Mas, pelo site do leiloeiro, sabe-se que o lance mínimo para o primeiro foi de R$ 28.450, e a oferta do segundo partiu de R$ 30.800.

Sucata de alumínio

João Emílio, leiloeiro que fez as vendas, explica que é praxe passar a informação ao fabricante, que emite o end user (espécie de baixa) e dá orientações sobre cronograma de desmonte e padrão de corte, para que o avião não tenha mais condição de ser reutilizado em sua função original. Todos os componentes elétricos e eletrônicos são retirados, além do trem de pouso. Nem todos, diz o leiloeiro, têm o mesmo fim nobre dos que foram para o museu e o hotel fazenda:

—Muita gente compra com a finalidade de mandar a sucata de alumínio aeronáutico para o forno e, depois de derretida, transformá-la em lâminas para outros produtos.

A empresa americana Lockheed começou a fabricar os Hércules em 1954. Mais de 2.500 foram produzidos. A FAB iniciou o processo de desativação de nove aviões em 2016. Outros 12 se aposentaram há dois anos. A Aeronáutica informa que todas as unidades ainda em operação estão sediadas no Rio, mas não esclareceu quantas são.

O Globo/montedo.com

6 respostas

  1. Em frente ao aeroporto de Arlanda (Suécia), todos os Hotéis são aviões.

    Uma ideia para as sucatas, já que HT no RJ é impossível de conseguir, ainda mais em época de formatura de EsSLog, ESAO, CAS – ESIE e algumas outras.

    1. A ideia é boa. Você deve ser oficial ou um antigão com boas idéias.

      Se desse certo iria cair no colo do 3° sgt fazer o hotel com o pessoal do PO.

  2. E o navio pioneiro no continente antártico, o Barão de Teffe? Acredito que nossa marinha tenha dado um destino honroso para ele.

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    O cabra banca o machão e agora, em uma cela hotel tem depressão. Imagina na papuda, Bangu…

    1. Colarinho branco, há vários deles com a pulga atrás da orelha, não contavam com a derrota do Minto falso. Ferrou . Essa galera vai gastar o que ganhou fácil em quatro anos, com advogados. Aqui se faz aqui se paga.

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