Depoimento do almirante Bento Albuquerque à PF sobre caso das joias é remarcado

Bento Albuquerque

O ex-ministro de Bolsonaro prestaria depoimento no caso das joias da Arábia Saudita nesta quinta-feira. Oitiva foi adiada para terça (14/3)

Manoela Alcântara
O depoimento do ex-ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque sobre joias recebidas pela comitiva brasileira na Arábia Saudita foi adiado. O ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL) foi intimado pela Polícia Federal a depor em inquérito aberto para investigar o caso. Albuquerque falaria nesta quinta-feira (9/3), às 14h. No entanto, a oitiva foi remarcada para a próxima terça-feira (14/3), por videoconferência.

Imagens mostraram Albuquerque dizendo a auditores da Receita Federal que as joias dadas de presente pela Arábia Saudita ao Brasil eram para a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O vídeo, obtido pela GloboNews e pela TV Globo, foi registrado pelas câmeras de segurança do Aeroporto Internacional de Guarulhos, no dia 26 de outubro de 2021, data em que Albuquerque desembarcou no Brasil.

“Isso tudo vai entrar lá para a primeira-dama”, diz o ex-ministro aos auditores na filmagem. Albuquerque se refere a joias avaliadas em R$ 16,5 milhões, que ficaram retidas na alfândega.

O outro pacote, com um relógio e uma caneta, entrou no país dentro da mala de Marcos Soeiro, integrante da comitiva de Bento. O próprio Soeiro tentou explicar para os auditores que o conteúdo era um presente para o ex-ministro. “Isso é um presente do príncipe regente da Arábia Saudita para o ministro. Isso tudo aqui é presente. Vocês não têm ideia do problema”, aponta Soeiro.

E continuou a explicação: “Esse convite não foi nem para o ministro. Esse convite foi para o presidente [Jair Bolsonaro], e o presidente mandou o ministro lá para representá-lo”. Mesmo assim, os auditores se negaram a liberar as joias.

Soeiro, então, liga para Bento Albuquerque: “O ministro está vindo aqui, provavelmente vai ligar para o diretor da Receita Federal”, afirma. O ex-ministro nega ter visto as joias e alega que as recebeu somente quando estava saindo da Arábia Saudita. Em seguida, um auditor explica que os bens não poderiam sair dali por não terem sido declarados e que, depois, caso fossem doados para o Estado brasileiro, os itens seriam liberados.

“Nós vamos reter os bens. Vamos gerar um documento em nome do senhor, que é o portador, certo? Aí, qual foi a orientação? Pega esse documento, entrega no gabinete do ministério de sua chefia. Esse gabinete vai entregar no gabinete da Secretaria da Receita Federal para que estes trâmites para a outorga dessa imunidade sejam iniciados”, disse um dos auditores.

Soeiro questiona se este termo de retenção de bens poderia ser feito no nome de Bento Albuquerque. “Quer colocar no nome do ministro? Acho que é até melhor.”

“Presente tão grande”
Albuquerque ainda diz que nunca tinha recebido um presente “tão grande”.

“Quando você vai para um evento desses, o cara chega e vai te dando. Quem sobra é o cara que tem que carregar. Então, esse é o problema. Teve dois eventos lá, Minas e Energia e o outro foi a cúpula. Depois desse evento, no aeroporto, o cara chegou lá, ainda assinei o papel dizendo que a gente recebeu.”

Apenas depois de algum tempo de conversa, o ex-ministro afirma para os auditores que as joias eram presente para a então primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Em diferentes ocasiões, o governo federal tentou reaver as joias – um colar, anel, relógio e um par brincos de diamantes da marca de luxo suíça Chopard – sem pagar a taxa e a multa necessárias, como de praxe para o Fisco.

O blog de Andréia Sadi teve acesso ao vídeo que mostra o diálogo entre o sargento da Marinha Jairo Moreira da Silva, enviado por Bolsonaro, e um auditor da Receita Federal no dia 28 de dezembro de 2022, três dias antes da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O caso foi revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo.

METRÓPOLES/montedo.com

10 respostas

  1. O pessoal do PL, conselheiros do Bozo, já estão Jogando toda a culpa no Bento, daqui a pouco vão dizer que o Alte. Iria ficar com as jóias para uso próprio. 🤣

    1. O presente e do Estado do Brasil e ele como Chefe de Estado deveria ter feito o certo, dar entrada na Receita e catalogar (Sisbenfar) e atribuir ao acervo e não “fazer ombro arma” com o presente como se fosse seu. Não e devolvendo que se esquece o crime e tem mais o governo não pediu de volta. Todos os envolvidos tem que sofrer os rigores da lei.

  2. Quando+mexem mais se incriminam uma x que tem filmagem e contra fatos não há argumentos. O importante que os amigos QEs vão serem promovidos todos a Sub tenente ano que vem já vai dar nisso um reajuste no soldo e eles merecem acima de tudo. Também a lei 13.954 vai ser julgada inconstituicial em 2024. também será feito uma limpa nos estamentos superiores no final do ano que muitos vão ter que usar o pijama. Tudo conforme previsto. O tempo é o senhor absoluto da razão

    1. O tempo de serviço voltará a ser de 30 anos e ainda teremos a volta do adicional de tempo de serviço, a Licença Especial, o auxílio uniforme, o auxílio moradia e tudo isso juntamente com a volta do principal: a volta de Dom Sebastião!

  3. Calma não morram do coração ❤️ antes de usufruir dos altos estudos e adicionais de curso, pois a inveja também mata as x. Parabéns aos futuros subtenente QEs a partir de 2024. Vocês lutaram para isso e são merecedores de tudo. O tempo é o senhor absoluto da razão.

  4. Eu só estou comentando num cenário melhor, ou seja, um presente para o Estado Brasileiro (catálogo de bens Nacionais) – peculato – consumado no caso dos relógios e tentativa no caso das jóias ou Descaminho se forem particulares. Porém no mais escabroso caso, um “presente” pela aquisição dos Árabes da Refinaria Landulfo Alves da Bahia, em contraprestação. Em todos os casos o Cheiro é Fétido. Vão logo achar muito mais, agora tem o fuzil e uma pistola.

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