Onde estavam as Forças Armadas quando os indígenas mais precisaram?

Soldado Indígena

Tiago Pedreiro de Lima
Diante das notícias a respeito das péssimas condições de saúde dos Yanomami, alguns se perguntam se as Forças Armadas, em particular o Exército, deixaram de apoiar aquela comunidade. Então vamos fazer um pequeno recorte de algumas das atividades executadas pelos militares naquela região, apenas no ano passado.

Exército Brasileiro

  • Nos dias 16 e 17 de maio, 100 militares do Comando de Fronteira Roraima (7° Batalhão de Infantaria de Selva) participaram da campanha de doação de sangue “Ajudar está no nosso sangue”, instituída pelo Exército Brasileiro. A ação voluntária arrecadou cerca de 50 litros de sangue, beneficiando mais de 300 pessoas e contribuindo para a manutenção do estoque de sangue do Hemocentro de Roraima.
  • No dia 19 de maio, o 5º Pelotão Especial de Fronteira (na localidade Auaris) realizou uma Ação Cívico-Social (ACISO) na comunidade indígena Yekwana. Durante a atividade, foram oferecidas consultas médicas, medicamentos para tratamento de doenças e infecções, além de ter sido ministrada uma palestra sobre higiene bucal e conduzida uma prática de escovação dentária.
  • No dia 11 de junho, o 4° Pelotão Especial de Fronteira (na localidade de Surucucu) realizou uma ACISO, desta vez na comunidade indígena Yanomami. Além de consultas médica e odontológica, foram distribuídos kits para escovação e alimentos.
  • No dia 2 de dezembro, uma vida foi salva com o apoio do 4° Pelotão Especial de Fronteira em Surucucu. Um indígena Yanomami de 60 anos chegou ao posto de saúde com desnutrição grave, diarreia e sinais de AVC. Os enfermeiros solicitaram apoio ao Exército, que conduziu o indígena às instalações do Pelotão, onde o paciente foi entubado, estabilizado e evacuado para o Hospital de Boa Vista por meio aéreo.
  • Já em 2023, no dia 25 de janeiro, médicos do Exército ajudaram a salvar mais duas vidas na reserva indígena Yanomami. Um menino de 3 anos e uma menina de apenas 6 meses de vida. São décadas de trabalho e dezenas de vidas salvas.

Importante ressaltar que os trabalhos do Exército só são possíveis com o apoio da Força Aérea Brasileira, uma vez que muitas dessas localidades estão virtualmente isoladas. Inclusive, a localidade de Surucucu encontra-se com a pista de pouso do aeródromo que atende o 4º Pelotão Especial de Fronteira sem condições de receber aeronaves maiores. A Comissão de Aeroportos da Região Amazônica (COMARA), da Força Aérea Brasileira (FAB), vem realizando obras de recuperação, porém sofre com a falta de recursos orçamentários há anos.

Outro importantíssimo projeto de integração nacional conduzido pelo Exército Brasileiro é o “Amazônia Conectada“. Trata-se da instalação de quase 2 mil km de cabos de fibra ótica que levarão internet de alta velocidade para 52 localidades amazônicas, beneficiando 1,5 milhão de pessoas, principalmente ribeirinhos e indígenas. O projeto já permitiu que o Instituto Vitória Régia – presente em dez cidades do interior do Amazonas – levasse serviços de telemedicina, inclusive com consultas realizadas por médicos do Hospital Albert Einstein, diretamente de São Paulo.

Operação Gota

A Operação Gota é uma iniciativa interministerial envolvendo as pastas da Defesa e da Saúde para imunizar parte da população brasileira localizada em áreas de difícil acesso. Ela teve início no ano de 1993, atuando apenas no estado do Amazonas, após notificação de surtos de sarampo em populações indígenas da região do Rio Juruá. Atualmente, já bastante consolidado, a operação atende também os estados do Acre, Amapá e Pará. As bases de apoio situam-se nas regiões do Alto Rio Negro, Médio Solimões, Chaves, Amapá, Vale do Juruá e Baixo Acre, Alto do Rio Juruá, Alto Rio Purus, Oriximiná e Médio Rio Purus.

Em cada missão, são disponibilizadas 20 vacinas, que integram o Calendário Nacional do Programa Nacional de Imunizações, na prevenção de doenças como sarampo, rubéola, caxumba, difteria, tétano, coqueluche, formas graves de tuberculose (meníngea e miliar), hepatite A, hepatite B, poliomielite, diarreia por rotavírus, Haemophilus influenzae B, pneumonias e meningites causadas por pneumococos, meningite meningocócica tipo C, meningite meningocócica tipo ACWY, febre amarela, varicela e influenza, além de Papilomavírus Humano 6, 11, 16 e 18 (recombinante).

  • Entre 22 de março e 5 de abril, foi dado início a mais uma fase da Operação Gota, na região do Vale do Javari, no Amazonas. Realizada sob responsabilidade da Coordenação Geral do Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, mas com o suporte logístico de 170 militares da FAB e três modelos de aeronaves: H-60 Black Hawk, C-105 Amazonas e C-98 Caravan.
  • Em 18 de maio, iniciou a 3ª Fase da Operação. Foram mais de 9 mil doses de vacinas aplicadas em mais de 5 mil pessoas em cinco municípios e 47 aldeias.

Operação Ágata

Além da “Mão Amiga” estendida à população carente da Amazônia, incluindo as comunidades indígenas, as Forças Armadas usaram seu “Braço Forte” contra as organizações criminosas que atuam nas regiões de fronteiras nos estados do Amazonas e de Roraima. Em março de 2022, foi deflagrada a Operação Ágata Conjunta, a qual contou com cerca de 1,5 mil militares das três Forças e a participação da Polícia Federal, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas.

A Ágata é uma operação desenvolvida, ao longo do ano, em diferentes estados e períodos, por apenas uma Força Singular ou por todas em conjunto. A Ágata Conjunta é a primeira de 2022 com a participação das três Forças Armadas. Além das atividades de combate ao crime, as tropas atuam na assistência social aos povos ribeirinhos da região, prestando atendimentos médico e odontológico em Navio de Assistência Hospitalar, recuperando instalações públicas e ministrando palestras educativas e preventivas de saúde.

Conclusão

Devido às dimensões continentais do Brasil, o Estado encontra dificuldade de se fazer presente em todos os cantos do país de forma constante. Por isso, e devido à capilaridade em todo o território nacional, as Forças Armadas em geral, e o Exército em particular, são convocadas para prestar apoio a atividades que não são afetas à sua missão constitucional de Defesa Nacional.

É importante que o cidadão brasileiro tenha consciência de que as Forças Armadas, apesar de contribuir diuturnamente nas mais diversas ações sociais, elas não possuem estrutura, preparo nem orçamento compatíveis com tais atribuições. O protagonismo involuntário dos militares pelo apoio aos brasileiros –todos eles, indígenas ou não – não pode se transformar em responsabilização quando algum serviço de outro Órgão do Estado brasileiro deixa a desejar.

Fontes: Exército BrasileiroMarinha do BrasilMinistério da Defesa e FAB.

Hoje no MUNDO MILITAR/montedo.com

Respostas de 9

  1. fico triste em ver nossas Forças Armadas, apesar de toda a historia de assistencia a ribeirinhos, indigenas, catastrofes sejam lembrados pela lambança de comandantes inocuos, sem voz, sem pulso e preocupados apenas em oferecer condecoraçoes a politicos. somos muito mais que “sanguesugas” do estado, somos sim o “sangue que falta ao Estado”, quando ocorrem tragedias chamam os militares, nao fazemos mais que obrigaçao nosso serviço mas tem gente que nem isso faz, apesar de receber vultosos salarios e beneficios. vamos acordar antes que o pais se encaminhe para o buraco do ostracismo

  2. Onde estavam as Forças Armadas quando os indígenas mais precisaram?

    Os indígenas do Brasil ou os da venezuela que estavam desamparados e fugiram para o Brasil.
    Mas ?
    Interdição do espaço aéreo.
    erradicação do garimpo ( em 95/96 houve a operação selva livres) e agora??
    Retirada dos arrozeiros.
    Aglomeração de indígenas na periferia de Boa Vista.
    Volta de ONGs
    Realmente onde estão as FFAA?
    Com um arcabouço enorme e estão caladas.

  3. Já andei durante dias na floresta vacinando indígenas Yanomami, peguei malária (ou ele me pegou), disenteria severa, ajudei a socorrer picada de cobra, auxiliei em cirurgia feita de madrugada, com uso de lanterna e sem anestesia …. apenas dias comuns em um destacamento…

  4. Estão socorrendo os venezuelanos (indígenas), que o regime de maduro está matando de fome. O povo não se deixa enganar por reportagens como essa.

    1. Você estava lá para constatar isso ou é mais um tiozão do whatsapp?

      Se ainda tens dúvidas sobre o tamanho do dano ambiental e humanos naquelas terras, você não viria taxar aquele povo originário de venezuelano.

  5. Tem um órgão civil, que recebe muita grana para cuidar dos índios, chamada FUNAI. É a ela que se deve cobrar. Agora virou moda no Brasil, tudo que tem problema po~e na conta dos milicos.

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