“Vocês não vão prender gente aqui”, teria dito o comandante do Exército a Flávio Dino

The Washington Post

Militares do Brasil bloquearam prisões de manifestantes de Bolsonaro, dizem autoridades

Anthony Faiola, Samantha Schmidte Marina Dias
BRASÍLIA – Enquanto as forças de segurança retiravam os apoiadores do ex-presidente derrotado Jair Bolsonaro do Congresso, Palácio Presidencial e Supremo Tribunal Federal no último domingo, os insurgentes se retiraram para um lugar que fizeram de seu santuário: o gramado do lado de fora do quartel-general nacional do Exército.
Os bolsonaristas estavam acampados no amplo espaço verde desde a derrota do líder de direita nas eleições de outubro para Luiz Inácio Lula da Silva. Eles, como o próprio Bolsonaro, se recusaram a reconhecer a vitória de Lula, mesmo depois que o esquerdista foi empossado em 1º de janeiro. Durante semanas, eles convocaram os militares a dar um golpe para manter Bolsonaro no poder.
Era uma ideia que observadores dentro e fora do Brasil consideravam absurda. Mas quando altos funcionários do governo Lula chegaram ao quartel-general do Exército na noite de domingo com o objetivo de garantir a detenção de insurgentes no acampamento, eles se depararam com tanques e três linhas de militares.
“Vocês não vão prender gente aqui”, disse o comandante do Exército brasileiro, general Júlio César de Arruda, ao novo ministro da Justiça, Flávio Dino, segundo duas autoridades presentes.


Esse ato de proteção, que funcionários do governo Lula dizem ter dado a centenas de insurgentes tempo para escapar da prisão, é uma das várias indicações de um padrão preocupante que as autoridades estão investigando agora como prova de suposto conluio entre militares e policiais e os milhares de manifestantes que invadiram as instituições no coração da jovem democracia brasileira.
Essas indicações também incluem uma mudança no plano de segurança antes que os rebeldes se reunissem em frente aos prédios federais no domingo, inação e confraternização da polícia quando eles começaram a entrar nos prédios e a presença de um oficial superior da polícia militar que havia dito aos superiores que estava em período de férias.
Este artigo, baseado em entrevistas com mais de 20 altos funcionários do governo Lula e do Judiciário, organizadores de protestos, participantes, mineradores de dados e outros, inclui detalhes não relatados anteriormente sobre o ataque de cinco horas que abalou o maior país da América Latina, com ecos do atentado de 1º de janeiro . 6 , 2021, ataque ao Capitólio dos EUA.
O comando militar do Brasil não respondeu a um pedido de comentário.
As autoridades também estão trabalhando para identificar os autores das mensagens nas redes sociais convocando a manifestação de domingo e os doadores que financiaram os ônibus para levar os participantes à capital.
Antes de domingo, os militares haviam impedido duas vezes as autoridades de desocupar o acampamento bolsonarista, segundo declarações do coronel Fábio Augusto Vieira, ex-comandante da Polícia Militar do Distrito Federal de Brasília, fornecidas ao The Washington Post. Vieira foi detido por falhas de segurança durante os distúrbios.
Os insurgentes arrasaram os prédios modernistas do governo da Praça dos Três Poderes em Brasília, quebrando vidros, destruindo móveis, cortando quadros e roubando armas, documentos e outros troféus. O plano deles, acreditam os funcionários do governo, era acionar uma lei que permitiria aos militares restaurar a ordem na capital.
A investigação envolveu também uma figura-chave do governo Bolsonaro: Anderson Torres, chefe da segurança de Brasília na época da insurreição e ministro da Justiça de Bolsonaro. Após o motim, as autoridades encontraram um projeto de decreto na casa de Torres declarando “estado de defesa” para anular a Justiça Eleitoral do Brasil e anular a vitória eleitoral de Lula. Os investigadores dizem acreditar que foi escrito entre 13 e 31 de dezembro, quando Bolsonaro ainda era presidente.
Torres, que estava na Flórida durante a insurreição, não contestou a autenticidade do documento, mas disse que era para a lixeira. Ele negou qualquer ligação com os distúrbios. Torres voltou ao Brasil na manhã de sábado e foi preso na hora.
The Washington Post/montedo.com

27 respostas

  1. O Exército está se dividindo cada vez mais

    O que o povo vê é só a aparência

    Basta um estopim

    Generais não terão poder nenhum muito em breve

    1. Foi ensinado nas décadas vividas na Caserna o não envolvimento em política. Também, a preservação do nome, do respeito, da Imagem e da tradição de nossa Instituição.
      Diversos militares (praças) punidos, transferidos e preteridos em promoções por serem candidatos ou supostamente se envolverem com associações na época criadas.
      Na minha terceira idade ainda busco honrar a Instituição em que vivi, procurando viver com dignidade e buscando respeitar as leis da sociedade em que vivemos.
      Espero que nossa Instituição se reerga depois de tantos agressões que, infelizmente, Conta com a contribuição de irmãos de farda, pois o EB É uma Instituição de estado e não de governo.
      Sou e sempre serei até os últimos dias verde-oliva!

  2. Parte podre entre os militares estão dando vergonha ao nosso país. Recuperem a instituição enquanto e tempo. Exército é instituição de estado e não partidária.

  3. A apresentação do Fantástico de hoje à noite é devastadora para o Exército Brasileiro, para o ex-comandante General Freire Gomes, e todo o Alto Comando. Todos os generais que apoiaram ou permitiram a presença de acampamentos nos quartéis deveriam ser responsabilizados. Se tiverem um pouco de vergonha na cara, amanhã pedem reserva. Comprometeram a imagem do Exército para os próximos 20 anos no mínimo. Ajudaram e permitiram a criação de uma célula terrorista em frente ao QG. Cadê os arapongas do CIEx tão eficiente em saber se o militar esta trocando de carro, fazendo um bico para melhorar o soldo, e não conseguem identificar uma célula terrorista há 500m do quartel.

      1. Bolsonaro nunca deu bola pro praça e mesmo assim o pessoal ainda baba ovo pra ele kkkk.
        Só o fato do Lula não aumentar o interstício já tá bom.

  4. Caramba, matéria do Post ?
    Foi o que restou, visto que até o Estadão e a Foice de San Pablo já começaram a se descolar do Lulladrão. É preciso que alguém informe ao Post que vídeos e mais Vídeos circulam e mostram pessoas já Aguardando dentro dos prédios, ansiosas para iniciar o vandalismo. Quem as colocou lá ? Seria muito bom informar também a eles que o Dino e o Lullarápio já haviam sido previamente informados pela ABIN sobre a infiltração de células de baderneiros se dirigindo a Brasília no meio dos manifestantes. Existe ainda um vídeo do Dino que, de forma inacreditável, relata que viu da janela do ministério, onde se encontrava em pleno domingo, a multidão descendo na direção da praça dos três poderes e simplesmente puxou a cortina e foi se informar de tudo pela GLOBOLIXO. É para finalizar esse roteiro de absurdos, por que, tendo tanta gente pra prender na Praça dos três poderes, eles levaram cem ônibus, aproximadamente, para as proximidades do QG e arrastaram idosos, mulheres e crianças que lá já estavam e não desceram para participar da manifestação ? Acho que Dino e Lulladrão já perceberam que podem já estar no meio dessa confusão e que o melhor é sair de fininho, acender a churrasqueira com o “Pasquim Americano” e cair dentro daquela picanha com farofa acompanhada de uma maravilhosa cervejinha. Os dogs do Brasil que se cuidem porque quando a picanha acabar, sei não…em um certo país da sonhada e desejada América Bolivaria Democrata do Sul, O Peru foi todo assado antes mesmo do Natal chegar.

  5. O golpe tem apoio internacional, narrativas colonialistas do tipo inquisitorial da santa inquisição, como se não houvesse outras fontes de informação e as evidencias dos fatos

  6. Nem que o comandate, após fazer a limpa, vire um Tenente Coronel, não importa, tem de fazer uma limpa em todos prevaricadores que apoiaram a tentativa de golpe.
    Esse país tem de ser passado a limpo. não pode ser tratado como uma ripubliqueta de quinta categoria.
    Chega, a punição é fundamental para limpar essa sujeira que esses militares nos metaram.

  7. O comandante disse isso ao DINOJENTO porque leu na testa dele que o prazo de validade já estava vencido. Já sabe que o comuna vai cair de podre.

  8. Bolsonaro cantaminou nosso As Fôrças Armadas, tenho orgulho de pertencer ao Exército Brasileiro ,Servi 30 anos na caserna, e o Exército sempre foi respeitado, Depois que muitos Militares se meteram em Politica, deu Nisso, estamos perdendo o respito pela população Brasileira,, Militar tem que ser focado para à guerra, treinar e defender à Pátria, não se meter em politicas, deixa isso para os politicos,. já na reserva, sempre amei o Verde Oliva,sejamos Prudentos meus amigos de farda, nossa missão é outra , não é a politica, Deus Seja Louvado

  9. Apenas nossos chefes canalizaram suas ambições misturadas com a vaidade. è claro que ninguém abriga sob suas asas sem minimamente procurar saber de quem se tratavam e o que queriam. não só foram coniventes, mas também tomaram parte desde o início de todo este processo que, por um mero acaso, ainda não resultou em mortes. E agora vão encarar a tropa como? Fazendo uma nota em nome do “Exército de Caxias”? Ou apertando a tropa como forma de esconder o que todos já sabem? quem sabe mais 100 anos de sigilo?

  10. Fico feliz em ver que são muito poucos os comentários de alucinados apoiadores de golpistas, como avisei em outro post tem muita vaga na Papuda e em Bangu 1 pra essa gente. O meu Exército não é lugar de facistas e terroristas.

    1. As FFAA ainda tem solução, pois são poucos os contaminados. Só Extirpar essas partes podres do organismo que ele volta a funcionar.

  11. Cinquenta e oito bravos policiais do Senado resistiram bravamente a horda de terrorista, ai eu pergunto, onde estava a guarda do Palácio do Planalto?

    1. Treinando pra formatura.

      A justiça chegará a todos que prevaricaram.
      Para o civil, cabo e general sao a mesma coisa. Sao gente que usa umas roupas verdes engraçadas.
      O exercito tera que se reconstruir. Reconstruir a imagem com as pessoas que ficarem, pessoas que entendam que exercito e politica sao agua e oleo.

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