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Ricardo Montedo

O ministro da Defesa, Braga Netto, e o presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto — Foto: Alan Santos/PR

É fácil entender as razões da preferência de Bolsonaro por Braga Netto como seu vice na chapa para as eleições de outubro.
Não sem motivo, o general é considerado pelo “mito” como um auxiliar tão fiel quanto servil. No episódio da demissão de seu antecessor, Fernando Azevedo e Silva, o atual titular da Defesa demonstrou que está pronto a abrir mão de valores sagrados da caserna para agradar o chefe.
A manobra de Bolsonaro teve como objetivo real remover o general Leal Pujol do comando do Exército. Pujol – todos lembram – optou por cumprir sua obrigação e obedecer a Constituição, desagradando o Presidente, que teimava em tentar colocar as Forças Armadas no centro do cenário político, acenando com um hipotético golpe militar.
Entre ser leal ao amigo de quarenta anos ou ser cúmplice da tramoia palaciana, Braga Netto não hesitou: assumiu a vaga de Fernando na Defesa e, por ser mais moderno que os mesmos, provocou a queda dos comandantes militares, entre eles Pujol.
Além da fidelidade ao chefe, Braga Netto tem outra “qualidade”: é totalmente desprovido de brilho próprio, ao contrário de Mourão. Com ele, Bolsonaro não correrá o menor risco de assistir seu vice assumir um protagonismo que – em sua ótica paranoica – possa representar uma ameaça ao seu cargo.
Por outro lado, a lógica bolsonarista é de que, mantendo um estrelado como vice-presidente, mesmo que não acrescente um mísero voto à campanha de reeleição, isso pode funcionar como um escudo para qualquer tentativa de cassação, na hipótese de um segundo mandato.
Resta saber se Valdemar Costa Neto e o centrão concordarão em abrir mão dos votos que um vice com peso político pode agregar, à pretexto de de serenar o delírio persecutório que assombra o ‘mito’ desde seu primeiro dia de mandato.

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