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Josias de Souza
Sob Bolsonaro, general virou generalidade. Presidente, divindade. Protegido pelo voto, Hamilton Mourão livrou-se da caneta. Mas foi açoitado pela língua do inquilino do Planalto. Bolsonaro já declarou que o vice “por vezes atrapalha.” Comparou-o a um cunhado: “Você casa e tem que aturar, não pode mandar embora”.
Ao se lançar como candidato ao Senado pelo Republicanos do Rio Grande do Sul, Mourão respondeu às usuais humilhações com uma inquebrantável submissão: “O presidente Bolsonaro sabe que tem toda a minha lealdade e apoio irrestrito ao seu projeto de reeleição.”
Inicialmente, Mourão pediria votos no Rio de Janeiro, onde as pesquisas lhe sorriam. Foi empurrado pelo bolsonarismo para a arena gaúcha. Ali, terá de ralar uma disputa encrespada —à direita, enxerga a ex-senadora Ana Amélia (PSD); à esquerda, a ex-deputada Manuela D’Ávila.
Mourão deve enganchar suas pretensões políticas na caravana do candidato a governador Onyx Lorenzoni, um político que considera precário. Sujeita-se a arranjos que preferia evitar no pressuposto de que arrastará para o seu cesto os votos do bolsonarismo.
Ao sentar praça no Republicanos, Mourão declarou: “Ainda não chegou o momento de encerrar minha participação na vida política no país. Cada século tem sua crise, e este século 21 não foge deste aforismo.”
Ainda não se sabe se Mourão fará história. Mas já é possível notar o que a história fez dele. Desce ao verbete da enciclopédia como primeiro general da história a ajoelhar diante de um capitão. Não é um capitão qualquer. Foi definido pelo ex-presidente Ernesto Geisel como um “mau militar.” Deixou o Exército pela porta dos fundos.
UOL/montedo.com

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