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Relatório alarmista do Pentágono deve embasar revisão da doutrina de Biden para o setor

Igor Gielow
SÃO PAULO

Novo relatório do Pentágono afirma que a China está acelerando seu programa de armas nucleares mais rapidamente do que o previsto e que Pequim poderá ter o dobro de seu atual arsenal em 2027.
Os achados, que obviamente precisam ser lidos sob a ótica do acirramento da Guerra Fria 2.0 no governo de Joe Biden, estão na avaliação anual das capacidades militares chinesas feita pelo Departamento de Defesa, publicada nesta quarta (3).
O texto diz que, em 2030, a ditadura comunista poderá ter mil ogivas nucleares à disposição, um salto enorme ante os 350 que deve ter agora.
O verbo é condicional porque ninguém sabe quantas bombas estão à disposição de Xi Jinping. Mesmo o Pentágono não faz a conta das 350: ela é da referencial Federação dos Cientistas Americanos, em sua avaliação atualizada em 7 de outubro.
Na mesma comparação, considerada o padrão-ouro para pesquisadores do tema, os chineses têm crescido o número de ogivas, mas ainda estão muito distantes dos herdeiros da corrida armamentista da Guerra Fria, EUA e Rússia.
Vladimir Putin tem sob seu dedo o botão de disparo de 1.600 armas de pronto uso, mais 2.897 em reserva e 1.760 que foram aposentadas mas ainda não desativadas.
Na mesma métrica, vêm numericamente atrás os EUA com 1.750 bombas operacionais, 1.950 estocadas e 1.900 esperando para serem desmanteladas. Já armas chinesas, nessa avaliação, estão em reserva —ou seja, não equipam mísseis ou estão a bordo de bombardeiros de forma imediata.
Mesmo sem especificar sua avaliação do arsenal chinês, o relatório igualmente alarmista do Pentágono falava no ano passado que ele estaria “nos 200 baixos”.
Que a China está robustecendo sua musculatura, há poucas dúvidas. O país tem testado novas formas de entregar as ogivas aos alvos, como os polêmicos testes de mísseis hipersônicos que tenta negar ter feito indicam.
Estudos recentes mostraram a construção de uma nova rede de infraestrutura de silos para o lançamento de mísseis intercontinentais, os temidos ICBMs, e Pequim já tem operacionais submarinos e bombardeiros com capacidade de lançar artefatos atômicos.
Com isso, ao lado de americanos, russos e indianos, os chineses dominam a chamada tríade nuclear. Trata-se da capacidade de empregar suas bombas de plataformas distintas, aumentando a possibilidade de ataques retaliatórios.
Rússia e EUA são maiores potênciasComo seus sócios do clube atômico, uns mais e outros menos incisivos, Pequim nega que abandonará a regra de nunca atacar primeiro com a bomba. As manifestações mais recentes sobre o tema nem sequer admitem um arsenal além do mínimo necessário para garantir dissuasão.
“Os conceitos e capacidades em evolução do Exército de Libertação Popular continuam a fortalecer a habilidade de ‘lutar e ganhar guerras’ contra um ‘inimigo forte’ —um provável eufemismo para os EUA”, diz o texto americano.
FOLHA/montedo.com

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