Escolha uma Página

Paulo Ricardo da Rocha Paiva*
A nossa Força Terrestre nasceu no longínquo ano de 1648, no dia 19 de abril, uma data memorável quando brancos, negros e índios infligiram derrota decisiva ao invasor holandês. Nunca teve donos, mas, sim, comandantes que sempre colocaram o Brasil acima de tudo, abominando sempre toda e qualquer cooptação de cunho político desde tempos imemoriais. Sua imagem, por isso mesmo, foi é e sempre será para a nacionalidade a de uma Instituição sagrada na qual são depositadas todas as esperanças de um povo crédulo e magnânimo. Essa é a crença que move a esmagadora maioria do seu efetivo, desde o soldado ao general, seja na ativa, seja na reserva. Falo daqueles irmãos em armas, verdadeiros camaradas que jamais aceitariam o comando exercido por uma liderança equivocada, desequilibrada e inconsequente. A recente atitude de quatro oficiais-generais deixou exemplos.

Esta massa verde oliva, hoje, mais do que nunca, está precisando convencer e se impor a uma minoria de companheiros que passou a acreditar que um governante possa se constituir em único ser vivente deste País capaz de nos proteger contra as hostes vermelhas na presente conjuntura. É de se lamentar que se tenha chegado a tal ponto extremo de descrença em nossos comandantes com “quatro estrelas”, todos, quer queiram ou não, os maiores representantes de um Poder Moderador, este que sempre foi depositário da “ultima ratio regis” dos brasileiros e brasileiras nos momentos mais cruciantes de nossa História. É simplesmente assustador! Como se pode apostar todas as fichas em apenas um político de ambição desmedida, quando este somente tem trazido inquietação, extremismo e discórdia, tanto à população civil assim como, também, no seio das fileiras, inclusive da MB e da FAB.

Não, não podemos nos deixar subjugar pelos extremismos doentios, seja ele de que matiz for. Partidos políticos da mais baixa estirpe, caudilhos modernos, preconceitos odientos, não podemos aceitar estas viroses. Só faltava essa agora de “meu Exército”, uma falácia arrogante, digna de “centurião de guarda pretoriana”. O Exército do “Duque glorioso e sagrado” não merece esse destino miliciano, essa verdadeira panaceia que se está a armar para uma Instituição engrandecida por chefes como o Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco. Pressintam, está a se usar a Força como objeto de pressão, como ameaça para ganhos políticos nada republicanos, não importando sua desfiguração, fato do qual se aproveita a mídia contrária para o desgaste e mudança da cabeça da opinião pública.

Atenção! Alerta! Perigo! Nunca nesta “TERRA BRASILIS” nosso “grande mudo” foi alvo de tanto desgaste pelos meios midiáticos. Já houve tempo em que merecíamos mais respeito. Agora! Mais do que nunca! Depois deste desgaste provocado pela não aplicação imediata do RDE, em cabal e justa punição que se esperava, ao alto comando terrestre se impõe a percepção de que é chegado o seu limite creditício. Mais um passo em falso na imposição da disciplina e um “líder às avessas” vai exigir um juramento em público de fidelidade como o ocorrido na Alemanha em 1934
*Coronel de infantaria e Estado-Maior

Skip to content