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O ministro-chefe da Secretaria de Governo e general da ativa, Luiz Eduardo Ramos, manifestou indignação com a matéria publicada nesta terça-feira(26) pelo jornal O Estado de São Paulo, sob o título “Ministros militares agora negociam cargos com o Centrão“.
Assinado por Jussara Soares, o texto afirma que, embora com a participação eventual do chefe da Casa Civil, general Braga Neto, cabem a Ramos as negociações com o bloco político que estaria sendo chamado em Brasília de “Centrão Verde-Oliva”. A ala militar, lembra o texto, já foi muito dura nas críticas ao bloco. Em julho de 2018, o general Augusto Heleno classificou o “Centrão” como “a materialização da impunidade”. O grupo agora entra no governo de mãos dadas com a ala militar e avança sobre cargos do Executivo em troca do apoio ao presidente, que tenta evitar a abertura de um processo de impeachment, diz a matéria.
Lembrando que o papel que hoje cabe a Ramos já foi exercido por políticos como Geddel Vieira Lima, Antonio Palocci e José Dirceu, nos governos de Temer, Dilma e Lula, respectivamente, a jornalista cita supostos relatos de políticos de que “não há constrangimentos ou senhas para a oferta de cargos”. O ministro conduziria o assunto e apresentaria uma lista de postos nos Estados para o convidado escolher. “Não fica nem vermelho”, teria confidenciado um deputado ao Estadão.
Entre militares, existiria desconforto em ver generais envolvidos diretamente na articulação política, mas argumentam que seguem a disciplina das Forças Armadas e cumprem ordens do comandante, no caso o presidente Bolsonaro, diz a matéria.

O general reage
Em nota dirigida a seus colegas de formação da Turma Juarez Távora(AMAN/1979), Ramos defende a necessidade da formação de uma “Base Governamental” e afirma: “Não existe corrupção nesse governo”. Leia o texto publicado pelo general:

Prezados amigos, da Turma Marechal Juarez Távora
Em face da matéria publicada hoje no jornal O Estado de São Paulo, esclareço o seguinte:
Sou soldado, discípulo de Caxias! Não sou e nunca fui político!
Soldado não escolhe missão, ele a recebe e a cumpre! Fui convocado pelo Presidente da República para a missão de Ministro e, autorizado pelo Comandante do Exército, dei início a minha tarefa, que pretendo cumprir, como tenho feito há 46 anos, ao longo de minha carreira! Como em qualquer missão, o terreno e as forças adversas são condicionantes que temos que superar e assim o farei.
Os valores sob os quais fui forjado em nossa Academia Militar estão entranhados em minha alma e moldaram meu espírito. Jamais os trairei, como jamais trairei o nosso Exército Brasileiro! A imprensa ideológica parcial é nociva e buscará a todo custo denegrir a imagem das Forças Armadas, como tem feito ao longo de nossa história.
Não acreditem nas falácias diárias que tentam nos abater o moral. Não existe corrupção nesse governo!
A formação de uma Base Governamental é necessária para a aprovação dos inúmeros projetos clamados pela sociedade e é parte importante da minha missão, que será cumprida! Por mim não passa nada que não seja republicano, legal e ético! Por isso tenho sido alvo de constantes ataques.
A substituição de funcionários de governos anteriores (de partidos que não apoiam os projetos) por funcionários da Base (que apoiam os projetos) é um movimento natural e previsto. Nenhuma nomeação (sob minha responsabilidade) ocorre fora dos critérios técnicos (capacitação profissional) previstos em decreto presidencial e após intensa pesquisa da vida pregressa do indicado, sob aspectos morais, jurídicos e político-ideológicos, realizada pelo SINC (Sistema Integrado de Nomeações e Consultas).
Peço que o Exército confie em mim, como sempre confiou até a promoção ao último posto da carreira. Não decepcionarei meus companheiros de farda e não permitirei que maculem a imagem de nossa Força. Repudio veementemente a parcela do jornalismo brasileiro que se esquece dos princípios básicos de se narrar um fato com imparcialidade e usam suas armas, covardemente, para ferirem o pundonor e a honra militar de forma inconsequente e leviana.
É pelo respeito que tenho ao meu Exército que estou divulgando essa mensagem para esclarecer a verdade! Acredito ser um homem de coragem e me orgulho disso, por isso não temo em ser atacado diuturnamente, isso faz parte do combate, somos profissionais da guerra, formados para isso, mas não vou aceitar que me usem para atacar minha amada instituição!
Senhores, estou aqui pelo Brasil! Achei que essa missão seria cumprida e eu pudesse retornar para minha farda ainda este ano, mas a guerra continua e não tem data para o armistício, e não posso abandonar minha posição. Meus irmãos de farda, preciso continuar, pelo Governo, pela Sociedade e pelo Brasil, e dar minha contribuição de cidadão como Ministro, mas manterei sempre acesa a chama de minha alma de soldado.
Jurei dedicar-me inteiramente ao serviço da pátria e defender sua honra, integridade e instituições. Assim o farei! Que Deus continue nos dando a coragem, a força e a fé! Brasil acima de tudo! (Gen Ramos)

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