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Jovem que matou militar dentro do Mallet passa a ser réu
Juiz aceitou denúncia do Ministério Público Militar nesta terça-feira e decretou prisão preventiva de soldado que matou colega com tiro de fuzil
Jovem que matou militar dentro do Mallet passa a ser réu Jean Pimentel/Agência RBS
Foto: Jean Pimentel / Agência RBS
Lizie Antonello
O juiz auditor Celso Celidonio da 3ª Auditoria Militar Federal em Santa Maria aceitou, na manhã desta terça-feira, a denúncia do Ministério Público Militar contra o jovem que matou um soldado dentro do Regimento Mallet no dia 6 deste mês.
A partir de agora, o soldado que disparou o tiro de fuzil que matou Roger Lazaretti Rodrigues, 18 anos, passa a responder processo criminal na Justiça Militar Federal por homicídio doloso (quando há a intenção de matar) triplamente qualificado.
O magistrado também decretou a prisão preventiva do acusado. Ele foi preso em flagrante no dia do crime e permanece recluso em uma cela do Regimento Mallet.
A denúncia do MP foi encaminhada à Justiça na última quinta-feira e aguardava a análise e parecer do juiz, o que ocorreu nesta manhã.
Soldado teria matado o colega porque ele teria negado um cigarro
O soldado Raziel dos Santos, 18 anos, teria matado o colega Roger Lazaretti Rodrigues, da mesma idade, por causa de um cigarro, diz a denúncia do Ministério Público Militar. Santos responde processo por homicídio doloso qualificado por motivo fútil, por dificultar a defesa da vítima e por estar em serviço e utilizar-se disso no momento do crime.
Ambos os jovens cumpriam serviço militar obrigatório no Regimento Mallet, em Santa Maria, desde março deste ano. Eles faziam trabalho de sentinelas, guardas no quartel. Conforme a denúncia, no dia 6 deste mês, Santos teria entrado de serviço, por volta das 10h30min, pego o armamento no Corpo da Guarda _ os militares usam armas e munição real para a atividade _ e ido até o alojamento onde Rodrigues se preparava para ir embora _ ele estava saindo de serviço.
Ainda segundo a denúncia, Santos teria se aproximado e pedido um cigarro a Rodrigues, que teria negado. Santos teria insistido e, diante de nova negativa do colega, Santos teria destravado o fuzil e atirado contra a cabeça de Rodrigues.
A denúncia do Ministério Público Militar teve como base procedimento realizado pelo Exército, que ouviu três testemunhas que presenciaram o fato, além do próprio autor do disparo.

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Defesa sustenta que disparo que matou soldado no quartel foi acidental
Para a defesa de Raziel dos Santos […] o disparo foi um acidente. Ambos cumpriam serviço militar obrigatório no quartel desde março deste ano.Santos é defendido por advogado da Defensoria Pública da União, que já encaminhou pedido de liberdade provisória à Justiça Militar Federal em Santa Maria. A solicitação será analisada no dia 15 de dezembro, quando ocorrerá a primeira audiência do caso. Neste mesmo dia, o réu será interrogado. 
Entre esta terça e a quarta-feira, o defensor público federal José Luiz Kaltbach Lemos encaminhará pedido de habeas corpus ao Superior Tribunal Militar para que Santos responda ao processo em liberdade:
_ Foi um infeliz acidente. O Ministério Público está cumprindo a obrigação dele em fazer a denúncia nos termos em que ela foi feita. Vou entrar com o habeas corpus porque não entendo que exista nenhuma razão para o rapaz responder a esse processo preso. Ele não oferece perigo para ninguém. A tese da defesa e a tese da acusação serão esclarecidas durante o processo.
Caso o pedido do defensor público seja aceito pela Justiça, a liberdade pode se dar de duas formas: ou o réu fica totalmente livre para fazer as suas atividades e ir para a casa normalmente ou o réu trabalha durante o dia e passa a noite em uma cela em uma unidade militar.
Segundo o defensor, em uma longa conversa no último sábado, Santos relatou o que teria ocorrido naquele dia. Disse ao defensor que “era amigo da vítima e que, em nenhum momento, teve a intenção alguma de ferir, muito menos de matar o outro rapaz.” A defesa se baseia nos relatos de Santos e nos depoimentos prestados pelas testemunhas do fato ao Exército.
_ Conversei com ele longamente, e o relato dele confere com o relato das testemunhas no sentido de que nada leva a crer que tenha havido nem a mais tênue intenção da parte dele de que aquilo ocorresse. Jamais ele teria pensado em dar o tiro, seja por causa de um cigarro, seja por outro motivo qualquer. Ele se reporta a uma espécie de ato falho na questão do tiro, que começou como uma brincadeira e aquilo fugiu do controle. Da parte dele, foi um acidente _ diz o defensor.
DIÁRIO de SANTA MARIA/montedo.com
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