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Atualização (27/12)
Estão abrigados no 54º BIS 143 indígenas, sendo 34 crianças, 6 idosos, 38 mulheres, algumas delas grávidas, e 65 homens. (com informações do site folha da Mangaba)
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Indígenas estão abrigados no 54º Batalhão de Infantaria de Selva (Foto: divulgação)



Um grupo de aproximadamente 130 indígenas está sob a proteção do Exército Brasileiro no município amazonense de Humaitá (a 675 km de Manaus).
Barco incendiado em protesto contra desaparecimentos é consumido pelo fogo em Humaitá

Leandro Prazeres
Do UOL, em Manaus
Familiares e amigos de desaparecidos em uma reserva indígena realizaram pelo segundo dia consecutivo manifestações pelas ruas do município amazonense de Humaitá (a 600 quilômetros de Manaus). O grupo ateou fogo na sede da Funai (Fundação Nacional do Índio), destruiu carros e casas. Os três desaparecidos foram vistos pela última vez no dia 16 de dezembro próximo a Terra Indígena Tenharim, no quilômetro 85 da BR-320 (a Transamazônica) Divulgação
O grupo buscou refúgio no quartel do 54. Batalhão de Infantaria de Selva (BIS) após mais de três mil pessoas terem realizado protestos contra os indígenas e queimado a sede da Funai no município na noite da última quarta-feira (25).
Os protestos em Humaitá começaram na tarde da última terça-feira (24), quando familiares dos desaparecidos interditaram o acesso a uma balsa que atravessa o rio Madeira, na orla de Humaitá. A situação se agravou na noite da última quarta-feira (25), quando um grupo de não-indígenas incendiou a sede da Funai, além de barcos e carros que prestam assistência aos índios.
O quebra-quebra teria sido uma resposta ao desaparecimento de três pessoas ocorrido dentro da Terra Indígena Tenharim, que abrange os municípios de Humaitá, Apuí e Manicoré e que é cortada pela rodovia BR 230, a Transamazônica.
De acordo com a Funai, os indígenas refugiados no quartel do Exército são de várias etnias e estavam na área urbana da cidade quando os protestos começaram. O órgão afirmou que deverá se enviar uma missão ao local para avaliar os estragos causados pelos protestos.
Ainda segundo a Funai, os indígenas estão recebendo assistência médica e alimentação fornecidas pelo Exército.
De acordo com o prefeito de Humaitá, José Cidenei Lobo do Nascimento, o grupo de indígenas ficou com medo da violência causada pelos manifestantes.
“Eles ficaram com medo e fugiram pra lá. Agora, a situação está mais calma, mas eles ainda devem estar com medo”, disse o prefeito.
A assessoria de comunicação do Comando Militar da Amazônia (CMA) confirmou a proteção oferecida aos indígenas, mas não comentou o assunto.
Tensão
A tensão na área do entorno da Terra Indígena Tenharim é antiga.
A TI é cortada pela rodovia Transamazônica, construída na década de 70. Há alguns anos, os índios instalaram um pedágio clandestino na estrada. Para os motoristas trafegarem pela rodovia, eles precisam pagar aos indígenas.
No início de dezembro, um cacique da tribo Tenharim foi encontrado morto. Os índios afirmam que ele teria sido atropelado por não-indígenas.
Em 16 de dezembro, três pessoas que estariam viajando pela rodovia dentro da área da Terra Indígena desapareceram. A Polícia Federal chegou a fazer buscas na área, mas ninguém foi encontrado. Familiares dos desaparecidos suspeitam que eles tenham sido mortos pelos indígenas por vingança pela morte do cacique.
Os prefeitos dos municípios abrangidos pela TI Tenharim (Humaitá, Apuí e Manicoré) estão em Porto Velho (capital de Rondônia) para uma reunião na superintendência da Polícia Federal.Eles querem uma intervenção da PF na região.
“Nós não podemos fazer muita coisa, porque toda essa confusão começou em uma área federal. Queremos que a PF intensifique o efetivo deles na região e possa dar uma solução para esse problema”, afirmou José Cidenei Lobo do Nascimento.
A Superintendência da PF em Porto Velho foi procurada pela reportagem do UOL e informou que uma nota oficial sobre o caso será enviada nas próximas horas. A Funai também anunciou que deverá enviar uma nota oficial sobre o assunto. (R. A.)
BOL Notícias/montedo.com
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