Marinha finaliza obra de estação brasileira provisória na Antártica

Construção foi necessária após incêndio destruir infraestrutura em 2012.
Módulos emergenciais vão abrigar 15 militares até novembro deste ano.
Módulos emergenciais foram construídos na Antártica para abrigar cientistas e militares (Foto: Divulgação/Marinha do Brasil)
Módulos emergenciais foram construídos na Antártica para abrigar cientistas e militares (Foto: Divulgação/Marinha do Brasil)
Eduardo Carvalho
A Marinha do Brasil finalizou na última semana de março a construção de um complexo provisório na Antártica que vai abrigar cientistas e militares na Estação Comandante Ferraz. Os chamados Módulos Antárticos Emergenciais (MAEs) substituem a infraestrutura destruída por um incêndio em fevereiro de 2012 que causou a morte de dois militares (veja fotos ao lado).
O início da construção foi acompanhado pelo G1, que acompanhou uma expedição da Marinha feita entre 03 e 12 de fevereiro rumo ao continente gelado. A viagem integrava a 31ª edição da Operação Antártica (Operantar).
Segundo a instituição, os módulos são compostos por seis dormitórios, uma enfermaria, uma cozinha, além de refeitório, escritório e um laboratório. Há ainda dois contêineres destinados para o tratamento de esgoto, três para geração e distribuição de energia e mais um para o fornecimento de água potável.
Direto da Antártica, o comandante Paulo César Galdino de Souza, chefe da Estação Comandante Ferraz, disse ao G1 por telefone que ele e mais um grupo de 14 militares já estão abrigados na construção, que foi finalizada em 25 de março.
Galdino está na estação desde novembro passado, quando foi iniciada a remoção dos destroços, e deve permanecer até novembro de 2013. Segundo a Marinha, foram retiradas cerca de 800 toneladas de material afetado pelo incêndio do ano passado, que foram trazidos ao Brasil pelo navio Germânia para ser descartados.
“Durante o tempo que ficarmos aqui, vamos fazer a manutenção dos módulos, monitorar a geração de energia, de água, e fazer parte da presença do Brasil na Antártica. Neste período [o chamado inverno antártico], nenhum navio virá aqui, já que o mar congela. Os suprimentos são lançados de paraquedas com a ajuda de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB)”, explicou o militar.
Imagem panorâmica da estação (clique aqui para ver imagem ampliada) (Foto: Divulgação/Marinha do Brasil)
Imagem panorâmica da estação (clique aqui para ver foto ampliada) (Foto: Divulgação/Marinha do Brasil)
Reconstrução
Entre novembro de 2012 e março de 2013, cerca de duzentos homens, sendo cem em terra, trabalharam diariamente no processo de desmontagem da antiga estação e construção do MAE. O conjunto de contêineres abrigará pesquisadores e militares por um período mínimo de cinco anos, até que saia do papel o projeto do novo complexo brasileiro no continente.
A obra foi realizada onde funcionava o heliporto da estação. De fabricação canadense, os módulos foram adquiridos por licitação emergencial e custaram R$ 14 milhões, montante que serviu para cobrir os produtos e a operação logística.
O novo abrigo foi montado na África do Sul e no Canadá, sendo unificado posteriormente em Buenos Aires, na Argentina. De lá, foi levado de caminhão até Punta Arenas, no Chile, onde embarcou no navio San Blás até a estação brasileira no continente gelado.
De acordo com a Marinha, a nova construção tem um sistema mais eficaz contra incêndio.
O comandante Paulo César Galdino de Souza, chefe da Estação Comandante Ferraz, explica que, além de portas corta-incêndio, foram instalados na cozinha do módulo e na casa de máquinas, onde estão os geradores que funcionam com um diesel especial para uso no frio, dispositivos para extinção de incêndio que podem ser acionados remotamente. Há ainda no local conexão à internet, acesso à telefonia móvel e à TV a cabo.
Os MAEs poderão ser reaproveitados pelo governo brasileiro na Antártica após a construção do novo complexo, que substituirá a estação destruída.
O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), que com a Marinha organiza um concurso público para escolher o melhor projeto de arquitetura destinado à construção da nova estação militar e científica do país no Polo Sul, divulgou nesta semana que contabiliza o envio de 74 projetos. O vencedor deve ser anunciado ainda este mês.
Segundo a Marinha, a reconstrução está prevista para começar no verão de 2013/2014. A nova infraestrutura destinada aos militares e cientistas brasileiros deve ter cerca de 3.300 m² de área construída e capacidade para abrigar até 65 pessoas por vez. O investimento será de R$ 100 milhões.

Leia também:
Base Comandante Ferraz: Marinha faz operação de guerra para desmontar estação antártica no prazo

Incêndio destruiu parte de pesquisas
De acordo com o coordenador de projetos científicos do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), Jefferson Simões, 40% das investigações brasileiras realizadas na estação foram destruídas pelo incêndio.
Com o fim da construção da instalação provisória, é provável que as pesquisas sejam integralmente retomadas no próximo verão, de 2013 para 2014.
As investigações científicas realizadas pelo Brasil na Antártica podem ajudar no serviço de meteorologia, na previsão de frentes frias e no impacto que elas causam em atividades agropecuárias do país.
Ao mesmo tempo, os estudos ajudam a entender os efeitos da mudança climática global, provocada pelo excessivo lançamento de gases causadores do efeito estufa, responsáveis por aquecer o planeta e provocar um acelerado degelo da região.
Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), são atendidos atualmente 21 projetos de pesquisa. Entre 2000 e 2012, foram destinados ao Proantar pela pasta de ciência o montante de R$ 144 milhões.
G1/montedo.com

2 respostas

  1. MONTEDO, VEJA O PRONUNCIAMENTO DO SENADOR PELA PARAIBA VITAL DO REGO.

    Forças Armadas: Vital defende valorização do setor
    Forças Armadas: Vital defende valorização do setor

    Lamentando a fuga de talentos nas Forças Armadas brasileiras Vital defende valorização no setor

    Em pronunciamento no Plenário ontem (11) o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) lamentou a fuga de talentos nas Forças Armadas brasileiras causada por baixos salários e pela demora na progressão da carreira. Para tentar evitar mais perdas de oficiais para a iniciativa privada, o parlamentar convocou o Ministério da Defesa a encampar uma luta pela recomposição salarial dos militares.

    Vital do Rêgo citou reportagem do jornal Correio Braziliense para informar que, só no ano passado, 249 oficiais abandonaram a carreira. O número de desistências mais que dobrou nos últimos dez anos. Segundo o senador, a "falta de valorização" é a principal crítica.

    “Entristece todos nós, e talvez entristeça principalmente a ele [militar] porque seu amor à farda passa a ser menor que a necessidade de buscar na iniciativa privada mais qualidade de vida por força do salário”, comentou Vital do Rêgo.

    O parlamentar também lembrou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 122/11, do senador licenciado Marcelo Crivella, que permitiria aos profissionais de saúde das Forças Armadas acumular funções, a exemplo dos demais servidores civis. O objetivo, ressaltou Vital do Rêgo, é "acumular salário ao soldo". A matéria encontra-se com o relator da matéria na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), senador Eduardo Lopes (PRB-RJ).

    Formação

    O senador destacou o volume de despesas na formação dos quadros das Forças Armadas, caso do Piloto de Aeronáutica, cujo treinamento custa algo em torno de R$ 1, 2 milhão. Profissional com salário que "não corresponde à sua qualificação", observou Vital do Rêgo ao citar o alto padrão das escolas militares brasileiras.

    O senador observou que o Brasil encontra-se num importante momento de renovação de aeronaves de caça e submarinos. Também reforça a defesa antiaérea nacional e valoriza a transferência de tecnologia de última geração. “Perde-se precisamente o elemento mais importante de todo esse programa, o talento humano” lamentou Vital.

    A evasão dos militares é influenciada pelas chamadas "vantagens do mundo civil", comparou o senador, contra uma modesta aposentadoria e frequentes transferências de domicílio. “Apresento o problema e o faço como questionamento e bandeira, no sentido de valorizar o papal das Forças Armadas neste momento em que estamos querendo dar competitividade ao nosso país”, enfatizou.

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