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Amorim defende redução de 15% na força de paz da ONU no Haiti após denúncia de abuso contra jovem
O ministro da Defesa brasileiro, Celso Amorim, defendeu nesta quinta-feira uma redução de 15% no contingente da missão de paz da ONU no Haiti – a Minustah -, composta por 12 mil soldados e policiais. Segundo Amorim, o corte no efetivo iniciaria uma gradual retirada das tropas que seria concluída quando o governo do Haiti for capaz de assumir a segurança do país. Ele disse que o Brasil já iniciou as negociações com as Nações Unidas para a retirada, mas que a força de paz permanece na república caribenha até que as forças locais estejam prontas para assumir.
Amorim fez as declarações em Montevidéu, onde foi realizada uma reunião de ministros e chanceleres da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). O encontro discutiu o futuro da missão da ONU no Haiti, principalmente após denúncias de que cinco capacetes azuis uruguaios teriam abusado de um jovem de 18 anos em Porto-Salut , cidade costeira do Haiti.
– Há consenso na região de que (a presença) das tropas não pode se perpetuar, mas não sair de forma precipitada. Tem que ser discutido com o Haiti e com as Nações Unidas – disse Amorim a jornalistas após ser recebido pelo presidente uruguaio, José Mujica. – Há consenso para uma retirada gradual das tropas de acordo com as necessidades do Haiti. Não há um cronograma (para diminuir o número de tropas). Teria que começar a se trabalhar.
O Brasil é o país com maior contingente de militares no Haiti, com 2.166 militares, e tem o comando militar da missão. Além do Brasil, também enviaram militares ao Haiti Argentina, Bolívia, Canadá, Chile, Equador, Estados Unidos, Filipinas, França, Guatemala, Japão, Jordânia, Nepal, Paraguai, Peru, Coreia do Sul, Sri Lanka e Uruguai.
O suposto ataque contra o jovem haitiano ocorreu em 20 de julho, mas só foi divulgado esta semana, quando caiu na Internet um vídeo da agressão filmado com um celular. O jovem, com as calças abaixadas, é mantido de bruços, imobilizado por dois soldados que seguram seus braços, enquanto um terceiro, sem camisa, se ajoelha, entre risos quase generalizados.
A ONU e os governos do Uruguai e do Haiti lançaram investigações independentes. Até agora, uma enquete preliminar das Nações Unidas qualificou o episódio de “brincadeira pesada”, mas não encontrou provas de abuso sexual contra os quatro militares. Mas os fuzileiros navais romperam as regras ao levarem um civil a seus dormitórios, e foram enviados de volta para casa. O ministro uruguaio da Defesa, Eleuterio Huidobro, no entanto, qualificou os atos cometidos pelos soldados no vídeo de “aberrantes”. Informado das acusações, o presidente José Mujica ordenou que uma denúncia criminal seja apresentada à Justiça uruguaia.
Por sua vez, o juiz haitiano Paul Tarte, responsável pela investigação do caso, afirmou que “um certificado médico revelou ferimentos inequívocos no adolescente”.
– Dois soldados me seguraram, e dois outros me estupraram. Eles me bateram várias vezes. Depois, os soldados tentaram negociar com minha mãe para esconder o crime, mas ela alertou as autoridades e entrou com um processo – afirmou o adolescente a uma rádio de Les Cayes, no sul do Haiti.
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