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Soldados devem ser indiciados por ocultação de local do crime
Depois de cerca de três horas de depoimentos, o delegado do Departamento de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP), Igor Leite disse que as jovens Monique Freitas da Silva e Mércia Cristina Vieira da Silva não apresentaram contradições. As estavam no quarto do Hotel de Trânsito dentro do parque de materiais da Aeronáutica, no bairro do Ibura, onde Monique foi morta com um tiro de pistola 9 mm no rosto. Monique Freitas confessa ter efetuado o tiro acidental que matou a colega. O crime aconteceu durante um encontro às escondidas com soldados da Aeronáutica, com bebida alcoólica e exibição de armas da corporação.
Ao final da ouvida, Leite disse que Monique deve ser indiciada por homicídio culposo, sem intenção de matar, enquanto os cinco soldados que estavam no local, podem ser indiciados por ocultação do local do crime. De acordo com as jovens, eles teriam mandado limpar o quarto, trocar a munição da arma e fingiram prestar socorro à vítima que já estava morta. Além das duas, o delegado ouviu hoje o namorado de Monique Freitas. Amanhã ele colhe os depoimentos dos pais da vítima e na sexta, os soldados, que devem depor na Base Aérea.
Em entrevista exclusiva concedida ontem aos Diarios Associados, ela disse saber que tem culpa, mas que essa culpa também é dos soldados que forneceram as armas. Abalada, Monique enfatizou que não queria matar a amiga, de quem gostava muito, e que jamais iria ao quartel se soubesse o que aconteceria naquele dia.

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Dentro de uma suíte do hotel de trânsito, com um frigobar cheio de bebidas, as jovens começaram a tirar fotos no celular com armas em punho. “Não sabia que ele ia me dar uma arma cheia de bala. A agente começou a brincar. Ela tava bem na minha frente e caiu no chão. Joguei a arma. Ele pegou a arma e todos saíram correndo. Não ficou nenhum. A gente começou a gritar que se eles não ajudassem ela, a gente ia fazer um escândalo”, lembrou.
A jovem disse ainda que o soldado dono do carro usado para prestar socorro à vítima relutou em dar as chaves dos veículo e se recusou a dirigir. “Nem o corpo da menina ele quis pegar”. Ela também relatou ameaças: “Ele disse que não era para contar se não ia ser tudo presa.”
A Aeronáutica está realizando uma investigação paralela à do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para apurar a morte da jovem. Os três soldados que estavam com Monique foram presos em flagrante por abandono do posto de serviço, enquanto um inquérito foi aberto para investigar como a jovem e duas colegas dela tiveram acesso ao quartel. Os soldados, cujos nomes não foram revelados, tinham mais de dois anos de corporação.
Com informações do repórter Raphael Guerra
PERNAMBUCO.COM
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