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PM começa em agosto a assumir Complexo do Alemão, ocupado pelo Exército, que sai em 1º de novembro
Antônio Werneck
Dentro de três meses, o cinza e o preto dos uniformes da Polícia Militar começam a se misturar com o verde das fardas do Exército nos complexos de favelas da Penha e do Alemão. A Secretaria de Segurança Pública já tem pronto o planejamento para implantar dez Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nos dois complexos, que estão sob o controle das Forças Armadas desde novembro passado. A transferência das comunidades para a polícia será gradual, ainda com a presença dos soldados nas favelas. O primeiro passo será dado em agosto, seguindo até 1º de novembro, quando os militares deixam o comando da Força de Pacificação e a PM assume.
Segundo fontes da cúpula da secretaria ouvidas pelo GLOBO, a entrada definitiva da polícia nos complexos começa com homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM, numa ação pente-fino no início de agosto. Atuarão conjuntamente com agentes da Polícia Civil para identificar traficantes ainda escondidos e procurar armas, drogas e munição. Também já está certo que, enquanto o Bope estiver esquadrinhando as favelas, militares patrulharão os dois complexos com apoio de novos PMs que começam a chegar à região em agosto. Serão 1.500 novos policiais militares – 500 por mês – até o início de novembro. Depois que o Exército deixar a área, o planejamento prevê mais 400 homens do Bope, totalizando 1.900 policiais. Atualmente o Exército emprega 1.700 soldados e oficiais.
Militares poderão atuar em outras favelas
Mesmo com a saída do Alemão e da Penha, não está descartado o uso das Forças Armadas em outras ocupações, como a Rocinha e o Vidigal. Pelo que deixou claro o ministro da Defesa, Nelson Jobim, basta para isso o governador Sérgio Cabral solicitar ao governo federal. O assunto pautou na sexta-feira almoço do general Adriano Pereira Júnior, comandante Militar do Leste (CML), e o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame. Participaram também do encontro, na na sede do CML, no Centro, a chefe de Polícia Civil, delegada Martha Rocha, e o coronel Mário Sérgio Duarte, comandante-geral da PM.
RELEMBRE: Ministro da Defesa diz que forças de ocupação do Alemão permanecem até o segundo semestre
O CML informou na sexta-feira, por meio de nota, que está investigando o desaparecimento de um fuzil usado por militares do patrulhamento dos complexos da Penha e do Alemão . O sumiço foi constatado na semana passada, durante a contagem de armas feita de forma rotineira, na troca de guarnições. Os militares trabalham com a possibilidade de a arma ter sido desviada para traficantes. Na nota, o CML declarou que foi instaurado um inquérito policial-militar (IPM) para “apurar as circunstâncias dos fatos e as responsabilidades sobre o ocorrido”.
Durante a troca de comando da Força de Pacificação na semana passada, o general Cesar Leme Justo, que deixou o cargo, admitiu que o tráfico continua atuando nas favelas depois da ocupação. Um tráfico que agiria “pontualmente” e sem o “uso ostensivo de armas”, segundo ele. O policiamento da região passou a ficar sob a responsabilidade do general Carlos Sarmento, do comando Militar do Sudeste. Foi a equipe dele que deu pela falta do fuzil.
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