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Problemas em obras do Palácio do Planalto afetam indicado por Dilma para comandar EB
 
Por Jorge Serrão
Exclusivo – Lançadas por um senador de oposição, as suspeitas de superfaturamento e má execução nas obras de reforma do Palácio do Planalto podem queimar o filme do preferido da Presidenta eleita Dilma Rousseff para comandar o Exército. O Chefe do Departamento de Engenharia e Construção (DEC) e membro do Alto Comando do EB, General de Exército Ítalo Fortes Avena, entrou na linha de tiro porque foi o responsável, junto ao Ministério da Defesa, por supervisionar a obra da sede do governo – orçada em R$ 76 milhões, mas que acabou custando R$ 111 milhões.
Até o problema com a reforma do Palácio do Planalto, denunciado ontem pelos senadores tucanos Álvaro Dias e Arthur Virgílio, o General Ítalo Avena tinha todos os trunfos para assumir o comando do EB por indicação do grupo próximo à Dilma Rousseff. Avena é o preferido do atual comandante da Força, General Enzo Perri, que desejava a continuidade da Arma da Engenharia na hegemonia do Forte Apache. Avena também tem prestígio junto a Miriam Belchior (futura ministra do Planejamento), porque fez o Exército atuar em várias obras do PAC que a iniciativa privada preferiu não tocar.
Enzo também foi Chefe do Departamento de Engenharia e Construção, cargo que exerceu de 31 de março de 2003, quando recebeu a quarta estrela, até assumir o Comando do Exército, em 08 de março de 2007. A turma da Engenharia deseja continuar mandando no EB para tirar o poder da Arma da Infantaria – cujos oficiais são mais identificados com os “ideais” de 1964 que o atual e o novo governo desejam apagar da memória militar. A favor de Avena pesa, também, que ele é gaúcho e membro da Maçonaria – ordem à qual pertencem vários futuros ministros de Dilma.
Se a obra do Planalto não atrapalhar, Avena comandará o EB. Seu principal concorrente para a chefia do Forte Apache é o General de Exército Antônio Gabriel Esper. O atual chefe do Coter (Comando de Operações Terrestres) tem importância estratégica no momento porque é o responsável direto por definir a estratégia e a ação tática das tropas que ocupam o Complexo do Alemão – na guerra de enxugamento de gelo contra o narcovarejo. Esper tem a seu favor uma relação azeitada com a cúpula da mídia, trabalho feito desde que comandou o Centro de Comunicação Social do Exército e que perdurou quando assumiu o Comando Militar do Sudeste, até ser alçado ao Coter.

Probleminha
Supervisionada pelo EB, que chegou a fazer o trabalho de mudança, demolição interna e terraplanagem, a megareforma do Palácio do Planalto foi tocada pela construtora Porto Belo – PB Construções e Comércio Ltda.
Atualmente, a PB toca a Reforma Geral e Recuperação de Áreas Comuns e de Áreas Externas de Imóveis Funcionais da Câmara dos Deputados.
A empresa fez o espelho d’água do Congresso e reformou o prédio do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
A empresa tem matriz na Rua 4, nº 1400 – Centro, Goiânia – GO. Mas possui filial em Brasília – na SRTVS Quadra 701, bloco O, Salas 266 a 269 – no Centro Multiempresarial Asa Sul.

Denúncia não apurada
O projeto da reforma do Palácio do Planalto foi feito pelo escritório do arquiteto Oscar Niemeyer, contratado por R$ 1,069 milhão, em 2007.
Devido às fortes chuvas que atingem a capital federal nas últimas semanas, teriam sido detectados vários problemas no Palácio do Planalto pós-reformado, como infiltrações, alagamentos, ralos entupidos e impermeabilizações mal feitas.
O representante de Oscar Niemeyer em Brasília, Carlos Magalhães, já havia feito críticas à má qualidade da reforma.
As queixas foram oficialmente enviadas em carta ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

Investigue-se 

Prevista para custar R$ 76 milhões, a obra tocada pela PB Construções e Comércio Ltda terminou consumindo R$ 111 milhões.
A ironia é que o Exército a assumiu o comando da licitação, substituindo a Casa Civil sob comando da Presidenta eleita Dilma Rousseff e sua então amiga Erenice Guerra.
Houve suspeitas de concorrência desleal no primeiro edital da obra, lançado em dezembro de 2008, e cuja licitação acabou anulada em fevereiro do ano passado.
Ontem, o senador Álvaro Dias – que pertence à mesma Maçonaria do General Avena – pediu que seja colocado em votação no plenário do Senado o requerimento de autoria do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) pedindo uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) nas contas das obras do palácio presidencial.
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