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 A estrela de Carlos da Cruz Sampaio Júnior, de 44 anos, brilhou forte, enquanto o falso militar prestou serviços ao setor de segurança do Rio de Janeiro. Além de planejar o policiamento e ajudar a reduzir índices de criminalidade, ele participou da operação que livrou uma refém das mãos de um bandido que segurava uma granada, em 25 de setembro do ano passado, na Rua Pereira Nunes, em Vila Isabel.
Naquela sexta-feira, Sérgio Ferreira Pinto Junior, de 24 anos, roubou uma Kombi dos Correios. Fugindo de policiais que o avistaram, entrou correndo na farmácia Viva Mais e, com uma granada nas mãos, rendeu a funcionária Ana Cristina Garrido, de 42 anos. Enquanto o então comandante do 6º BPM (Tijuca), coronel Fernando Príncipe, negociava com o ladrão, o coronel pirata Carlos Sampaio organizou o policiamento dos arredores, isolando a rua. A tensão só acabou quando o major João Jacques Busnello, atirador de elite do batalhão, deu o tiro que matou Sérgio e salvou Cristina.
— O Sampaio ajudou a cercar a rua e evitar que a população invadisse a área interditada e entrasse na linha de tiro — afirmou um soldado do 6º BPM, que também estava no local.
De acordo com a assessoria de imprensa da PM, uma sindicância está em curso para apurar estas e outras questões relacionadas a Carlos Sampaio. A corporação lembrou que as investigações, iniciadas na Secretaria estadual de Segurança, já resultaram na exoneração e prisão de Sampaio.
 — Ele ficou muito feliz com o resultado da operação. Tirou até foto ao lado do corpo do cara que morreu. À noite, a gente saiu pra comemorar, e ele disse que estava orgulhoso por fazer parte daquilo tudo — afirmou uma amiga de Sampaio, que está preso desde o último dia 14.
Ministério Público exige detalhes de morte na Ilha
O promotor Salvei Lai, da 30ª Promotoria de Investigação Penal da 1 Central de Inquéritos, requisitou à 37ª DP (Ilha do Governador) a instauração de inquérito policial para apurar a participação do coronel pirata em uma blitz, realizada em agosto, que resultou na morte de um assaltante.
No ofício, enviado ontem, o Ministério Público determina o indiciamento de Sampaio pelos crimes de falsa identidade e porte ilegal de arma de fogo. O promotor também dá o prazo de 90 dias para o cumprimento de uma série de exigências. Sauvei Lai requer, no ofício, que a delegacia da Ilha ouça todos os policiais militares que participaram da blitz.
Segundo o promotor, a meta é “apurar as circunstâncias de tempo, lugar e modo de execução dos crimes imputados ao falso PM e outras infrações, eventualmente, cometidas naquela ocasião”. Sauvei pede “a identificação da arma de cano longo revelada por foto publicada no EXTRA”.
— O armamento e os documentos adulterados pelo falsário devem ser apreendidos e periciados. O Ministério Público irá apurar com rigor a conduta irresponsável do falso coronel, que colocou em risco a vida de inocentes — disse Lai.
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