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Jovens do Tiro de Guerra 06, 2º de Araraquara, de guarda no ano de 1957, diante da antiga sede da unidade, na Rua 8, esquina com Avenida Feijó – onde hoje funciona o Arquivo Público Municipal

TG local completa 100 anos em 2011, mas Araraquara está em vias de receber uma unidade regular do Exército

HAMILTON G. P. MENDES
Nascido como Linha de Tiro em 10 de setembro de 1911 – data em que sua criação foi publicada na imprensa local -, e a poucos meses de completar 100 anos, o Tiro de Guerra 02-002 de Araraquara, pode ser desativado pelo Exército. Isso, porque caso vingue a reivindicação da Prefeitura quanto à instalação de uma unidade regular da força na cidade; e pelo andar da carruagem o processo todo está bastante adiantado e a unidade deve mesmo sair do papel e se tornar realidade, é muito provável, ou melhor, é quase uma certeza, a desativação do TG local. E é assim porque onde há um quartel instalado não existe TG. A informação, checada pela reportagem do O Imparcial em São Paulo, dá conta de que como Araraquara integra a área de segurança sob a responsabilidade de Pirassununga, o mais provável é que venha de lá uma subunidade, ou um esquadrão pequeno que ficaria alocado na cidade. Se isso se confirmar, o efetivo total do esquadrão não ultrapassaria o número de 45 ou 50 homens, e seriam incorporados de 20 a 25 soldados (e não mais atiradores) locais por ano. Ou seja, enquanto atualmente o Tiro de Guerra de Araraquara incorpora e forma cerca de 100 atiradores/ ano, com uma subunidade regular do Exército o número de alistados cairia vertiginosamente. Isso, em uma cidade, cujo TG chegou a formar mais de 400 jovens araraquarenses por ano na década de 80. Estimativas afirmam que mais de 20 mil jovens já se formaram no Tiro de Guerra local.
Cavalaria
Ainda segundo o apurado pela reportagem do O Imparcial, é muito provável que a unidade destinada para Araraquara seja de Cavalaria, já que nosso terreno é plano e já existe um quartel de Cavalaria em Pirassununga. Os interlocutores do repórter chegaram a dizer, inclusive, que a possibilidade de o município receber uma unidade de Infantaria pode até existir, mas que ela deve ser pequena. Eles disseram ainda que a 4ª Delegacia de Serviço Militar, com sede em Araraquara desde os anos 40, também deve ser desativada caso se confirme à vinda da nova unidade regular, já que como um quartel tem autonomia, ele seleciona, incorpora e designa. Outro detalhe importante; embora seja apenas um detalhe, é que atualmente – e já é assim desde os anos 10 – o prefeito municipal é o diretor do Tiro de Guerra. No caso na instalação de uma unidade regular o posto deixaria de existir.
Valor da unidade
Também de muita importância para se saber qual futuro aguarda a Araraquara sede de uma unidade militar regular do Exército, seria a revelação de qual o valor da unidade a ser instalada na cidade; se uma subunidade (efetivo de 45 ou 50 homens, e cerca de 20 alistados na cidade), uma Companhia (60 homens, e cerca de 20 alistados); um Esquadrão (cerca de 45 homens e 20 alistados locais); um Batalhão (250 a 350 homens, e cerca de 140 alistados na cidade); ou um regimento ou batalhão (200 homens e cerca de 80 soldados locais alistados).

Conheça a história do TG de Araraquara

Fundado originariamente como Linha de Tiro Cívica no dia 10 de setembro de 1011, o Tiro de Guerra de Araraquara começou a funcionar, assim como todos os órgãos similares criado no País naquela época, como entidade associativa. A intenção, no período, era criar órgãos cívicos que mobilizassem a população em favor da causa do restabelecimento do serviço militar no Brasil, mas que fossem tão bem organizados que pudessem ser incorporados pelo Exército mais tarde.
Oficialmente, a primeiro órgão do gênero foi criado em Porto Alegre, nos idos anos de 1908, o segundo em São Paulo e o terceiro em Santos. Por aqui, as autoridades locais se entusiasmaram com as iniciativas deflagradas nas grandes cidades brasileiras, e menos de três anos depois, um grupo se organizou e fundou a Linha de Tiro local. A 1ª diretoria teve a seguinte constituição: Presidente – Major Christiano Infante Vieira; Secretário – Major Eulógio Pitombo; Tesoureiro – Coronel Luiz de Ulloa Castro. Sei anos depois, em outubro de 1917, o órgão araraquarense foi oficialmente incorporado pelo Exército Brasileiro, passando a ser denominado Linha de Tiro Federal nº. 610.
A partir de então, os jovens araraquarenses passaram a concorrer ao Sorteio anual para o Serviço Militar, que era prestado em quartéis de fora. Na época, era comum os jovens araraquarenses servirem no Mato Grosso, no Paraná e em outros estados brasileiros. A situação permaneceu assim até 19 de março de 1932, quando por despacho assinado pelo tenente coronel Vasco M. V. Lopes, diretor da “Directoria Geral dos Tiros de Guerra do Estado de São Paulo”, a Linha de Tiro Federal nº. 610 de Araraquara foi elevada a condição de Tiro de Guerra, tendo sido mantida sua designação numérica, 610.
A partir daquele momento, portanto, os jovens araraquarenses passariam a fazer o serviço militar aqui mesmo, na cidade. Tendo suas atividades suspensas no final daquele ano pelo governo federal devido a Revolução de 1932, o Tiro de Guerra de Araraquara voltou à ativa apenas em 1936, quando formou sua 2ª turma na cidade. A 3ª turma, de 1937, tinha entre seus integrantes o escritor, articulista, colaborador do O Imparcial e ex-telegrafista na Polícia Civil de Araraquara, Dario Gonçalves da Silva.
Mais tarde, no ano de 1945, pela Portaria Ministerial nº. 8.747 de 31 de outubro, todos os Tiros de Guerra existentes no país foram extintos e, pela mesma portaria foram criados aqueles que os substituíram. No caso de Araraquara, foi extinto o Pelotão 610 e para seu lugar foi criado o Tiro de Guerra nº. 06, instalado na cidade em 14 de novembro de 1945. Mais tarde, já nos anos 70, TG-06 foi substituído pelo atual, o 02-002.
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