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Damaris Giuliana
O primeiro teste para o Rio como sede da Olimpíada de 2016 será no ano que vem. Segurança, transporte, equipamentos esportivos, rede hoteleira, capacitação de voluntários e o preparo dos nossos atletas serão colocados à prova de 16 a 24 de julho, durante os 5.º Jogos Mundiais Militares ou Jogos da Paz.
O evento vai aproveitar instalações usadas nos Jogos Pan-Americanos de 2007, como o Centro Nacional de Hipismo, o Estádio Olímpico João Havelange, o Ginásio do Maracanãzinho, o Parque Aquático Maria Lenk e áreas militares. Diversos centros esportivos estão em reforma e há também estruturas em construção, caso das três vilas de atletas. O orçamento de R$ 1,164 bilhão inclui a mobilização direta de 30 mil pessoas, considerando voluntários.
A organização afirma que o legado para o Rio vai além da infraestrutura, envolve tecnologia. O Exército está adaptando para a área esportiva um software de “solução de incidentes” criado pela instituição para treinamento militar. Esse processo vai custar cerca de R$ 3 milhões e empenhar um ano e meio de trabalho, de acordo com o coordenador-geral do comitê de planejamento operacional dos 5.º Jogos Mundiais Militares, general de brigada Jamil Megid Júnior.
Segundo ele, o comitê organizador da Olimpíada Rio 2016 acompanha a evolução e poderá aproveitar o programa sem custo porque a patente pertence à União. Por meio de câmeras de monitoramento, aparelhos de GPS e outras tecnologias combinadas, a sala de comando e controle consegue identificar qualquer incidente e o próprio software apresentará em um telão as soluções para não comprometer a organização. “Podemos mudar o trajeto de um ônibus parado no trânsito, atrasar a saída de uma delegação do hotel ou modificar os horários das provas”, explica.
As hipóteses são bastante abrangentes. “Se sumir uma chave de vestiário, o programa indica quem tem cópia e qual a viatura mais próxima disponível para buscá-la”, exemplifica outro militar. “Se uma região alagar, você tem um ginásio alternativo e toda a logística para mudar a competição.”
Megid também comanda a segurança do evento e afirma que pouca coisa mudará em relação ao Pan 2007. “Prosseguimos na parceria com os órgãos de segurança pública. Usaremos R$ 100 milhões para atualizar e fazer a manutenção dos equipamentos.”
Futuro do esporte. As Forças Armadas consideram que o maior investimento dessa competição é no esporte nacional. Um convênio entre os Ministérios da Defesa, dos Esportes e o Comitê Olímpico Brasileiro possibilitou a convocação de atletas para equipes do Exército e da Marinha.
O reforço tem uma justificativa: “Nós conquistamos a sede dos 5.º Jogos Mundiais Militares e da Olimpíada de 2016, mas não podemos organizar as competições e só colocar medalha no peito dos outros”, afirma o presidente da Comissão Desportiva Militar do Brasil, vice-almirante Bernardo José Pierantoni Gambôa.
“Estudamos os modelos da Itália, França e Alemanha, onde a maioria dos atletas registrados no CISM (Conselho Internacional de Esportes Militares) é de alto rendimento”, conta. “Essa é uma tradição especialmente no Leste Europeu e em países da Ásia”, diz. “Nós vamos mudar a cara do Brasil nesse quesito.”
Segundo ele, o estudo prevê cerca de 350 atletas nas Forças Armadas. Todos os anos, os esportistas serão avaliados por dedicação e resultados em competições internacionais. Os contratos podem ser renovados por até oito anos e outros editais de convocação serão publicados à medida que eles deixarem as instituições.
“Esses atletas também vão trabalhar na descoberta de novos talentos. Vamos usar esse pessoal em clínicas nas nossas escolas de formação”, revela Gambôa. “Estão trazendo conhecimento, liderança e experiência para contribuir com o sistema nacional de esportes”, avalia. 
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