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Hudson Corrêa
O Exército brasileiro orienta seus militares a aderir ao seguro de vida da associação privada Poupex que não cobre mortes em caso de terremoto e outras catástrofes.
Para autorizar o pagamento do benefício a familiares de 18 mortos sob escombros do terremoto no Haiti, em janeiro, a Poupex diz ter adotado “medida em caráter excepcional”.
Mesmo assim, não atendeu à reivindicação de viúvas dos militares que querem receber o pagamento em dobro porque os maridos estavam a serviço, em missão da ONU. Elas afirmam que vão entrar na Justiça.
Gerida pela FHE (Fundação Habitacional do Exército), a Poupex funciona dentro de quartéis em alguns Estados, diz o comando militar. Criada em 1980 pelo ex-presidente João Figueiredo, a FHE é uma entidade de direito privado comandada por generais e supervisionada pelo Exército.
Questionado se recomenda o seguro, o Exército respondeu que “orienta a adesão a FHE/Poupex, em caráter pessoal e por interesse próprio, no sentido de criar melhores condições para o militar adquirir a casa própria e, simultaneamente, dispor de um seguro de vida para seus dependentes”.
A Folha perguntou, então, se é prudente orientar adesão a um seguro sem cobertura para catástrofes a militares com missão em outros países. O Exército disse que orienta todos a ter o benefício, mesmo os não designados para ações no exterior.
“A opção de adquirir é de cada um, conforme as propostas que lhe são apresentadas, pois o contrato é individual é voluntário”, afirmou o comando.
Exclusivo para militares das Forças Armadas e funcionários do Banco do Brasil, o benefício da Poupex, chamado de FAM, é ao mesmo tempo um fundo para compra de casa própria e “o melhor seguro de vida do mercado”, segundo a associação.
Seguradora líder da apólice oferecida pela Poupex, a Bradesco Vida e Previdência afirmou que “a apólice não prevê cobertura para catástrofes”, mas “decidiu, ainda assim, pagar a cobertura básica, que é a de morte” no caso dos militares do Haiti.
A Folha teve acesso um dos recibos de pagamento de indenização da Bradesco. No documento, há uma série de considerações para liberar o benefício, entre elas “a comoção mundial da tragédia que se abateu sobre o Haiti”. As declarações incomodaram familiares do mortos.
Folha Online/JORNAL PEQUENO
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