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” A guerra não deve ser entendida como uma ‘maldição dos militares’, pois guerras são deflagradas por políticos e não por soldados ” 
ANDRÉ SOARES

“O objetivo da guerra é a paz!” Estas são célebres palavras, proferidas há mais de 2 mil anos, por Sun Tzu, renomado estrategista militar chinês. Todavia, se a humanidade for evocar a grandeza daqueles que, a exemplo de Sun Tzu, demonstraram com grande sabedoria que a guerra pode ser justa, ética e nobre, então é no Brasil que encontrarão inigualável exemplo de como se combate a “arte da guerra”.
Comemora-se em 25 de agosto o Dia do Soldado, data do natalício de Caxias, o patrono do Exército Brasileiro. Este soldado ensinou aos brasileiros e ao mundo que a “arte da guerra” se faz com combate e diplomacia. Não por acaso da extensa lista de títulos e honrarias com as quais foi agraciado, a que o notabilizou pela excelência e grandiosidade de comandante militar foi “O Pacificador”, porque Caxias personificou como ninguém as sábias palavras de Sun Tzu.
A guerra não deve ser entendida como uma “maldição dos militares”, pois guerras são deflagradas por políticos e não por soldados; os quais empenharão seu sangue e as próprias vidas em defesa da pátria. Este é o “grito de guerra” que os militares brasileiros da força terrestre entoam em uníssono nos versos da canção de Exército, ao clamarem: “A paz, queremos com fervor! A guerra só nos causa dor! Porém, se a Pátria amada for um dia ultrajada, lutaremos sem temor”.
Se guerras são lutas entre nações – e não disputas entre exércitos – a defesa da pátria é uma condição que afeta ao Estado e à cidadania, não uma prerrogativa militar. O combate e a diplomacia são os instrumentos da “arte da guerra”, cujo exemplo está na biografia de Caxias, que nos ensinou que a vitória consiste em vencer pelo emprego da força. O combate é a força da dissuasão e a diplomacia a força da persuasão. Assim, em todos os conflitos que participou, como no comando das forças aliadas na guerra da Tríplice Aliança, Caxias venceu liderando como temido e invencível guerreiro, bem como habilidoso e estrategista diplomata.
Todavia, é preciso lembrar que guerras não são vencidas apenas com o patriotismo de bravos soldados, mas por exércitos profissionais e operacionais. Nesse contexto, infelizmente, nossos governantes, ao longo da nossa história, se embriagaram com a estupidez de achar que o pacifismo e o não imperialismo nacionais imunizariam o Brasil contra as guerras, relegando nossas Forças Armadas ao ostracismo operacional.
Atualmente, são inúmeras as deficiências que elas sofrem que atingem especialmente o Exército Brasileiro. Nossa sociedade se esquece que o usufruto do valioso patrimônio de um Brasil continental consolidou-se com o protagonismo atuante do Exército Brasileiro. Esquece-se que em todos os momentos de aflição nacional, como nas tragédias e calamidades, é à Força Terrestre que a nação brasileira sempre recorre, e nossos militares respondem prontamente, superando o estado de sucateamento em que vivem. Esquece-se também que a manutenção de nossa soberania e integridade territorial decorre da ocupação permanente dos militares da Força Terrestre, nos nossos rincões mais distantes e hostis, onde por vezes nada existe, a não ser a única e esquecida presença anônima dos militares do Exército Brasileiro e seus familiares.
Há poucos meses do pleito presidencial, nenhum dos candidatos trouxe à discussão questões fundamentais e prementes relativas às Forças Armadas, como a urgente necessidade de recomposição orçamentária e a reposição dos indignos vencimentos militares.
*André Soares é tenente-coronel do Exército Brasileiro e mestre em Operações Militares 
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