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Agentes do Ministério Público Militar do Rio fizeram nesta sexta-feira uma operação de busca e apreensão no prédio do Instituto Militar de Engenharia, na Urca. Foram recolhidos documentos e processos relativos a licitações realizadas nos últimos anos. O IME, centro acadêmico de excelência do Exército, está no meio de uma investigação sobre o funcionamento de um cartel de empresas, supostamente criado para vencer concorrências públicas de cartas marcadas.
Doze empresas de parentes e supostos laranjas de militares e ex-militares do órgão estão sendo investigadas. Elas foram contratadas para fazer consultorias em obras do instituto em parceria com o Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit), em especial entre os anos de 2004 e 2006. O grupo recebeu dos cofres públicos pelo menos R$ 15,3 milhões. Reportagens do GLOBO, que denunciaram a existência do esquema, já revelaram que alguns oficiais foram afastados, mas que firmas de pessoas investigadas ainda prestam serviços para o órgão.
Por volta das 7h, a equipe da Procuradoria da Justiça Militar no Rio de Janeiro chegou ao IME. A procuradora que está à frente das investigações, Maria de Lourdes Souza Gouveia Sanson, acompanhou os trabalhos no local. Além dela, também estiveram presentes o procurador Antônio Antero dos Santos e a procuradora Ana Cristina da Silva, que integram a força-tarefa criada exclusivamente para atuar no caso. Junto com os procuradores, estavam ainda um perito contábil e um auxiliar. O procedimento investigatório foi instaurado em 22 de janeiro no 5º Ofício da Procuradoria. O mandado de busca de apreensão – algo muito incomum em unidades militares – foi deferido pelo juiz Carlos Henrique Reiniger, da 3 Auditoria Militar.
– Vamos começar a verificação do material licitatório que envolve todos que estão na nossa linha de investigação. O objetivo é justamente saber quais foram as irregularidades cometidas, se houve fraude ou sobrepreço. Mas não podemos antecipar nada porque não sabemos quanto tempo esta análise vai exigir – afirmou o procurador Antônio Antero dos Santos.
Endereços inexistentes e sócios suspeitos
Um levantamento preliminar feito pelo GLOBO mostrou que as empresas investigadas não funcionam nos endereços informados à Receita Federal. Algumas declaram ter como sede barracos em bairros do subúrbio, e há endereços de alguns sócios, que faturaram milhões em contratos com o Exército, em favelas do Rio.
Entre os investigados, há oficiais: o major Washington Luiz de Paula (que era lotado no IME e tem cinco pessoas da família nas empresas investigadas) e o capitão Márcio Vancler Augusto Geraldo (que na época era da comissão de licitação do IME).
Outro que ganhou licitações sob suspeita é o empresário Marcelo Cavalheiro, formado pelo Centro Preparatório de Oficiais da Reserva (CPOR) e dono da Grisa e de outra empresa. O GLOBO tem tentado contato com Washington e seus parentes, sem sucesso. Marcelo Cavalheiro e o capitão Vancler Augusto Geraldo também não foram localizados.
Em nota, o Exército informou nesta sexta-feria que o comando do IME forneceu todos os documentos solicitados pelo MP, que teve total liberdade de ação dentro do órgão. Também salientou que um inquérito policial-militar está em curso, assim como uma auditoria especial. Até agora nenhum militar foi preso, de acordo com o comunicado.
O GLOBO
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