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Acabo de assistir no Fantástico a reportagem sobre a morte de três rapazes moradores do Morro do Macaco, no Rio de Janeiro, na madrugada de sexta para sábado.
Os três, mais um amigo que sobreviveu, todos trabalhadores, retornavam para casa, após um deles ter comprado o seu primeiro carro, quando foram barrados por traficantes, que os metralharam. Em seguida, todos foram retirados do veículo e alvejados à queima-roupa. O único sobrevivente fingiu-se de morto, sendo socorrido por populares.
Mais uma tragédia chocante, das tantas que acontecem no dia a dia de brutalidade a que são submetidos os moradores das favelas do Rio.
O que veio a seguir é que foi de estarrecer. Feito o registro do assassinato bárbaro, a reportagem mudou imediatamente o enfoque para o fato de a polícia ter anunciado, equivocadamente, mas certamente ainda no calor dos acontecimentos, que o três mortos eram bandidos.
De repente, esse equívoco pareceu maior que o próprio crime, e nitidamente se tentou passar a imagem de que a revolta dos familiares era muito mais com a policia, pela infeliz e falsa notícia, do que com a execução fria de três pessoas por um bando armado.
Não chego ao extremo de dizer que a Globo torce pela bandidagem, mas a matéria evidenciou uma brutal inversão de valores, comprovando que a ditadura do politicamente correto leva a mídia a fazer certas abordagens que são completamente estapafúrdias, descabidas mesmo.
Assim, o desespero, as lágrimas, a dor dos parentes dos jovens foram atreladas à trapalhada da polícia, a equívocos na autópsia, e o crime virou um episódio menor, um detalhe apenas naquele quadro de intenso sofrimento. Surrealismo puro!
Conclusão: o crime pode matar e os filhos das pessoas de bem podem morrer, desde que a polícia não os confunda com bandidos. Senão, o bicho pega!

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