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Pela primeira vez, José Wilson Brito, hoje com 49 anos, dá detalhes dos três meses em que conviveu com os guerrilheiros. Ele conta que decidiu acompanhá-los em troca da promessa de que dariam a ele condições de estudar. Ainda garoto, estava ao lado da guerrilheira Lúcia Maria de Souza, de codinome Sônia, quando ela foi morta em combate com a tropa do então capitão Sebastião Curió, na região do Araguaia, em 24 de outubro de 1973.
– Saí correndo. Meu revólver caiu e ainda voltei para pegá-lo. Sônia ficou e trocou tiros com eles. Não consegui dar um tiro. Sentia vento de bala passando do meu lado. Pensei que tava varado. Foram 45 minutos de tiros – revelou Wilson.
Capturado pelo Exército no fim daquele ano, Wilson ficou três anos em poder dos militares, que o usaram para reconhecer terroristas e dar informações sobre a localização deles na selva amazônica.
– Eu não presto (combino) com a mentira. Graças a Deus nunca apanhei e hoje tô vivo prá contar essa história – disse Wilson, que se orgulha por nunca ter mentido ou sofrido tortura ou maus-tratos por não cooperar com o Exército.
O GLOBO

Comento:
Interessante a lógica dos guerrilheiros: em prol da causa, vale até mesmo engambelar e por em grave risco a vida de uma criança. Fico imaginando o que estaria reservado para nós se esses “defensores da democracia” tivessem obtido êxito.

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