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Patrícia Campos Mello
A Organização dos Estados Americanos (OEA) e o mediador do conflito hondurenho, Oscar Arias, deveriam examinar a influência da Venezuela no processo político de Honduras, recomendou ontem Arturo Valenzuela, indicado para ser o principal diplomata dos EUA para a América Latina. “Nas negociações, a OEA e Arias terão de examinar o fato de que provavelmente houve influência da Venezuela em Honduras, com o governo venezuelano encorajando o presidente (Manuel) Zelaya a tomar certas medidas”, disse Valenzuela, em sua sabatina de confirmação no Senado.
A declaração foi a mais direta feita até agora por uma autoridade americana sobre a preocupação dos EUA com a influência do presidente venezuelano, Hugo Chávez, em processos eleitorais de países da região e nas iniciativas para convocar consultas populares para promover mudanças constitucionais.
A Casa Branca condenou energicamente o golpe de Estado em Honduras, numa tentativa de acabar com as más lembranças das rupturas da ordem constitucional patrocinadas pelos EUA na região nos anos 70. Mas para o governo de Barack Obama é desconfortável defender Zelaya, um esquerdista aliado de Chávez, que queria mudar a Constituição para poder eleger-se novamente.
Segundo fontes ligadas às negociações, os EUA querem que a Carta Democrática da OEA seja usada para evitar que presidentes da região mudem a Constituição de seus países para continuar no poder, como fizeram Chávez, Evo Morales na Bolívia e Rafael Correa no Equador. “O que precisamos levar do incidente de Honduras é (a necessidade de) fortalecer a OEA, para que ela lide não só com o problema de ruptura da ordem constitucional, mas também trabalhe para fortalecer as instituições democráticas de cada país e evite casos como o de Honduras”, disse Valenzuela.
A maioria dos países da OEA, entre eles o Brasil e os integrantes da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), discorda. Para eles, a OEA não deve interferir no processo político interno dos Estados.
“A OEA e Arias precisam abordar não só a deposição do presidente, mas também problemas que já existiam em Honduras, como alegações de que Zelaya desrespeitou a Constituição”, disse Valenzuela.ESTADÃO

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