TCU identifica falhas no controle de gastos das Forças Armadas e cobra mudanças no sistema de auditoria

TCU aponta falhas no controle dos gastos militares

Auditoria do Tribunal de Contas da União aponta deficiência na supervisão do Ministério da Defesa, determina mudança no Exército e recomenda medidas para fortalecer o controle interno.

O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou fragilidades no sistema responsável por fiscalizar os gastos do Ministério da Defesa e das Forças Armadas. Assim, o plenário aprovou por unanimidade, nesta quarta-feira (5), o voto do ministro Bruno Dantas. Além disso, determinou medidas para ampliar a eficiência do controle interno na área militar. A informação é do ICL Notícias. A auditoria analisou a atuação da Secretaria de Controle Interno do Ministério da Defesa (Ciset), responsável por supervisionar tecnicamente as auditorias da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. Em 2024, o Ministério da Defesa administrou aproximadamente R$ 122 bilhões. Desse montante, cerca de 99% foram executados diretamente pelos comandos militares, que mantêm estruturas próprias de auditoria.

Auditoria revela deficiência na supervisão

Segundo o relatório, o modelo atual apresenta falhas estruturais. De acordo com o relator Bruno Dantas, a Ciset participa pouco da definição das prioridades. Além disso, acompanha os resultados de forma limitada e exerce uma supervisão predominantemente formal.
“A fiscalização demonstrou que esse modelo ainda não opera de forma integrada.” Bruno Dantas, ministro do TCU
Além dessas limitações, o Tribunal identificou riscos à independência dos auditores. Também apontou fragilidades na gestão de pessoal e oportunidades de aprimoramento na fiscalização dos principais projetos estratégicos das Forças Armadas.

Exército deverá concluir mudança estrutural

Durante a auditoria, o TCU verificou um problema específico na estrutura do Exército. Atualmente, a Auditoria Regional permanece vinculada à Secretaria de Economia e Finanças, responsável pela gestão administrativa da Força. Segundo os ministros, essa estrutura pode comprometer a independência do controle interno. Por esse motivo, o Tribunal determinou que o Exército conclua a desvinculação entre os dois órgãos. Conforme destacou Bruno Dantas, o próprio comando da Força já aceitou implementar essa medida.

TCU mantém modelo e rejeita ampliar poderes da CGU

Embora tenha confirmado as fragilidades do sistema, o Tribunal rejeitou a principal proposta apresentada pela equipe técnica. Os auditores defendiam ampliar a atuação da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre todo o sistema de controle interno das Forças Armadas. No entanto, Bruno Dantas avaliou que as falhas encontradas exigem aperfeiçoamentos, mas não justificam a transferência das atribuições para a CGU.
“Os achados justificam aperfeiçoamentos, mas não demonstram que a transferência integral da fiscalização à CGU seja necessária ou a melhor solução.” Bruno Dantas, relator
Além disso, o relator ressaltou que a própria Controladoria-Geral da União defendeu a manutenção das estruturas de auditoria existentes, desde que elas recebam mecanismos adicionais de supervisão.

Tribunal apresenta recomendações ao Ministério da Defesa

Além da determinação dirigida ao Exército, o TCU aprovou diversas recomendações ao Ministério da Defesa e aos comandos militares. Dessa forma, o Tribunal pretende fortalecer a coordenação do sistema de controle interno.
  • Fortalecer a atuação da Secretaria de Controle Interno.
  • Aprimorar os critérios de seleção e capacitação dos auditores.
  • Ampliar o uso de ferramentas informatizadas.
  • Priorizar auditorias em projetos estratégicos.
  • Melhorar o planejamento anual das fiscalizações.
  • Corrigir falhas identificadas na supervisão técnica.
Ao mesmo tempo, o Tribunal recomendou que o Ministério da Defesa e os comandos das três Forças realizem uma avaliação conjunta. Assim, poderão aperfeiçoar o modelo de fiscalização sem alterar sua estrutura institucional.

Militares temporários permanecem nas auditorias

Outro tema debatido envolveu a atuação de militares temporários nas estruturas de auditoria. Inicialmente, a área técnica sugeriu restringir essa participação. Entretanto, o relator rejeitou a proposta. Segundo Bruno Dantas, o vínculo temporário representa um fator de risco. Ainda assim, ele não compromete automaticamente a independência das auditorias. Para reduzir esse risco, os órgãos devem adotar critérios rigorosos de seleção, supervisão e impedimento.

Decisão fortalece o controle sem alterar o modelo institucional

Após a leitura do voto, nenhum ministro apresentou divergência. Em seguida, o plenário aprovou o entendimento do relator por unanimidade. Com essa decisão, o TCU reconheceu oficialmente que o sistema de fiscalização dos gastos militares apresenta fragilidades relevantes. Ao mesmo tempo, preservou a estrutura atual de controle interno das Forças Armadas. Por fim, o Tribunal concluiu que o fortalecimento da supervisão exercida pelo Ministério da Defesa representa o caminho mais adequado. Dessa maneira, pretende ampliar a independência, a eficiência e a efetividade das auditorias, sem transferir essas atribuições para a Controladoria-Geral da União.

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Fontes

Respostas de 10

  1. Imaginem o grau de desvios e falcatruas ocorridos durante os 21 anos de ditadura militar onde a fiscalização era totalmente corporativista.

  2. Mais um indício que o governo vai aumentar o poder do MD e tirar dos chamados de área. Agora as ccgfex desvincular da SEF é ótimo passo .

  3. Eu sempre disse isso… Se os órgãos de controle… Auditoria e fiscalização realizassem uma devassa na administração militar… Principalmente nas licitações e aquisições realizadas… Noventa por cento dos OD… fiscais… almoxarifes… Estariam respondendo processos… Muitos já puxando uma cadeia… São tantas improbidades… Vícios… Que órgãos como o TCU… Teriam dificuldade em auditar tudo…

    1. “Outro tema debatido envolveu a atuação de militares temporários nas estruturas de auditoria. Inicialmente, a área técnica sugeriu restringir essa participação. Segundo Bruno Dantas, o vínculo temporário representa um fator de risco”. Vai sobrar para os Praças VELHAS (ST/1°Sgt) e Of QAO….

  4. TCU identificou fragilidades e deficiências no sistema de controle interno e na supervisão das auditorias, mas não afirma ou nega que encontrou irregularidades em gastos, licitações, contratos ou desvios de recursos.

  5. Se quem vem aqui so joga pedra no controle interno das FFAA, é porque desconhece a estrutura de controle de um projeto da lei roubanet.
    São tantos buracos sem fundos nesses inúmeros órgãos públicos, caboco vem bostejar aqui.

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