Paraguaios acusam Lula de “distorcer história” ao comentar Guerra do Paraguai

Lula é acusado de distorcer fatos sobre guerra do Paraguai

Presidente afirmou que o conflito começou quando o Paraguai “decidiu invadir o Brasil”. Parlamentares paraguaios contestaram a declaração e defenderam outra interpretação histórica.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou reações no Paraguai após afirmar que a Guerra do Paraguai começou quando o país vizinho “decidiu invadir o Brasil”. A declaração ocorreu na sexta-feira (24), durante visita à Avibras, em Jacareí (SP). Na ocasião, o presidente defendeu investimentos na indústria de defesa e o fortalecimento das Forças Armadas.

Parlamento paraguaio contesta declaração

Logo depois da declaração, deputados e senadores paraguaios criticaram Lula e afirmaram que o presidente brasileiro apresentou uma versão incompleta dos acontecimentos. Além disso, parlamentares defenderam que o conflito possui causas históricas mais amplas. Nesse contexto, o presidente da Câmara dos Deputados do Paraguai, Raúl Latorre, do Partido Colorado, divulgou uma nota institucional neste domingo (26). Segundo ele, Lula tratou de forma superficial o maior conflito da história do país.
“Lula, você está falando com demasiada leveza sobre a maior tragédia da nossa história, o maior genocídio do nosso continente”
Além disso, Latorre afirmou que a Guerra da Tríplice Aliança começou após a intervenção militar brasileira no Uruguai. De acordo com o parlamentar, o conflito matou cerca de 60% da população paraguaia e mais de 90% da população masculina, deixando o país devastado.
“Você já disse uma vez que iria acabar com a guerra na Ucrânia ‘com uma cervejinha’. Hoje, volta a falar de forma leviana sobre conflitos armados na América; se suas ‘jabuticabas’ acabaram, podemos te enviar algumas. Nós conhecemos o verdadeiro valor da paz, porque a pagamos com nosso sangue”

Lula defendeu investimentos em Defesa

Durante o evento em Jacareí, Lula afirmou que o Brasil precisa manter Forças Armadas preparadas e bem treinadas. Segundo ele, essa capacidade funciona como instrumento de dissuasão diante das tensões internacionais. Além disso, o presidente declarou que o mundo enfrenta riscos constantes de conflitos. Por isso, defendeu que o país preserve capacidade militar para garantir a paz.
“Nós gostamos da paz, mas não podemos esquecer que, certa vez, o Paraguai decidiu invadir o Brasil”
“Invadiu Corumbá e, ao mesmo tempo, invadiu o Uruguai e a Argentina. E essa guerra, que parecia que não seria grande coisa, durou cinco anos”

Oposição e esquerda também reagiram

Enquanto isso, parlamentares da oposição e da esquerda paraguaia também criticaram a fala de Lula. Dessa forma, o debate ultrapassou o campo governista e reuniu diferentes correntes políticas. O deputado Rubén Rubín, do partido Hagamos, afirmou na rede X que Lula tenta alterar a narrativa histórica.
“Um povo que esquece sua história permite que outros a reescrevam conforme lhes convém. E é exatamente isso que Lula tenta fazer”
Por outro lado, a senadora Esperanza Martínez, da Frente Guasú, afirmou que as declarações representam “resquícios do imperialismo que tentam ocultar uma guerra criminosa e uma política histórica de domínio e abuso por parte da elite brasileira” contra o Paraguai. Da mesma forma, o senador e historiador Eduardo Nakayama declarou que Lula omitiu acontecimentos anteriores ao início da campanha militar em Mato Grosso. Segundo ele, “o exército imperial brasileiro invadiu o Uruguai”, fato que, em sua avaliação, desencadeou a guerra “mais sangrenta” da história da América do Sul.

Conflito segue alvo de debates históricos

Cerco a Humaitá: a fortaleza foi tomada pelas forças brasileiras em 25 de julho de 1868
Cerco a Humaitá: a fortaleza foi tomada pelas forças brasileiras em 25 de julho de 1868 (Imagem: “Passagem de Humaitá”, de Victor Dornelles – 1886)
A Guerra do Paraguai, também conhecida como Guerra da Tríplice Aliança, ocorreu entre 1864 e 1870. Historiadores apontam diferentes fatores para o início do conflito, o que mantém o tema em debate até hoje. Parte da historiografia considera que a intervenção militar brasileira no Uruguai, em 1864, contribuiu para agravar a crise regional. Posteriormente, o Paraguai apreendeu o vapor brasileiro Marquês de Olinda e invadiu a então província de Mato Grosso. Na sequência, Brasil, Argentina e Uruguai firmaram a Tríplice Aliança e iniciaram a campanha militar contra o Paraguai. Como resultado, a guerra se prolongou por cerca de cinco anos e provocou profundas consequências para toda a região.

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Fontes

Respostas de 10

  1. Uai….esses paraguaios estão reclamando do quê? Eles nào invadiram o Brasil não? Vivíamos dentro de nossas fronteiras e fomos invadidos sim. Daí pra frente aconteceu o que acontece quando uma nação decide afrontar outra nação com o uso de armas e é derrotada nos campos de batalha. Aconteceu isso também com a Alemanha quando decidiu invadir a Rússia e foi derrotada.

  2. De um cabra já enforcou o Joaquim Silvério dos Reis; já estendeu as nossas fronteiras a todos os países da América do Sul; informar que o Paraguai tentou invadir o Brasil é moleza.

  3. Realmente o Brasil interveio no Uruguai, em 1851/1852, na guerra contra oribe e rosas, que eram aliados paraguaios, uma vez que ao Paraguai, com saída para o mar apenas pelo Rio da Plata, interessava manter ali aliados que lhe garantissem a livre navegação sem a cobrança de impostos.
    Uma guerra que, em tese, não deveria ter intervenção de D. Pedro II, uma vez que envolvia interesses da região platina. essa intervenção brasileira realmente foi um dos fatores contribuintes para que, 12 anos depois, o Paraguai promovesse a guerra da tríplice Aliança.

  4. O erro foi o Brasil não ter anexado o paraguai como um estado, e deveria avançar até sair no Pacífico, seríamos um país com um comércio bem mais lucrativo.
    Mas aínda estamos vivos e o governo deveria rever essa decisão, ou anexa amigavelmente igual o Acre, ou vamos de novo invadir e retomar o que foi nosso, por cinco anos no pós guerra,o Paraguai pertenceu ao Brasil.
    Em tempo de Paz preparesse para Guerra .

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